35° "Respiração e gelo"

Em pouco  chegamos a Polo.

Diga-se de passagem, ele não gostou desde que bateu o olho em Vitória.

Expliquei tudo para ele.

_ Certo, entendi, e qual o nome dela?_ Polo me olhou com a cara de quem comeu e não gostou.

_ É... O nome dela é..._ eu não tinha nem feito questão de saber... me senti um pouco envergonhado na hora.

_ Meu nome é Vitória,_ ela interrompeu o momento constrangedor, surpreendendo com seu nome._Karl estava mais interessado na segurança do que em mim. E não falem como se eu não estivesse aqui, eu consigo falar e ouvir.

Polo ainda estava insatisfeito, mas com pouco agrado cumprimentou Vitória.

_ O que ele tem haver com tudo?_ ela perguntou presunçosa descriminando Polo.

_ Ele é  parte dos amigos que me restaram, os que pretendo proteger._ Disse o acolhendo para meus braços.

_ É a primeira vez que ouço isso._ ele disse quase com um brilho nos olhos, eu estava um pouco mais alto do que ele.

_ Eu nunca disse que não era._ eu comentei breve, o soltando.

Por um breve momento achei que ele corou, acho que foi um detalhe que deixei passar na hora.

_ Vamos, precisamos estudar melhor como funciona a devastação de cada um dos "Rebuliços"._ Disse Vitória.

_ Parece que, dos quatro que sobraram, falta apenas conhecermos um, não é isto?_ perguntei.

_Falta você conhecer,_ Ela corrigiu, e após um tempo de silêncio mudou de assunto_ preciso lhe dizer algo, não há informações de que a armadura do primeiro que morreu, sofreu uma auto destruição, elas são feitas para nos proteger a princípio, então só sabemos que Harry o matou pelo que nos foi dito, o que significa que ele pode ter conseguido fugir, aquelas cavernas gigantes abertas no meio da cidade não parecem ter sido feitas por Harry.

_ Hoje é, necessariamente, um péssimo dia pra você nos falar que existem mais dois desgraçados como este Harry._ Polo disse, exausto de novos nomes.

_ Eu estou dizendo o que eu vi, pode ser que Harry consiga criar terremotos, pelas vibrações que o corpo dele faz, e talvez, criem fendas como aquelas, entretanto Carlos conseguiria fazer isso de forma mais rápida e enorme.

_ Ótimo, então ele achou um jeito de manter o amigo vivo e agora está simplesmente coagido com ele em missões?_ Perguntei o óbvio.

_ É uma boa Hipótese._ ela disse sorrindo._ Mas isso também não é importante agora, o que você precisa aprender é o controle emocional.

_ Está me chamando de excêntrico?_ perguntei.

_ Sim, você é totalmente movido pelo seu emocional, não usa a razão para realizar feitos, já percebeu que toda vez que nós, soldados, usamos o emocional ao racional nós perdemos?

_ Como assim?_ me peguei em dúvida.

_ Você só venceu uma batalha contra Minerva, porque ela se afastou do raciocínio lógico, ela ficou irritada por aparecerem cada vez mais pessoas a atrapalhando e resolveu destruir tudo, só queria acabar com aquilo, gastou energia com algo desnecessário.

_ Espera, eu ganhei porque lutei com tudo._ senti ela dando um soco no meu ego.

_Exatamente!_ ela disse surpresa, como se eu tivesse descobrindo a gravidade._ Ela lutou com três armaduras e ainda teve energia pra fugir da destruição que causou, chegar em um local seguro e sobreviver pra a próxima caçada.

_ Levando o El._ Disse Polo começando a concordar com Vitória.

_ Sim, mas eu não tive papel nisso?_ meu ego estava quase nocauteado.

_ É você foi a última pedra antes dela sucumbir, mas poderia ter sido qualquer um._ ela disse dando os ombros_ Entenda, você desmaiou e não cumpriu o objetivo principal que era não deixar as pedras grandes caírem na cidade, isso foi um desastre, você viu o grau de destruição que causou na praça e nas casas ao redor?

_ É... _ confirmei em lamentação.

_ Não se lamente, vou lhe ajudar a ter controle emocional, mas você precisa querer. Entre outras coisas. Ou você não quer uma vingança?

_ Vou precisar, então quero aprender sim._ eu disse dando os ombros, era a única maneira.

_ Vingança não é emocional?_ Polo levantou a questão do momento.

Aí todos pararam e ficaram pensando.

_ Não importa,_ disse Vitória_ ele precisa ficar calmo na hora da luta.

Por mais treinada que ela fosse, por mais respeito que ela passava com poucos olhares, não tinha como notar a beleza de seus cabelos macios e compridos, claramente Vitória tinha uma certa vaidade, seu sorriso era inquietante, seu olhar era duro, porém tocante, não tinha traços masculinos e claramente seu tamanho não a definia, era mais forte que qualquer mulher que eu já havia conhecido.

