Prólogo ⋆ Bem-vindos à minha vida;
❝ Ficar perto de alguém deprimido, é desgastante. Você pode sentir pena, mas não dá para não pedir que a pessoa procure se recompor.❞ — Como eu era antes de você, Louisa Clark.
🌈
#CoresTK
Meu nome é Jeon Jungkook, tenho dezessete anos e estou morrendo.
Deixe-me ser claro sobre uma coisa. Quando eu era criança, sabia muito bem o que era câncer. Sabia que era uma doença. Nem sempre era curável e, geralmente, se você tivesse, morreria.
Isso foi tudo.
Só mais tarde, descobri exatamente o que isso causou. Não sabia sobre as mutações genéticas, as células que se dividiam incontrolavelmente, e a maneira como elas se acumulam em lugares onde não deveriam. Não sabia como a doença devora uma pessoa de dentro para fora e a desgasta até não sobrar mais nada. Como as tortura pelo tempo que quiser, antes que finalmente chegue ao fim.
E acredite em mim. Quando finalmente soube, desejei nunca ter precisado descobrir.
Eu tinha dez anos quando vi o câncer, como ele realmente era pela primeira vez.
Algo estava errado com minha mãe há muito tempo, antes de acontecer. Ninguém achou que fosse algo sério. Parecia que ela estava ficando muito doente. Não era nada incomum para uma professora do ensino fundamental. Estar perto de um bando de crianças gordurosas o dia todo, parecia estar afetando ela. Parecia que pelo menos uma vez por semana, mamãe acordava afogada em seu próprio suor e com uma febre forte sob sua pele. As dores ocasionais que ela sentia nos ossos, também não pareciam tão sérias.
— É porque vocês, crianças, estão me fazendo envelhecer, é por isso. — dizia para mim e para Yoongi, com aquele sorriso brilhante estampado no rosto.
Só quando ela começou a perder peso, é que as pessoas começaram a se preocupar.
Mesmo assim, minha mãe nunca agiu como se estivesse doente. Cada vez que estava perto de mim, era apenas ela mesma. O máximo que a vi cedendo à doença foi uma vez, quando desmaiou no sofá enquanto eu jogava Mario Kart no porão com Yoongi. Essa foi a primeira vez que percebi que algo estava errado. Não muito depois, percebi que provavelmente algo estava errado há muito tempo. Eu simplesmente nunca tinha notado.
Durante todo esse tempo, não conseguia enxergar além do sorriso dela e do tom brilhante e alegre que ela sempre usava quando falava comigo. Eu não tinha visto o quão pálida estava ultimamente, ou como suas roupas estavam começando a cair dela como cortinas no caixilho de uma janela. Perguntei a meu irmão sobre isso. Mas, ele também não tinha notado.
Isso foi algo que sempre admirei em minha mãe. Nunca deixou nada arrastá-la para baixo. Ela sempre foi uma lutadora, sempre colocando todos os outros antes de si mesma. Olhando para trás agora, talvez se ela tivesse sido um pouco mais fraca, um pouco mais egoísta, as coisas poderiam ter terminado de forma diferente.
Ouvia a conversa no quarto dos meus pais, dois dias antes de receber a ligação.
A voz da minha mãe foi a primeira que ouvi.
— Vou ao médico amanhã.
— Porque agora? Você poderia ter ido mais cedo. Tenho certeza de que ninguém teria te criticado por isso. — respondeu meu pai.
Oh, certo. Você achou que eu não tinha pai ou algo assim? Bem, eu tenho. Não que ele se importasse em provar isso com tanta frequência. Eu meio que esqueci de mencioná-lo. Mas não vamos entrar nisso agora.
— Eu... Si-Hoon, encontrei algo. A-aqui, — minha mãe gaguejou. — está bem nas minhas costas... Ali, bem no meio!
O silêncio reinou por um segundo. Escutei meu pai inspirar profundamente. Um bloco de gelo se instalou na boca do meu estômago antes que minha mãe quebrasse o silêncio.
