Capítulo Único

O alarme tocou alto, sinalizando que tinha que levantar para enfrentar as aulas de segunda-feira. O garoto de cabelos escuros sentiu os olhos lacrimejarem e arderem, talvez fossem pelas últimas duas noites mal dormidas, ou pelas cenas que vinham à sua mente a cada vez que fechava os olhos, arrancando cada vez mais lágrimas dolorosas.

Olhando o espelho, via sua expressão deplorável ー os olhos, antes onix, alcançaram uma coloração avermelhada devido às crises de choro que enfrentara na madrugada de sexta, sábado e domingo; as pálpebras naturalmente puxadas, quase se recusavam a abrir pela inchação, o cabelo estava desgrenhado — deveria ter esquecido de penteá-lo a uns três dias —, sua boca estava seca e a garganta latejava; talvez estivesse desidratado, já que não se lembrava da ultima vez que saíra do quarto para beber um miserável copo d'água. Sasuke estava realmente acabado, e ele mesmo notou isso ao ver seu reflexo no vidro à sua frente.

O moreno não era a pessoa mais emotiva existente, e nem sequer se lembrava da última vez que tinha chorado antes daquele fim de semana. Em todos os anos de sua adolescência, nunca tinha sentido tanta dor como aquela, e no auge dos seus dezenove anos, pela primeira vez em sua vida, arrependeu-se de um beijo. Arrependeu-se amargamente, porque nunca imaginaria que um simples ato no meio de uma balada lotada o levaria até ali. Arrependeu-se porque se deixou levar pelo par de olhos verdes mais bonito que tinha visto em sua vida.

A Haruno tinha aparecido em sua frente pela primeira vez na balada mais movimentada da pequena Konoha, os cabelos rosas chamavam atenção, os belos quadris que balançavam de um lado ao outro ao som de Doja Cat, os lábios vermelhos como cerejas, as belas esmeraldas que ela chamava de olhos e o sorriso branco bem alinhado; tudo naquela garota era perfeito ao extremo.

Depois do beijo quente 一 que foi o primeiro de muitos que se sucederam 一 e dos fortes amassos contra os azulejos da pia, Sasuke se sentiu de uma maneira completamente desconhecida, nenhuma outra garota o inebriou daquela forma. Sakura parecia deter um encanto que nenhuma outra pessoa no mundo possuía, ou mesmo algum dia iria ter. Era como se a rosada tivesse o amarrado numa corrente tão forte que podia o levar à loucura e trazer-lhe a sanidade em poucos minutos.

Na outra semana, descobriu que a dona do — ao seu ver — sorriso mais bonito do mundo, estudaria com ele no Colégio Modelo de Konoha. Decidiu que lutaria por aquela garota, que faria de tudo para ser perfeito para ela, que arriscaria tudo para amá-la mais que qualquer outro cara.

E cumpriu. Sasuke, em poucas, semanas saiu de "bad boy frio sem coração", para "sonho de consumo de qualquer pessoa com mais de dois neurônios"; tornando-se o good boy mais educado, gentil e respeitoso que qualquer outro garoto que algum dia tinha pisado os pés no chão daquela escola.

Pelos corredores só correu uma falácia por semanas: "Sortuda será a pessoa que conquistará o coração desse garoto". Mal sabiam eles que a sortuda tinha nome, sobrenome e um charme que aquecia cada centímetro do Uchiha toda vez que a via.

Depois de um mês se esforçando a cada dia, tentando impressioná-la, deixando-se muitas vezes em segundo plano, sua recompensa finalmente veio — a rosada o chamou para a boate em que se encontraram pela primeira vez e simplesmente soltou:

一 Acho que gosto de você. 一 E mesmo que aquelas palavras não fossem concretas, o moreno pouco se importou, tomou-a nos braços, beijando-a da maneira mais amorosa que ele conhecia. Puta merda, depois de tudo ele finalmente tinha a pessoa que mais queria em seus braços. Não era alucinação, a rosada estava ali, ele podia tocá-la, e da melhor forma possível, já que ela aparentemente retribuía 一 de alguma forma 一 o que ele sentia.

