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02/04/2024
Point of view: Jennie Kim
Seul - Coreia do Sul
Terça-feira
08:00 AM
Cheguei na Celine faz alguns minutos, portanto, já pude ir adiantando algumas coisas sobre as reuniões do meu chefe.
Enquanto eu observava a vista para os prédios de Seul, aguardando até o meu cappuccino ficar pronto, senti alguém se aproximando de mim, porém eu não me virei, apenas admirei alguns carros que passavam lá em baixo. Ouvi alguém limpar a garganta, então resolvi me virar.
Dei de cara com o corpo do meu chefe, que estava com as mãos no bolso, com o mesmo penteado de ontem e encarando-me com um brilho de dor em seu olhar. Seu corpo estava vestindo um terno preto que ressaltava seus ombros largos e deixava um pouco amostra o volume entre suas pernas; uma gravata e um sapato social da mesma cor que o terno, e por fim, uma camisa branca, que estava por dentro de sua calça. Sua bolsa estava em um dos seus ombros, deixando-o com uma aparência mais elegante e profissional.
— Bom dia, senhor Manobal! — curvei-me, tratando de me comportar profissionalmente. — Precisa de algo?
— Sim, quero saber o que tenho pra hoje — sua voz saiu em um tom baixo e frio, causando-me um arrepio de medo e a incerteza sobre o que eu estava fazendo.
Será mesmo que fingir que ele é só um desconhecido é a melhor ideia, Jennie Kim?
— Ok... Sua agenda está em minha sala, levarei para o senhor depois.
Ele assentiu e se retirou, andando com sua postura impecável e transmitindo segurança apenas com o olhar.
Após fazer meu cappuccino, fui para a minha sala e sentei-me em minha cadeira, apenas revisando algumas coisas antes de ir para a sala do senhor Manobal. Liguei meu computador enquanto saboreava meu doce cappuccino, vendo alguns e-mails de artistas patrocinados pela nossa marca, alguns currículos onlines, e entre outras coisas.
A minha atenção foi roubada quando a tela do meu celular acendeu, mostrando o número da diretora da escola do Jinwoo. Assustei-me e rapidamente atendi.
— Alô, Jennie Kim? — perguntou a diretora, com uma voz calma e bonita.
— Eu mesma. Aconteceu alguma coisa com o Jinwoo?
— Não, ele está bem, pode ficar despreocupada — suspirei aliviada. — Eu gostaria de saber se a senhora permite o Jinwoo ir ao cinema com o resto da sala. Parece que ele esqueceu de te mostrar o bilhete de autorização.
— Claro que eu permito, desde que ele volte inteiro.
— Fique despreocupada. Desculpe o incomodo, senhora Kim. Obrigada por permitir que o seu filho vá com o resto da turma e alguns professores.
— Por nada! — encerrei a ligação, respirando pesadamente.
Peguei a agenda do meu chefe e me preparei para sair da minha sala, contendo o meu nervosismo de falar com ele novamente. Depois de ontem, receio que tudo ficará mais estranho entre nós, e eu sei que o clima ficará bem desconfortável para ambos. Portanto, tenho que ser forte para continuar trabalhando aqui.
Saí da minha sala e caminhei um pouco até chegar no escritório dele. Bati na porta antes de entrar, e assim que pisei dentro do local, me deparei com um rapaz e uma moça quase do meu tamanho... uma moça que eu conhecia muito bem, e que eu também não gostava nada.
— Com licença, a senhora marcou um horário? — perguntei com o cenho franzido, recebendo a atenção dos dois. — Você tem que marcar um horário para falar com o senhor Manobal, ele tem a agenda muito cheia, sabia?
— Jennie, pra que essa formalidade toda, meu amor? — ela se aproximou para me abraçar, porém eu recuei.
— Ploi, saía da minha sala, por favor — o rapaz pediu, sem olhar para a moça em minha frente.
— Pare de ser mal-educada, Lalisa. Eu te criei, não pode me desprezar desse jeito. Você é uma ingrata, garota — ela foi em direção ao Lohan, preparando-se para bater nele. — Você tá precisando de umas lapadas pra te curar dessa doença — em um ato repentino, sua mão foi levantada, porém eu fui mais rápida e segurei seu pulso firmemente, recebendo o olhar surpreso dela.
— É Lohan, não Lalisa. É garoto, não garota. E quem tá precisando de umas lapadas aqui é você, pra ver se aprende a respeitar o próximo. Agora saía dessa sala antes que eu chame o segurança.
— Você não é ninguém pra me dizer o que eu preciso. Ela é minha filha e quem manda nela sou eu.
— Repete. Repete pra você ver se eu não acabo com essa plástica que você tem na cara, sua vadia — coloquei o tablet em cima da mesa e inflei meu peito, encarando-a no fundo dos olhos.
— Repetir o quê? Que ela é minha filha?
Em um ato rápido, seu rosto foi acertado com um tapa estralado e bem forte, deixando a marca da minha mão em sua bochecha.
— Filha é o caralho, sua filha da puta. Ou você sai daqui agora, ou eu te taco janela abaixo. Não me importo com o prejuízo que terei pra pagar um vidro novo.
— Você continua a mesma barraqueira de sempre, né, Jennie? A Lalisa não precisa de você pra se proteger. Faz o favor de deixar minha...
Antes que ela pudesse terminar a frase, apertei um botão embaixo da mesa do Lohan, e acionei um alarme, chamando os seguranças e interrompendo a fala dela.