— Pesquisei os sintomas na internet. — disse ela, com a voz suave. — Tudo se encaixa. Não sei quando tudo começou. Pelo que sei, podem ter se passado anos desde...
— Mi-jin, há quanto tempo isso está aqui? — meu pai exigiu.
— Eu te disse, acabei de encontrar esta noite.
— Você só... — Meu pai parou e suspirou. Ouvi tecido farfalhando do outro lado da porta entreaberta.
— Seong, o que você está fazendo?
O clique de botões sendo pressionados e batidas fracas, repercutiu por todo o quarto.
— Estou ligando para o hospital. Precisamos cuidar disso. Agora.
— Seong, eu disse que eu-
— Eu sei o que você disse, mulher! — ele atirou de volta. — Você disse amanhã. Não vou esperar até lá. Acho que você não percebe exatamente o quanto isso é sério, Jeon Mi-jin.
— Sei perfeitamente a gravidade da situação. Eu acabei de...
— Você o quê?
— Eu só não queria que ninguém se preocupasse.
Meu pai suspirou novamente.
— Bem, que ótimo trabalho você fez com isso.
Minha mãe suspirou em derrota. Ouvi as batidas novamente e depois uma conversa abafada e unilateral. Pelo que pareceu uma eternidade, não houve nada além da voz do meu pai, murmurando frases dispersas para ninguém em particular.
— Sim... Sim, claro. Amanhã... Não, não podemos... Sim, receio que seja muito sério.
Em algum momento entre cinco minutos e cinco anos depois, ouvi meu pai colocar o telefone de volta no gancho.
— Isso resolve tudo. Sua consulta é amanhã às dez da manhã.
— Dez? — minha mãe disse. — Tenho uma aula para dar. Como eu vou-
— Sabe muito bem que você não é assim. — meu pai brincou. — Você não vai trabalhar amanhã. Ou qualquer dia depois, até descobrirmos exatamente o que está acontecendo com você.
— Seong! Não posso simplesmente faltar no trabalho por causa de algo que li online. Eu tenho obrigações. Não posso sair por aí tirando folga, sempre que eu...
— Sim, você pode. Na verdade, talvez você devesse ter feito isso! Ainda acho que você não entendeu. Mi-jin, você pode estar morrendo, pelo amor de Deus!
Suas palavras penetraram em mim, perfurando meu coração como uma seringa. Uma mão voou para cobrir minha boca e abafar o pequeno suspiro que havia escapado reflexivamente. A voz do meu pai ecoou na minha cabeça repetidamente, as palavras afundando mais a cada repetição.
Mi-jin, você pode estar morrendo. Você pode estar morrendo. Morrendo. Morrendo.
— Droga! — minha mãe sibilou, sua voz saiu em um sussurro áspero e cortante.
Meu pai gaguejou. Eu o ouvi se acomodar na cama.
— S-sinto muito, querida. Eu... eu só estou preocupado. É isso.
— Eu sei, mas não há necessidade de você gritar isso para o mundo desse jeito.
— Eu não queria...
— As crianças estão no fim do corredor. E se um deles ouvisse você?
Tarde demais. Um deles já havia escutado tudo.
— Eles vão ter que descobrir algum dia.
— Eu sei. — minha mãe murmurou. — Mas ainda não sabemos de nada. Não quero que todos comecem a tirar conclusões precipitadas.
Ouvi o farfalhar suave dos dedos do meu pai roçando seu cabelo.
— E se não houver conclusões para tirar? E se-
— Não, Seong. — Ouvi a mão do meu pai cair e pousar nos lençóis. — Escute-me. Não quero que você fale desse jeito. Não quero ouvir ninguém falando assim até que o diagnóstico esteja bem na minha frente. E até então, não mencionaremos isso. Nem para Jungkook, nem para Yoongi, nem para ninguém. Não quero que as pessoas comecem a se preocupar antes de termos certeza de que há algo com que nos preocupar.
Ouvi mais ruídos abafados passando pela fresta da porta.
Minha mãe suspirou.
Papai provavelmente a tinha em seus braços.
— Mi-jin...
— Você acha que as crianças ainda estão acordadas?
— Não sei.
— Você se importaria de verificar?