Ele só não viu o problema em tudo aquilo. Não viu quando começou a depender da rosada para tudo que fazia, que ela se tornara, aos poucos, mais importante que seus amigos, família, e o pior, mais importante que ele mesmo. Era como se não existisse mais ninguém à sua volta, como se ele tivesse somente amado ela em toda sua vida, e ela fosse a única pessoa certa e merecedora do seu amor.

Era olhando para aquele espelho em sua frente, olhando seu reflexo esculpido na peça, que o Uchiha notou o quão quebrado estava. Desde quando ele estava tão desgastado? Desde quando surgiram aquelas cicatrizes em seu corpo? Desde quando aquele sentimento começou a consumi-lo?

Levou a mão tatuada até o peito esquerdo, onde ficava o coração, apertando o local por cima da camisa branca. Olhando para as tatuagens em seus dedos, essas que se estendiam do braço ao ombro; lembrou-se da dor da agulha perfurando sua pele, mas nem de longe a dor das tatuagens era igual a que ele sentia naquele momento, aquela dor era avassaladora, consumia cada parte do seu ser e o empurrava cada vez mais para um poço sem fundo.

Se houvesse uma garantia de que abrir seu peito com as mãos e arrancar seu coração a força aliviaria a dor, ele com certeza o faria. Sasuke se sentia tão perdido que nem mesmo os calmantes que havia ingerido na tarde do sábado conseguiram o acalmar. E a prova de sua dor era, além de sua situação miserável, sua expressão desgostosa; essa que não passou despercebida por Itachi, Naruto e Hinata.

Foi Naruto que estava com ele na fatídica cena que o deixaria dilacerado, além de ter sido o loiro a trazê-lo de volta ao lar. Hinata ficou encarregada de ouvir o primo, foi a morena que aguentou as primeiras crises do Uchiha, ela que afagou seus cabelos, abraçou-lhe e aguentou suas lamúrias, ela que fizera carinho em seu cabelo até que ele dormisse para que acordasse depois de duas horas, novamente perdido. Hinata só foi embora, ao lado de seu namorado, quando Itachi assegurou aos dois que cuidaria bem do seu "maninho".

Mas a principal pessoa que esteve ali em seus dois dias de sofrimento foi Itachi. O irmão mais velho de Sasuke odiava vê-lo naquela situação, ele mal comeu e pouco dormiu. Mas não importava quantas vezes Itachi batesse na porta querendo animar o caçula, de nada adiantava, Sasuke parecia ter entrado em uma fossa profunda.

Foi o mais velho que conseguiu convencer Sasuke a se encontrar com Sakura na manhã de sábado. Mas aparentemente aquele encontro não resultou em nada bom, seu irmão parecia estar pior do que tinha saído. Seu olhar, antes vazio, retornou doloroso. Não sabia o que tinha acontecido, já que o moreno não contou para ele, mas sabia da decepção sofrida na noite anterior, porque Naruto contara a ele enquanto o caçula era consolado por Hinata.

O Uzumaki tinha acompanhado Sasuke numa festa que ocorreu em uma boate na noite de sexta-feira, mas pouco tempo depois da saída dos dois garotos, eles retornaram, e não portavam as melhores das expressões.

(...)

Sasuke desceu as escadas, indo até a cozinha e pegando uma caixinha com um colírio, pingando várias gotas nos olhos puxados a fim de aliviar o ardor, depois encheu um copo grande de café sem açúcar, levando-o aos lábios e engolindo metade em um único gole.

Itachi perguntou se estava bem e sua resposta foi somente um breve sim seguido de um aceno. O Uchiha encontraria a fera no colégio, e ele sabia que teria de fazer isso em algum momento, não dava para adiar aquele encontro. A garota sentava ao seu lado, então teria que a ver querendo ou não. E mesmo não estando no melhor do seu estado emocional, não se deixaria manipular novamente pelo par de esmeraldas brilhantes 一 ou pelo menos tentaria 一.

