15°: "A brecha"

Cheguei a casa de El, passei minutos gritando e batendo na sua porta até quase desistir, quando finalmente lembrei que não adiantava o desespero, eu não podia ser escultado, mesmo se eu estivesse com uma bateria tocando, ele não ia conseguir me escultar.

Decidi procurar outra entrada, Já que a porta estava trancada. Fui ao lado da casa olhei as janelas e achei uma entre aberta. Pulei para dentro rapidamente, estava já louco para contar a El o que havia acontecido.

Fui até a sala principal onde eu ouvia uma conversa acontecendo.

_El, pare de me estressar eu já entendi o que aconteceu... eu só estou pedindo para você me ajudar,_ Era Hannah ela estava andando atrás de El que ia de um canto a outro mechendo em papéis e em vários pedaços de máquinas desmontadas,_ eu quero vê-lo, quero saber como ele está,quero saber como ele está, quero poder ouvi-lo.

_Sim eu entendi, mas já estou com muito trabalho eu já tenho que fazê-lo voltar ao normal, se der algum problema com você eu vou ter trabalho em dobro e não quero que isso aconteça. Já é preocupante ter ele envolvido.

Me escondi, percebi que eles podiam estar falando de mim.

_ El_ ela bateu nos papéis que ele puxava da mesa_ eu não sei o que aconteceu, não sei como você errou, mas eu quero poder conversar com meu amigo, você não é a única pessoa preocupada, quero ter certeza de que é verdade o que esta acontecendo, você não sustenta brincadeiras por mais de 30 minutos.

_ NÃO_ El gritou_ ISSO NÃO VAI ACONTECER, FALEI COM ELE HOJE, NÃO IMPORTA O QUE ACONTECE AQUI, VOCÊ NÃO VAI SE JOGAR NO INFERNO QUE QUE EU JOGUEI ELE...

El estava cansado dessa conversa, ele estorou.
_Pelos deuses, entenda Hannah, a essa hora ele pode estar sendo caçado por toda a cidade._ El tentava convencê-la._ Não é seguro.

_ Por isso mesmo. Quero ajuda-lo, já que você está preso a sua casa tentando arrumar algum modo de torna-lo notavel, eu vou lá, ficar do lado dele ajudando e conversando como sempre fiz.

_ Já não é seguro, eu o vi saindo voando mais cedo, alguém pode ter sentido ele, já podem esta atrás dele,_ El estava sendo duro com as palavras e com a forma que olhava para Hannah_ ele não está sendo discreto, se eu te colocar em uma armadura como aquela eles podem querer te matar também, podem confundi-la com ele ou comigo. Já seria totalmente minha responsabilidade, seria minha culpa a morte de vocês dois. Não vou permitir outro acidente.

Sejam justos, preciso de alguém pra estar do meu lado, Hannah estava certa, mas eu não podia pedir para ela se colocar nessa posição, era como se jogar em uma piscina sem olhar se estava ou não cheia.

Me irritei com a forma como eles dois estavam discutindo a minha vida, eu sabia o que tinha feito e não precisava que ninguém brigasse por conta de meus erros.

_CANSEI DESSA DISCUSSÃO!_ gritei, e em conjunto um trovão estrondoso cortou o ar, os dois pararam e olharam para o lugar onde eu estava.
Hannah não conseguia me ver, era nítido na forma como ela perdeu o vislumbre que teve de mim e seus olhos pareceram se perder na sala a minha procura, deixando espaço para uma respiração assustada. Era certo que ela tinha ouvido a minha voz e me visto entre o trovão e o relâmpago.Já El olhava para minha direção concentrado e um pouco surpreso, finalmente notara que eu estava ali, sua expressão mostrava um ar de desgraça, aquela conversa não deveria ter sido escultada por mais ninguém.

_ El... o que foi isso?_ Hannah negava o momento em sua mente, se sentia louca de pensar ter me visto, sua mente dizia que foi apenas um susto por conta do barulho do trovão que a fez imaginar coisas_ me diga que você não ouviu e viu oque eu vi, vou me sentir melhor.

_ Você disse que queria a verdade, não vou falar o que você quer ouvir,_ El estava fechado_ esse foi o som da voz esbravejante de Karl._ disse com falsa simpatia.

_ Droga, ele estava aqui esse tempo todo e você não avisou?

_ Desculpa, não percebi, essas armaduras são feitas para espionagem, elas não foram feitas para serem notadas, se a pessoa não quiser ser notada.

_ Parabéns sua invenção foi um sucesso._ Hannah insinuou

A forma como os dois conversavam era em tom de briga, mas por conhece-los eu sabia que era desconsolo que os dois estavam sentindo, nenhum dos dois podia fazer mais nada além de se atacar, eles se conheciam o bastante.

_ Pois bem, já ouvi tudo agora eu quero conversar._ desta vez ninguém pode me ouvir, entretanto entrei na sala e me sentei junto a eles.

El que me acompanhou disse a Hannah para se sentar e ficar menos tensa.

_Iae? Como faço pra me comunicar com os dois ao mesmo tempo?_El só podia me ouvir se estivesse equipado, Hannah entretanto nem poderia me ouvir.

Peguei uma caneta giz, que foi o que encontrei mais próximo de mim e tentei escrever na primeira superfície negra que achei, que foi o fundo de um quadro de esbolsos do El.

"Muito obrigado, pelas discussões de como me ajudar, entretanto eu já sou um fantasma para vocês, não quero outro fantasma rodando comigo agora, por mais solitário que pareça, preciso de amigos que me tirem dessa e não que se juntem a mim nessa canoa furada._ as letras se tornavam visíveis aos dois assim que eu terminava de escrever, pelo menos mensagens eu poderia fazer_ E pela preocupação eu ainda não morri, mas tenho certeza de que um cara estranho me viu, e um soldado possivelmente olhou em meus olhos."