— É Lohan, o nome dele é Lohan Manobal, porra! E outra: ele não é, e nunca vai ser o seu filho, sua bruxa.
Os seguranças chegaram após a minha fala, segurando no braço da senhora em minha frente e a levando embora do local. Após isso, apertei novamente no botão, desligando o alarme. Com isso, observei que Lohan estava com a cabeça baixa, escondendo-a em seus braços que estavam apoiados em seus joelhos.
Fui até ele e segurei seu braço, tentando fazer com que ele me olhasse, mas ele continuou com a cabeça enterrada ali, e eu pudia ver os espasmos que seu corpo dava, indicando que ele estava soluçando silenciosamente.
Peguei uma cadeira e coloquei na frente da sua, começando a fazer um cafuné lento em seus fios, pensando no que eu iria dizer a ele, já que não éramos mais tão próximos.
— V-você quer um... — olhei pelo o local, procurando motivos para não dizer aquilo — ...abraço?
Ele levantou a cabeça lentamente, mostrando seu rosto inchado e seus olhos vermelhos e molhados, tendo incerteza e medo em seu olhar. Eu conseguia ver seu nervosismo, pois suas mãos e suas pernas não paravam de tremer. Levantei-me, vendo o seu olhar confuso me seguir em cada passo que dava. Sentei-me no sofá e o chamei. Ele veio em passos lentos, ainda com medo da rejeição, porém aceitando o meu carinho e se aconchegando ao meu lado.
— Lohan, não liga pra ela, ok? — ele não respondeu, apenas me encarou com seus olhos cheios de lágrimas. Puxei-o para um abraço, enterrando sua cabeça em meu peito e acariciando seus fios, logo escutando ele chorar feito uma criança quando toma um susto.
E lá estava eu de novo, abrindo os braços para que o Lohan pudesse chorar no meu abraço. Afaguei suas costas, o consolando apenas com o toque físico, porém aquilo já dizia mais do que mil palavras.
— Me desculpa... — ele se afastou. — Eu estava com medo e te abracei e...
— Lohan — o interrompi, vendo o seu olhar curioso cair sob mim —, fica tranquilo, não estou brava. Você precisava disso, e eu sei que se fosse eu no seu lugar, você faria o mesmo.
— Obrigado...
— Sobre o que ela falou? Ela te disse algo sobre o passado que te magoou?
— Me ameaçou... de novo — seus olhos baixaram e eu pude perceber seu desconforto ao falar disso.
— É melhor você contratar seguranças, nós sabemos muito bem do que sua família é capaz. Se quiser eu posso falar com o Namjoon e com o Jin, eles são de confiança. Lembra deles?
— Não... Eu não quero seguranças. Se for pra eu morrer, não tem motivo pra lutar contra isso. Eu não tenho mais nada a perder aqui, já que a minha família... — ele riu sarcásticamente, enquanto uma lágrima ficava presa em seus lábios, logo entrando dentro de sua boca.
— Você tem uma família. O Tae, o Kookie, o Jiminnie, a Jisoo e a Chaeyoung são a sua família. Eles te amam e você sabe disso.
E eu também sou a sua família e te amo, Lohan Manobal...
— E você? Você não é mais a minha família? Está com nojo de mim? — seus olhos chorosos encararam os meus, partindo meu coração ao ter este contato visual e ao escutar estas palavras duras.
— Não... Não, não fala isso, Lohan — implorei, tentando encostar minha mão na sua, porém ele não deixou.
— Você se afastou de mim quando eu fui pra Tailândia, e quando eu voltei, você me ignorou, me tratou como se eu não fosse nada pra você... isso me faz pensar que você sente nojo de mim, Jennie — ele disse, desviando seu olhar e deixando uma lágrima escapar.
— Não...
— Por que você fez isso comigo, Jennie Kim? — ele aumentou um pouco o volume de sua voz, se levantando e me encarando com dor em seu olhar. — Eu pensei que você tivesse desistido de mim. Eu cheguei a cogitar que você queria que eu fosse embora daqui, pra seguir sua vida porque não gostava de mim, e só ficava comigo por dó.
— Para de falar merda, Lohan — levantei-me, ficando em sua frente e segurando o choro.
— Jennie, eu fiquei tão animado quando consegui comprar a passagem pra voltar, pra cá, eu fiquei tão feliz quando soube que eu iria te reencontrar... Mas quando eu cheguei aqui, vi você com um namorado e com um filho, porra! — meu estômago tremeu de nervoso. — Por que não me contou que tinha um filho? Eu ficaria feliz por você, caralho!
— E-Eu...
— Vai mentir de novo, Jennie?
— Eu não tenho um filho, Lohan...
— Para com essa merda. Só me fala que tá seguindo a sua vida ao lado do seu amor, só fala isso. Para de mentir pra mim, porra! Eu não sou criança, sei lidar com notícias.
— Eu vou pra minha sala. Sua agenda está na sua mesa — comecei a caminhar. — Ah, e por favor, Manobal, se acalme antes de falar comigo novamente.
— Jennie, volta aqui! Vamos conversar, pelo amor de Deus! Eu não aguento mais ficar te tratando como uma estranha — ele puxou meu braço.
— As estações mudaram, Lohan... Você deveria seguir sua vida, não quero te machucar.
— Você já me machucou faz anos...
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