27°: "Treino de Palavras"
Eu preciso treinar.
Este era o pensamento que me vinha na mente, eu tinha uma promessa de morte nas costas, Harry vai voltar. Não parecia o tipo de pessoa que estava disposta a voltar atrás em sua palavra.
Me dediquei a isso o máximo que eu pude, comecei a melhorar em mais uma semana, aos poucos eu me sentia mais rápido e mais forte. O ar parecia mais perceptível, eu conseguia sentir e mover pequenas massas de ar. O controle era instável e trazia muitas ventanias fortes inconstantes.
Os dias que se passaram foram todos frios até agora, o sol vinha e ia sem ser visto.
O dia de hoje era peculiarmente frio, aquele frio que não permite sair de baixo da coberta e gela o nariz e a ponta de todos os dedos.
Eu estava na porta durante toda a noite e madrugada, tentando segurar no nada e puxa-lo ou afastá-lo de mim.
_ Hey, Karl._ Polo estava totalmente embrulhado, vestia uma blusa grossa, uma toca, luvas, meias grossas e sandálias, por cima de tudo um cobertor. Eram 4:30 da manhã._ posso me sentar contigo?
_ O que você está fazendo acordado?_ Perguntei preocupado.
_ Porque eu estou aqui?_ respondeu o que ele entendeu se sentando do meu lado_ Primeiro eu não durmo muito bem desde aquele dia, segundo te procurei na janela e não te vi acordado olhando pro céu, então vim tentar a sorte de te ver na escada da sua casa. Dei sorte de te achar.
_ Como você me entende? Ainda não entendi o que você faz.
_Oi? Repete, o sono me deixa lento.
_ Como sabe o que estou falando? Você só pode me ver certo? Não me escuta.
_ Já disse, você é expressivo, eu tento entender o que você está pensando desde sempre, apenas observando sua afeição, o resto eu só chuto, tenho uma boa intuição.
_ Eu não saberia como conversar com alguém que não fala como você é Pipper fazem.
_ Não é difícil te entender, só é complicado quando nós não somos escutados, você é um bom ouvinte, não se importa de ouvir, só isso facilita nossa conversa e a torna extremamente agradável.
_ Você fez bem em se esconder aquele dia.
_ Porque ficou cabisbaixo de repente? Falei algo errado?_ Polo não entendeu minha fala.
_ Não, não é isso, é só que você parece ser legal, e pelo que me disse é um imã de problemas. Deve ser assustador ter que conviver com estes fantasmas o atormentando._ tentei gesticular um pouco mais.
_ Entendo que parece que eu estou sempre assustado, buscando algo que me ajude, é um pouco de verdade, porém eu sinceramente amo ter conhecimento disso, me torna mais normal. Me explica muitas coisas que todos não entendem.
_ Você precisa de pessoas contigo? De amigos?
_ Eu costumo viver bem com o que tenho.
_ Eu acho que está faltando algo, tudo isso começou de uma forma muito estranha, tem algo que não se encaixa. Sei que tem algo errado.
_ Está querendo entender por que ela precisou morrer, não é isto?_ Polo parecia mais perdido nos pensamentos que o comum, não tinha certeza do que eu estava pensando._ Não sei se te ajuda de alguma forma, mas aquele cara me lembrou o homem da floresta.
_ Como assim? Que cara?
_ Lembra que quando nos conhecemos eu lhe contei umas histórias? Do cara que eu vi na floresta, que corria e nós o caçamos por horas seguidas? Ele tinha o mesmo corpo e andava como o homem que entrou pela janela. Não vi seu Rosto mas tenho quase certeza de que era ele.
Eu lembrava muito bem de quando nos conhecemos, era difícil esquecer pessoas como Polo.
_ Então Harry era a mesma pessoa que destruiu aquela cidade!_ Ele tem toda essa força, poderia simplesmente abrir uma cratera e tentado enterrar todos nós juntos.
_ Poderia ter sido pior não é?_ Polo me olhava aflito_ Por que ele não veio como da primeira vez? porque ele não veio como os outros?
_ É justamente o que não entendo, Minerva veio com tudo para destruir a cidade depois de completar a missão. Harry veio com a intensão de matar.
_ Está muito pensativo..._ Polo parecia nervoso._ É complicado entender essa sua expressão, você se fecha para o mundo.
_ Você me faz pensar Polo.
_ Está pensando que ele já vinha decidido matar Hannah, não? Que toda aquela briga foi apenas uma cena para chegar a esse desfecho.
_ Não dependia do que fizéssemos, foi uma ordem direta para ferir alguém que estava próximo de mim. Era pra desestabilizar a minha mente... começar minha destruição pelo psicólogo!
