Capítulo sete

"Baixinha"

Ele sabe que eu odeio que me chamem assim. Não sou baixinha! Sou mediana. E só porque ele sabe que isso me irrita, ele veio implicar comigo.

" Ele fez isso de propósito."

Depois do que ocorreu ontem há noite lá em casa e eu ter o deixado no vácuo, com certeza ele quis dar a revanche. Ele não gosta que batam a porta na cara dele...

Saio da escola com esses pensamentos. Como hoje Pedro foi ajudar mamãe com as compras, fiquei sem motorista. Agora terei que caminhar até em casa. Mas vai ser proveitoso.

A minha escola não é muito longe de casa, e eu poderei parar na praça e comprar um picolé e ler um livro. Pelo menos por meia hora.

Não demora muito e chego na praça. Vejo que tem um senhor com uma barraquinha vendendo sorvete e vou em sua direção.

-Boa tarde senhor. Eu gostaria de um picolé de coco, por favor. Digo sorrindo.

Estava muito calor e nada melhor do que chupando um picolé e lendo um livro debaixo de uma árvore.

-Boa tarde e é pra já. Diz todo simpático a procura do meu picolé.

-aqui está. Diz ele me entregando o picolé.

-obrigada e quanto custa? Pergunto.

-Custa...

-pode deixar senhor, eu pago. Ouço alguém dizer atrás de mim.

Essa voz...

-Daniel?  Falo assim que me viro e vejo quem é.

Ele dá um sorriso.

Ele passa na minha frente, me deixando sem reação e compra um picolé e paga o de nós dois.

Somente o encaro.

-você está bem? Cadê o meu abraço? Não está feliz por me vê?

Abro a boca para dizer alguma coisa, mas estou nostálgica. Então resolvo fazer o que já era para ter feito quando o vi. Abraço-o.

Ele me abraça de volta apertado.

-Agora sim é você. Me diz, como você está? Pergunta Daniel após nos separarmos do abraço.

Sorrio com a sua brincadeira.

-É claro que sou eu! Só fiquei um pouco surpresa por você estar aqui. E sim, estou bem. E como esta você?  Digo me sentando num banquinho que estava debaixo da sombra de uma árvore.

- melhor impossível, com você perto de mim, tudo fica melhor.  Diz ele chocando nosso picolé um no outro de brincadeira.

-Daniel... Falo sorrindo por sua cantada.

Ele sorrir por eu está com as bochechas vermelhas.

-E me diga, como estão as coisas? Daniel pergunta se referindo à Victor.

Fecho a cara na hora.

Daniel é um garoto muito inteligente e muitos o consideram como um nerd, mas ele é um nerd muito bonito. Ele não tem uma aparência de um nerd, porém possui um cérebro assim. Com seu cabelo baixo na cor preta e com um corpo atlético, é de chamar a atenção de qualquer mulher.
Eu o conheci na mesma época que Victor e desde então somos amigos. Mas como nem sempre todos os seus amigos vão se dar bem um com o outro, assim era com Daniel e Victor. Eles não eram muito achegados.

Eu já pensei que talvez isso ocorria porque Victor estava com ciúmes. Mas isso era um pensamento de criança.

Depois que Victor foi embora, eu fiquei um caos e Daniel resolveu me "ajudar". A forma de me ajudar foi me conquistar. Não sei como a situação se agravou, só sei que quando eu vi, nós já estávamos namorando.

Talves isso aconteceu porque eu estava sensível e debilitada. Não sabia como me encontrar. Mas Daniel sabia e ele o fez. Certo, fez de uma forma exagerada, mas me ajudou. Talvez estejam se perguntando... Eu o amei? A resposta...? Sim. Eu o amei. Mas não da mesma intensidade que amo Victor. E eu sempre deixei isso claro para ele. E mesmo assim, mesmo ele sabendo, ele quis ficar comigo. E eu o admiro por isso.

Com isso, criamos uma amizade muito forte. No entanto, tivemos que terminar o namoro, pois ele teve que viajar com a família para resolver um problema financeiro. A empresa dos pais dele estava sendo roubada por um dos funcionários da mesma. Mas nunca perdemos o contato. E somos somente amigos.

E ele sabe tudo o que acontece comigo.

-está uma porcaria. Eu já me irritei com esse garoto hoje. Digo, desviando os meus olhos dos dele e olhando para outro lugar.

-Hum. E o que ele fez? Perguntou curioso.

Conto o que aconteceu hoje.

Quando acabo, ele olha para a minha cara e gargalha. Ele começa a bater as mãos no joelho e se dobra de tanto rir.

Lanço um olhar confuso.

"Qual é a graça nisso?"