_ Como assim?_ El se enlouqueceu.

_ Isso não me cheira bem_ Hannah comentou._ Vocês estão em perigo não é?

_ Isso significa que mesmo sem fazer coisas grandes, o Karl já foi notado, por duas pessoas.

_ Você não disse que era a arma de espionagem perfeita?_ Hannah disse com um leve tom de malícia.

_Quando não se voa pela cidade em plena luz do dia e é quase perfeita, só tem dois defeitos, o primeiro é que ela pode ser notada por outros soldados que usem a armadura, que deve ser o caso do segundo, e em casos muito raros pode ser vista por pessoas com auto grau de Dautonismo.

"Dautonismo?"_Escrevi no quadro.

_Sim, pessoas que não conseguem enxergar todas as cores corretamente conseguem ter o vislumbre do corpo do soldado, não é nada perfeito é como o esboço de um desenho._ El explicava olhando para Hannah como se tivesse feito isso mil vezes antes_ Fiz alguns testes, eles, os daltônicos, dizem que conseguem ver linhas que brilham como led's ou algo como um pisca-pisca de Natal, eu não consegui entender como fazer para consertar isso, porém nem todos eles conseguem ver os soldados, são graus específicos.

_Como funciona isso? Eles podem enxergar a armadura?_Hannah perguntou, El conseguira atiçar a curiosidade de seu público.

_ A armadura reflete graus baixos de luz, ondas fracas e de baixa frequência que nossos olhos não enxergam, porém essas ondas de baixa frequência são visíveis aos olhos de daltônicos, por eles não enxergarem a refração da luz como nós. A física óptica é complicada de se explicar, a intensidade da luz que a armadura reflete só pode ser vista por olhos que não veem as cores como nós.

_ E por que você não corrigiu?

_É como eu disse, não é um problema da armadura em si, não consegui resolver, é algo natural, tudo deve possuir uma fraqueza. Algo com que a humanidade possa usar para lutar, caso precise.

"Tem uma brecha, então posso ser visto, por alguém além de El, o que significa que não sou tão solitário assim." Pensei.

O dia continuou passei o resto do dia na casa De El, ouvindo ele conversar e explicar alguns detalhes para Hannah, ele sumia e aparecia durante alguns momentos para poder conversar comigo.

Depois de algumas horas Hannah o convenceu de que já estava muito envolvida conosco e que precisava de algo, para se defender caso entrasse em algum tipo de perigo, ou pelo menos algo que a avisasse que existe perigo por perto.

_ Você, sabe que agora eu sei que existem soldados os procurando, e eu vou sair da sua casa em poucos instantes, posso morrer na sua porta!

El mesmo sem concordar muito com a ideia Prometeu resolver de alguma forma isso e que no fim de semana entregaria algo.

A conversa acabara, antes de ir à minha casa acompanhei Hannah até a porta dela mesmo que ela não tivesse certeza de que eu estava lá.
Em algum momento eu a ouvi murmurando:

_ Nunca tive certeza da amizade de vocês dois, até me sentir seguida enquanto vou para minha casa por uma sombra que eu nem posso ver ou sentir,_ ela parou por um momento fazendo uma pausa_ bem mesmo você sabendo que não tenho certeza de que você está aqui, e posso estar louca e falando com as pedrinhas do chão, sinto que você continua comigo, certo?

Não sei o que ela esperava que eu respondesse e mesmo que soubesse, ela não poderia me escutar então permaneci em silêncio.

Ela não falou mais nenhuma palavra, permaneceu em silêncio mesmo depois de entrar em sua casa, fechou a porta em minha cara e eu fui para minha casa, solitário novamente.

A noite era de lua crescente, o céu estava lindo e mostrava suas estrelas mais brilhantes, com uma linda cor púrpura e roxa se misturando a infinidade de brilho das estrelas, que inundavam aquele lindo mar.

Entrei em casa, novamente voltei meu quarto tranquilo, tirei minha blusa e me aconcheguei junto a janela.

Ao olhar pela janela do meu quarto eu via luzes acessas do vizinho detrás de minha casa fazendo uma festa, não tinha certeza, mas parecia algum aniversário, eu adoraria me sentar naquela mesa e comer um bolo junto com as 10 pessoas que se divertiam e brincavam na outra casa.

A noite estava um pouco fria, mesmo que eu não sentisse a perca de calor, meu corpo se arrepiava com o vento gelado que passava por mim, a temperatura era notável. As poucas que nuvens passavam no céu corriam como se estivesse disputando uma maratona.

Meu foco voltou a festa, agora tarde da noite, ela já estava se acabando, as pessoas se arrumavam para ir embora, um jovem pousou na janela, de início não o reconheci, agora de boina ele refletia com alegria, sua visão subiu para olhar os céus e de relance vi que era o jovem da quadra de mais cedo, seus olhos passaram pelos meus quando ia olhar os céus, olharam para as nuvens, e numa expressão de dúvida voltaram a meu encontro.

Me escondi rápido, esperei um pouco e me arrisquei a dar uma olhada, ele agora olhava direto para minha janela, imaginei que ele tentava imaginar o porque da janela estar aberta, ou tentava ver algo dentro do quarto, mas com um movimento rápido ele acenou para mim e sorriu.

Logo em seguida foi chamado de dentro da casa, voltando as costas para mim. Fiquei estupefato. Ele tinha se visto e se comunicado comigo.

A noite continuou fria.






Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top