_ Parece que você está tendo a mesma ideia que eu tive. Você esteve envolvido com a noite das luzes, a tempestade e a briga de pedras e relâmpagos não foi natural, tenho certeza de que deve ter feito algo para incitar os caras demoníacos que destroem cidades inteiras, então eles vieram atrás de você mais uma vez e tentar te destruir enquanto estava se recuperando._ Polo poderia ser um azarão de janela, mas era extremamente astuto, era perfeito em montar um quebra cabeças do zero e encaixar as peças da maneira mais correta, mesmo que fosse loucura.
_ Indago que você associou isso apenas por observar o que aconteceu esses dias._ Falei realmente abismado.
_ Está surpreso que eu saiba tanto sem que possa escutar uma palavra do que fala._ Polo sorriu._ é por montar boas histórias que eu te vigiava, se tudo que estou pensando estiver certo, tem mais uma pessoa envolvida nessa história, que está tramando contra você. Só não tenho ideia de quem poderia ser.
_ Não sei se está certo, mas tenho certeza que seguindo essa lógica Harry com certeza irá voltar para acabar o que começou, e vou estar melhor do que antes. Ou pelo menos espero estar melhor do que ele...
_ Seu semblante não é de animação, espero não estar atrapalhando muito sua linha de raciocínio com essas ideia bobas, esperava que você tivesse uma ideia de quem pode estar criando essas peças maldosas.
_ Não é isso, a ideia realmente faz bastante sentido, só não tenho nada para crer que tem alguém além de Harry me perseguindo, ele pareceu está fazendo aquilo por diversão.
_ Não vi o que aconteceu no todo, parece que você culpa apenas a o rapaz da floresta.
_ Harry! É o nome dele.
_ Não adianta jogar informações no vento, eu não estou te escutando. _ Ele respondeu a minha cara de desapontamento._ Você sabe que eu apenas interpreto o que está pensando, não faço a mínima ideia do que está falando.
_ É como falar com uma porta.
_ Você está me xingando não é? Achei que a conversa estava indo a um bom rumo.
_ Desculpa, a conversa é boa, meus sentimentos que não estão em harmonia no momento.
_ Você está exausto, dá pra ver nos seus olhos, queria poder te ajudar mais.
_ Você já ajudou bastante, acho que mesmo que eu não acredite, você me deu algo para pensar.
_ Espero que tenha ajudado um pouco.
Uma garoa dia começou a cair, era gélida o pobre Polo se enrolou ainda mais no emaranhado de tecidos que tinham a sua volta, parecia estar com frio, acima de tudo parecia não querer ficar sozinho.
_ Eu sou um Imã não é? Toda vez que algo acontece eu estou por perto, eu deveria me preocupar em ficar escondido para não atrair problemas.
_ Não pense assim, você só tem uma má sorte do caralho, diriam que o destino age contra você. _ Polo não me olhou, continuou com o olhar fixo na frente em silêncio.
_ Sabe, não quero uma resposta para isso._ respondeu ele quebrando o silêncio sem me olhar._ Eu me sinto um imã de problemas, talvez Deus esteja me punindo por eu não seguir as regras dele e gostar de meninos, ou algo do tipo.
_ Deus não julga o que você gosta ou deixa de gostar, independente de qual Deus você acredite, o teu Deus deveria trazer conforto ao seu coração e não tristeza, remoço ou culpa. Se você acredita em um deus que lhe consome a paz. você talvez esteja acreditando no Deus de outro alguém.
_ Você fez..._ Ele me olhava pelo canto dos olhos sem me olhar por inteiro._ Fez aquela expressão de conselho auto reflexivo, que você fazia com seus amigos. Eu queria poder te escutar e saber o que disse.
Ele abaixou os olhos encolheu o rosto, não sei se era a garoa que caía ou se ele estava chorando, Polo se encolhera mais. Ficou em silêncio.
Sabia que eu conseguia controlar um pouco do ar a nossa volta, com uma brisa criei um vão na garoa, algo parecido com uma bolha, a sensação era de aconchego, olhando todo o resto sendo molhado aos poucos.
A luz do sol já emanava das bordas do horizonte, era possível ver as sombras esticadas das casas e prédios que andavam por quilômetros. Aos poucos o sol subiu, lento e calmo, criando um alvoroço de cores entre as nuvens e a terra. A iluminação da rua aos poucos ia se tornando supérflua, até que se apagou com os raios do Sol tocando a ponta dos postes.
Com uma carícia baguncei o cabelo de Polo, e me levantei, precisava seguir meu caminho. Tinha muito o que fazer naquele dia. Ele sorriu.
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