|7|

01/04/2024

Point of view: Jennie Kim
Seul - Coreia do Sul
Segunda-feira

06:45 AM

Como ontem dormi na casa do Kai, pois fizemos um ano de namoro, ele veio me trazer no trabalho. Jinwoo ficou com a Jisoo para que eu e Kai pudéssemos aproveitar ao máximo nossa noite.

Assim que chegamos em frente a Celine, ele saiu do carro e veio até a porta do passageiro para abri-la, sendo o mesmo cavalheiro brega de sempre.

— Para de ser brega, Kai — dei um leve tapa em seu ombro, escutando sua risada sarcástica. — Obrigada por me trazer.

Ele se escorou em seu carro, colocando as mãos nos bolsos de sua calça. Fiquei em sua frente, segurando a minha bolsa e encarando-o fixamente, procurando algo que realmente me atraísse.

— Não precisa agradecer. Você quer que eu venha te buscar? Podemos almoçar juntos. Eu, você e o Jinwoo.

É incrível como ele tenta ao máximo incluir o Jinwoo em todas as nossas saídas. Acho isso lindo, acho lindo o amor que ele tem pelo o meu filho, a única coisa que eu não gosto, é que por conta deste "amor" todo, Jinwoo está começando a chamar-lo de pai. Ontem quando fomos levar ele na casa da Jisoo, Jinwoo se despediu chamando o Kai de pai, e eu pude ver o seu sorriso satisfeito com aquilo, já que ele também retribuiu chamando o garoto de filho.

— Bom, eu já vou indo, senão vou me atrasar.

— É melhor eu entrar também. Tchau, Kai — ele murchou seu sorriso, encarando-me com seus olhos tristes. — O que foi?

— Por que você não me chama de amor?

— Você sabe que eu acho isso brega. Me recuso a chamar alguém de amor, em excessão do meu filho.

— Ah, claro, Jinwoo sempre em primeiro lugar — ele disse, sorrindo enquanto me puxava pela cintura.

***

01/04/2024

Point of view: Lohan Manobal
Seul - Coreia do Sul
Segunda-feira

06:57 AM

Estacionei o carro do meu amigo em frente a empresa, pois tinha outro carro em minha frente e eu não conseguia entrar no estacionamento. Levei minha mão até a buzina, porém antes que eu pudesse buzinar, observei um pequeno corpo saindo de lá... era a Jennie e ela estava acompanhada de um cara.

Quem era aquele cara?

Ela sorria de orelha a orelha enquanto conversava com o rapaz. Abaixei o volume do rádio e peguei meu celular para ver o horário, logo após, apoiei meu cotovelo na porta e levei minha mão até a minha boca, puxando meus lábios lentamente com o meu indicador e polegar, tremendo a perna, nervoso para saber o que estava acontecendo com a Jennie.

Observei o exato momento em que o homem puxou Jennie pela cintura, fazendo-a pousar suas mãos no peitoral do moço, rindo pelo ato do rapaz. Eles se entreolharam por um tempo, até que um beijo repentino foi efetuado, aquela troca de afeto durou segundos, porém para mim durou horas e horas. Prestei atenção em tudo, desde os movimentos de suas cabeças, até o momento em que ele levou suas mãos para as nádegas da Jennie, apertando-as levemente.

Apertei meu maxilar e continuei encarando a cena que parecia um loop infinito. O choro não veio, pois por conta do hormônio, minhas emoções mudaram bastante e agora eu tenho mais dificuldade para chorar.

— Então esta era a surpresa que Taehyung havia me contado pelo telefone? — perguntei em voz alta, encarando o rapaz entrar no carro. — Ela parece estar feliz...

Suspirei e preparei-me para voltar a dirigir, direcionando meu carro lentamente até chegar no estacionamento, procurando por uma vaga perto da saída. Infelizmente, só encontrei uma lá no final, mas não liguei tanto.

— Então você tem outro amor, Jennie Kim? — peguei minha carteira no porta-luvas, abrindo-a e vendo uma pequena fotografia nossa que tinha ali. Nós estávamos comemorando o natal juntos, já que estávamos solteiros. — Aquele sorriso... só eu tinha acesso ao sorriso da Jennie Ruby Jane Kim... você só sorria comigo, Jennie. Seu coração amoleceu, bravinha? — fechei minha carteira, piscando várias vezes seguidas, enquanto encarava a parede cinza em minha frente. — Está ficando maluco, Lohan? Conversando com uma foto como se ela fosse a Jennie. Para de ser idiota, porra!

Bufei alto, guardando minha carteira no meu porta-luvas e pegando o meu celular, vendo que o relógio marcava sete horas e nove minutos. Peguei minha bolsa formal e de ombro, meu óculos-escuro e retirei a chave da ignição, abrindo a porta do carro logo em seguida. Coloquei meu celular e minha chave no bolso, logo levando o meu óculos até os meus olhos, tapando-os com o objeto preto. Peguei a alça da minha bolsa e a coloquei no ombro esquerdo.

Optei por vestir uma roupa simples hoje. Estou usando um tênis casual branco, ressaltando o terno cinza-claro e uma gravata da mesma cor. Por baixo do meu blazer, tem uma camisa de botão por dentro da minha calça. Meu cabelo estava com gel no lado direito, já o lado esquerdo estava livre, deixando uma pequena franja em minha testa.

Coloquei uma mão em meu bolso e com a outra, segurei a alça da minha bolsa, começando a caminhar até a entrada do prédio.

