Capítulo 16
Os dois meses seguintes passaram voando e Callie não demorou para descobrir que Halt era bem rigoroso. Mas por incrível que pareça, ela era muito grata a ele por causa disso.
Halt largou toda sua vida pra trás para se dedicar a treiná-la. Claro que ele não tinha escolha, afinal, não dava para ele trabalhar e ao mesmo tempo ensinar uma cinética, mas mesmo assim Callie o admirou por isso. Ela não entendia o porquê dele estar fazendo aquilo por ela e, sempre que perguntava, Halt respondia: "o que faz algumas pessoas serem médicas e outras, engenheiras?".
Fazia sentido. Era nítida a vocação de Halt para aquilo, mas largar a vida toda e virar presa de monstros por causa de alguém que ele sequer conhecia... ela não conseguia acreditar em tanta bondade.
De qualquer forma, Callie não tinha muito tempo para pensar naquelas coisas. Sua manhã e tarde inteiras eram tomadas pelos treinos exaustivos e, pela noite, ela fazia um treino paralelo de "invocação de poderes".
Ela testou várias formas, e muitas deram certo. Acionar memórias específicas, mas sem necessariamente tirar as emoções delas, e visualizar com todos seus sentidos exatamente o que queria foram as mais intuitivas.
Ela fez um teste junto a Halt e eles notaram que a visualização a fazia ter um controle maior sobre os elementos e que as memórias a faziam ter um dano tão grande quanto se usasse as emoções. Por isso, Halt a aconselhou a usar a visualização, porque, afinal, força viria com o treino.
Elijah os mandou para uma outra casa logo que Halt aceitou virar protetor. Era uma boa residência que possuia uma área subterrânea funda o bastante para Callie treinar qualquer coisa sem medo de qualquer raio aparecer no lado de fora da casa.
Eles não saiam para quase nada, mas Elijah cumpriu com o que prometeu sobre o treinamento de protetores e por isso, depois de dois meses grudados, Halt e Callie tiveram que se separar.
Ela ficou escondida na casa, recebendo visitas frequentes de Elijah. Foi o pior e mais solitário mês da sua vida. Porém, quando Halt voltou, não conseguiu deixar de notar que seu protetor estava bem mais focado do que antes e, de repente, ele quase parecia um especialista em cinéticos.
Também se surpreendeu com o fato de como o mau-humor diário de Halt conseguia ser animador em relação ao silêncio da casa.
Algumas semanas depois do retorno de Halt, eles estavam tomando café da manhã, logo após um treino de tiro ao alvo quando Halt se levantou subitamente.
— Pegue o arco e a aljava e me espere no carro. Acho que já sei como tirar vantagem da sua pouca força cinética.
Callie olhou para ele confusa, e em seguida para seu pão ainda pela metade.
— Mas eu estou comendo...
— Leve o pão junto. Vamos comendo no caminho.
— Por que tanta pressa?
— Porque — explicou. — Vamos para a cidade. E quanto mais cedo, menor as chances dos kallckaras nos detectarem.
— Mas então porque eu deveria pegar o...
— Vai, Callie — mandou, já começando a perder a paciência. — Te explicarei melhor no carro. Mas, como você já notou, eu estou com pressa agora.
Ela se levantou e ergueu as mãos em sinal de rendição.
— Ok, ok... Já estou indo.
Halt parecia estranhamente agitado e isso deixou Callie nervosa. Halt nunca ficava agitado.
— O que está acontecendo, Halt?
— Já disse, não quero encontrar um kallckara — ele deu de ombros, mas a menina sabia que tinha algo a mais. — É serio, Callie. Elijah conseguiu uma foto de perto de um deles... Acredite: não temos força o bastante para derrotar muitos.
Pelo menos não se minha teoria estiver errada, pensou, mas não acrescentou nada em voz alta.
Callie ficou em silêncio, mas se remexeu inquieta. Ela não gostava de ficar perguntando as coisas. Sabia que a resposta viria em algum momento.
E veio:
— Minha teoria é que você pode carregar sua energia cinética em objetos inanimados, como flechas — disse Halt e Callie ergueu uma sobrancelha em um gesto interrogativo. — Pelos relatos de Elijah e dos outros proterores que estavam comigo, percebi que cineticos com cineses especificas tem uma dificuldade em maneirar na quantidade de energia que eles emanam e, portanto, eles tendem a destruir as coisas se tentarem colocar energia nelas.
O rosto de Callie se iluminou, entenendo o que ele estava querendo dizer
— ...mas como meu controle energético não é tão poderoso assim, eu posso conseguir carregar objetos e fazer com que eles se carreguem do elemento que eu quiser — completou ela. — Genial, Halt!
Ele assentiu com um sorriso satisfeito. Ele sempre sorria quando ela mostrava um avanço.
— Você está muito boa no arco e flecha — disse. — Então pensei em tentarmos carregar flechas. Vai ser melhor pois assim teremos a vantagem da distância, em caso de um ataque.
— Não seria melhor armas de fogo? — indagou, mas Halt negou com a cabeça.
— Pensei nisso também, mas elas te impediriam de carregar as balas com energias frias. Fora que a energia cinética necessária para uma bala ser disparada já é naturalmente muito grande. Provavelmente elas explodiriam ainda no cano se você as carregasse com mais.
Ela assentiu, compreendo o raciocínio.
— Mas então não entendi o porquê de estamos indo para a cidade se já temos arcos lá em casa.
— Porque as ponteiras das flechas são de aço, que não é um bom receptor de energia — explicou com simplicidade. — Cobre, Callie. Precisamos de pontas de cobre e no meu antigo escritório há uma gaveta cheia delas. — Ele notou a expressão confusa no rosto da adolescente e ele troceu o nariz. — Meu funcionário errou na hora de pedir umas pontas e acabei não jogando fora — ele fez um gesto com a mão. — Longa história.
—Mas cobre não é muito frágil? Qualquer coisinha vai amassar as pontas.
Ele deu de ombros.
— Não vai fazer muita diferença se a flecha toda explodir no impacto.
— Parece perigoso — disse, e então riu. -— Já estou gostando.
🔥⚡🔥
Parece uma teoria interessante. Vocês acham que vai dar certo?
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