|35|

06/05/2024

Point of view: Jennie Kim
Seul - Coreia do Sul
Segunda-feira

07:22 AM

Enquanto eu revisava alguns documentos e contratos, o telefone da empresa tocou, indicando que Lohan estava me ligando. Rapidamente atendi, ansiosa para ouvir sua voz doce e calma.

— Bom dia, meu amor! — ao escutá-lo, meus lábios se curvaram levemente e meu coração pareceu errar a batida.

— Bom dia! — desejei. — Pensei que não iria mais me chamar assim. Não resistiu, né?

— Eu te amo, então vou te chamar de amor mesmo você não me chamando de volta. Um dia, quem sabe, esse sonho vire realidade, mas não adianta vir me chamar de amor quando eu morrer, não vou escutar mesmo.

— Mas que porcaria, por que todo mundo está falando sobre você morrer ultimamente? Qual a dificuldade de não trazer energias negativas? — perguntei, cruzando minhas pernas e suspirando profundamente após a fala.

— Desculpa! Você tem remédio pra dor de cabeça? A minha está doendo muito, acho que é falta do seu beijo.

— Você não sossega mesmo, né, seu pervertido? Vai trabalhar, Lohan!

— Não, é sério. Você tem remédio pra dor de cabeça? Estou com uma puta dor desde ontem à noite. Se tiver, traga pra mim, por favor.

— Eu vou ver se tenho e levo aí, tá bom?

— Tá bom.

Coloquei o telefone em seu devido lugar e levantei-me, indo até a minha bolsa que estava do outro lado da mesa e começando a procurar algum remédio para dor de cabeça. Assim que encontrei, apressei-me em caminhar até a sala do Lohan em passos rápidos, ansiosa para vê-lo e beijá-lo.

Havia esquecido o quanto seu beijo fazia falta. Depois de três anos, beijar a pessoa que amo foi como voar em nuvens, sentindo frio na barriga e desejo. Me senti uma adolescente. Não consigo esquecer o quanto aquele momento foi brega e romântico. A chuva, o lugar, a pessoa... foi tudo tão perfeito que nem parecia real.

Sem perceber, meus lábios esticaram-se em um sorriso apaixonado, e meus pensamentos dominaram-me até que eu entrasse na sala do Lohan, murchando meu sorriso rapidamente quando vi seu pescoço. Ele estava de costas para a porta, então não deu para ver muita coisa.

Sem pensar duas vezes, aproximei-me do rapaz, com o barulho dos meus saltos preenchendo o local, o que o fez virar para trás e sorrir assim que me viu. Ele abriu os braços, pronto para abraçar-me, mas isso não aconteceu, já que eu simplesmente atirei a cartela de remédios em seu peito, vendo-a cair no chão em seguida. Seu sorriso murchou enquanto olhava para baixo.

— Você estava diferente no telefone. O que eu fiz? — sua voz expressava confusão, enquanto ele ainda tinha a cabeça baixa.

— Que porcaria é essa no seu pescoço? Tá me traindo, porra? Por que tem um chupão no seu pescoço, caralho? — acabei exaltando-me e o empurrei levemente, fazendo ele levantar a cabeça e me olhar.

— Eu não te traí... — sua voz falhando acabou me trazendo de volta para a realidade e mandando meu surto de ciúmes embora.

Após me acalmar, percebi que seu rosto continha lágrimas secas, indicando que o rapaz chorava antes que eu entrasse, e ao reparar melhor em seus olhos, percebi que tinha uma mancha roxa nele. Confusa com aquilo, franzi o cenho, tentando entender o que estava acontecendo.

— Tá mais calma? — assenti, vendo ele se agachar e pegar o remédio. — Que belo jeito de cuidar do seu namorado, hein — ele riu sarcasticamente.

— O que... o que aconteceu com você? Por que tem um chupão no seu pescoço e por que o seu olho tá roxo?

— Não é um chupão. Ontem, quando eu cheguei no meu apartamento, dois caras me cercaram. Eles eram bem mais altos e fortes que eu, então não consegui fugir ou me proteger. Eu também fui pego desprevenido. Eles me deram um soco no meu olho e no meu pescoço.

— Você foi ao hospital? Levar um soco forte no pescoço é muito perigoso — aproximei-me dele, esticando minhas mãos para tocar suavemente seu maxilar. — Desculpe por ter agido daquele jeito, acho que ainda tenho insegurança comigo mesma...

— Se fosse minha primeira vez namorando com você, eu já teria terminado, mas esse não é o caso. Eu te conheço como a palma da minha mão, então não vou brigar com você, só peço que confie mais em mim.

