Beijo e Reconciliação Pt. 1
Eu tenho uma playlist do Spotify pra essa fanfic, com músicas citadas e mais algumas pra entrar naquele climinha "party" e afins!
Irei estar deixando o link na minha bio, vão lá dar uma olhadinha!
[...]
"Acabou! E desta vez é pra valer. Não venha atrás de mim, Chou Tzuyu". Estas eram as três frases que martelavam a cabeça da jovem Tzuyu. Não conseguira fazer um terço de seu trabalho. Cerca de sete pastas grossas estavam agrupadas sobre a escrivaninha, à frente da mulher trajada a rigor, e nenhuma delas estava concluída.
Circulou seus dedos em suas têmporas, seguido de um leve tapa na bochecha, na intenção de acordar do mundo abstrato em que vivia.
"Mas que diabos" murmurou. A última vez que Tzuyu não teve cabeça para trabalhar, foi na primeira vez em que ela e Sana tiveram uma discussão. Mas devido a notável frequência dessas brigas, a mulher não gastava mais seu tempo em preocupações, já que ela tinha certeza que uma delas voltaria implorando para um retorno em menos de horas.
Porém dessa vez foi diferente. "... Não venha atrás de mim, Chou Tzuyu". Por incrível que pareça, Sana nunca dissera algo com tanta certeza e convicção antes. Sibilou o "não" com tanta raiva que Tzuyu pôde jurar que viu os lábios da outra se mover em câmera lenta.
"Eu estou fodida". Foi a segunda coisa que pensou: pisara na bola e dessa vez não haveriam desculpas. Sana nunca usara esse jogo de palavras, e mesmo com inúmeras brigas, Chou lembrava de todas últimas frases da mais velha. Eram sempre "Estou brava", "Vou para casa" ou até um "Depois eu te ligo". Mas nunca um "Não venha atrás de mim".
Cojitou ligar para a melhor amiga, mas com certeza Son iria rir, debochar, falar que era paranóia da mais nova, e dizer que iriam voltar logo. Não necessariamente nessa ordem. A questão era, ninguém levaria a sério a situação do mesmo jeito que Tzuyu estava levando.
Para sua sorte ou azar, eram quase seis da tarde. Era a sua deixa para sair correndo e ir para casa de Minatozaki implorar por perdão.
"Mas foi eu quem pediu desculpas da última vez". Dessa vez uma nova dúvida surgira a mente: peço perdão ou não? Deixo que ela venha até mim dessa vez? Orgulho ou amor?
Um olhar de relance no relógio foi a deixa para que ela juntasse suas tralhas do serviço e pegasse o volante para o apartamento onde a amada morava.
Para quem olhava do lado de fora, via apenas uma mulher cansada do trabalho voltando pra casa. Mas dentro da cabeça de Tzuyu estava uma turbulência, seus pensamentos eram tantos que chegavam a ser drama. Afinal, Sana voltaria aos seus pés no fim do dia, não é? Para que tanto desespero?
Para a taiwanesa, era sim um grande motivo para se desesperar, pois Sana estava muito brava, mais do que o normal. Porém seu orgulho também dizia que a culpada da história era Sana, pois foi ela que começara a bronca sem pé nem cabeça que a fizeram discutir. E também, foi Tzuyu a última a pedir perdão "é a vez de Sana", pensava.
Tamborilava os dedos no volante do carro enquanto esperava o sinal abrir. Sem tirar os olhos da rua, guiou a mão direita para o botão de "Liga" do rádio do veículo. "A vai à merda!" chiou irada contra a primeira música que tocou no rádio, mas também não fez questão de trocá-la. "Kiss and Make Up" do BlackPink logo invadiu o carro com a batida envolvente mas com a letra horrível para o momento. Maldita fluência no inglês, se Tzuyu não soubesse a letra da música não faria tanto sentido.
Para ajudar, uma vez Jihyo, uma de suas amigas, disse que a música do casal era esta, já que brigavam sempre e logo estavam se beijando e fazendo as pazes novamente.
Quando o rádio trocou de faixa, a mulher já estava na frente do seu destino. O apartamento de Sana, na qual morava no 13° andar, era um quase arranha-céu, e olhando pra cima, sentiu um gelo na barriga. Restava saber se era pelo medo excessivo de altura ou por saber que teria que enfrentar Minatozaki Sana cara a cara depois da briga de ontem à noite.
Ficou uns segundos se culpando por ter dirigido tão rápido para cá, e também se questionando do porquê Sana morava tão próximo de seu trabalho.
Era agora... Ela subiria ou não? Seu coração mandava ela subir, enquanto sua cabeça mandava ir embora pra casa. Chegou a conferir o horóscopo do dia e um site chamado "Sorteador de Números Aleatórios" para ter certeza: caso caísse no número 1, ela subiria, no 2, ela iria embora.
O sorteador a mandou ir embora, já o horóscopo de Touro para aquela data dizia: "não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje." Empate. De novo. Já estava casada da enrolação toda que ela mesmo estava fazendo.
Sentada no banco do motorista, apertava com força o volante enquanto pensava. Decidiu que iria escolher o que fazer lembrando de como Sana é e como ela poderia reagir.
Sana é alguém introvertida, porém de personalidade forte. Ela luta por tudo o que quer e não deixa ninguém mudar sua opinião, discutir com ela era praticamente uma missão suicida.
