A Presença de Alice

O sol da manhã banhava a sala de estar de Damien, pintando as paredes com tons dourados e aquecendo o ambiente. Sam e Damien estavam sentados em lados opostos do sofá, o silêncio tenso pairando entre eles. A presença de Alice ali era como um elefante na sala, uma verdade incômoda que esperava para ser abordada.

Damien rompeu o silêncio, sua voz carregada de nervosismo. "Sam, eu sei que isso é... inesperado. Eu queria ter encontrado o momento certo para te explicar."

Sam desviou o olhar por um instante, tentando processar as informações que o atingiram de surpresa. "Você sabe sobre a carta, Damien?"

A tensão no ar era quase palpável. Damien assentiu lentamente, seus olhos encontrando os de Sam com uma mistura de ansiedade e arrependimento. "Sim, eu sei que você a encontrou. Não queria que descobrisse assim. Não sabia como te contar sobre Alice."

"Quem é ela, Damien?" A voz de Sam tremia ligeiramente, sua expressão refletindo a confusão e a dor de se sentir traído.

Damien suspirou, tentando encontrar as palavras certas. "Alice é alguém do meu passado. Nós éramos próximos antes, mas... as coisas mudaram. E agora, ela está aqui, esperando um filho meu."

A revelação pesava sobre Sam como um fardo, a sensação de ser excluído de uma parte importante da vida de Damien o deixava perturbado. "E por que não me contou antes?"

"Eu queria, Sam. Mas as coisas são complicadas." Damien olhou para Alice, que permanecia em silêncio, sua expressão serena contrastando com a turbulência emocional da situação.

"Eu não sabia como lidar com tudo isso," continuou Damien, os olhos implorando por compreensão. "Era uma situação delicada, e eu estava com medo. Medo de perder você."

Ouvir Damien confessar seus medos trouxe uma onda de compaixão em meio à confusão de Sam. Ele se aproximou de Damien, sentando-se ao seu lado e segurando sua mão. "Eu não sabia, Damien. Não imaginei que isso poderia ser tão difícil para você."

Alice interrompeu o momento, sua voz suave preenchendo o espaço. "Desculpe interromper, mas eu gostaria de explicar também, se vocês permitirem."

Sam olhou para ela, um misto de curiosidade e cautela refletido em seus olhos. "Tudo bem, Alice. Por favor, nos conte."

"Eu e Damien fomos muito próximos há um tempo. Mas seguimos caminhos diferentes, e então nos reencontramos. Não esperava encontrar-me nesta situação, mas decidi vir aqui para falar com Damien e acertar as coisas. Ele merece saber sobre o bebê e fazer parte dessa jornada, se quiser."

O silêncio preencheu a sala novamente, as palavras de Alice pairando no ar, permeando a atmosfera carregada de emoções. Sam olhou para Damien, vendo a hesitação e o anseio por clareza em seu rosto.

"O que você quer, Damien?" Sam perguntou, sua voz calma, mas carregada de incerteza.

Damien olhou para Sam, seu coração pesado pela complexidade da situação. "Eu... quero estar com você, Sam. Mas também quero fazer o que é certo por Alice e pelo bebê."

Sam assentiu, compreendendo a dificuldade da decisão. "Nós vamos passar por isso juntos, Damien. Vamos descobrir uma maneira de seguir em frente, juntos."

A determinação na voz de Sam trouxe um alívio sutil ao coração de Damien. Era o começo de uma jornada incerta, mas a promessa de enfrentar os desafios juntos oferecia um vislumbre de esperança em meio à turbulência.

~*~

Era o último dia da primavera, o verão estava chegando e havia trago com ele um clima nostálgico. O sol da manhã inundava a sala, pintando-a com tons dourados enquanto a luz filtrava pelas cortinas entreabertas. O aroma do café fresco flutuava no ar, misturando-se com o cheiro suave das flores recém-colocadas num vaso sobre a mesa. Era o primeiro dia após a chegada de Alice, e a atmosfera na casa de Damien era uma mistura de tensão e curiosidade.

Sam se recostou na cadeira da cozinha, fitando a xícara de café como se buscasse respostas no líquido escuro. Seus pensamentos estavam tumultuados desde o momento em que Alice apareceu inesperadamente na casa de Damien. A sensação de desconforto o envolvia, mesmo que tentasse se convencer do contrário. A mente de Sam o levou para noite, quando já deitado ao lado de Damien na cama eles se questionavam. 

O silêncio pairava no ar enquanto o peso das palavras não ditas se tornava quase tangível.

Sam sentia o coração pesado, uma sensação estranha de antecipação pairando em seu peito. Ele virou-se levemente na direção de Damien, os olhos fixos nos dele, buscando respostas para as perguntas não ditas.

Damien, notando a tensão no olhar de Sam, suspirou suavemente. "Você está preocupado, não é?"

Sam assentiu, incapaz de esconder a inquietação que o consumia. "Sim, algo está no ar. Eu não sei explicar, mas... estou sentindo que algo vai mudar."

Damien acariciou o rosto de Sam com ternura, tentando transmitir conforto através do toque. "O que quer que seja, vamos enfrentar juntos. Nada vai nos separar, Sam. Você sabe disso, não sabe?"

