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Não chorem!

10/05/2024

Point of view: Lohan Manobal
Seul - Coreia do Sul
Sexta-feira

05:20 PM

Hoje o dia foi calmo como ontem, não sofri nenhuma tentativa de assassinato nem agressão no meio da rua. Confesso que estou com medo do que Aon está aprontando, pois ele está tempo demais sem fazer nada comigo. Agradeço por isso, mas ainda assim, tenho medo do que possa acontecer futuramente.

Conversei com Jungkook e Jimin, e ambos concordaram que mudar Minho e Jinwoo seria a melhor opção. Segunda-feira eles começarão a frequentar uma escola particular e bem respeitada. A segurança de lá também é ótima, e é isso o que mais importa agora: a segurança do meu filho.

Descobri que Taehyung tem um crush no personal dele. Ontem à noite estávamos conversando enquanto Jennie e Jinwoo dormiam, e o rapaz resolveu beber um pouco. Por conta do álcool, acabou admitindo muitas coisas, como: ele era apaixonado por mim na adolescência, já teve sonhos eróticos comigo e agora quer ficar com o Kim Namjoon.

Jennie, Taehyung e eu decidimos também que seria melhor que Jinwoo e ela ficassem conosco por enquanto, até termos segurança suficiente para eles. Quanto a isso, já conversei com Momo Hirai, uma amiga minha do Canadá. Ela é chefe da máfia, portanto, não tem dó nem piedade para matar alguém. Ela mandará seguranças para ficarem com Jennie, e eu já deixei claro que não queria nenhuma pessoa estranha perto do meu filho ou da minha namorada.

Esses pensamentos rodeavam a minha mente enquanto eu olhava alguns documentos, logo percebendo que já havia passado da hora de ir embora. Arrumei minhas coisas e preparei-me para ir até a sala da Jennie chamá-la para irmos embora, pois estávamos no mesmo carro.

Enquanto caminhava sorridente até a sala da minha namorada, preparado para vê-la novamente e beijá-la, acabei escutando barulhos "suspeitos". Murchei meu sorriso, aproximando-me lentamente da porta e encostando meu ouvido nela.

— Kai... — um gemido pode ser escutado, junto com aquelas "palmas" inexistentes. Meus olhos molharam-se com lágrimas dolorosas e frias em perfeita harmonia com as palpitações tristes que meu coração dava em uma velocidade rápida, sentindo um frio ruim na barriga.

Ela não pode estar me traindo... Deve haver algo de errado, não é possível.

Com o coração apertado e a mente turva, respirei fundo e forcei-me a abrir a porta devagar, temendo confirmar meus piores receios. Ao entrar, deparei-me com uma cena que gelou meu sangue: Jennie estava deitada em sua mesa, enquanto tinha Kai penetrando-a rapidamente.

Um misto de choque, tristeza e raiva inundou meu ser. Meus lábios tremiam enquanto eu lutava para encontrar palavras, qualquer coisa para expressar a torrente de emoções que me consumia.

Escutei um gemido arrastado do Kai, e logo em seguida, ele mirou seus olhos em mim e um sorriso malicioso nasceu em seus lábios, enquanto continuava fazendo aqueles mesmos movimentos. Limpei duas lágrimas que escorriam dos meus olhos e saí da sala rapidamente, fechando a porta com força e encostando-me nela em seguida.

Minha respiração acelerada, meu peito subindo rapidamente enquanto lutava para conter as lágrimas e a raiva que pulsavam dentro de mim. Cada batida do meu coração parecia um eco do vazio que agora preenchia meu peito. Apoiado contra a porta, deixei-me deslizar até o chão, o peso da traição esmagando-me com uma força avassaladora.

Ao escutar passos apressados até a porta, levantei-me rapidamente e comecei a caminhar até a minha sala, não demorando muito para ouvir a voz de Jennie me chamar. Sua voz estava estranha, mas não conseguia pensar em nada além de que ela havia me traído com o cara que tentou matá-la.

Entrei dentro da minha sala, fechando a porta dela, porém Jennie impediu que o ato fosse completamente feito. Ela puxou meus braços, fazendo-me olhar para ela, mas eu não conseguia, era algo que não dava para fazer depois do que eu havia visto. Olhei para porta, onde Kai estava encostado e sorrindo para nós.

— Lohan, eu posso explicar — ela falou, com uma mistura de surpresa e nervosismo em sua voz, mas as palavras dela soavam oca aos meus ouvidos, perdidas na tempestade de emoções que me assolava. Eu não conseguia olhar para ela, não depois do que vi.

— EXPLICAR O QUE, PORRA? QUE VOCÊ ME TRAIU COM AQUELE FILHO DA PUTA QUE TENTOU TE MATAR? — gritei, soltando-me agressivamente de seu braço, enquanto tinha lágrimas raivosas saindo de meus olhos, sentindo meu sangue ferver a cada olhada que eu dava para ela ou para Kai.

