|48|
29/03/2026
Point of view: Kim Jinwoo Manobal
Seul - Coreia do Sul
Domingo
02:26 PM
— JINWOO, VAMOS LOGO, VOCÊ VAI SE ATRASAR, MEU AMOR — minha mãe gritou do andar debaixo, apressando-se para terminar de me arrumar.
Hoje é o meu primeiro jogo de basquete, na categoria infantil, mas o importante é que eu vou jogar basquete pela primeira vez. Estou treinando desde quando ganhei a bola do meu pai, e confesso que sinto sua falta toda vez que eu jogo. Já estou prestes a completar cinco anos, cresci bastante desde 2024.
Terminei de colocar algumas coisas em minha mochila e desci até a sala, vendo minha mãe tirando uma foto com seu celular. Antigamente, eu sofria bullying por "não ter um pai", agora eu sofro por ter uma mãe bonita. Isso é tão chato, não gosto que fiquem chamando minha mãe de bonita.
— Mãe, vamos? — ela me olhou, sorrindo e guardando o celular em sua bolsa. — Você está muito bonita pra quem só vai assistir a um jogo de basquete.
Ela caminhou até mim, parando em minha frente e observando meu semblante desconfiado, sem tirar seu sorriso do rosto. Desde o início da semana, venho percebendo seu comportamento estranho.
— Se você ganhar hoje, terá uma surpresa incrível. Mas só se você ganhar — senti sua mão tocar meu ombro suavemente. — Você vai ganhar?
— Não mude de assunto, mocinha — seu queixo caiu, indignada com o que eu havia falado.
— Eu sou sua mãe, mocinho — segurei o sorriso, encarando seus olhos felinos, parecidos com os meus. — Vamos logo, capivarinha — ela começou a me empurrar até a saída.
— Não gosto desse nome.
— Gostando ou não, vou continuar te chamando assim, capivarinha — revirei os olhos e bufei, indo em direção à saída.
***
Chegamos à quadra onde o jogo seria disputado. Enquanto eu me aquecia com meus colegas de equipe, podia sentir a tensão no ar. Minha mãe, na arquibancada, acenava animadamente, parecendo mais nervosa do que eu. Junto com ela, estava minha família e as amigas do meu pai.
O apito soou e o jogo começou. Corri pelo campo, driblando os oponentes e procurando oportunidades de marcar pontos. Cada lance era crucial, e eu me esforçava ao máximo para impressionar minha mãe.
Os minutos passavam, e a partida estava acirrada. Eu estava determinado a ganhar, não apenas pela promessa da surpresa, mas também pelo orgulho de jogar bem.
Finalmente, o placar indicava que estávamos à frente. Com alguns segundos restantes, concentrei-me e, com um último esforço, lancei a bola. O tempo pareceu congelar enquanto a bola voava em direção à cesta.
O silêncio foi quebrado pelo som do apito final, seguido por gritos de comemoração. Ganhamos! Eu virei para a arquibancada, procurando minha mãe entre a multidão. Não encontrei ela, o que fez meu sorriso murchar lentamente. Nem percebi quando Minho apareceu em minha frente e me abraçou.
— VOCÊ GANHOU! — ele gritou, feliz por mim, mas eu apenas procurava pela minha mãe.
— Cadê a minha mãe? — passei os olhos por todas as pessoas que estavam ali, cheguei até a confundir a Nayeon com a minha mãe. Às vezes, ambas pareciam gêmeas.
Senti as mãos de Minho nas laterais da minha cabeça, e de repente, ele deixou meu rosto reto, fazendo com que meu olhar focasse em dois rapazes e a minha mãe. Meus olhos encheram-se de lágrimas ao reconhecê-los.
— Não é possível — murmurei para mim mesmo, sentindo uma gota de lágrima deslizar pela minha bochecha.
Não esperei muito para começar a correr em direção a eles, sentindo as mechas do meu cabelo dançarem ao vento enquanto meu coração palpitava sem parar. Cada passo era uma ânsia crescente, uma mistura de antecipação e gratidão, alimentada pela saudade avassaladora que eu sentia pelo meu pai. Parecia que o tempo tinha desacelerado, enquanto eu me aproximava, ansioso para finalmente estar nos braços dele novamente. Era como se a força do amor nos guiasse, e eu sabia que, no momento em que nos reuníssemos, toda a espera teria valido a pena.