Havia uma tranquilidade na voz de Damien que acalmava um pouco a tempestade interior de Sam. Ele se aconchegou mais perto de Damien, buscando refúgio em seus braços. "Eu sei. É só... estranho. Como se algo estivesse prestes a acontecer e não sei como reagir."

Damien segurou a mão de Sam, entrelaçando seus dedos suavemente. "Confie em mim. Vamos lidar com o que quer que seja. Juntos."

A incerteza pairava no ar enquanto eles se mantinham unidos naquela noite, procurando força um no outro, alheios ao que o amanhecer traria.

Damien apareceu na porta da cozinha, um sorriso educado no rosto. "Bom dia, pessoal! Como estão se sentindo hoje?" Fazendo Sam voltar ao presente. Damien havia voltado da corrida matinal, estava sem camisa e tirava os fones de ouvido.

Alice olhou para cima, seus olhos radiantes, e respondeu com um tom animado. "Ótimo! Este lugar é adorável, Damien. Obrigada por nos receber."

Sam forçou um sorriso, observando a interação entre Damien e Alice. Havia algo na maneira como ela se dirigia a Damien que parecia um pouco excessivo, um esforço para agradar que parecia um tanto exagerado.

Damien se aproximou da mesa, depositando uma cesta de pães frescos enquanto se sentava. "Espero que todos tenham tido uma boa noite de sono. Eu estava pensando, que tal sairmos hoje à noite para comemorar sua chegada, Alice?"

O rosto de Alice se iluminou, mas seu olhar rápido em direção a Sam não passou despercebido. "Seria maravilhoso, Damien! Adoraria conhecer um pouco mais da cidade."

Sam não pôde evitar a sensação de que a proposta de Damien tinha um tom peculiar. Era como se ele estivesse tentando compensar alguma coisa ou até mesmo distrair.

"Claro, pode ser uma boa ideia," respondeu Sam, mantendo seu tom neutro.

A conversa continuou, mas uma sombra pairava sobre a mesa. Sam sentiu-se como se estivesse olhando para uma pintura sem saber decifrar seu verdadeiro significado. E enquanto Alice trocava palavras amáveis ​​e sorrisos, Sam se perguntava o que realmente estava por trás daquela fachada.

O dia se desdobrou em atividades comuns, mas a presença de Alice continuava a ecoar na mente de Sam. Ele observava-a cuidadosamente, notando pequenas peculiaridades em suas expressões, algo que não parecia genuíno. Era como se ela estivesse atuando, escondendo algo por trás da máscara de amabilidade.

Naquela tarde de final de primavera, Sam acompanhou Alice ao parque. Ela irradiava uma aura doce e gentil, cada gesto delicado e sorriso acolhedor parecendo uma pintura perfeita de serenidade. A luz do sol dançava entre as folhas das árvores enquanto caminhavam, mas a aparente doçura de Alice parecia irreal para Sam.

Ele observava com cautela enquanto Alice interagia com as pessoas ao redor, cumprimentando-as com sorrisos calorosos. Ela parecia em seu elemento, espalhando uma impressão de tranquilidade onde quer que passasse. Mas Sam sentia algo estranho, uma dissonância entre a suavidade de suas palavras e a inquietude que borbulhava dentro dele.

Alice parecia envolvida em sua própria bolha de tranquilidade. Ela sorria para as crianças brincando no gramado e apreciava as flores coloridas que pontilhavam o caminho. No entanto, para Sam, havia uma dissonância entre a aparência doce de Alice e sua recente revelação.

Enquanto conversavam, Alice ocasionalmente fazia comentários inesperados ou se distraía, como se estivesse em outro mundo por breves momentos. Ela então se desculpava rapidamente, culpando os "hormônios da gravidez".

"Desculpe, Sam, às vezes minha mente simplesmente... vagueia. São esses hormônios, sabe?" Ela ofereceu um sorriso afetado, tentando dissipar a tensão.

Cada vez mais, a imagem gentil que ela projetava contrastava com a sensação de falsidade que Sam sentia. Ele se perguntava o quanto conhecia realmente aquela mulher, se o rosto sereno escondia camadas de segredos ou se era apenas a projeção de uma personalidade cuidadosamente cultivada.

Sam tentou se conectar com ela, participando das conversas superficiais que ela mantinha com as pessoas no parque, mas a sensação de desconforto persistia. Havia algo na maneira como ela sorria, como ela se movia, que o fazia questionar a autenticidade por trás daquela fachada amável.

 Ao anoitecer, enquanto se preparavam para sair, Sam se viu preso entre o desejo de apoiar Damien e a inquietação crescente sobre a presença de Alice. Ele sabia que a noite seria crucial para entender mais sobre quem era realmente aquela mulher que surgira do passado de Damien.

O restaurante estava envolto em uma atmosfera calorosa, iluminada por candelabros e velas espalhadas por todas as mesas. As paredes exalavam um tom âmbar suave, dando ao local uma sensação acolhedora. O som de risos e conversas preenchia o ambiente enquanto os clientes desfrutavam da refeição.