_ Não me encare, seu indigente!_ ela disse, notando que eu havia me perdido em seus traços.

_ Como você treinará a minha calma? Meditação e budismo?

_ Bem que você está precisando de um momento com Monges, mas será apenas meditação, banhos frios, e exercícios.

_Banhos frios?_ questionei.

_ É um método, foi criado por alguém que fez muita coisa, não sei o nome do método, mas sei praticá-lo.

_ Eu sei o nome_ disse Polo.

_ Não importa o nome do método, fique quieto, o que importa que ele vai te ajudar a ter controle emocional._ Vitória tinha um jeito muito doce de ser dura com Polo._ Vamos começar agora, Ative a armadura, precisamos de privacidade.

_É qu..._ comecei.

_Deixe que ela descubra._ disse Polo, interrompendo.

_ Descubra o que?_ ela tentou descobrir.

_ Vão, podem ir,_ Disse Polo.

Ativamos a armadura, não demorou muito para Vitória perceber que Polo conseguia nos ver, porém ela resolveu ignorar completamente. Ela me mandou sentar, disse que existia a possibilidade de eu desmaiar me disse para fazer três sessões de trinta respirações, respirando ao máximo e, Sem pausas, expirando com calma, assim que eu terminasse cada sessão deveria puxar todo o ar que conseguir e  se segurar o máximo possível.

_ Agora você vai notar que o seu corpo vai estar tão oxigenado que você nem vai sentir vontade de respirar_ Disse Vitória quando prendi a respiração pós primeira sessão._ Você vai conseguir prender por trinta segundos com muita facilidade, a respiração faz uma oxigenação corporal completa, seus músculos, cérebro, e sistema ficam muito mais melhorados.

Passaram-se os 30 segundos.

_ Agora solte a respiração e segure por quinze segundos_ Ela disse._ esse vai ser sempre quinze segundos, mas o outro cada vez mais você conseguirá ver uma evolução. Agora volte e mais uma sessão

Ela voltou a explicar o que fazia, como deixava o corporais alcalino, diminuindo a dor por conta das ligações nervosas precisarem de blábláblá... ela não parou de explicar, fiz pela segunda vez e prendi a respiração.

_ Agora será um minuto, segure. Normalmente tem pessoas que conseguem já na segunda rodada alcançar mais de dois minutos sem preocupações_ ela falava com a maior calma do mundo.

Eu por outro lado estava chegando nos trinta segundos extremamente angustiado, a minha ansiedade fazia de tudo para eu respirar. Aguentei 46 segundos  e soltei todo o ar segurando por mais 15 segundos.

_ Okay..._ ela disse com um olhar de desanimo.

Fiz mais uma vez e na terceira  não aumentei mais que cinco segundos.

_ Eu nunca vi alguém pior que você_ ela disse ao me ver terminar.

_ Controle emocional não é bem algo que eu tenha._ falei também decepcionado comigo.

_  o normal é fazer picos de mais de um minuto na primeira pausa_ ela colocou a mão no rosto_ Você mal mal fez os trinta.

Dei os ombros.

Pulamos a segunda parte, que seriam exercícios com a respiração presa e fomos a terceira.

_Vamos começar o banho frio, e não vou pegar leve, você vai chorar.

Eu ri, até vê-la trazendo gelo para colocar em uma banheira, ali eu quase chorei.

_Está de brincadeira? TU ACHA QUE EU VOU ENTRAR NJMA BANHEIRA COM GELO?_ ESPERVA QUE O BANHO FRIO FOSSE APENAS FRIO

Ela nem me respondeu, derramava o saco de gelo dentro da bacia arranjada de última hora.

Droga, ela não estava se importando. Aquilo com certeza ia doer na alma. Ela me chamou, coloquei os pés, deveria ter mergulhado de cabeça logo, seria menos angustiante, quanto mais eu mergulhava o corpo mais eu tinha vontade de sair, se é que ela conseguiu contar, eu não fiquei mais que 15 segundos dentro da água. Ela me empurrou mais duas vezes lá dentro, não que fosse a melhor sensação do mundo, mas ela me mostrou depois que não era nada de mais.

Ela fez a mesma coisa, me mostrou como fazia aquela respiração, me mostrou como ficar um longo tempo dentro de uma banheira de Gelo, isso não era mais do que um pouco de sofrimento ela dizia.

_Vamos ao que interessa de verdade._ Vitória parecia satisfeita com minha cara de desespero._ Eu quero que você me ataque. Quero que venha com tudo, use a sua energia para me atacar.

_ Agora eu gostei._ me animei.

_ Você bate em mulheres?

_ Nós estamos treinando combate agora, não?

_ Bom argumento._ Vitória disse._ Venha com tudo.

Ela ficou em pose de luta, eu diria que era alguma luta de defesa, seus punhos não estavam serrados, estava com as palmas da mão aberta e uma na frente da outra.

Fiz a única pose que eu sabia, serrei os punhos na altura da temporada, protegendo meu rosto, uma perna na frente e outra atrás, uma base de apoio.