Ele abriu os braços, junto a um sorriso imenso em seus lábios, o brilho em seus olhos deu-me segurança para pular em seus braços, não demorando muito para que ele me pegasse no colo. Envolvi sua cintura com minhas pequenas pernas e agarrei seu pescoço firmemente, fechando os olhos e permitindo-me chorar enquanto sentia seus dedos afagando minhas costas. Cada toque era como uma suave carícia, acalmando minhas emoções tumultuadas e trazendo um sentimento de conforto que só ele poderia oferecer.
— Você veio me ver, papai — falei, chorando enquanto aproveitava aquele gesto ao máximo possível, matando a saudade que senti.
***
29/03/2026
Point of view: Lohan Manobal
Seul - Coreia do Sul
Domingo
03:54 PM
Ao reencontrar-me com meu filho, percebi o quanto ele havia crescido, e mais uma vez, não acompanhei esse crescimento de perto. Vê-lo jogando basquete tão bem me fez lembrar de quando ele ganhou a bola, suas pequenas mãos mal conseguiam segurá-la direito.
Mesmo querendo continuar abraçado a ele, o coloquei no chão, agachando-me em seguida e percebendo o quanto ele realmente havia crescido. Seu cabelo estava bem longo, dividido ao meio para que pudesse ver melhor à sua frente. Lágrimas escorriam por suas bochechas carnudas, e seu sorriso com os dentes de leite era impossível de ignorar.
— Achou mesmo que eu não viria ver o meu garoto ganhar? — perguntei, indignado enquanto cruzava os braços. — Devíamos comer pizza para comemorar, não acha?
— Só se você convencer a mamãe. Eu pedi pizza para ela ontem e ela negou, disse que um atleta não pode comer pizza.
— Jennie, como assim vai deixar nosso jogador passando vontade? Não deveria fazer isso, sabia? — virei-me para a mulher, flagrando seu sorriso bobo e suas lágrimas, que logo foram secas por seus dedos.
— Que tal todos irmos a um rodízio de pizza hoje? — Taehyung sugeriu, e então Jinwoo olhou para o rapaz e correu para os seus braços, abraçando-o com força.
— Você também veio, tio Tae. Eu senti muito a sua falta.
Levantei-me, observando o momento em que as meninas se aproximaram de mim. Momo estendeu sua mão para me cumprimentar, apertando-a firmemente, enquanto trocávamos olhares, conversando entre nós. Eu precisava saber o que tinha acontecido nesse tempo fora.
Aproximei-me de Jennie e sussurrei:
— Encontro vocês no carro — ela assentiu, e logo após, comecei a caminhar atrás de Momo, ansioso para me atualizar.
Fomos até o lado de fora, sem falar uma palavra, e assim que encontramos um lugar vazio, sem pessoas, paramos e ficamos frente a frente. Coloquei minhas mãos nos bolsos e esperei até que ela começasse a contar, detalhe por detalhe.
— Seus pais e seus irmãos estão mortos, como você pediu. Investigamos para saber quem estava te perseguindo, e no final, era o Kai sozinho, sem ajuda dos seus pais. Ele admitiu que queria te matar, mas primeiro te faria sofrer por tirar a Jennie dele. Portanto, toda vez que você tinha um contato mais íntimo com o Jinwoo ou com a Jennie, alguém te cercava à noite e te batia.
— Parando pra pensar, até que isso faz sentido. Mas vocês o mataram, certo? Fizeram o que eu pedi?
— Ele se matou sozinho. Tentou fugir da polícia e foi picado por uma cobra. Aquele idiota não sobreviveria tanto tempo mesmo.
— E os capangas? Vocês os mataram?
— Os capangas do Kai foram presos, já os dos seus pais foram mortos. Matamos todos, até o Joon. Ah, e antes que pergunte, ele não era do bem. Se bobear, aquele cara era mais perigoso que o Chin. Mas isso não é um problema agora, você pode finalmente viver em paz, Lohan. E caso alguém te ameace ou tente te matar novamente, me liga, você sabe meu número.
— Não canso de dizer que você faz um ótimo trabalho, Momo Hirai. Ah, e parabéns pelo seu filho, ele é a cara da Dahyun.
— É. Sempre me falam isso, mas quando crescer vai ser uma cópia minha, guarde o que eu tô falando.
— Claro que vou guardar. Tenha uma boa viagem de volta! — desejei, sorrindo gentilmente para ela.
