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01/05/2024
Point of view: Lohan Manobal
Seul - Coreia do Sul
Quarta-feira
09:23 AM
— Jennie, você sabe que quando eu era adolescente...
— Isso não justifica, seu tarado! — ela interrompeu minha fala, completamente irritada.
— Vem cá, por que tá tão puta com algo que aconteceu há sei lá quantos anos atrás? A gente não namora mais, lembra? Ainda gosta de mim por acaso? — perguntei, observando ela procurar algo em sua bolsa.
— Estamos falando do passado, não mete o presente nisso — ela se aproximou de mim, ficando em minha frente.
Eu estava sentado em cima da mesa dela, apenas esperando até dar o horário da minha próxima reunião.
Seu corpo estava vestido com um conjunto cinza-claro, composto por uma calça social de cós alto e um blazer cropped, acompanhado por uma blusa preta de gola alta, que estava por dentro da calça. Nos pés, havia um par de saltos pretos, que a deixavam mais alta. Seu rosto estava coberto por uma maquiagem simples, porém bem produzida. Seu cabelo tinha a raiz lisa e, ao chegar às pontas, algumas ondulações feitas com babyliss começavam a se destacar.
— Você olhou pra outra garota enquanto estávamos juntos.
— Não posso mais olhar pra ninguém.
— Agora você pode, mas antes você...
— Jennie — a interrompi, puxando seu corpo pela cintura e a deixando no meio de minhas pernas, tendo suas pupilas dilatadas olhando para as minhas. — Isso já faz anos. Que tal esquecermos esse acontecimento e focar no presente?
— Você é um safado, sabia?
— Você gosta do meu lado safado — ela colocou as mãos nos meus ombros, assentindo enquanto encostava seu peitoral no meu. — Eu sinto falta de nós dois.
— Eu também... — ela sussurrou.
Aproximei minha boca da sua, intercalando meu olhar entre seus lábios e seus olhos de gato, que me hipnotizavam mais do que o normal com aquele delineado que destacava-se em seu rosto lindo e bem desenhado. Suas pupilas eram como pérolas, pérolas caras e preciosas, que somente uma mulher nesta vida tinha. Seus lábios, ao se unirem aos meus, rompiam barreiras de paixão, permitindo-nos demonstrar nosso amor com um gesto fofo, significativo e moderadamente deslumbrante.
— Eu poderia passar horas encarando seus olhos e eu nunca me cansaria — sussurrei.
— Lohan, me beija...
Ao escutar sua voz completamente sedutora mandando-me beijá-la, senti um frio na barriga e arrepios percorreram meu corpo de maneira significativa e rápida. Minhas mãos apertavam sua cintura com força, escondendo-se debaixo de seu blazer, porém sem tocar sua pele macia por conta da peça de roupa que nos separava.
Quanto mais próximo eu ficava dela, mais a ansiedade consumia meu corpo, e ao encostar nossos narizes, alguém bateu na porta e abriu-a logo em seguida. Jennie rapidamente se afastou, se recuperando do que havia acontecido.
— Senhorita Kim, trouxe os papéis que me pediu — a mulher, que conferia todos os papéis, olhou para Jennie e logo mirou seu olhar para mim. — Senhor Manobal — nervosa, ela se curvou. — Não sabia que estava aqui. Eu volto depois.
— Não, fique tranquila. Eu já estava indo mesmo. Finja que eu não estou aqui. Sou um morto e ninguém me vê — falei, levantando-me para sair da sala, enquanto Jennie permanecia parada.
Que porra acabou de acontecer? Você é tão idiota, Lohan! Você não vai recair, é mais forte que isso, garoto.
***
Desde o acontecimento de hoje mais cedo, não tocamos mais nesse assunto, não queríamos deixar o clima desconfortável.
Ao entrar no meu carro, comecei a dirigir até a escola onde Jinwoo estuda, relembrando do momento em que fiquei tão próximo da Jennie que podia sentir sua respiração. Por um segundo, pensei em demitir a senhorita Shin por aparecer em um momento como aquele.
— Lohan — sua voz me tirou de meus pensamentos, e ao perceber, notei que sua fala tinha um tom mais grosso, e de certa forma, o som saiu trêmulo.
— Hum?
— Hoje mais cedo... Foi um erro — sorri de canto. — Não devemos repetir aquilo.
— Te deixei molhada no lugar errado, né? — olhei para ela, vendo-a corar e esconder seu rosto com as suas mãos, fazendo-me rir.
— Para, seu idiota! Você vai ter que me deixar em casa pra eu tomar um banho, ouviu? Daí você leva o Jinwoo pra sua casa.
— E se levarmos o Jinwoo juntos pra minha casa e depois eu te levo pra sua? Sua casa fica mais perto da empresa e eu gastaria menos gasolina.
— LOHAN!
— Eu te espero no carro, moça. Pra que tudo isso? Até parece que eu quero transar com você.
— Eu já conheço muito bem esse joguinho, seu tarado — ela cruzou os braços, olhando para o lado de fora.
— Então você já sabe qual vai ser o final disso, né? — olhei para o lado e arqueei as sobrancelhas, sorrindo maliciosamente.
— Lohan, não me estressa — ela me encarou. — Saudade de quando a gente não se falava — seu murmúrio me fez rir.
— Vou mudar de assunto, ok? — ela assentiu. — O que era aquela cicatriz nas costas do Jin?