-Do que você está rindo? Pergunto, sem entender.

-É que vocês estão em uma implicância, igual crianças. Você não é assim. E isso eu sei bem. Até quando vocês vão continuar agindo como crianças para evitarem de ter uma conversa séria?

Abaixo a cabeça.

Ele tem razão. Eu simplesmente estou me fazendo de marrenta e criando uma implicância com Victor para evitar uma conversa séria entre nós dois.

Como estou sendo infantil. E eu odeio agir assim. Eu não sou assim. Mas ultimamente  quando Victor está por perto, eu não sou eu mesma.

-Você tem razão. Digo.

Daniel olha para mim e arregala os olhos.

-O quê? Você admitiu que está sendo infantil!? Vai chover ouro hoje!! Diz, zoando com a minha cara.

-hahaha. Muito engrado. Olho para ele e faço cara de quem não gostou.

Ele me imita e ficamos encarando um ao outro. Não aguento e começo a rir. Ele entra na onda.

-Como é bom ter você por perto. Digo o abraçando.

-E como é bom estar perto de você. Agora sim, estou em casa. Diz, me fazendo rir.
Dou um empurrãozinho nele de brincadeira.

***

Ficamos meia hora conversando e colocando as novidades em dia.
Quando meu estômago  anunciou que estava com fome, me lembrei que ainda tinha que almoçar.
Aproveitei e chamei Daniel para almoçar comigo em minha casa.

Como Daniel já é maior de idade e tem carteira de motorista, fomos com o carro dele para minha casa.
Não demorou muito e logo estávamos adentrando à sala.

-Bom, já que não tem ninguém em casa, teremos que nos servir. Falo indo na direção da cozinha.

Daniel estava logo atrás de mim.

-Não tem problema. E o que temos pra hoje? Pergunta sentando no balcão.

- Macarronada com bife e salada. E só pra te lembrar, se a Linda chegar e ver você sentado no balcão, ela puxa as suas orelhas. Digo colocando nossos pratos.

Daniel rir.

-então junte-se a mim e vamos levar juntos os puxões de orelhas que tia Linda vai dar, igual aos velhos tempos. Diz todo brincalhão  e batendo no granito do balcão para me juntar a ele.

Pego os nossos pratos e dou um para ele e me sento ao seu lado.

Comemos em silêncio.

Vinte minutos depois estávamos lavando nossos pratos.

-Sabe do que eu estava me lembrando? Fala Daniel quebrando o silêncio.

-O quê ? Pergunto curiosa.

-que quando éramos namorados e nós dois vínhamos para a cozinha às escondidas para comer alguma sobremesa, depois que comíamos, lavávamos os pratos que usávamos para que tia Linda não suspeitasse que estivemos na cozinha.

Começo a rir me lembrando dessa época.

-E quando você ia tirar umas mechas de cabelo que grudava perto da sua boca e acabava se sujando de espuma, era muito engraçado vê a sua cara cheia de espuma.!Lembra Daniel, gargalhando.

-que bom que eu não me sujo mais desse jeito. Digo colocando o copo no armário.

-tem certeza? Mas tem um pouco aqui. Fala ele apontando para minha bochecha.

-onde? Mas como isso... Digo  levantando a mão e indo verificar se estava cheio de espuma, mas antes que o fizesse, Daniel toca com seus dedos cheios de espuma na minha bochecha.

-Daniel!! Falo soando brava e batendo nele.

Daniel se aproxima rindo e começa a limpar a espuma em minha bochecha e depois se aproxima mais e sussurra em meu ouvido:

-A cada dia você está mais linda. Com espuma ou sem espuma, sorrindo ou com raiva,  ficando comigo ou com ele. Você será  sempre linda!... Eu queria te falar isso quando te vi na praça.  Diz ele acariciando meu rosto.

-Daniel, eu... Tento dizer algo, mas ele não permite e coloca um dedo sobre meus lábios, me impedindo de falar.

-shiuu. Fica comigo... Será que você não vê que está na hora de abrir esse coração para alguém que realmente te ama? Diz calmo.

-você sabe que...

-Eu sei... Eu sei. Mas está na hora de você se abrir para um novo amor. Se ele não te quis, tem outros... eu te quero. Pensa nisso, tá?. Diz se declarando.

  Balanço a cabeça em afirmação.  

Ele se aproxima mais de mim, colocando nossa testa grudadas uma na outra.

Sinto sua respiração nos meus lábios e ele se aproxima mais para me beijar.

Enlaço meus braços ao redor de seu pescoço e quando nossos lábios estavam se tocando, escutamos alguém pigarrear.

bjs e até a próxima! E não se esqueçam de votar e comentar!

De sua autora:

Erica Santos.

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