Capítulo 11
Ele sabia que não deveria, mas não estava conseguindo pensar com clareza naquele momento, afinal, uma menina de treze anos acabara de criar uma chama e um floco de neve bem na sua frente. Nem o melhor mágico do país conseguiria fazer algo do tipo.
O homem barbado não sabia no que acreditar. Apesar de todas as evidências apontarem para a veracidade nas palavras de Elijah, toda sua parte racional refutava isso com veemência. Afinal, se ele fosse acreditar em algo assim, como que o mundo seria daquele dia em diante? Se naquele momento um cara aparecesse falando que havia um Godzilla na cidade, Halt seria capaz de acreditar.
Tudo seria possível, e isso o assustava mais do que gostaria de admitir.
Ele escutou a porta da sala de Elijah sendo aberta, mas Halt sequer olhou para trás e saiu do local apressado. Subiu em sua moto e foi no lugar que evitava desde... bem, desde sempre.
Que Elijah o procurasse depois. Naquele momento, ele precisava de um tempo para colocar as ideias no lugar.
E seria em um bar.
🔥⚡🔥
— Cara, receber uma mensagem sua já é algo surreal, mas ver você bebendo... Só não digo que isso é um sonho ou algo do tipo porque nem lá eu consigo ver você fazendo isso — Dylan disse, fazendo Halt se virar na direção do amigo com um sorriso meio torto.
— O que houve, cara?
Halt suspirou.
— Estou muito confuso. Achei que a bebida fosse me ajudar a esquecer tudo isso ou mesmo me ajudar a tomar uma decisão logo, mas... — bateu com força o copo de Whisky vazio no balcão.— Só piorou tudo.
Dylan arqueou uma sobrancelha, mal reconhecendo o amigo. Sua expressão, sempre séria ou pensativa, agora estava triste e abatida. Ele podia contar nos dedos o número de vezes que o amigo já esteve assim em todos os anos de convivência entre eles.
— Confuso? Com o quê?
Halt franziu o cenho, fazendo um enorme esforço para escolher as próximas palavras.
— Me ofereceram um emprego — ele falava arrastado e sua língua estava dormente, o que era uma sensação diferente e ao mesmo tempo engraçada. Ele não conseguiu conter uma risada. — Mas é algo totalmente diferente e eu não conheço nada dessa área.
— Então não aceite, oras. Você gosta da escola e está vivendo bem com isso, pra que mudar?
O moreno olhou em volta. Tudo girava e seus pensamentos estavam ficando confusos, mas a resposta que deu não foi pensada e, por incrível que pareça, parecia a certa, o que o surpreendeu.
— Porque eu quero. É loucura, mas algo me diz que eu devo aceitar e que não vou me arrepender disso.
— Então... aceite? Eu não estou entendendo, para o que é a vaga, afinal?
— Proteger uma garota de treze anos que tem poderes — disse com simplicidade, observando o copo ser enchido novamente pelo barman.
Dylan sentou-se na cadeira ao lado do amigo e tirou o copo de Whisky da mão do moreno, que estava com uma carta ao beber dois goles seguidos.
— Halt, você está completamente bêbado. Quantos copos tomou?
Halt virou a cabeça de lado, o que fez o bar girar mais ainda. Ele pensou por uns instantes e tentou contar nos dedos, mas sua mente não estava funcionando muito bem.
— Não sei.. uns dez? Vinte? — perguntou, não notando o olhar de reprovação do amigo. — Talvez mais. Eu gosto bastante do numero trinta e cinco.
— Halt!— exclamou, levantando-se. — Você já bebeu o quê? Três vezes na vida? quatro?! Tem noção da ressaca que vai ter amanhã sendo que você não tem resistência alguma?
Halt apenas o encarou, por que Dylan se levantava tão lentamente? Não sabia dizer, mas isso era engraçado.
Ele riu alto e Dylan balançou a cabeça em reprovação.
— Halt...
— Sim, esse é o meu nome. Halt... — ele pronunciou bem devagar. — H, a, l, t... É um nome bem estranho, né? Se tirar o h do começo, eu viro uma tecla de computador — ele riu antes de soluçar.— tec, tec, posso ser uma tecla. Tec, tec...
— Venha, você não está em condições de conversar no momento — disse Dylan, abrindo a carteira e colocando o dinheiro sobre o balcão.
Ainda rindo e falando"tec, tec, tec", Halt se levantou com dificuldade, apenas não caindo no chão por causa de Dylan, que o segurou.
— Para onde vamos? — cantarolou o moreno, sorridente.
— Vou passar na farmácia para comprar um remédio para você e depois te levarei em casa.
Halt fez um gesto de descaso com as mãos e tentou se afastar do amigo, sem sucesso, pois quase caiu novamente.
— Não precisa. Vim de moto.
Dessa vez, foi Dylan que riu.
— Depois de amanhã, quando passar sua ressaca, você pode vir buscá-la. Vamos, Halt.
Ele tentou resistir, mas Dylan parecia de repente dez vezes mais forte do que ele, e o barbado não conseguiu fazer muito além de acompanhá-lo aos tropeços.
— Você é engraçado, Dylan — comentou Halt assim que ele conseguiu entrar no carro. — Já te contei que recebi uma oferta de emprego?
— Já.
Ele olhou pela janela, admirando as luzes coloridas que dançavam em alta velocidade.
— Acho que vou aceitar, mas shhhhhhhhhhh. Não conte para Elijah.
— Elijah?— indagou Dylan, perguntando-se se aquilo era real ou se era apenas um efeito da bebida.
— Sim, o cara do sobretudo. Ele me persegue e quer que eu entre nessa sobrevivência louca dele.
— Você estava bebendo só Whisky ou tinha absinto misturado?
— Não sei, parei de prestar atenção depois de alguns copos.
Dylan suspirou, subitamente se sentindo cansado.
— Isso é loucura... — disse.
— Nem me fale... — Halt concordou, afundando no banco bem no momento que um raio passou pelo céu, seguido de um trovão. Em menos de um minuto, chuva começou a cair. Halt olhou para os pingos dançantes com certa diversão. — Olha, Calliope está fazendo chover... Ela é realmente bem habilidosa. C, a, l, l, i, o, p, e... Me lembra centopéia.
Dylan olhou para Halt pelo canto do olho.
E suspirou.
🔥⚡🔥
Halt bêbado? Oi?? Momento inédito!!
O que acharam desse capítulo? Quero saber de tudo pois realmente me diverti escrevendo ele e gostaria de saber se vocês se divertiram também ao lerem.
A ação está próxima hehehehe....
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