Ouvi os ruídos suaves de alguém deslizando as pernas para o lado da cama, depois passos abafados caminhando lentamente em direção à porta.
Naquele momento, me afastei da porta e corri.
✈
Minha mãe ficou em casa sem trabalhar no dia seguinte. Ela não nos contou o por quê. Mas não precisava. Eu já tinha ouvido tudo o que precisava na noite anterior.
Recebemos a ligação do médico um dia depois.
Lembro-me do jeito que minha mãe nos contou. Eu estava lá embaixo no porão, com Yoon. Era uma sexta-feira, provavelmente perto das 22h. Estávamos assistindo "O Destino Final". Yoongi estava observando enquanto eu segurava uma almofada do sofá contra o peito, e me escondia atrás dela a cada trinta segundos. Um menino estava sendo arrastado para o fundo de uma piscina, quando alguém bateu na porta. Um segundo depois, ela se abriu. A luz entrou e desceu as escadas.
— Yoon? Kookie? Vocês paderiam pausar esse filme por um segundo?
Rolei agradecido até o centro do sofá e peguei o controle remoto. O barulho embaralhado de gritos encharcados foi interrompido.
— O que é?
— Sua mãe tem algo que precisa contar para vocês. Importam-se de subir?
Meu coração virou pedra e começou a afundar. Por alguma razão, já sabia o que estava por vir. Nenhuma negação poderia afastar a memória recorrente da conversa que ouvi apenas dois dias antes. Yoongi agarrou minha mão e me puxou em direção às escadas.
Um minuto depois, todos estavam sentados na cozinha. Durante muito tempo, todos ficaram em silêncio. Ninguém queria falar. Parecia quase como se tivéssemos sido levados para cima por nada. Algo no fundo da minha alma, desejava que esse fosse o caso.
Meu pai respirou fundo e quebrou o silêncio.
— Você quer que eu comece, ou-
— Não, está tudo bem. Eu... eu posso fazer isso.
Minha mãe respirava tão pesadamente, que eu podia ouvi-la do outro lado da mesa. Seu olhar fixou-se em mim por um segundo, depois seus olhos se voltaram para Yoongi e depois para trás, saltando entre nós dois.
— Então... tenho certeza que vocês dois se lembram que eu fiquei em casa ontem, — Fez uma pausa, esperando e observando meu irmão e eu concordarmos. — Bem, eu... isso foi porque tive que ir a uma consulta médica.
Yoongi se contraiu. O que ele estava pensando naquele momento, ainda não sei.
— E temo ter más notícias.
Meu pai decidiu ajudar.
— Você deve ter notado que, já há algum tempo, sua mãe não tem sido exatamente a mesma. Com as febres e tudo mais...
— Sim. E, bem... — Minha mãe parou. Ela enfiou uma mão nervosamente no bolso da calça jeans, a outra estendendo-se para pressionar os lábios franzidos. Pareceu uma eternidade antes que ela dissesse mais alguma coisa.
— Fiz alguns exames depois da consulta de ontem de manhã. Eles tiveram que me mandar para o hospital pra fazer isso. Hum... bem, agora tenho um novo médico. O nome dele é Dr. James. Foi ele quem realizou os testes. Veja... Disseram-me que receberia uma ligação quando os laboratórios finalmente encontrassem alguma coisa. E... e recebi essa ligação do doutor hoje. Os resultados chegaram esta tarde e ele... — Parou novamente, como se tivesse esquecido o que estava prestes a dizer. E falou, antes que eu pudesse me convencer de que era verdade, e que eu não teria que ouvir o que já sabia que estava por vir. — Ele disse que eu tenho leucemia mieloide aguda. É um tipo de câncer.
A sala ficou completamente silenciosa depois disso. Eu podia ouvir meu sangue pulsando em meus ouvidos, o ar entrando e saindo de meus pulmões. Tudo estava tão quieto. Podia sentir meu coração batendo desamparadamente contra minhas costelas, como se estivesse tentando escapar.
Câncer. Era por isso que ela e meu pai estavam brigando. Minha mãe estava com câncer.