Mas seu plano de "não se deixar levar" foi por água abaixo ao ver a rosada ali em sua frente, sorridente, como se nada tivesse acontecido, como se aquela boca nunca tivesse proferido as palavras que proferiu. Ele queria observá-la, de longe, mas ainda sim, vê-la. A Haruno tinha o acorrentado e ela mesma havia quebrado a corrente, mas porque parecia que ele ainda estava preso?

Ao olhar para aqueles olhos verdes luminosos, as lembranças da noite da sexta-feira voltaram em sua mente; voltaram tão fortes quanto um tapa na cara ou soco no estômago, vieram da mesma forma que os sentimentos que ele tinha por Sakura: avassaladores.

Mesmo depois de dois dias, ainda podia ver os corpos suados e consequentemente as roupas grudadas nos corpos das pessoas que dançavam sensualmente ao som de Chase Atlantic; o cheiro de vodka e martinís que eram distribuídos pelos bartenders, o som dos corpos se chocando graças a quantidade de bebidas ingeridas, as vozes altas que tentavam acompanhar a música, até o cheiro de perfume caro misturado ao suor, ele ainda podia se lembrar de tudo; como se tivesse ocorrido há poucos segundos.

Ele não gostava muito de aglomerações, mas Naruto o arrastou até ali, com a desculpa de que não queria ficar sozinho na boate, e depois da insistência da rosada — que garantiu sua presença no local —, o Uchiha finalmente confirmou sua presença, mesmo que a contra gosto.

Mas, se ele soubesse o que aquela noite renderia, talvez nunca tivesse colocado os pés na boate.

Sentado em uma das bancadas do bar ao lado de Naruto e da prima, ele viu a cena: Sakura beijava um garoto ruivo com uma enorme devoção, mãos bobas rodavam entre eles, Sakura estava sentada no colo do garoto desconhecido enquanto puxava os cabelos de sua nuca, já ele passeava as mãos pelas curvas que Sasuke tão bem conhecia.

O moreno sentiu-se traído, talvez não devesse ter colocado tanta confiança na garota, ele sabia que eles não namoravam, mas após a "declaração" de Sakura para ele, imaginou que ao menos algum tipo de sentimento ela tinha. Aquela impressão de amor entre eles, era apenas na visão do Uchiha? O que Sakura sentia por ele então?

Ele até quis se levantar e perguntar a rosada o que era aquilo, mas foi impedido por Naruto, este que segurou seus braços e sua prima que colocou as mãos em seu peito, pedindo para que ele não fosse até lá. Respirou fundo e não conseguiu pensar em nada; nada parecia real. Será que já estava bêbado e imaginava coisas? Levou os dedos aos olhos, esfregando-os, talvez aquilo o fizesse enxergar o que de fato estava acontecendo. Mas nada, a visão continuava a mesma.

Passaram-se alguns minutos, e diferente do que Sasuke esperava, os amassos de Sakura com o garoto não acabaram, sua ideia de que talvez ele tivesse a agarrado sumiram ao notar que a rosada instigava o outro a continuar. Não se permitiu continuar a ver aquela tortura, podia ser trouxa, mas não era masoquista, então se recusou a ficar mais um segundo que fosse naquela boate.

Naruto assumiu o controle do carro e Hinata foi no banco de trás junto ao primo, tentando conversar com ele para distraí-lo da cena um tanto quanto perturbadora. Ao chegarem em casa, viram os olhos de Sasuke inundados por lágrimas, Itachi puxou o irmão para um abraço, não sabia o que era, mas com certeza tinha sido problemático, já que há anos não o via chorar. E assim ficaram, sem que nenhuma palavra fosse proferida, nenhum som era audível além dos soluços do moreno, que vez ou outra teimavam em sair de sua garganta.

Perguntou-se como podia ser tão bobo, martirizou-se e tentou entender o porquê de Sakura ter feito aquilo, sabendo que ele estaria ali. Lutava para entender em que momento tinha falhado com a rosada, ou mesmo se tinha a decepcionado; mas nada vinha a sua mente, ele não sabia que erro tinha cometido, ou mesmo se tinha cometido algum. Sentia como se estivesse vendado e sendo obrigado a se defender de socos que eram vindos de várias direções distintas, com tamanha força e brutalidade que seu corpo não aguentaria tanta pressão.

