6°: "Outro dia comum"
Esse é apenas mais um dia comum, estou morando só e tenho uma moto boa pra me locomover por aí, estou na cafeteria, tomando um belo copo cheio de chocolate quente com pão de queijo, acompanhado por velhos amigos de infância, quero dizer, dessa vez apenas com Hannah.
Passei a noite sem dormir olhando para o céu da porta da minha casa, senti a chuva da madrugada como nunca antes, vi sol nascer, tomei um banho, subi em minha moto e fui tomar meu café da manhã. Hannah estava linda como sempre, sorrindo e alegre. Dei o melhor de mim para devolver o sorriso a ela. Depois sentamos e conversarmos como sempre, após um tempo se passar Hannah falou:
_ Você não está muito legal hoje, percebi quando chegou, parece ter perdido a noite. O fato de El não ter vindo hoje tem alguma coisa haver com isso?_ Hannah me conhecia o suficiente para reparar quando eu estava diferente do natural.
_Talvez tenha, ele foi conversar ontem comigo, me contou algo ruim, eu me senti muito mal e pelo jeito ele também não se sentiu bem, mas eu pedi pra que tudo ocorresse normalmente, ele deve está se culpando de algo._ Sabia que Hannah era de confiança e que eu podia contar tudo que eu quisesse para ela, mas ainda não me sentia confortável o suficiente para contar que eu ia desaparecer da face da terra a qualquer momento, nem tinha como explicar que eu não estaria morto, pelo menos não inicialmente._ Mas não se preocupe com isso, foi só uma briga boba nossa.
_ Deuses a coisa foi feia mesmo em? O El não querer conversar? Algo de sério aconteceu mesmo, boba sou eu em acreditar que não foi nada.
_ Queria que fosse simples assim Hannah, eu já teria resolvido.
_ Você sabe que pode me contar quando tem algum problema não é? Lembra da sua amiga que está do seu lado a muito tempo? Ela ainda está aqui._ ela acenava tentando me animar.
_Não é algo que você precise se envolver, em alguns dias tudo vai estar bem resolvido.
_ Você tem certeza disso? Estou aqui para ajudar, de verdade!
_ Foi a maior certeza que o El me deu ontem._ Respondi, era tudo em que eu pensava.
_ Certo, não sei se isso é algo bom ou ruim, mas vocês precisam se resolver, vou falar com o El depois, agora está dando a minha hora. Vou levar um pouco dos seus pães de queijo, você não parece está com fome e não comer é um desperdício, amanhã no mesmo horário a gente termina a conversa.
_ Se eu estiver aqui eu adorarei pensar nisso de novo e ficar cabisbaixo_ falei murmurando em tom de sarcasmo.
_O que disse?_ disse ela tentando escultar
_Esqueça tudo bem? Essas coisas se resolvem.
_ Se resolvem é? Assim espero.
_ Não sei se essa tem como ser resolvida_ murmurei.
Hannah já estava longe e não ouviu, mas me viu gesticulando, ela me encarou com dúvida e saiu acenando para mim com pães de queijo em uma das mãos colocando-os em uma sacola, após sair subiu em sua moto, deu partida e se foi.
Após virar a esquina fiquei olhando a rua esperando Juno aparecer.
O dia estava mais quente hoje, mesmo cedo, as pessoas estavam apenas com casacos finos e sem muitos adereços, seria um dia ótimo para praticar algum esporte, hoje o sol esquentava, porém a brisa fresca era relaxante e gostosa.
Lembrei que podia controlar o tempo e fiquei tentando me imaginar fazendo o céus se fecharem com nuvens, para deixar o dia de todos nublado como o meu. Não passava nem perto do que eu conseguia fazer agora.
_ Você fica olhando a janela esperando que eu apareça? Ou esta tentando fazer as crianças correrem com essas caretas._ Juno já estava do lado da mesa arrumando-se para sentar_ Hoje o senhor está mais distraído Sr. Otuoc, ainda tonto pelo desmaio? Ou está pensando em nosso encontro?
_Radiante e surpreendente como sempre._ Eu disse depois de me recuperar do susto.
_ Me desculpe o susto. Ainda estava no Hospital, tive que dobrar o turno, quando vi, o sol estava nascendo. Estou acabada de cansaço, então pensei em vir tomar um café, imaginei que estivesse aqui_ se todo cansaço do mundo fosse como aquela mulher eu queria acordar com o cansaço todos os dias._ Sei que você me convidou para um encontro e por algum motivo estranho eu aceitei, mas ainda não gosto que as pessoas me encarem por muito tempo sem falar nada.