— Alguns garotos empurraram ele em uma pedra, mas foi o ano passado e eu já resolvi isso.
— Matou eles?
— O quê? Não, Lohan. Não viaja. Eram apenas crianças.
— Crianças que empurraram meu filho em uma pedra quando ele tinha apenas dois anos. Se eu ver eles na rua, arregaço a cara deles — Jennie sorriu, beliscando meu braço, fazendo-me gemer automaticamente. — Por que eles fizeram aquilo?
— O Jinwoo sofre bullying. Tem alguns garotos maus que zoam ele por morar apenas comigo, portanto, chamam ele de órfão e sem pai.
— Você é uma péssima mãe, sabia? Poderia ter contado a verdade desde quando ele estava na barriga, assim ele evitaria sofrer bullying por isso.
— Vai me culpar agora, porra? Acha que eu já não fiz isso por todos esses anos? Hum? — parecia que fumaça saía de suas orelhas, deixando bem claro que a mulher iria surtar a qualquer momento.
— Desculpa, mas você é a errada aqui.
— Cala a boca, Lohan! — ela virou seu rosto para o lado, observando a estrada.
Eu já sabia exatamente o que ela estava fazendo, no caso, o que ela estava sentindo. Arrependi-me de ter falado aquilo para ela, por mais que seja a verdade, Jennie se esforçou para criar o Jinwoo sozinha e eu falei aquela baboseira.
Depois de um tempo dirigindo em um completo silêncio, estacionei perto da escola, porém antes que Jennie tentasse abrir a porta, travei o carro, impedindo-a de sair do veículo. Ela não me olhou e nem falou nada, deixando-me preocupado. Tirei meu cinto, empurrei meu banco para trás, e num ato repentino e sem avisar, puxei-a, recebendo seu olhar confuso. Não disse nada, apenas deixei até que ela se sentisse confortável o suficiente para aceitar o meu gesto.
— Vamos buscar o Jinwoo logo. Abre essa porta — sua fala estava fria e em um tom baixo.
Não quis insistir, então apenas permiti que saísse do veículo, vendo-a me esperar ao lado de fora. Arrumei meu banco e saí do carro, travando-o e começando a caminhar em seguida, meio longe da Jennie, pois ela não queria se aproximar.
Ao entrar na escola, procuramos por Jinwoo e o vimos sentado em um banco, rodeado por garotos. Pensei que fossem amigos, mas ao ver Jennie apressar o passo, preocupei-me e a segui rapidamente, percebendo que havia lágrimas no rosto do meu filho.
— Jinwoo — ela o chamou, recebendo a atenção de todos. — O que estão fazendo com ele?
— Nada, tia. Só estávamos conversando como amigos, né, Jinwoo? — um garoto que parecia ter descendência japonesa abraçou Jinwoo de lado, que parecia estar bem desconfortável.
— Que tipo de conversa é essa que o faz chorar? — perguntei, com minha voz firme, aproximando-me deles e recebendo o olhar de todos. — Tire a mão dele — segurei a mão de Jinwoo e o puxei para mim, o pegando no colo em seguida e secando suas lágrimas.
— Quem é você?
— Eu sou o pai dele, por quê? Estavam zombando dele por não ter um pai? — eles arregalaram os olhos e se levantaram, encarando-me surpresos. — Jinwoo tem um pai e uma mãe, sabiam?
— Mas a gente nunca te viu.
— Eu tenho uma vida corrida. E outra coisa: vocês não podem tirar conclusões da vida dos outros sem conhecê-los. Da próxima vez que eu ver vocês fazendo brincadeiras malvadas com o meu filho, terei uma conversa séria com os pais de vocês, ouviram? E se não for o suficiente, conversarei com a diretora e darei um jeito de expulsar vocês da escola.
— Lohan, vamos logo. Deixa eles pra lá — senti o braço da Jennie me puxando, levando-me para longe daquelas pestes. — São apenas crianças.
— Foram eles que empurraram o Jinwoo?
— Não. Foi outro garoto.
— De que ano eles são?
— Eu não sei, talvez do terceiro. Não muda de assunto, tá? Você não pode falar desse jeito com crianças.
— Desse jeito como? Só protegi meu filho daqueles...
— Olha como você vai se referir a eles — deitei a cabeça do Jinwoo no meu ombro. — Depois do que falou, dúvido que voltem a mexer com ele. Tentei conversar com a diretora, fui até em uma reunião com os pais deles, mas não adiantou.
— Bom dia, família! — Jungkook desejou, aparecendo à nossa frente do nada. — O que houve com o Jin? Está com sono?
— Os garotos estavam implicando com ele de novo? Eu juro que vou acabar com a cara daqueles bostinhas — Minho falou, cerrando os punhos.
— Minho! — Jimin o repreendeu.
— Eu ajudo! — Jungkook e eu nos voluntariamos.
— Não — Jimin e Jennie exclamaram juntos.
— Ninguém vai bater em ninguém aqui. Vamos embora, Lohan, você tá me dando trabalho demais.
— Vamos ter uma conversinha, Jeon Jungkook — Minho riu de seu pai. Eu estava me preparando para rir, mas Jennie beliscou meu braço fortemente e eu tive que morder meu lábio para não gemer de dor. — Você não escapa também não, Minho.
— Tchau, Min! — ela disse, ao ver que eles estavam indo embora.
— Tchau, Jen! Boa sorte com esse crianção.
— Digo o mesmo.
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