Ouvi a voz de Yoongi perto do meu ouvido, quebrada e estridente como nunca tinha ouvido antes.
— Você... você tem câncer?
Minha mãe assentiu.
— Sim.
Aquele silêncio mortal se instalou novamente. A única coisa que quebrou foi o som da cabeça de meu irmão batendo na mesa, e o grito abafado que escorria pela gola de seu suéter.
✈
Minha mãe foi ao hospital para seu primeiro tratamento de quimioterapia uma semana depois. Quando fui vê-la naquela tarde, seu cabelo parecia significativamente mais fino do que pela manhã. O resto dela também. Estava mais pálido. E havia sombras leves sob seus olhos, que eu nunca tinha notado antes. Ela parecia muito mais doente lá, do que em casa naquela manhã. Camas hospitalares e soro intravenoso tendem a fazer isso com as pessoas.
Mal sabia eu, isso era apenas o começo.
No espaço de algumas semanas, vi minha mãe, a única pessoa que posso realmente dizer que conheci e amei durante toda a minha vida, desmoronar. Primeiro foi o cabelo dela. As ondas longas e suaves com a profunda cor loira que tive a sorte de herdar, começaram a cair em grupos. Em pouco tempo, ele desapareceu. Sua pele cor de pêssego e creme, rapidamente ficou terrivelmente pálida. A perda de peso iniciada meses antes, só piorou. Depois que um mês se passou, minha mãe estava reduzida a um fragmento do que era.
Doeu vê-la daquele jeito. Ver esta doença corroê-la lentamente. Mas durante todo o tempo, a luz nunca deixou seus olhos. Ela nunca parou de sorrir. Nunca parou de apoiar Yoongi, o meu pai e a mim. Talvez por ela também.
Minha mãe sempre permaneceu positiva, mesmo quando o Dr. James lhe disse que a colônia de células em sua medula espinhal, havia se espalhado para seu cérebro. Quando seus nervos perdiam a sensibilidade de vez em quando por causa das células deformadas obstruindo seus vasos sanguíneos e estrangulando tudo ao seu redor. Mesmo quando Yoongi e eu tivemos que começar a ir ao hospital se quiséssemos vê-la. Até no dia em que ela recebeu o número final de dias que lhe restavam. Porque até onde eu sabia, ela não estava desistindo.
E foi isso que ela nos contou. Foi isso que minha mãe nos contou, até o dia em que morreu.
E foi isso. Foi isso que aconteceu. Eu gostaria de poder dizer que ela fez algo heróico, que estava sendo segurada como uma bonequinha frágil nas garras da morte e de alguma forma, conseguiu se libertar. Mas não. Isso não aconteceu.
Ela simplesmente parou de respirar.
✈
Dois anos depois, chegou a minha vez. Os mesmos sintomas. Mesmo diagnóstico. A mesma doença. Leucemia. A doença implacável que matou minha mãe de alguma forma chegou até mim.
Tudo começou a desmoronar depois disso.
Como eu disse antes, fui diagnosticado com leucemia quando tinha doze anos. Então, para acelerar as coisas, passei os últimos quatro anos da minha vida com medo constante de que isso acabasse logo. Pelo menos, foi assim no início.
Quando nossa mãe foi diagnosticada, Yoongi foi o primeiro a chorar. Quando chegou a minha vez de entrar no movimento das doenças terminais, o papel de primeiro pregoeiro foi atribuído a mim. Não sei o que me aborreceu tanto nisso. Talvez fosse a memória da minha mãe. Pelo menos, o que costumava ser minha mãe, antes de sua doença a transformar em outra coisa. Talvez eu estivesse com medo de que a mesma coisa acontecesse comigo.
Ou talvez eu estivesse com medo do que isso faria com as pessoas ao meu redor, com todas as pessoas na minha vida com quem eu me importava. Seja qual for o motivo, no segundo em que as palavras saíram da boca do Dr. James, a compreensão me atingiu como o pára-choque dianteiro de um carro em alta velocidade.
Eu ia morrer e não havia nada que pudesse fazer a respeito.