Depois de dormir por poucas horas e se lamuriar pelas outras, o sol finalmente nasceu e Itachi o convenceu a ir a casa da Haruno depois que o dia clareasse por completo. E assim o Uchiha mais novo fez, esperou que desse nove e meia e rumou para a tão conhecida casa, bateu a porta e foi recebido por Mebuki, que já estava acostumada com a presença do outro em sua residência.

Viu Sakura tomando café e logo subiram para o quarto da garota, sentaram-se na cama da rosada e Sasuke, finalmente, libertou de dentro de si, tudo que tinha guardado pelas longas horas da madrugada. Contudo, a resposta da garota de forma alguma tinha sido sequer cogitada por ele.

— Ah, pensei que você não ia se importar, Sas. Nós não temos nada, pensei que não precisava de exclusividade.

A garota disse tão simplista que Sasuke perguntou se era ela mesmo, se era a Sakura por quem ele se apaixonou. Questionou-a se ela estava se sentindo bem e se o efeito do álcool tinha passado, e ela logo afirmou veemente; estava completamente sóbria.

Sentiu a respiração falhar e a cabeça latejar. Ela estava certa! A garota não o prometeu amor em nenhum momento, e mesmo que aparentasse nutrir algum tipo de sentimento pelo mais velho, nunca chegou a assumir aquilo em voz alta. Talvez aquela ilusão toda de "quase relacionamento" tenha sido alimentada por ele mesmo em seus momentos de utopia.

— Foi bom 'tá, não se culpe Sas. Mas, por favor, entenda, eu ainda estou jovem, não quero me prender a nada agora, era legal brincar com você, mas eu preciso curtir mais a minha vida. Você entende, né? Por favor, não venha brigar comigo. — Não, ele não entendia. Talvez um dia, quando todo aquele turbilhão de sentimentos passasse, ele poderia entender o lado da rosada, mas até lá, fingiria que estava tudo bem, não se mostraria tão frágil perante a causadora de toda aquela confusão dentro de si.

Colocou um sorriso falso ao sair da casa dos Harunos e passou toda a trajetória até sua casa se lastimando. Não sabia se aquele era realmente o motivo de Sakura ter "terminado" consigo, ou se a rosada tinha inventado alguma desculpa. Estava em processo de negação, não queria acreditar que tomou um "pé na bunda", ou que seus esforços tinham sido em vão. Pensou que podia ter sido grudento demais, enjoativo, ou mesmo, em algum momento, abusivo e controlador; mas nada vinha à sua mente, não se lembrava de ter agido como um "macho escroto" perto da garota que tanto amava.

É, talvez o problema não fosse ele.

Mesmo que tivesse sofrido por todo o fim de semana e sentido a dor correr por cada parte de seu corpo — partes essas que nem ele mesmo sabia que podiam doer —, foi ali, olhando para a Haruno, que sorria abertamente com as amigas no meio do pátio do colégio, que prometeu pôr um fim à sua angústia.

Não derramaria mais uma lágrima sequer. Não por Sakura.

Aquele seria o fim dos três dias de aflição.

Passou pela garota sem fitar os lumes que tanto admirava, não se permitiria sofrer por mais um segundo que fosse. Já que Sakura preferiu assim, não havia motivo para ir contra suas vontades, trataria a garota friamente, voltaria a ser o Sasuke de antes, e se por algum momento aqueles olhos negros se derreteram perante a rosada, jamais o fariam outra vez, seria tão frio quanto a propria Antártica, e pouco se importava se o chamariam de arrogante depois daquilo.

O único contato que tiveram naquela manhã foi quando Sakura lhe pediu para dividirem o livro de biologia, já que ela tinha esquecido o dela. O Uchiha simplesmente lhe estendeu seu livro para que a garota o pegasse, mas logo depois se levantou para sentar próximo a Naruto. Naquele momento a rosada notou que não, o Uchiha não tinha levado bem o fim da amizade colorida deles. Ela deveria falar com ele, então faria isso ao fim da aula.

