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15/04/2024
Point of view: Lohan Manobal
Seul - Coreia do Sul
Segunda-feira
03:36 PM
Enquanto caminhava lentamente de volta ao hospital, relembrando as palavras baixas e frias de Jennie ao apresentar Kai, esbarrei com Taehyung e o rapaz que conheci ainda pouco. Ambos pareciam íntimos e felizes, como amigos, melhores amigos.
— Lo, ainda bem que te encontrei. Tô indo ajudar o Kai a procurar o pai dele, então pode ficar despreocupado que ele me deixa em casa depois, ok?
— Claro — respondi, esticando levemente os lábios, tentando expressar tranquilidade com meu olhar.
— Lohan, Jennie está lá no quarto do Jin. Vai lá com eles — Kai falou com sua voz calma e suave, transmitindo tranquilidade e segurança.
Assenti e retirei-me do local, dando passos lentos até a porta do hospital. Ao adentrar, direcionei-me até o quarto do pequeno garoto, nervoso por estar conhecendo o filho da mulher que tanto amei.
Será que ele tem a mesma personalidade da Jennie? Se parece com ela? Quem é o pai do garoto? Ela não me contou.
Ela não me contou muitas coisas, muitas mudanças que ocorreram em sua vida. Nenhuma informação foi compartilhada por livre e espontânea vontade; ou eu descobri por conta própria, ou ela foi obrigada a me falar.
Perdido em meus pensamentos, nem percebi quando cheguei ao meu destino. Comecei a suar frio ao escutar uma gargalhada baixa e fofa, sentindo meus pelos arrepiarem ao sentir a energia dentro do quarto, que me atingia mesmo sem eu estar lá. Sem controle do meu corpo, eu acabei sorrindo abertamente, sentindo uma sensação boa, uma sensação de aconchego, não sei explicar, só sei que foi muito bom ouvir aquela risada tão doce e fina...
Levei minha mão até perto da porta, deixando-a parada até eu ter coragem para bater e esperar ansiosamente até Jennie permitir minha entrada. Não demorou muito para o ato ser feito. Deixei três leves e baixas batidas no móvel branco e grande em minha frente, logo deixando minha mão largada ao lado do meu corpo, assim como a outra. Senti minhas pernas tremerem e meu estômago revirar.
Todo esse nervosismo só para conhecer o filho da Jennie? Mas que porra está acontecendo com você, Lohan?
— Entra! — a voz doce e calma da mulher ecoou por dentro do cômodo, atingindo em cheio meus ouvidos e de algum jeito, dando-me um pouco de esperança.
Minha mão foi parar na maçaneta sem que eu percebesse, e não demorando muito, a imagem de uma mulher sentada na cama, massageando a barriga de um pequeno garoto que estava concentrado em pintar algo, pôde ser vista por mim.
Jennie virou sua cabeça lentamente para mim, vendo-me parado na porta, observando a cena com um sorriso singelo em meus lábios e com minhas mãos no bolso da minha calça.
— Quem é ele, mamãe? É um médico? Eu posso ir pra casa? Eu juro que não vou comer doces — ele falou para mim, enquanto cruzava seus indicadores e dedos médios disfarçadamente embaixo do livro de pintura.
Acabei soltando uma risada calma e baixando minha cabeça, controlando o meu sorriso besta.
— Entra, Lohan!
Fechei a porta, caminhando lentamente até Jennie e seu filho, que me encarava com o cenho franzido e com um biquinho fofo e confuso formado em seus lábios.
— Filho, este aqui é o Lohan, amigo da mamãe. Lohan, este é o meu filho.
— Então você não é médico? — neguei, levando minhas duas mãos para trás do meu corpo e segurando meu punho com uma delas. — Então eu ainda não posso ir pra casa? — ele fez beicinho, tendo alguns vestígios de lágrimas em seus olhos.
— Filho, quando você sair, a gente pode comer no seu restaurante preferido, o que acha?
— Ebaaa! — exclamou, sorrindo de orelha a orelha, deixando amostra seu sorriso gengival. — Lohan, prazer, meu nome é Kim Jinwoo Namobal — ele esticou sua mão, e eu rapidamente levei a minha mão em direção a sua, apertando-a gentilmente enquanto sorria.
— Muito prazer, Jinwoo!
Namobal? Que sobrenome estranho.
Olhei para Jennie, que estava vermelha e com um semblante nervoso. Sua boca estava meio pálida, e isso me assustou bastante.
— Jen, você tá bem? Sua boca tá pálida.
— Eu pensei que tinha visto uma barata, só isso — ela sorriu e logo após engoliu seco, começando a tremer sua perna.
O doutor bateu na porta e entrou em seguida, ganhando a atenção de todos nós e um sorriso feliz do Jinwoo.
— Jennie, podemos conversar? — observei a mulher se assustar com a fala do doutor. — Não é nada grave, só é pra você pegar os medicamentos do Jinwoo.
— Lohan, você pode ficar com ele?
— Claro que posso. Não se preocupe, ele vai estar inteiro quando você voltar.
Jennie entreabriu a boca, olhando para o doutor, que estava sorrindo disfarçadamente.
— Tem câmeras aqui, né? Não confio nesse rapaz — ela me encarou com desdém. — Tô de olho em você, Lohan Ma... Lohanny.
