Capítulo Vinte e Três

Se passaram alguns meses após o acidente que aconteceu com papai.

Depois de conversar com Linda naquela tarde, recebemos a notícia que papai havia acordado e que estava se recuperando bem.

O Doutor Rodrigues nos informou que papai ficaria com uma sequela na sua perna esquerda, por ter quebrado a mesma, então o resultado foi que ficaria manco desta perna.

Nos resultados finais da bateria de exames que papai fez, descobriu que precisaria de acompanhamento médico para cuidar de sua recente descoberta hipertensão. Fora isso, não tínhamos mais com que se preocupar, além claro, de saber quem foi e de quem veio o atentado de homicídio de papai.

A polícia começou a investigar sobre o atentado de homicídio, mas não tivemos muitas respostas.

O que me deixou com raiva, pois não tinha conseguido nada que pudesse me ajudar a saber quem foi o canalha que tentou matar meu pai.

O assassino simplesmente sumiu e sem deixar rastro algum, o infeliz conseguir desligar as câmeras próximas ao local do atentado.

Porém eu consegui algo, que era a informação que meu pai contou ao delegado quando o mesmo foi até o hospital para colher seu depoimento.

Que o assassino era um homem.

Papai não conseguiu descrever o homem totalmente, já que o assassino estava encapuzado e vestido todo de preto, sendo assim o delegado não viu nada em que poderia ajudar nas investigações e deu o assunto por encerrado após alguns dias.

Então voltamos à estaca zero.

Bufo olhando para os papéis em minhas mãos.

Depois desses meses agitados que eu tive, as coisas voltaram a ser como antes. E isso quer dizer, a minha rotineira vida de estudante.

Tenho tantos trabalhos para entregar, que esses papéis em minhas mãos estão me matando.

Como esse mês será o mês decisivo para o término do meu ano letivo, estou me preparando de todas as formas para fazer as provas escolares e os vestibulares que pretendo fazer para algumas Universidades.

"Chega...eu não aguento mais!!"

Faço uma careta por esse pensamento.

"Nem eu aguento mais consciência, mas..."

"Mas nada! Socorro! Ela quer me suicidar! Senhor, envia alguém pra me livrar!"

Reviro os olhos por minha consciência ser bem dramática. Mas acabo rindo por lembrar que ela faz parte de mim.

Escuto a música, Perfect do Ed Sheeran, bem baixinha vindo por debaixo dos lençóis da cama.

Era o meu celular, eu devo ter deixado ele em cima da cama enquanto estava me matando de estudar e deve ter acabado se embolando pelas cobertas.

Abro um sorriso ao ver quem era.

"Salva pelo celular! Te agradeço Senhor!"

-Oi amor! -Digo me deitando na cama de barriga para cima olhando para o lustre de teto.

-Oi amor, como você está? Estou com saudades... Vou te buscar para sairmos.

Dou uma risadinha ao ouvir a tom de voz mandão de Víctor.

Como nos velhos tempos.

-Eu estou bem e também estou com saudades... E você me ligou na hora certa, eu estava pensan...-Sou interrompida ao ouvir no fundo da ligação, a voz de Daniel.

Não consigo entender direito, só ouço algo sobre um documento para assinar e que alguém o estava aguardando.

Inspiro fundo ao lembrar do que houve entre mim e Daniel na festa.

Depois da festa, ele começou a me evitar dizendo que queria um tempo, mas que nunca iria me deixar.

E eu dei. Eu tinha uma ideia do que poderia estar passando por sua cabeça.

Mas como o destino decidiu nos unir novamente, semana passada houve uma festa de comemoração na empresa de papai pelos 25 anos de carreira e de empresa.

E consequentemente acabei dando de cara com Daniel assim que cheguei na festa.

Victor sabia que eu gostava muito do Daniel, que Dan se tornou uma pessoa muito especial para mim, então ele mesmo disse que eu deveria ir conversar com ele.

Me surpreendi por sua atitude e pelo seu repentino amadurecimento, mas segui o seu conselho.

No final das contas, Daniel disse que não conseguiria ficar longe de mim nem se quisesse e pediu para que continuássemos sendo amigos.

Desde então, Victor vem tentando manter um laço de paz com Daniel, por que também tem a questão que Dani começou a trabalhar como auxiliar administrativo, ou seja, Dan virou seu colega de trabalho.

-Dani! -Digo e logo ouço alguém bufar do outro lado da linha.

Com certeza foi Víctor.

Mentalmente me vem à cena dos dois dentro de um escritório trabalhando. Parece surreal.

-Oi anjo...Como você está? -Diz Dani com sua voz rouca e sexy. Provavelmente pegou o celular da mão de Victor e mudou o tom da voz só para irrita-lo ainda mais.

Reviro os olhos. Esses dois não mudam.

-Oi Dan, eu estou bem e você? -Pergunto olhando para as minhas unhas.

Estão precisando de uma manicure.

-Estou bem... Estaria melhor se seu namorado parasse de me olhar como se fosse me matar com a primeira coisa que visse pela frente. Você sabe que se ele fizer isso, eu não vou ficar quieto...-Diz Dan com a voz divertida e logo escuto ao fundo Victor dizendo que ele fosse pro inferno e algo que não consegui identificar.