Depois que o som do sinal reverberou, anunciando o fim da aula, Sakura barrou o garoto, esperando que os alunos saíssem da sala. Mesmo impaciente e querendo evitar o monólogo em que estava se metendo, esperou e ouviu tudo que ela queria falar.

一 Então Sas, não sabia que ficaria tão chateado, desculpe-me 'tá. Não faço de novo, teremos exclusividade de agora em diante, prometo. Então por que não voltamos a brincar como antes, hum? Eu gostava de como era, não precisamos parar de nos divertirmos. Você foi o primeiro cara que peguei aqui, não precisamos acabar assim.

Então era isso. Um cara. Ele era apenas mais um cara.

Tudo bem, não julgaria ela por nada, mas não se submeteria àquilo, não se deixaria levar outra vez. Talvez um soco desferido por ela fosse mais leve que suas palavras, não entendia se aquilo era uma tentativa de humilhá-lo ou confortá-lo, só sabia que não tinha adiantado para nenhum dos dois.

Naquele ponto da manhã, ele não se surpreenderia com mais nada que saísse da boca cor de cereja. Não significava que não tivesse doido; tinha sim, mas não deixaria se abalar; não mais. Respirou fundo e se controlou, não seria um babaca, tinha recebido educação, e mesmo que cada célula do seu corpo quisesse mandar a garota ir à merda, controlou-se. Ficou quieto por tempo demais e a Haruno, temendo a falta de resposta e Sasuke, passou a ficar impaciente.

一 Porra Sas! Por que está quieto? Quer brigar? Então brigue. Só fale alguma coisa. Estou tentando conversar com você caramba!

一 Eu não quero brigar. Eu não quero conversar. Não quero brincar. Não quero nada que venha de você. Não me venha com essa de "continuar como era", não sou a porra de um palhaço. Não quero exclusividade, não quero me divertir, não quero suas promessas e nem ser mais um na sua lista. E sabe por quê? Porque não sei como te superar, mas saiba, Sakura, eu o farei, e farei o quanto antes. Então por favor, pare. Chega disso e... vá embora. Somente vá embora.

Falou tudo que estava impregnado em seu interior, a rosada nem sequer teve tempo de assimilar tudo que ele tinha proferido, sendo deixada para trás piscando as esmeraldas verdes freneticamente, tentando absorver tudo que lhe foi exposto. Já Sasuke se sentia mais leve depois de finalmente pôr tudo para fora, não tinha ideia de que jogar tudo aquilo na cara de Sakura seria tão gratificante. Se soubesse, teria feito aquilo antes e evitado todo o desassossego pelo qual passara nas últimas horas.

A partir daquele momento, prometeu a si mesmo superar Sakura, tiraria proveito das boas experiências que adquiriu com aquelas atitudes. E se a gentileza não tinha funcionado, seria tão frio quanto o iceberg que se chocou ao Titanic, nunca mais se deixaria enganar por olhos verdes. Foi trouxa uma única vez, jamais voltaria a sentir o gosto da decepção nos lábios.

Quando conheceu Sakura, prometeu que lutaria por ela, e ali, olhando para o gramado, notou o quão estúpida tinha sido aquela promessa. Ele tinha perdido, lutou, lutou e no fim, perdeu.

Ele era um mau perdedor, e isso a própria garota já o tinha dito, mas naquele momento, agradeceu; agradeceu a Sakura por ter-lhe feito sentir o gosto da derrota, aquilo o fazia mais humano, pelo menos uma vez na vida teria que passar por aquela dor, e que bom que fora pelas mãos da rosada. Não podia imaginar que outra pessoa seria melhor para abrir seus olhos, senão a portadora dos mais belos olhos.

Depois de três dias de sofrimento finalmente iria embora. Aquela dor somente iria embora.

***

Capa feita pela deusa da Bluefoxes. Muito obrigada linda ❤️

Betagem pelo querido @Tsukki_90 (No SS). Gracias more ❤️

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