Essa foi a terceira semana de julho. Durante todo o resto do verão, fui mandado para o hospital, fiz exames de tumores, inscrevi-me em estudos, fiz exames de sangue e um bilhão de outras coisas que esqueci ou bloqueei da memória. Eles finalmente decidiram me dar infusões regulares da mais recente droga mágica para matar o câncer, chamada Mariatrexato. Disseram que continha moléculas que formariam uma barreira sobre as células cancerígenas das minhas costelas e impediriam que o seu crescimento se espalhasse. Com certeza, as visitas ao hospital finalmente diminuíram quando comecei a sétima série. Então a droga milagrosa estava funcionando. Sim, Mariatrexato.
Foi nessa época que meu pai e eu começamos a nos separar.
Não foi exatamente repentino. Ele estava muito mais quieto desde que minha mãe morreu. Passava a maior parte do tempo no trabalho, deixando Yoongi e eu sozinhos em casa a maior parte do dia. Mas ele ainda voltava para casa no mesmo horário todas as noites, e ainda estava disposto a falar conosco se falássemos com ele primeiro. As coisas ainda tinham um toque de normalidade para ele.
Mas isso foi antes de eu ser diagnosticado.
Não sabia quais eram seus motivos. Ainda não sei. Ele nunca foi muito direto quando se tratava de falar sobre coisas que o incomodavam. O melhor que pude fazer foi adivinhar. Talvez fosse porque ele ainda não tinha aprendido a lidar com o que aconteceu com a mãe. Ou poderia ter sido porque a doença que matou a sua esposa, estava agora decidida a fazer o mesmo ao seu único filho biológico.
Acho que esqueci de mencionar que Yoongi foi adotado.
Quaisquer que fossem os motivos, nosso pai começou a passar cada vez menos tempo conosco, e mais no complexo laboratorial onde trabalhava. Ele era um microbiologista. Estudou doenças infecciosas e desenvolveu medicamentos para uma grande empresa farmacêutica, cujo nome não consigo lembrar. Também conquistou muita fama no processo. Aparentemente, sua pesquisa contribuiu muito para a área médica.
Talvez tenha sido isso que o deixou tão chateado. Estava sendo pago para estudar doenças e descobrir como combatê-las, mas não conseguia fazer nada para descobrir como salvar sua esposa e filho.
Então, agora eu não só tinha uma mãe morta, mas também um pai que fazia o mínimo necessário para manter Yoongi e eu vivos e, mentalmente estáveis.
A sétima série passou sem problemas. Yoongi teve seu primeiro relacionamento, que durou cerca de duas semanas. Tive uma briga com um garoto rico e arrogante que zombou do meu trauma emocional. Meu pai meio que parou de se importar com qualquer coisa. A oitava série também transcorreu de maneira relativamente normal. Fiquei em remissão. Yoongi se juntou ao time de MMA da escola e conquistou um novo círculo de amigos.
Meu pai trocou a vaga de oncologista em nossa declaração de seguro, para outro médico a alguns quilômetros mais longe de casa, porque ele não confiava mais no Dr. James. Tive minha primeira consulta com meu novo oncologista, Dr. Jackson Wang, um deus moreno da medicina que Yoongi e eu rapidamente apelidamos de Dr. Gostoso.
Yoongi e eu nos formamos no ensino médio. Consegui ficar fora do hospital o verão inteiro, sem incluir as consultas que eram marcadas todos os meses para não ter recaídas. Estranhamente, foi isso que meu corpo decidiu fazer no início do meu primeiro ano na Seoul Institute Of The Arts.
Os sintomas que não apareciam há mais de dois anos, de repente começaram a voltar para me assombrar. Em menos de 48 horas, eu estava de volta ao Hospital Nacional de Seul, deitado em uma câmara de ressonância magnética, com agulhas enfiadas em meus braços e a equipe do Dr. Wang fazendo uma busca em meu corpo com calibre CSI, tentando confirmar se o câncer em minha medula torácica se espalhou ou não. Quando o Doutor finalmente descobriu a raiz do problema, descobri que meus piores temores haviam se tornado realidade. Meu corpo desenvolveu imunidade ao Mariatrexato. O câncer que foi isolado na medula das minhas costelas se espalhou para o núcleo de quase todos os outros ossos do meu corpo. A droga milagrosa não estava mais funcionando em mim.