Sam observou Damien e Alice interagirem, notando como Damien acomodava uma mecha solta do cabelo de Alice com um sorriso afetuoso. Era uma cena quase familiar, como se eles compartilhassem uma cumplicidade silenciosa. Alice parecia radiante, uma aura de delicadeza pairando ao seu redor.

Eles se sentaram à mesa, rodeados pela música suave que flutuava no ar. Os aromas tentadores da culinária exótica dançavam ao redor deles, convidativos e tentadores. Sam percebeu o esforço de Alice para se adaptar ao ambiente, suas maneiras refinadas contrastando com uma certa insegurança que ela tentava mascarar.

O garçom trouxe um amuse-bouche, um pequeno aperitivo deliciosamente disposto em porcelana. O sabor sutil mas complexo encheu a boca de Sam, despertando sua curiosidade pelo prato principal que viria a seguir.

Os pratos chegaram, trazendo consigo uma explosão de cores e sabores. O salmão grelhado estava perfeitamente disposto, adornado com ervas frescas e regado com um molho que evocava lembranças do mar. Ao lado, uma torre de legumes cuidadosamente cortados se erguia, adicionando um toque de frescor e vitalidade ao prato.

Damien sorriu para Alice. "Você gosta de comida asiática, certo?"

Alice concordou, um brilho animado nos olhos. "Sim, adoro! Essa é uma das minhas cozinhas favoritas. E você, Sam?"

Sam tentou se manter à margem, mas as conversas fluíam tão naturalmente que ele se viu envolvido, mesmo que discretamente. A presença de Alice à mesa, no entanto, deixava-o em um estado de alerta. Sua doçura parecia genuína, mas Sam não conseguia ignorar um sentimento de desconfiança persistente.

"Sim, também gosto," respondeu Sam, dando uma garfada no prato e tentando disfarçar sua inquietação.

Enquanto experimentava os sabores exóticos da refeição, Sam lutava para entender essa nova dinâmica entre Damien e Alice. Ele se perguntava se estava exagerando em suas suspeitas ou se havia algo além da superfície, algo que ainda não tinha visto.

Enquanto a noite avançava, Sam tentava sutilmente sonda a relação entre Damien e Alice. Observava suas interações, buscando qualquer sinal de autenticidade ou inconsistência nas atitudes de Alice. Ela parecia tão confiante, tão à vontade na presença de Damien, que isso aumentava o desconforto de Sam.

Os olhos de Sam percorriam a expressão de Alice, procurando sinais de verdade por trás do sorriso delicado. Havia algo na maneira como ela se dirigia a Damien que parecia um tanto forçado, como se tentasse criar uma imagem idealizada da situação. O instinto de Sam o alertava para a possibilidade de uma máscara cuidadosamente construída.

O jantar prosseguiu, mas a sensação de inquietação de Sam crescia a cada minuto. Ele se perguntava se Damien percebia a mesma dissonância que ele sentia. Por mais que tentasse ignorar seus instintos, Sam não conseguia se livrar da sensação de que algo estava sendo escondido, algo que poderia mudar tudo.

Enquanto as conversas continuavam e os pratos eram apreciados, Sam se sentia isolado em meio à aparente harmonia. Ele lutava para encontrar uma maneira de abordar suas preocupações sem causar mais tensão ou desentendimento.

A noite chegou ao fim, mas as dúvidas de Sam persistiam. Enquanto voltavam para casa, ele decidiu abordar o assunto com Damien, sabendo que precisavam esclarecer as coisas para seguir em frente.

"Damien, podemos conversar um momento?" Sam perguntou, sua voz carregada de preocupação.

Damien olhou para ele, percebendo a seriedade em seu tom. "Claro, Sam. O que está te incomodando?"

Sam hesitou por um momento, tentando encontrar as palavras certas para expressar suas preocupações. "Eu... tenho sentido algo estranho desde que Alice chegou. Não sei explicar, mas algo não parece certo."

Damien franziu a testa, olhando para Sam com uma mistura de surpresa e preocupação. "O que você quer dizer, Sam? Ela não te tratou bem?"

"Não é isso..." Sam tentou explicar, suas palavras pesadas com a angústia que sentia. "É mais sobre como ela age, como ela se comporta. Parece... forçado, como se estivesse escondendo algo por trás desse comportamento gentil."

Damien ficou em silêncio por um momento, seus olhos refletindo a complexidade da situação. "Eu entendo suas preocupações, Sam. Eu também tenho sentido algo semelhante. É difícil explicar, mas algo parece fora do lugar."

A confissão de Damien trouxe um alívio momentâneo para Sam, sabendo que não estava sozinho em suas suspeitas. Eles sabiam que precisavam descobrir a verdade por trás da situação, mas também sabiam que enfrentar essa verdade poderia trazer à tona questões difíceis.

Enquanto voltavam para casa naquela noite, ambos sentiam o peso das palavras não ditas, a incerteza pairando no ar como uma nuvem escura sobre suas cabeças. O desconforto da situação os impelia a buscar respostas, mesmo que isso significasse enfrentar uma verdade dolorosa.

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