Bufo. Meninos.

-Dan, coloca o celular no viva voz antes que vocês se matem. -Digo.

Escuto um barulhinho ao fundo.

- Amor, não dê importância para o que o fofoqueiro do Daniel diz. -Fala Victor e ao fundo escuto Dan o reprovando.

Abafo minha risada com o travesseiro por causa das brincadeiras nada ofensiva dos dois.

-acalmem os ânimos, rapazes! Não me fazem ir até aí para puxar a orelha dos dois. -Digo fingindo estar brava com suas implicâncias.

-Eu não fiz nada! -Fala os dois em uníssono.

Semicerro os olhos como se os dois pudessem ver.

-okay, vamos fazer o seguinte... Que tal irmos nós três em um restaurante ou uma balada para relaxar? -Pergunto, começando a ficar animada com essa ideia.

Penso que a resposta seria imediata, mas tudo o que recebo é o silencio.

-Alguém?

Parece que os garotos saíram do seu estado de silêncio para então começarem a discutir.

"Para que eu fui propor isso?"

Reviro os olhos e passo a mão esquerda no rosto.

-Quer saber, estejam prontos às 19:00 horas e de preferência com roupas descoladas! Até mais. - E assim eu desligo sem deixar que eles respondam.

Me levanto animada e deixo os meus trabalhos em cima da minha escrivaninha antes de ir para o banheiro tomar um banho bem demorado e relaxante.

Saio do banheiro enrolada na toalha e vou até o closet para colocar uma lingerie e me vestir para essa noite que promete ser animada.

Coloco um vestido com mangas de renda colado um pouco ao corpo, e um salto médio na mesma cor para combinar.

Saio do closet e vou até a minha penteadeira para arrumar meu cabelo e minha maquiagem.

Opto por deixar meu cabelo solto em ondas e uma make leve. Jogo minha franja de lado e passo um batom nude e estou pronta.

Olho para o relógio e ainda são 18:25 da noite, então resolvo organizar meus trabalhos que deixei em cima da minha escrivaninha.

Vou até a minha escrivaninha e pego os papéis, para depois me sentar na cama com as costas apoiadas na cabeceira.

Final de semestre é fogo, parece que os professores combinam uns com os outros para fazer com que os alunos fiquem de cabelo em pé.

São tantas provas, trabalhos, seminários, que deixa qualquer um perdido. E o pior de tudo são as provas para ingressar em uma Universidade.

Você se mata para entrar em uma, e por mais que meus pais sejam ricos e que possamos pagar a mensalidade, eu tenho que fazer a prova para ver se eu estou capacitada para entrar nessa Universidade.

Não é reclamando, eu acho justo ter que fazer a prova, mas só em pensar ter que fazê-la... Dá um frio na barriga...

Eu tenho medo de não ser aceita, mas como papai sempre me diz:

"-Pense positivo e você verá coisas positivas acontecerem. Nunca se entregue ao desespero, não deixe ele ser maior que sua determinação."

E como sempre papai está certo, então eu expulso os pensamentos ruins e os substituo pelos bons.

-Até estudando você fica linda...

Levanto a cabeça para ver Víctor encostado no batente da porta com os braços cruzados e em uma roupa de deixar qualquer uma babando.

Prendo a respiração por alguns segundos.

Victor que agora está usando um corte de cabelo mais curto, ficou maravilhoso com o cabelo molhado e um pouco bagunçado. Ele está usando uma blusa com decote V na cor preta, que é um pouco colada ao corpo revelando seus gominhos, e uma calça jeans escura, que o deixou incrível.

Ele é uma tentação de tirar o fôlego.

E era meu.

Me levanto da cama para ir ao seu encontro, mas antes pego a minha bolsa que deixei na ponta da cama.

Conforme vou me aproximando, analiso o corpo de Victor até estar na frente dele.

Paro e abro um sorriso.

Ele pega a minha mão e me puxa para mais perto de si.

-Gosta do que ver? - Pergunta com a voz rouca e a boca próxima da minha.

Enlaço meus braços ao redor de seu pescoço e olhando em seus olhos, finjo estar pensando e arqueio uma sobrancelha.

-Quando eu disse que era pra você vestir uma roupa descolada, não pensei que você levaria ao pé da letra...-Digo, enquanto passo meus dedos pelo seu cabelo.

Ele abre um sorriso de lado.

"Senhor, isso é demais para mim!"

Aproximo minha boca da sua até nossos lábios se tocarem em um suave e quente beijo.

-Então... Você gostou? - Diz, se referindo a roupa, me dando beijinhos pelo rosto em cada palavra dita.

-gostei... Aahh. -Digo e solto um gemido abafado quando Victor morde a minha orelha.

Ele solta uma risadinha no meu pescoço.

Puxo o seu cabelo, arrancando um gemido seu, para logo ele voltar a me beijar.

-Oh casalzinho, será que tem como vocês descerem logo ou eu vou ter que subir para separar vocês dois? - Grita Daniel que com certeza estava no andar debaixo.

Paro de beijar Victor e começo a rir, enquanto encosto a minha testa em seu ombro.

Víctor se junta a mim, me puxando para um abraço

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top