Capítulo 13

Ela era mais resistente do que Halt imaginou e passou as duas horas seguintes fazendo alguns movimentos estranhos de ginástica e, entre um exercício e outro, dava alguns socos no saco de pancadas que estava pendurado em uma viga grande de madeira.

De tempos em tempos, Halt olhava pela janela para animá-la com comentários como "até a minha avó fazia movimentos mais complexos do que esse" ou "bata com mais força, garota".

Ele sabia que nada do que ela estava fazendo estava de fato nas instruções. Elijah usara termos técnicos que obviamente uma adolescente de treze anos jamais iria entender. Mas ele não disse nada.

Lá pelas cinco e meia da tarde, ela olhou para a janela, onde o homem barbado a observava com um sorrisinho divertido no rosto.

— Infelizmente, vou ter que pular um item dessa lista — disse irônica, em uma falsa tristeza.

Halt arqueou uma das sobrancelhas. Sabia muito bem do que ela estava falando, mas queria se divertir um pouco mais com a situação.

— Por que não?

— Elijah acha que todo mundo tem um arco e flecha em casa. E aqui, está dizendo: tiro ao alvo. Cinco metros.

O moreno deu de ombros.

— Sem problemas. O arco está dentro desse baú ao lado do saco de pancadas e as flechas estão em um tubo preto.

Ela olhou para Halt com um olhar de "está falando sério?", mas ele apenas deu de ombros novamente e levou a caneca de café recém feito para a boca.

Ela foi até o baú e levantou a tampa. Seu queixo quase caiu quando encontrou nada menos do que três arcos de madeira e diversos tubos coloridos.

Mas que diabos... — sussurrou, observando o baú atônita. Ela estava crente de que finalmente poderia pular algo e descansar um pouco, mas até um arco ele tinha!

...ou melhor, três.

Quem era aquele cara, afinal? Não sabia e, por um momento, realmente considerou a possibilidade de pedir ajuda, afinal, nunca havia atirado na vida. Sequer sabia como posicionar uma flecha!

Não, você chegou até aqui, Callie. Não pulou um só item da lista apenas para provar que poderia muito bem treinar sozinha. Não é hora de desistir, pensou determinada.

Pegou o único que estava com corda colocada e o tubo preto, que possuia uma duzia de flechas de madeira.

— Onde atiro? — perguntou ela, olhando para a janela.

— Não estou te ensinando nada, lembra? — ele levantou as mãos. — Apenas não atire na direção da casa, está bem?

Ela bufou, sentindo uma súbita vontade de gritar. Mas não queria ser expulsa da casa.

Ela olhou em volta. Não havia alvo algum, o que ela achou estranho, afinal, por que diabos ele tinha arcos se não praticava em nada?

Vou atirar na árvore, então, pensou, dando de ombros.

Ela olhou para o arco com o cenho franzido. Muitas tiras de madeira de grossuras diferentes tinham sido coladas umas às outras, e seus veios corriam em várias direções, o que formava uma curva dupla no objeto, como se diferentes forças empurrassem uma às outras.

Era um arco bem diferente dos que ela tinha visto em alguns filmes.

Pensando que havia passado tempo demais olhando para a arma, pegou uma flecha do tubo e ajustou à corda. Ela puxou a flecha para trás com o polegar e o indicador, mirou no tronco de uma árvore à uns cinco metros de distância e atirou.

A corda pesada do arco bateu na carne macia do lado de dentro de seu braço como um chicote. Callie gritou de dor e largou a arma como se fosse uma cobra.

Uma marca grossa, vermelha e dolorida estava se formando na pele. Callie não tinha ideia de onde o arco tinha ido parar e muito menos a flecha, mas nem se importou com isso.

— Que dor! — ela disse, olhando para Halt de um jeito acusador.

— Você que é cabeça dura, garota — Halt comentou da janela, sacudindo os ombros. — Talvez assim aprenda a respeitar um pouco mais os outros na próxima vez.

