CAPÍTULO VII- Perdida
Luna Stuart
Acordo em pleno sábado às 4 da manhã, minha cabeça da voltas e voltas e concluo que não dormirei mais. Levanto da cama e abro a janela, o vento da madrugada entra sorrateiramente no meu quarto bagunçado ainda mais meus cabelo, fecho os olhos por alguns segundos sentindo a temperatura do quarto abaixar, de repente me dá um calafrios e pensamentos duvidosos passem em minha cabeça.
Meus pensamentos voam até onde papai está, mas as respostas não encontro para as minhas perguntas não respondidas. Meus olhos vão de encontro com uma luz no poste e como eu queria que aparecesse uma luz em minha vida e me tirasse desse caos.
Como eu queria que tudo desaparecesse como um passe de mágica, como eu queria que aos poucos minha vida fosse arrumada. Me sinto sozinha sem ninguém para contar, a tristeza em meu peito me acerta por inteira, mas não posso fraquejar, afinal de contas todos aqui dependem de mim.
_ Lu ainda está acordada. _ A pequena Sofia entra em meu quarto.
_ Estou sim maninha. _ Falo ligando o abajur.
_ Posso dormir com você? _ Pergunta segurando seu ursinho.
_ Monstros em baixo da cama? _ Pergunto e ela balança a cabeça em positivo.
_ Tô com medo Lu. _ Diz ela e eu estendo os braços para a mesma.
_ Não tenha medo pequena, eu estou aqui. _ Falo beijando a sua testa.
Sofia é a minha irmã mais nova, com apenas seis anos. Ela é um doce de criança e muito apegada a mim. Eu a trato como filha, apesar que ela foi adotada pela nossa mãe ainda quando era apenas um bebê.
A nossa família nem sempre foi assim... Destruída. Antes éramos felizes, papai tinha um emprego em uma fábrica e o que ele ganhava dava para todos nós sobreviver. Tínhamos condições, e foi assim que mamãe resolveu adotar a Sofia, logo que a mãe dela faleceu deixando a pequena bebê.
_ Lu a janela, eles vão entrar pela janela. _ Diz ela e caminho para trancar a janela.
_ Pronto pequena, agora estamos seguras. _ Falo me deitando ao seu lado na cama.
Não demora muito para que ela finalmente durma, mas em compensação eu? Não consegui pregar os olhos. Quando finalmente estava perto de dormir, o despertador toca e desse jeito preciso levantar para o trabalho.
Como é sábado, abrimos as 7:00h e fechamos as 14:30h, o movimento não era muito grande já que a maioria das pessoas só iam lá para almoçar.
Após finalmente realizar minhas higiene matinal, me arrumo e desço para o café. Mamãe como sempre já estava de pé e preparando o café da manhã.
_ Bom dia mãe. _ Falo beijando a sua bochecha e me sentando na mesa.
_ Bom dia querida! Como passou a noite? _ Pergunta sorridente.
_ Passei bem. _ Minto. _ Me parece que a senhora não pregou o olho a noite inteira. _ comento notando suas olheiras visíveis.
_ Não vou mentir para você, estou preocupada com o seu pai. Ele já deveria ter voltado. _ Comenta ela aflita.
_ Não se preocupe mãe, ele está bem. _ Tento lhe confortar e me confortar também. _ Quando sair do trabalho irei procura-lo. _ Falo e ela me encara.
_ Não faca isso sozinha minha filha, é tudo o que sua mãe te pede. _ Diz e algo lhe tira o foco.
Alguns minutos depois escuta-se um barulho no andar de cima que é provávelmente os meninos brigando novamente para decidir quem usaria primeiro o banheiro.
Termino o meu café e olho para o relógio na parede da cozinha e assim saio de casa para não me atrasar. Chego no restaurante por volta das seis e pouca e encontro a Tati pronta para abrir. Ela sorri como sempre e lhe ajudo a abrir o local. Minutos depois o Toni chega junto com o chefe da cozinha, e não demora muito para que os clientes se aproximem.
Um em especial me esperava em uma das mesas, e quando o nosso olhar se encontrou sinto meu corpo se arrepiar pela profundidade do seu olhar.
_ Vai lá antes que aquele gato de coma com os olhos. _ Comenta a Tati sorrindo.
_ Mais estou em serviço. _ Falo e ela sorri pegando o bloco de notas da minha mão.
_ Eu atento alguns clientes para você, seja rápida não queremos que o seu chefe veja. _ Diz e sorriu pelo seu gesto.
A cada passo meu sinto o meu coração acelerar, não é possível que em tão pouco tempo o meu coração já pertença a ele dessa maneira. Seu sorriso de lado me encantou desde do nosso primeiro encontro e os seus olhos? Bem! Eles são tão diferentes dos demais é algo belo a ser contemplado.