Assim que adentrei, percebi que ele é quase igual ao de Bangkok, portanto, não estranharei trabalhar aqui, pelo contrário, irei amar vir para esta empresa todos os dias.

Cumprimentei algumas pessoas, logo vendo uma funcionária vir até mim, sorrindo e me dando boas-vindas. Encarei seu corpo pequeno que me guiava até a minha sala, conversando comigo sobre os funcionários da empresa e sobre o que eu precisava saber. Após chegarmos no último andar, ela apontou para uma porta no final do corredor, onde ficava a sala da minha secretária. Agradeci a mulher pelo pequeno tour e logo entrei em minha sala, suspirando pesadamente e encarando a vista que eu tinha.

Relembrei do momento em que senti um aperto no peito, tendo a imagem dos lábios macios e lindos da Jennie, encostando em lábios que sabe lá onde estavam.

Sentei-me em minha cadeira e liguei o computador, logo vendo que tinha um e-mail do Bambam. Abri o arquivo, lendo atentamente o que dizia na mensagem. Ele apenas queria me desejar um ótimo trabalho, portanto, apenas enviei um e-mail o agradecendo por isso e pela oportunidade que ele me deu.

Senti meu celular vibrar em meu bolso, logo o pegando para ver quem que era e me deparando com o Taehyung me ligando. Estranhei, pois ontem ele ficou até tarde fazendo live, era para ele estar descansando agora.

— Alô? Aconteceu alguma coisa?

— Em que empresa você trabalha mesmo? — ele perguntou, ofegante.

— Na Celine, por quê? — franzi o cenho, esperando pela resposta do meu amigo. Porém, antes que ele pudesse responder, três batidas foram dadas na porta. — Entre! Tae, preciso desligar, depois a gente se fala.

Após encerrar a ligação, coloquei meu celular na mesa, virado de tela para baixo, e levei meus olhos para a pessoa que estava em frente a minha mesa, quieta e com os olhos arregalados.

Meu coração errou as batidas quando meus olhos encontraram aqueles olhos lindos de gato. Seu semblante estava assustado, deixando-me do mesmo jeito e impedindo-me de fazer qualquer coisa, até mesmo desejar "bom dia".

— Jennie... — sussurrei, vendo uma lágrima escorrer de seus olhos.

Ela engoliu seco, respirando rapidamente e continuando imóvel, apenas observando o rosto de alguém que ela excluiu de sua vida há três anos atrás.

— Você trabalha em qual departamento? — perguntei, tentando focar no trabalho e ignorar nossos problemas pessoais. — Um gato comeu sua língua, senhorita Kim? — outra lágrima escorreu de seu rosto.

Levantei-me, rodeando a mesa e parando em sua frente, encarando suas pupilas dilatarem como antigamente; seu rosto brilhar assim como brilhava há alguns anos atrás.

Estiquei minha mão, levando-a até a sua, que estava largada ao lado de seu corpo. Antes que eu pudesse pegar-la, Jennie se afastou, deixando-me com a visão da minha mão perdida no ar, voltando lentamente para a lateral do meu corpo. Ergui minha cabeça, podendo ver que sua maquiagem começava a borrar e sua boca tentava formar alguma palavra.

Com metros de distância do meu corpo do seu, criei coragem e perguntei:

— Está assim por que está surpresa em me ver ou está assim por que está namorando com aquele cara que estava beijando?

Sua boca formou a frase: "O quê?", porém não saiu som. Seus lábios ficaram separados um do outro, deixando o caminho livre para que uma lágrima caísse dentro e sua boca.

— Eu vi vocês se beijando hoje, o carro dele estava atrapalhando o meu caminho para o estacionamento. Você está feliz com ele, eu percebi isso com aquele sorriso, que há anos atrás, só eu o tinha e só eu o recebia em troca de uma piada sem graça ou um ato brega meu.

Movi meus pés para frente lentamente, aproximando-me um pouco dela, com medo de ela recuar novamente a minha tentativa de ficar perto de seu corpo.

— Não quero atrapalhar sua vida, Jennie. Finge que eu sou um cara qualquer que virou seu chefe, não haja como se eu fosse um conhecido do passado, eu não quero estragar a sua felicidade. Ambos pareciam felizes na companhia um do outro hoje mais cedo.

Assim como nós nos sentíamos há anos atrás...

— Você trabalha em qual departamento?

— Secretária... — ela sussurrou, permitindo-me ouvir sua voz de perto e em bom som, percebendo o quanto ela tinha mudado. — Eu sou sua secretária, senhor Manobal. Eu só vim te dar boas-vindas, já voltarei para minha sala e trarei alguns papéis e a sua agenda para hoje. Seja bem-vindo ao império da Celine, senhor — ela se curvou e logo foi em direção a porta, passando por mim e deixando-me olhando para o nada, já que eu me recusei a acompanhar seus movimentos apressados.

Escutei a porta se fechando, e então, me permiti respirar suavemente e sentir aquela dor se instalar em meu peito.

Nenhum abraço; nenhuma palavra informal, nenhum ato amoroso... Jennie me tratou como um estranho, deixando bem claro que realmente me excluiu de sua vida... Minha melhor amiga, a única pessoa que me apoiou e me ajudou no início da minha transição, me tratou como um estranho qualquer, ignorando completamente os meus sentimentos, e isso foi demais para mim.

A fragilidade que antes habitava meu corpo, se foi assim que eu comecei o tratamento hormonal, ou seja, só sinto apertos no peito, decepção, tristeza, mas nada de lágrimas escorrendo pelo o meu rosto.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top