— Não é o que você tá pensando. Eu juro que não é, Lohan — ela tentou segurar minha mão, chorando e implorando para que eu acreditasse em suas palavras, o que não aconteceu. Afastei-me dela novamente, encarando seus olhos felinos.

Com um misto de descrença e desespero, recuei ainda mais, afastando-me dela como se cada passo fosse um esforço monumental. Seus olhos, que antes eu admirava como portais para sua alma, agora pareciam serpentes que tentavam me enredar em suas mentiras.

— Você não tem ideia do que fez comigo, Jennie — minha voz tremia de raiva e tristeza enquanto eu tentava processar a magnitude da traição. Minha mente girava, tentando encontrar uma explicação plausível para toda essa dor, mas só encontrava vazio e mágoa.

Kai, observando nossa troca de olhares silenciosamente, deu um passo à frente, sua presença só aumentando a fúria que queimava dentro de mim.

— Lohan, você precisa entender... — Jennie começou, mas as palavras dela foram interrompidas pelo som do meu punho batendo com força contra a parede, a raiva fervendo em mim como lava incandescente.

— Não, Jennie. Eu não preciso entender nada. Você acabou com tudo. Acabou com nós dois. E não há explicação no mundo que possa mudar isso. — Eu disse, com a voz embargada pela dor, enquanto finalmente me virava e saía da sala, deixando-os para trás em meio à minha própria tempestade emocional.

Passei por Jongin, trombando fortemente em seu ombro de propósito, indo em direção ao elevador, que ficava perto da minha sala, então eu ainda conseguia escutar eles.

— LOHAN, ESPERA! — Jennie gritou, chorando, enquanto caminhava até mim, mas seus passos foram interrompidos. Não ousei olhar para trás para ver o que havia acontecido.

— Jennie, ele está de cabeça quente, depois vocês conversam — Kai falou ao mesmo tempo que o elevador chegou, e ao entrar, virei-me para eles, vendo que ele segurava Jennie, enquanto ela tentava se soltar furiosamente.

— ME SOLTA, KAI! VOCÊ NÃO CONHECE ELE COMO EU, PORRA! ME SOLTA! — Observei quando seu corpo foi segurado com mais força, porém mesmo assim ela continuou tentando se soltar. — Pelo amor de Deus, me deixa ir — ela implorou, deixando suas lágrimas tomarem conta de si.

E então, o elevador se fechou lentamente, escondendo ambos dos meus olhos. O silêncio do espaço vazio ao meu redor era ensurdecedor, ecoando a dor que eu não sabia como enfrentar.

Ao sair da empresa, caminhei apressadamente até o carro do Taehyung — pois foi com ele que viemos —, apenas querendo esfriar a cabeça da melhor forma possível. Comecei a dirigir em direção ao restaurante, vendo o dia se transformar em noite lentamente. A dor consumia meu coração, prendia minha respiração e liberava lágrimas salgadas que dentro de mim morava.

Sem perceber, comecei a acelerar demais, as luzes da cidade se tornaram borrões em minha visão turva. O som do motor rugindo ecoava em meus ouvidos, como um eco das emoções tumultuadas dentro de mim. De repente, perdi o controle, não tendo forças suficientes para manter o carro na trajetória correta.

O veículo derrapou descontroladamente, deixando-me tomado por palpitações amedrontadas. O cheiro de borracha queimada preencheu o ar, invadindo minhas narinas enquanto eu aspirava o ar rapidamente. O carro girava fora de controle, dando sinais de que capotaria a qualquer momento. Tudo parecia desacelerar, cada segundo se esticava até parecer uma eternidade.

Enquanto eu chorava, recordava dos momentos felizes, dos sorrisos que alegravam meu dia. Lembrava da voz suave de Jinwoo, de sua risada doce e contagiante, de seu sorriso radiante que iluminava meu mundo. Recordava do conforto de seus abraços, do toque gentil de seus lábios em minha bochecha, do carinho de seus dedos em meu cabelo enquanto eu descansava em seu colo. Lembrava-me das conversas aleatórias que tínhamos, das risadas compartilhadas e dos momentos de cumplicidade que nos uniam ainda mais.

Recordava também de Jennie, de seus abraços reconfortantes e de como ela cuidava de mim quando eu precisava. Seu sorriso doce e fofo vinha à mente, assim como suas bochechas coradas toda vez que eu a elogiava. Mas agora, todas essas lembranças pareciam distantes, perdidas em meio ao caos que me cercava.

Após as recordações, a escuridão preencheu minha visão e o único som que consegui escutar foram as sirenes, acompanhadas pelas cores azul, vermelho e laranja, que iluminavam meus olhos. Mesmo com eles fechados, eu conseguia sentir a intensidade das luzes piscando, cortando a escuridão ao meu redor.

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