_ Oi. _ Falo tímida em sua frente.
_ Pensei em te ver. _ Diz olhando em meus olhos.
_ Isso tudo é saudades? _ Brinco.
_ Você não sabe quantas. _ Diz sorrindo. _ Estou voltando para Itália amanhã de manhã. _ Diz ele. _ Precisava te ver. _ Completa.
Aquela notícia me serviu como um balde de água fria, mas eu sabia que ele voltaria, pelo menos era o que eu queria acreditar.
_ Senta um pouco. _ Diz me olhando nos olhos, me sento em sua frente.
_ Não fica assim, eu prometo que volto na outra semana, apenas para ti ver. _ Diz com segurança.
_ Tudo bem. _ Minto.
_ Quero passar a tarde com você. _ Diz fazendo carinho em minha mão.
_ Saio as 14:30h, mas provavelmente alguns clientes ainda ficam até mais tarde. Nos encontramos as 17:30 na praça. _ Falo olhando em seus olhos que passeiam até meus lábios.
Ele respira profundamente e sorri.
_ Nos encontramos lá então, até às 17h. _ Diz se levantando da mesa e beijando a minha testa.
_ Não atrasa. _ Falo em tom de brincadeira e o vejo sorri levemente pelo canto da boca.
Levanto logo em seguida e ele sai pelo mesmo lugar que entrou minutos atrás.
Aos poucos as horas se passam e logo estava na hora de finalmente fechar. Hoje como estou em busca do papai decidir ir para casa andando, pelo menos até onde meus pés iriam aguentar. Fecho o local com o Toni e seguimos nosso caminho ambos calados.
Ele parece incomodado com algo, mas nada me diz. Ele respira profundamente algumas vezes e a sua ação me deixa levemente irritada.
_ Quer me falar algo? _ Pergunto a ele.
_ Sim... Quer dizer não. _ Diz perdido em seus próprios pensamentos.
_ Desembucha vai Toni. _ Falo parando em sua frente.
_ Aquele cara de hoje. _ Diz se referindo ao Pietro. _ O que ele é seu? _ Pergunta levemente enciumado.
_ Qual o motivo dessa pergunta Toni? _ Lhe pergunto.
_ Ele não me parece confiável. _ Diz me fazendo sorri.
_ Sei que está tentando me proteger, mas o Pietro não é o lobo mal. _ Comento sorrindo.
_ Só fica ligada com ele, não quero te ver sofrer. _ Diz e para lhe deixar mais calmo concordo com ele.
_ Pode deixar mano. _ Falo lhe deixando pensativo, ele comenta algo baixinho que eu não escuto e minha atenção é levada ao um homem do outro lado da rua.
Forço minha visão e o reconheço. Era o papai... Mas que raios ele faz tão longe de casa? Saio apressada de perto do Toni, e vou ao seu encontro.
_ Papai o que faz aqui? _ Pergunto sentindo pena do homem ali presente em minha frente.
_ Não me enche Luna. _ Diz embriagado.
_ Vem papai precisamos ir para casa. _ Tento segura-lo mais ele me empurra.
_ Me deixa. _ Grita. _ Eu estou bem, não quero voltar para aquela casa infeliz. _ Diz andando para Deus sabe onde.
_ Espera papai. _ O chamo. _ Precisamos conversar. _ Eu consigo o alcançar.
_ Me deixa garota, quer ser a certinha? Seja a certinha sozinha, eu cansei de tudo lá. Aquilo lá é o inferno. _ Grita em meio a rua.
_ Papai não fala assim, eu preciso do senhor... A gente precisa. _ Reforço o meu pedido.
_ Dane-se eu não preciso de vocês. _ Diz visivelmente bêbado.
_ Papai não faz isso, tem uns homem atrás de mim, eu preciso de você. _ Peço e ele me empurra mais uma vez.
_ O problema é todo seu, eu não tenho nada a ver com isso. _ Diz e sai caminhando me deixando alí, parada e aflita.
Droga! Minha única chance de conversar com ele e o encontro transtornado. Minha consciência me castiga e me deixa mais abalada do que eu realmente estou.
E agora como vou resolver essa situação toda? Como vou tirar aqueles caras da minha cola? O que posso fazer para me livrar desse caos no qual estou instalada até o pescoço? Espero somente que a Mila consiga me ajudar a achar uma decisão o mais rápido possível para assim poder me livrar desse tormento, e assim poder respirar em paz.
Continua...
Oi pessoal. Tudo bem com vocês?
Atualização depois de muito
tempo, perdoe-me o atraso.
Domingo tem mais.
Não esqueçam de votar e comentar o que acharam
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