_ Me desculpe_ falei desviando o olhar.
_ Você não está falando muito hoje, esta um pouco aéreo, não que já não seja bastante pelo pouco que te conheço, mas hoje parece diferente_ o fato de ser atenciosa com as pessoas com certeza deve ter sido um motivo para a moça se tornar médica.
_ Não se preocupe, acho que eu entendi por que desmaiei, e não vai acontecer de novo, não sei se existe a possibilidade na verdade.
_ Não vai mais me visitar no Hóspital?_ Disse ela rindo.
_ Olha como é audaciosa_ eu disse rindo_ Acho que estou perdido em meus pensamentos._ eu estava pensando em onde o El estaria naquele momento queria que ele pudesse ter conversado comigo um pouco hoje, não me imaginava tendo um fim brigado com ele.
_ Não vou te questionar de mais, não quero me intrometer nos assuntos internos da sua cabeça, só espero que você não esteja me fazendo de boba com aquele assunto de ter levado o melhor fora da sua vida, não gosto de pessoas mentindo para mim e não sou de aceitar sair com muita gente, espero que você não seja só papinho furado._ ela deu uma risadinha.
_ Não se preocupe Srt. Mystar, realmente levei o melhor fora da minha vida e não pretendo levar um de você.
Ela riu, era interessantíssimo falar com ela, me sentia um pouco melhor com relação ao meu recente problema, ela me deixava mais leve. Depois de tomar o café ela se levantou e se despediu, disse que precisava descansar para poder voltar a trabalhar a noite e então foi embora, me largando com um copo cheio e a mente num turbilhão.
Depois de algum tempo sozinho resolvi voltar para casa. Quando estava quase chegando percebi que alguém estava me ligando. Parei a moto e atendi a ligação.
_ Alô?_ eu disse.
_ Karl Otuoc!_ era a voz de El_ Eu descobri! Descobri algo que pode te ajudar, passe em minha casa agora.
_ Opa! Já estou chegando!
Por mais que El fosse o causador do problema ele era ainda o cara mais confiável que eu conhecia e o único que eu podia confiar nesse momento. A notícia também era boa, isso me motivou a ir.
Chegando ele me esperava na porta. parecia tão abatido e cansado quanto eu.
_ Eu passei a noite toda estudando o que poderia me ajudar a tirar a armadura de você e descobri um jeito_ ele me falou em quanto me levava para dentro da casa dele.
A casa era muito rústica, uma frente feita a madeira bruta muito bem alinhada, a grande porta da frente dava ênfase ao salão da entrada, tudo muito bem arrumado e bem feito, dentro da casa muitas coisas feitas e/ou melhoradas por El se espalhavam por todos os lados, de início uma sala de entrada aconchegante se estendia até chegarmos em sua oficina nos fundos. Ele continuou:
_Tudo o que precisei fazer foi resgatar todos os dados dos soldados, podemos tirar isso de você lhe causando danos bem menores, como: muita dor e alguns ossos quebrados, mas nada de perder movimentos ou mortes.
"Assim espero."_ Murmurou El.
_ E o que estamos esperando? Vamos fazer isso agora!_ eu me animei muito, mas não esperava que a notícia fosse tão boa, estava a espera de um porém.
_ Ficar Pronto, não podemos fazer nada ainda, porque, não terminei de montar o aparelho, mas farei o mais rápido possível, nunca antes foi necessário retirar a armadura de um corpo. Você precisará esperar um pouco.
_Certo, e quando fica pronto?_ odiava esperar coisas que podiam resolver minha vida.
_Ainda não sei, mas assim que ficar pronto eu te aviso, foi tudo muito rápido, não tive tempo para montar e estabilizar tudo.
_ Significa que posso viver minha vida normal?
_ Esperamos que, se tudo der certo, sim! Só temos que fazer isso antes dela se acomodar ao seu corpo!
Sai da casa de EL renovado, existia uma forma de parar tudo aquilo que pensei que ia me matar, eu podia voltar a viver minha vida e escrever. Não, dessa vez eu ia estudar muito, pretendia ser algo legal e comum, como um estudante de direito, me formar e pensar em coisas novas, minhas esperanças não tinham desaparecido.
Pensando assim ser comum é irritante, prefiro escrever muito mais.
Aquele dia realmente tinha esquentado muito, senti calor, tirei a blusa do agasalho, peguei a minha moto e voltei pra casa. Estava satisfeito.
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