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Anne acidentalmente deixou todos os papéis caírem, assim que finalmente fecharam a porta da sala branca. Havia um vidro, a separando do jovem Van Dijk mas ainda assim, ela conseguia sentir seu olhar, enquanto juntava as folhas do chão.
Anne sentou-se na cadeira que havia sido separada para ela e então sorriu amigável, deixando todos aqueles papéis em cima da mesa.
Ruel estava estático, com as mãos entrelaçadas em cima da mesa enquanto olhava fixamente para a garota em sua frente.
Anne parecia fissurada na beleza que o Van Dijk possuía, ele acabava com o mito de que todos os serial killers eram feios e rejeitados. Pelo que havia pesquisado na noite anterior, Ruel usava da sua boa aparência e popularidade para atrair suas vítimas.
— Olá Ruel, meu nome é Charlie. — Ela manteve o sorriso, enquanto Ruel continuava a encarando com aqueles olhos vazios. O medo fazia com que ela mentisse até mesmo o seu nome. — Vou te fazer algumas perguntas, tudo bem?
— Se eu disser que não, você ainda vai perguntar. — Ele finalmente disse algo, ainda olhando nos olhos da garota.
Anne sentia seu rosto corar e então começou a encarar o papel em cima da mesa. Suas mãos tremiam e aquelas bochechas coradas faziam com que Ruel percebesse o óbvio, ela era carente e não sabia como se comportar na frente de garotos bonitos.
— Como têm sido os anos que passou aqui? — Anne perguntou, após finalmente ligar o gravador.
— Todos os dias é a mesma coisa, fico esperando alguma adolescente boba e curiosa aparecer, para eu finalmente acabar com ela. — Ruel usou o tom de sarcasmo, enquanto Anne sentia o típico frio na barriga, aquilo era uma indireta?
— Por que fez aquilo com a Sylvie?
O Van Dijk deu de ombros, se ajeitou na cadeira e então voltou a olhar Anne nos olhos. Ela logo percebeu que ele não iria responder e então seguiu em frente.
— O que você sentia enquanto assassinava aquelas garotas?
Os olhos do garoto eram muito vazios e ele continuava sem demonstrar qualquer sentimento. Porém o seu corpo o denunciava, o garoto fechou a mão tão fortemente, que algumas veias começavam a saltar.
— Você ao menos se arrepende, Ruel?
— Senhorita, o seu tempo acabou. — Um dos enfermeiros interviu, enquanto Ruel continuava com a mão fechada.
— É claro que não. Me prometeram trinta minutos!
— Ele precisa voltar para o quarto, agora. — O homem insistiu.
Anne então reparou no sangue que estava escorrendo na mesa. Ruel havia cortado sua mão com as próprias unhas, enquanto as apertava ainda mais na pele.
Ela estava assustada e então imediatamente se levantou e organizou seus papéis. Ruel soltou sua mão aos poucos e então sorriu, mostrando todos os dentes e Anne não podia negar, ele era mesmo muito bonito.
— Não vou te dar respostas Anne, porque eu quero que você volte amanhã.
Enquanto Anne estava apavorada, Ruel continuava pleno. Ele apenas era apegado aos detalhes e havia visto o colar prateado escrito Anne, no pescoço da garota, sem contar que ela ficava nervosa quando mentia e ele conseguia sentir aquilo.
— Eu vou te ver mais uma vez, não vou? — Ruel insistiu, Anne apenas assentiu com a cabeça. — Então até a próxima, Anne River.
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