Isso fez Tzuyu lembrar da maneira como Sana conseguia ser assustadora falando de maneira tão calma e serena. Lembrou das vezes quando Sana sorria, aquele sorriso debochado e filho da puta que fazia Tzuyu se irritar tanto ao ponto de quase pular no pescoço da mais velha por raiva
Mas também lembrou da vez quando Sana defendeu Tzuyu num restaurante, e fez um enorme barraco para convencer o dono de lá de que a comida de Chou tinha um fio de cabelo. Aquilo fez a mulher sorrir. E por último teve a lembrança de quando Minatozaki debateu com um homem sobre o porquê da comunidade LGBTQ+ ser tão importante.
Empate novamente. Concluiu que a mulher tinha seus prós e contras, não sabia o que fazer. Tentou a tática novamente.
Em sua mente veio o quão carinhosa e romântica Sana era. Quando ela queria pedir perdão por uma discussão, ela fazia mil e uma coisas para provar do seu amor. Desde buquê de rosas, com direito a visão de Minatozaki ajoelhada, até um pedido de desculpas em um dos outdoors da cidade (sim, ela já fizera isso).
Mas claro, Sana também era muito ciumenta, queria saber com quem Tzuyu saia, para onde ia e que horas voltaria.
Ela era fofa, e muito prestativa. Quando Tzuyu ficava doente, ela fazia de tudo para cuidar muito bem da mais jovem, e não ligava de pegar um resfriado, o importante era abraçar a amada.
Mas também... "CHEGA! Eu vou!" declarou alto e sozinha em um único suspiro, abrindo a porta do carro e indo confiante até a portaria.
Não seria difícil entrar já que sua face era conhecida para os porteiros do edifício. Por um momento pensou que eles não a deixariam entrar porque Sana poderia ter lhes avisado, mas eles apenas lhe deram um sorridente "Boa tarde!" e seguiram seu dia.
A mulher ali suava frio, apertou o número no elevador implorando para que ele desse algum problema e parasse no meio do caminho. "Mas você veio até aqui, não é?".
Vamos lá, Tzuyu. Isso vai ser fácil, em poucos segundos ela vai estar em seus braços novamente e vocês irão rir da situação, não é?
"NÃO! QUE PARTE DO 'NÃO ME PROCURE' VOCÊ NÃO ENTENDEU?". E gritou mais muitas coisas sem sentido. Nesse momento, Tzuyu parou de prestar atenção para olhar a mosca que voava num canto qualquer. Queria se estrangular por ter vindo até aqui. Deveria imaginar que Sana não a queria. Por que veio?
O seu cérebro disse um belo "Eu avisei", enquanto o seu coração estava destruído em pedacinhos.
Percebeu que o pé na bunda havia acabado quanto tomou um susto com a porta fechando na sua cara, uma batida tão forte que a fez estremecer de medo.
'Tá, mas e agora?" Pensou recostada em uma das quatro paredes do elevador, quando chegou ao térreo, um dos homens que estavam na recepção lhe perguntou: "Já vai, senhorita?"
"Ela não quer me ver. Mas acontece." confessou enfiando as mãos no bolso traseiro da calça e dando de ombros. Deu uma piscadela e saiu rua a fora como se nada tivesse acontecido. Mas por dentro ela queria quebrar Minatozaki em pedacinhos. Queria quebrar ela mesma em pedacinhos. Inclusive quebrar Nayeon, que ligou pra ela agora, em pedacinhos.
A garota atendeu por obrigação, pois não estava no clima para ligações, na verdade, não estava no clima para nada. Já dentro do carro se preparou para sair dirigindo, mas foi impedida pela mulher ao telefone.
"Se está dirigindo, estacione. Não vou falar com você ao volante." Falou como se soubesse o que Tzuyu estava fazendo. Desligou o carro novamente antes de soltar um suspiro sôfrego. "O que você quer comigo?"
"Eu ein bicha, Deus me livre desse seu mau humor!" e riu alto, fazendo Tzuyu afastar o celular da orelha para evitar estourar os tímpanos. "Fala logo o que você quer, Nayeon."
"Quero te levar para uma festa! Hoje a noite. Na casa da Jeongyeon, minha amiga." Ela iria dizer não, óbvio que iria, mas Nayeon não deixou, continuando sua fala "E não adianta negar!"
"Eu não vou." Respondeu simples "Ah! Por que não? Você nunca recusa festas! Brigou com a Sana de novo?"
"Como adivinhou?" Nayeon não precisava estar na frente de Tzuyu para saber que esta revirava os olhos de raiva. "Não precisa ser Sherlock Holmes pra saber. Já tentou falar com ela?"
"Estava saindo agora do apartamento dela, então o que acha?" Tzuyu já estava de saco cheio daquele papo, e da voz aguda de Nayeon piorando sua dor de cabeça. "Então vamos melhorar esse astral. Você não tem opção. Passo na sua casa às seis e meia. Vou me arrumar aí e nem adianta trancar a porta. Eu tenho a chave"
"Como você..." Antes mesmo que ela questionasse, Nayeon se despediu com um "Okay, tchau" e desligou a chamada.
"Eu espero que isso valha a pena! Se não vou degolar Nayeon viva!" disse, ligando o carro pela segunda vez e dando partida para longe dali.
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