— Eu já pedi desculpas — ele assentiu, afastando-se de mim e indo até um copo d'água que estava na mesa para tomá-lo junto com a pílula. — Lohan, você está bem? — fiquei sem respostas. — Lohan, o que foi? — aproximei-me dele, vendo-o apoiar suas mãos na mesa e baixar a cabeça. — Ei! — agarrei sua cintura suavemente, tentando não assustá-lo.

Surpreendi-me quando o rapaz se virou, envolvendo meu corpo com seus braços longos. Escutei soluços vindo de sua parte, enquanto ele me apertava cada vez mais. Abracei-o também, começando a acariciar levemente suas costas, apenas apoiando-o silenciosamente.

— O que eu fiz pra merecer isso? Eu só sou uma pessoa normal vivendo a minha própria vida. Por que querem tanto me matar? Viver uma vida feliz e tranquila é pedir demais? — sua fala se misturou com seu choro e seus soluços dolorosos e sofridos, que ecoavam por seu escritório.

Meu coração se partiu ao escutar aquilo. Foi como um déjà-vu de antigamente. A dor de relembrar cada momento em que eu tinha que engolir meu choro e consolá-lo é ruim, muito ruim. Ainda não sei como uma pessoa pode sofrer tanto, sofrer desde quando era apenas uma criança, um pré-adolescente.

— Eu estou aqui. Se precisar, podemos nos mudar pra outro país, e eu vou com você dessa vez. Eu também estou muito preocupada com tudo isso que está acontecendo com você, mas precisamos ser fortes.

— Jennie — ele me olhou, seus olhos molhados e sua cara meio inchada —, e se eles descobrirem que eu tenho um filho e...

— Não, Lohan! Não pense nisso, por favor. Nada vai acontecer com o Jin, ok? Fique tranquilo. Vamos tentar pegar os caras que fizeram isso com você. Se quiser, eu vou conversar com seus pais pra ter certeza que não foram eles — limpei suas lágrimas, observando cada detalhe de seu lindo rosto.

— Não quero que se arrisque por mim. Eles são perigosos. Eu deveria ter ficado na Tailândia, assim não traria problemas para vocês. Me perdoa por tudo que estou fazendo você passar, sei que é difícil, e entendo se quiser termi...

Interrompi sua fala com um selinho demorado, enquanto acariciava levemente sua bochecha, sentindo uma lágrima escorrer de seus olhos e molhar meu polegar. Afastei-me dele depois de um tempo, tendo certeza que o havia feito mudar de ideia.

— Presta atenção no que eu vou te falar, eu te amo! Nós enfrentamos todos os seus problemas juntos. Eu nunca te abandonei quando estava passando por um momento difícil, ou estava com insegurança, ou disforia, ou crise de ansiedade, eu nunca te abandonei, e não vai ser agora que vou te abandonar. Quero que saiba que estou bem ciente do que estou lidando, desde quando começamos a conversar e você se assumiu trans pra mim, pesquisei sobre e fiquei ciente de que teria que te ajudar em momentos de disforia, comparação e essas coisas. Eu não faço ideia da dor que você sente, mas quero que saiba que não está sozinho nessa. Sempre cuidei de você e vou continuar cuidando.

— Você é um anjo na minha vida. Se não fosse por você, eu já teria me matado há anos. Eu queria poder te recompensar por tudo que fez por mim, eu queria mesmo, mas não sei como.

— Me dar amor e carinho já é um bom pagamento — arrumei um pouco de seu cabelo, colocando-o para o lado, pois estava atrapalhando um pouco a minha visão de seu olho. — Tá na hora de cortar o cabelo. Aproveita e leva o Jinwoo junto, o dele tá maior que o seu.

— Você é a mulher mais perfeita do mundo — ele pousou suas mãos na minha cintura, e ao encarar os seus olhos, percebi que suas pupilas dilatavam, e o brilho em seu olhar era evidente.

— Por que isso do nada?

— Há anos que convivemos juntos e você ainda não se acostumou com isso? Sempre que possível, te elogiarei, não importa o dia, o horário, a ocasião, sempre vou te elogiar. Mesmo se estivermos em um apocalipse zumbi.

— E sempre que você me elogiar, eu vou te chamar de brega.

— Posso te fazer um pedido? — assenti, envolvendo meus braços por seu pescoço e encostando mais nossos corpos. — Não me abandona mais, não consigo viver sem você. E agora tem o Jinwoo, não sei se conseguiria viver sem vocês dois.

— Tá vivo até hoje e eu fiquei três anos sem falar com você.

— Só não me matei porque ainda acreditava que um dia poderíamos voltar a namorar, e olha o que aconteceu. Você não vai mais me abandonar, né?

— Não.

— Promete?

Suspirei profundamente, antes de assentir e falar:

— Eu prometo, Lohan Manobal.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top