_ Eu disse venha!_ Ela disse após a pouca demora.

Fui ao ataque, não era despreparado, dei uma meia lua, passou perto de seu rosto, mas foi muito bem desviado, usando a força do corpo já ataquei com alguns socos, ela nem precisava me tocar para desviar, o olhar dela era calmo. Fiquei estupefato, rasteira, ganchos,  socos diretos, chutes rotatórios, surpresa com a perna de trás, meus chutes tinham uma perfeição  em performance, mas ela não tinha deixado eu tocar em um fio de seus cabelos.

_ Achei que você estava animado._ Vitória  disse.

Eu não entendia que velocidade era aquela. Decidi usar um pouco da armadura, passar dos limites que meu corpo tinha. Voltei dois passos, me concentrei, segurei duas correntes de ar com as mãos, podia senti-las passando por entre os dedos.

_ Vamos brincar então._ Falei com um sorriso.

_  Ai que meda!_ Vitória tirou eu sorriso rápido.

Voltei aos ataques, cada soco empurrava os fios para trás, movia até as árvores em volta. Era possível sentir a força,  soquei a direita, ela desviou, soquei a esquerda e girei com um chute, ela desviou e abaixou, frutas caíram da árvore atrás.

_ Eu estava esperando mais de de já estava se preparando. Achei que queria vingar alguém.

  Olhei, estranhei seu olhar.

_ Vamos lá molenga, Hannah? Morreu de quê mesmo? Foi uma hemorragia no nariz? _ ela  estava com um sorriso.

Como... Ela  queria me irritar, estava me irritando. Parei

_ Que foi? ficou com medo, senti seu ventinho soprando aqui, era pra me arrepiar?_ ela sorria_ aí acho que conseguiu.

Ela mostrava o braço.

_ Venha Karl!_ Gritou

Fui mais uma vez, eu conseguia sentir o ar aquecendo, criando gotículas de água e condensando ao redor de mim, a cada soco uma fumaça subia. Com muita tentativa eu estava extremamente cansado, estava suando feito porco.

_ Acho que que choveu aí, parece que toda vez que chove chove você acontece um desastre. Como a morte de El.

Ela estava conseguindo me tirar do eixo.

Fui mais uma vez, com força, pequenas nuvens  chegavam a se formar nas extremidades do corpo.  Estava chegando mais perto, minha velocidade estava aumentando. Conseguia atingir seus fios de cabelos, estava quase raspando, na euforia dos golpes consegui achar uma brecha. Girei e alcancei um soco no rosto dela, ela desviou, mas não o suficiente, a mão chegou a raspar no canto da maçã de seu rosto.

_ Há_ gritei voltando a base.

Arranhou.

_ Emocionou, vou deixar você mais emocionado_ ela tirou um bonequinho do bolso e levantou o braço depois soltou fazendo um assobio de queda. Antes que tocasse no chão a pressão do ar baixou de uma forma que o boneco rodopiou e soltou os braços e pernas._ Te lembra alguma coisa? Venha com tudo desgraçado!

NA SEGUNDA FRASE EU JA ESTAVA CORRENDO EM DIREÇÃO À VITÓRIA, AQUELE FOI O GATILHO.

Brincar com a morte de meus amigos era o que ela precisava para arrancar minha sanidade. Fui com toda a minha ira, senti que a humidade do ar se acumulou muito próximo a mim, as moléculas estavam tão agitadas que eu conseguia criar pequenos raios sem precisar de uma tempestade.

Usei meu soco forte. Ela me atacou antes de eu encostar, voltei a base girei, o corpo parecia não ter controle algum, voltei a base a velocidade subiu ao extremo, com o meu melhor direto eu mirei no meio do nariz dela surgiu uma nuvem de tempestade nas mãos, os raios eram visíveis. Ela precisou me tocar, sua defesa era tão rápida quanto suas palmas das mãos viraram para a direção do meu braço, a primeira coisa que fez foi empurrar meu punho para fora do alcance de seu rosto, deslizando e empurrando minha mão para fora. Era possível ver a energia a eletrocutando seus pelos dos  braços arrepiavam.
  
A energia se soltou com o meu stop, ela foi ao chão e explodiu um pouco de terra, como uma pequena bomba.

_ Entendeu?_ ela me segurava pelo ombro e pelo pescoço._ a raiva te faz perder o controle, controle seus sentimentos, e você fará dez vezes melhor.

_ Eu te arrepiei._ DISSE COM UM SORRISO._ Só precisava disso.

Aquele dia foi péssimo, os outros que se seguiram não melhoraram tanto. O corpo realmente ganhou resistência,  mais rápido do que eu imaginei que seria, talvez pela armadura.

O dia foi se acabando, Vitória decidiu focar na casa de Polo por enquanto, eu decidi pular da casa de Polo para a minha, sentia saudade do conforto do meu quarto, sentia saudade do conforto de olhar as estrelas da minha janela.

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