Sorri sem mostrar os dentes ao escutar o apelido — que ela usava para me zuar na maioria das vezes, mas eu não ligo para isso. — Ela me chamar por um apelido antigo já é um grande passo.
Após ambos saírem da sala, voltei minha atenção para o Jinwoo, vendo ele me encarando com a sobrancelha arqueada e com um semblante bravo e desconfiado.
— Você é o grande amor da minha mamãe?
Arregalei meus olhos após sua pergunta, sentindo minha bochechas queimarem e minhas pernas perderem as forças, tanto que tive que me sentar na beirada da cama em que o garoto estava.
— Ela te disse isso?
— Não, o tio Tae disse. Ele me mostrou uma foto e vocês estavam no parque que minha mamãe me leva às vezes pra fazer piquenique.
— O quê?
— É, vocês estavam embrulhados em blusas de frio porque tava nevando. Minha mamãe tava beijando sua bochecha e você estava tirando foto de vocês dois.
Engoli seco, levando meu olhar para o chão do quarto, sentindo a mão do Jinwoo na minha, que estava largada na cama, perto de seu pequeno corpo.
— Lohan, o tio Tae disse que minha mamãe e você eram namorados, é verdade? — ele perguntou, acariciando levemente minha pele com o seu pequeno polegar.
— Não sei se posso te dizer isso... Por que não pergunta pra sua mamãe? — levei meu olhar para ele lentamente, sorrindo com um pouco de dificuldade.
— Ok... Vamos pra uma pergunta mais clara... Você gosta da minha mamãe? — engoli seco enquanto entreabria a boca, sentindo-me começar a suar frio. — De garoto pra homem, tio, me responde se você ama ou não a minha mamãe.
— Não acha que nos conhecemos pouco pra você saber essa informação sobre mim?
— Ah, por favor, tio. Eu juro que não vou contar pra ninguém.
— Outro dia eu te conto, carinha — baguncei seus fios, vendo-o sorrir enquanto fechava os olhos.
— Eu posso desenhar na sua mão? — ele perguntou, fazendo beicinho e um olhar pidão.
Acabei me rendendo e deixando ele desenhar, porém senti que ao invés de fazer um desenho, os traços pintavam uma letra, ou melhor, uma inicial.
— Pronto.
Encarei as costas da minha mão, vendo um "JK" escrito no local, em um tamanho razoável e bom, com uma cor forte e escura.
— Quais são as primeiras letras do seu nome, tio?
— Pra quê?
— Pra eu colocar na minha mão. Antes que pergunte, é Jinwoo Kim, eu só coloquei assim pra confundir o pessoal — ele abriu um sorriso sapeca, deixando-me confortável para sorrir também.
— É "LM" — ele assentiu.
Como eu sou idiota. Pensei que fosse as inicias da Jennie, sendo que estava na cara que era as iniciais do Jinwoo.
***
Jennie, Jinwoo e eu estávamos no meu carro, presos em um trânsito grande e barulhento. Enquanto eu prestava atenção nos carros à minha frente, a mulher ao meu lado roía as unhas e tremia as pernas, olhando os medicamentos do Jinwoo.
Suspirei antes de segurar sua mão, impedindo que ela continuasse roendo suas unhas. Recebi seu olhar curioso e perdido, vendo suas pupilas dilatarem quando tivemos esta troca de olhares.
— Jennie, o que foi? Para de roer suas unhas.
— Não é nada. Está tudo bem — ela se apressou em guardar o papel em sua bolsa, porém eu o peguei e li tudo, vendo que era bem caro os remédios.
— Eu posso te ajudar a comprar.
— Não precisa — ela tentou pegar os papéis, mas eu fui mais ágil e os escondi ao lado do meu banco.
— Deixa que eu te ajudo, Jen.
— Lohan, me devolve isso agora — sorri e dobrei o papel, colando ele num espaço grande da porta.
— Qual é o restaurante favorito do Jinwoo? Vou levar vocês lá. A não ser que você queira ir com o seu namorado — falei, mudando de assunto e olhando para a estrada.
— NÃO — Jinwoo gritou, fazendo-nos olhar para trás. — O Kai é chato, prefiro o tio Lo — ele brincou com os seus dedos.
— Não fala assim do Kai, filho. Ele te comprou sorvete.
— Mamãe, ninguém consegue me comprar com comida. Não sou igual você — virei minha cabeça para frente e baixei meu olhar, rindo disfarçadamente.
— JINWOO! Me respeita, garoto — ela olhou para mim, vendo que eu estava rindo. — E você também, Lohan — ela bateu no meu braço.
— O que eu fiz? — olhei para ela.
— Tá rindo.
— Não posso mais rir? — ela não respondeu. — Ele não mentiu em nada que falou, Jennie. A verdade dói, mas fortalece.
— Repete — ela mandou, entredentes.
— Eu tenho amor à minha vida, meu bem.
Ela bufou, apoiando seu cotovelo na porta e deixando seu punho cerrado perto de sua boca. Observei as minhas inicias nele, forçando um pouco a vista para ter certeza do que eu vi.
— Jinwoo, deixa eu ver sua mão — pedi, virando-me para trás.
O garoto esticou sua mão, e pude ver as letras "JL" dentro de um coração pequeno, porém bem desenhado.
Que muleque sapeca...
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