Depois disso, fui colocado em quimioterapia e recebi radioterapia pela segunda vez. Era engraçado, eu estava sendo despedaçado pela minha doença. Estava perdendo peso de novo, não conseguia segurar a comida, meu cabelo estava caindo por causa dos remédios e da radiação... Eu era um desastre humano. Não sabia mais o que fazer.
Perto do final, o Dr. Wang me prescreveu um novo medicamento de tratamento. Rosevelin, como eles chamavam. Era para ser uma versão mais poderosa do Mariatrexato. Algo contra o qual seria mais difícil formar anticorpos, e fazer um pouco mais, para evitar que meu câncer se tornasse incontrolável novamente. Supostamente, eu estaria recebendo tratamentos com mais frequência e o efeito do novo medicamento não passaria tão rápido quanto o Mariatrexato. Eu não sabia se as promessas seriam verdadeiras ou não.
Quando tudo acabou, já estava fora da escola há mais de um mês. Foi nessa altura que o meu pai me tirou da Of The Arts e me matriculou num programa de educação escolar em casa. Se as internações hospitalares de um mês se tornassem uma ocorrência regular, então não fazia sentido tentar manter um horário escolar regular. Eu nunca seria capaz de alcançá-lo.
Apesar das novas doses de Rosevelin em meu sistema, acabei no hospital por alguns dias em janeiro e novamente em março. Nas duas vezes, os sintomas básicos da leucemia voltaram e pairaram sobre minha cabeça até que eu não aguentava mais. E nas duas vezes, eles fizeram testes em mim enquanto eu esperava impacientemente que meus sintomas voltassem à remissão. Não foi nada sério, disseram. Apenas precauções. Eles queriam manter as células controladas. Queriam ter a certeza de que elas não começariam a crescer ou se espalhar. Mais importante ainda, elas não estarem criando raízes em nenhum outro lugar do meu corpo.
Com certeza, foi isso que aconteceu no início daquele verão. Essa confusão acabou em outra internação prolongada.
Perdi quase toda a estação confinado a paredes de gesso branco, linóleo cinza e iluminação fluorescente naquele ano. Eu teria dado qualquer coisa para sair de lá. Para ver o que estava acontecendo no mundo lá fora. Mas não. Enquanto o câncer existisse, eu sabia que não seria possível.
Depois disso, foi o segundo ano. Ou pelo menos teria sido, se eu ainda estivesse matriculado em uma escola normal. Nunca percebi exatamente como era mais fácil acompanhar a passagem do tempo quando havia um horário escolar a cumprir. Yoongi era a única razão pela qual eu sabia em que estação estávamos. Houve outras três visitas ao hospital, entre o início programado do ano letivo e o dia em que Yoongi voltou para casa com seu boletim do último semestre. Eu não sabia quando foi que fui transformado em um esqueleto sem pêlos. Eu parei de me preocupar em contar naquele momento.
Então, para resumir, tudo foi uma droga.
Esse era o estado da minha vida no início daquele ano.
🌈
OIÊ, PESSOAAAL!
Atrasei um dia por achar que ontem era dia 28, mas estava louca! hehe
Eu espero que tenham gostado desse capitulo curtinho, o próximo estará cheio de explicações e muitas coisas legais. Planejo essa história há um tempo, mas só agora me senti adpta pra escrever e compartilhar com vocês! Tem muito mistério por aí e tô ansiosa pra ver de qual lado vocês vão estar!
Próxima atualização: 15 de maio!
Não esqueçam de dar a estrelinha e comentar MUITÃO! Faça uma autora feliz! hehehe
Me marquem no Twitter, estou mais ativa por lá!
Nossa nova tag é: #CoresTK (vamos usar BASTANTE ela no tt, vou adorar vê-los por lá! (Meu twitter: tenvantae)
Bem, é isso, até o próximo capítulo! 💜
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top