Inesperado
A lâmina do canivete, com fio de bisturi, desliza pela pele do umbigo até o queixo, cortando o tecido como se fosse manteiga. O sangue que mina do corte é enxuto com uma toalha de cor branca. O tecido grosso fica empapado do líquido viscoso de cheiro ferroso.
Os seios de pontas escuras estão moles, caídos um para cada lado mostrando flacidez natural na nudez macabra. Eles mexem, rápidos, devido o movimento da respiração desesperada da mulher.
Ela está imobilizada, profundamente aterrorizada e tem como únicos escapes da dor a respiração rápida e os olhos muito abertos, nos quais há expressão de súplica, medo e ódio.
É noite de experimento. De ver o que há de bom na máquina que é o corpo humano, as reações fantásticas diante do inesperado. Sim. Com dedos ágeis, a pessoa que tortura corta e espreme limões na pele aberta, causando tamanha ardência e dor que a mulher amarrada para de enxergar. Apertando os olhos com força, tudo que vê é uma mandala de cores explodir no escuro profundo. O desenho do sofrimento, quase palpável.
Os finos dedos, seus algozes, se movem para fazer uma combinação não experimentada, pois a pessoa que os detém viu em um sonho o tal ato e decide que é bom colocar em prática agora que pode.
Cata a cera quente para depilação e passa nas bordas do corte, que arde como ser cozida no inferno. Aos poucos os papéis são afixados no material pegajoso até que, aos puxões, são arrancados em uma sequência rápida, causando muito sofrimento ao rasgar as bordas da pele já cortada.
Olhos brilhantes e sádicos assistem a presa com maxilar tenso que como se fosse morder a correia de couro que serve de mordaça até que essa se despedaçasse. As veias do corpo torturado saltam demais, principalmente a da testa. Talvez, se ela pudesse gritar, o som ecoaria por todo o galpão daquele velho e abandonado secador de milho. Não teria problema, já que a fazenda não passa de uma tapera velha, mesmo assim é bom manter a mordaça para causar maior agonia.
Ministrando a tortura com maior afinco, as mãos destras começam a cerrar do umbigo até o monte de Vênus com uma faca de mesa.
A vítima da crueldade imperdoável sente tanta dor que se mija inteira. Até que ponto o corpo dela aguentará?
Terminada a árdua tarefa, as mãos enluvadas, utilizando-se de uma faca, invadem o abdômen e puxam para fora os intestinos, arrancando-os do lugar impiedosamente.
A mulher consegue morder a tira de couro até torar, alguns dentes se quebram durante o processo. Suas gengivas sangram.
Ela grita então. Não qualquer grito, começa agudo e se torna um urro desesperado quando suas costelas são quebradas por uma marreta. É uma dor indescritível. O coração está tão acelerado que logo ela irá parar de sentir, mas prefere ser queimada que passar pela última experiência de ver o peito ser aberto a machadadas, como está acontecendo agora. O sangue voa junto com outras partes de pele e carne.
O cérebro desliga a consciência, obriga a mergulhar no vazio enquanto a morte chega. Os olhos abertos nada veem mais.
Satisfeita com o término da tortura, a mulher tira as luvas, os óculos e a capa de chuva sujos de sangue. Joga para o lado em um montinho onde coloca fogo.
Ao lado da mesa de madeira onde prendera a ladra de criança, a quem tinha vigiado por dias, estava a ingênua moradora de rua, adolescente, morta, degolada por aquela que aos poucos perde o fio de vida. O prometido fora um jantar e um banho, ganhou o estupro e a morte.
Aquela presa na mesa sempre matava as caças ali, para tomar seu sangue jovem.
A algoz da assassina ri de forma ensandecida olhando o sangue da mulher escorrer e os olhos perderem brilho. Ela se prepara para partir, selecionará outras vítimas para suas torturas.
Anda cantarolando e devagar, não vê quando uma pesada viga do teto se solta de podre, só percebe o barulho quando o material já cai, puxado pela gravidade.
Não tem tempo de pensar, nem mesmo de gritar, antes de ter o crânio esmagado. Morre no ato. O último som por ali são as derradeiras batidas do coração da torturada.
Nenhuma monstruosidade tem perdão.
Os três corpos são achados semanas depois, pelo proprietário da fazenda.
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