— Obrigada! Tchau, Lohan. Não esqueça de me convidar pro seu casamento — assenti, me despedindo dela. Não demorou muito para que fôssemos para lados opostos, cada um seguindo um rumo diferente.
***
29/03/2026
Point of view: Lohan Manobal
Seul - Coreia do Sul
Domingo
11:22 PM
— Eu achei uma ótima ideia você ter me convidado pra dormir aqui — falei, enquanto saía do banheiro. Estava com um short de moletom preto, descalço e sem camisa, usando uma toalha para secar meu cabelo molhado. Meu corpo ainda tinha gotas de água, que não me dei muito o trabalho de secar completamente. — Tava pensando e bem que podíamos...
— Não vamos fazer nada — ela me interrompeu, mudando a página do livro que estava lendo, fazendo-me olhar para ela com o cenho franzido e reparar em seu corpo maravilhosamente vestido com um pijama curto e extremamente fino; para variar, ela estava sem nada por baixo. — Eu sei muito bem o que está pensando, e a gente não vai transar.
— Por quê? Faz tempo que a gente não se vê e nem aproveita um tempo juntos, só nós dois — virei-me de costas para ela, tentando conter meu desejo.
— Primeiro: o Jinwoo tá dormindo no quarto ao lado. Segundo: eu quero aproveitar o tempo que perdi, mas não de forma sexual. Nem tudo na vida significa sexo, sabia? E outra: você tem camisinha por acaso?
— Não.
— E eu não tomo anticoncepcional. Não podemos transar, não quero uma surpresa daqui a nove meses — ela fechou o livro, e logo escutei seus passos até mim. Surpreendi-me ao receber um abraço por trás da mulher, sentindo meu estômago gelar e meu coração palpitar mais forte. — Você voltou mais forte ou é impressão minha?
— Eu ganhei mais massa muscular. Não só eu, como também o Taehyung. Por quê? Quer saber se eu tenho mais força de outro jeito também ou...
— Lohan! — ela me interrompeu, dando um forte tapa em minhas costas, causando uma ardência no local. — Para de ser safado, seu tarado! — virei-me para trás, vendo-a se sentar na cama e pegar seu livro novamente.
Ignorei a dor que senti e terminei de secar meu cabelo, escutando apenas o barulho do ar condicionado e das mãos de Jennie virando as páginas, completamente imersa na leitura, já que começou a ignorar minha presença.
Ao acabar, guardei a toalha e sentei em uma poltrona que havia ao canto do seu quarto, pegando meu celular para ver o que Taehyung havia me mandado. Após responder seus memes no Instagram, desliguei o aparelho e olhei para Jennie, que estava concentrada no seu livro.
— "Amor em frente às câmeras" — li o nome que estava na capa, antes de reparar na lágrima que estava escorrendo do rosto da minha namorada. — Tá chorando? O que aconteceu? — apressei-me em checar o que estava havendo com ela. Sentei ao seu lado, pousando minha mão em sua coxa e outra em suas costas. — Meu amor, o que foi? Por que está chorando?
— O livro estava maravilhoso, fofo, brega, lindo, até chegar na merda do capítulo vinte e dois.
— Ah, é por causa do livro. Você me assustou, garota — reclamei, percebendo que ela nem estava ligando para mim.
Acabei desistindo de ter sua atenção e me deixei cair no sono, magoado por ter sido trocado por um livro, mas deixando passar, pois o cansaço era maior.
Depois de um tempo, acabei acordando com sua voz doce no meu ouvido, enquanto ela pensava que eu estava dormindo. Resolvi não abrir os olhos e ouvir o que ela tinha para me falar.
— Desculpa por não te dar atenção, mas é que eu me acostumei a ler bastante depois que você foi pro exército. Amanhã prometo que te darei toda atenção que quiser. Durma bem, meu amor — sua voz estava suave, como se estivesse falando com um bebê. Após sua fala, senti um selar demorado em minha bochecha. Em seguida, ela se deitou, abraçando-me por trás e encaixando seu corpo perfeitamente no meu, apesar da diferença de tamanho.
Meu coração palpitou forte ao escutar ela me chamando de amor. Esperei tantos anos por esse momento, mas tenho quase certeza de que ela só me chamou assim porque eu estava "dormindo". Mesmo que ela não saiba que eu escutei, guardarei esse momento para sempre no meu coração.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top