— Qual é o seu problema?! — disparou. — Podia ter me avisado que isso ia doer! — um raio cruzou o céu.

— Controle-se, Callie — Halt alertou, mas a garota estava posessa de raiva.

— Por que? Sua casa vai levar um raio e pegar fogo? — debochou. Um trovão alto cruzou o céu, seguido por um raio apenas a alguns quilômetros de distância. — O que foi? Está com medo de mim?

Halt estremeceu, mas endureceu a expressão da forma mais severa que conseguia.

— Não estou preocupado com minha casa. E, sinceramente, não tenho medo algum de uma adolescente de treze anos mimada — disse, duro. — Há... coisas a perseguindo e você sabe. E, se Elijah estiver correto, eles são altamente treinados e vão fazer de tudo para matar você. Se você não parar com esse showzinho de luzes agora, eles logo notarão e estarão aqui. E não será apenas minha casa que ficará em pedacinhos.

Ela hesitou por alguns momentos e olhou para suas próprias mãos. Como em um passe de mágica, as nuvens desapareceram do céu e não havia mais nenhum sinal de tempestade no lugar.

Ela se ajoelhou, derrotada.

— Eu... eu não sei como fazer isso — admitiu.

Puxa, eu nunca teria advinhado — sussurrou e, felizmente, Callie não o ouviu.

Ela olhou para ele, constrangida.

— Você... sabe entender o que essa lista está pedindo?

Ele sorriu de canto.

— Perfeitamente — ele pulou a janela com um movimento ágil. Sua cabeça ainda doía, mas dava para ignorar. — Não acho útil começarmos tudo do zero. Pelo menos não hoje. Proponho continuarmos de onde você parou.

— Certo... — concordou, se levantando. — O arco e flecha.

— Precisamente — ele foi até o baú e tirou de lá um punho cumprido de couro duro e o colocou no braço esquerdo de Callie para protegê-la da corda do arco.

— Agora tente outra vez — sugeriu.

Callie escolheu outra flecha e a colocou na corda, mas, quando a puxou para trás, Halt a fez parar.

— Não com o polegar — Halt ensinou. — Deixe que a flecha fique apoiada entre o primeiro e o segundo dedos na corda... assim.

Ele mostrou a Callie como o entalhe no fim do arco prendia a corda e mantinha a flecha no lugar. Depois Halt demonstrou como fazer que a corda se apoiasse nas juntas dos três primeiros dedos e finalmente a como soltar a corda para que a flecha disparasse.

— Assim está melhor — ele disse. — Tente usar os músculos das costas, e não só os seus braços. Procure deixar suas omoplatas juntas... — Halt ensinou enquanto Callie puxou a flecha para trás.

Callie fez como Halt sugeriu e teve a impressão de que o arco ficou mais leve e de que podia segurá-lo com mais firmeza. Ela soltou a flecha de novo, mas não conseguiu acertar o tronco da árvore que tinha escolhido como pontaria.

— Você precisa praticar — Halt disse. — Mas foi um bom tiro.

Ela atirou até o tubo se esvaziar e Halt foi lhe instruindo nos exercícios até que acabaram a lista.

O sol já havia se posto quando terminaram.

— Acho melhor deixar o treino cinetico para amanhã... — comentou.

— Concordo — disse. Eles entraram e Callie se ofereceu para fazer o jantar. — E você quem dará a aula.

Eles comeram em um silêncio que só era quebrado por pequenas notas do treino daquela tarde.

Quando terminaram, Halt indicou o quarto de hóspedes (apesar de Dylan ser sempre seu único hóspede) para que a cinética dormisse.

— Halt... — chamou ela antes de entrar no quarto indicado.

— Sim?

— Obrigada — agradeceu. O homem assentiu e continuou seu caminho até o próprio quarto, as sombras ocultando seu fino sorriso de satisfação.

🔥⚡🔥

Hum... já ouvi falar de uma metamorfa em algum lugar... Será que...?

O que estão achando da Callie? Contem tudo!

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