24. Sobre Formas De Recomeçar

29.
06.
2019.

O céu estava em uma cor tão linda que Rules cogitava verdadeiramente a idéia de estar olhando para uma daquelas fotos de cartões postais que ela costumava enviar e receber de seus funcionários em datas comemorativas. Mas não. Não era um cartão postal, era só um fim de tarde bonito demais que ela estava apreciando pela janela da cozinha, enquanto terminava de lavar a louça suja que sobrou do almoço.

Anna tinha vindo almoçar com ela e trouxera Klara para brincar no jardim. Lisa veio junto dela e as três tinham passado a tarde conversando, jogando conversa fora sobre as novidades e as menores coisas do momento. As grandiosas também.

Como o anel brilhante no dedo de Rules.

Thomas havia cumprido sua promessa, lhe dera a aliança, lhe fez o pedido e prometeu a ela que seriam bem mais do que já eram. E já tinham se enterrado algumas semanas desde a promessa, e estavam juntos. Em Munich, onde tudo tinha começado. Onde não haverá de ter um fim para nenhum dos três.

— Oi, mãe. — Ela se virou para o filho, que voltava do treino. O uniforme do Bayern, a mochila nas costas. Ele veio até ela, dando um beijo em sua bochecha e sentando a mesa.

— Não, não. Trate de se levantar e tomar um banho antes de sentar-se aí.

— Ah, mãe. Estou com fome.

— Espero você para comer. — Ele sorriu animado. — Após o banho. Anda. Vá.

Nolan resmungou inconformado, mas se levantou e partiu. Rules ouviu o barulho das chuteiras na escada, e riu do próprio filho. Nolan estava cada dia mais parecido com Thomas. Quem os visse juntos, diria que eram pai e filho. E eram, de fato. Mesmo que o sangue negasse os dados. A afinidade não mentia.

— Estou em casa. — Rules o ouviu anunciar, e viu o momento em que Thomas fechou a porta. Assim como Nolan, ele trajava o habitual uniforme bávaro. A bolsa estava no ombro, e ele se sentou a mesa.

— Cansado? — Ela questionou, secando as mãos no pano sobre a pia e indo encontrá-lo.

— Houve dias piores. — Thomas confessou, e Rules sentou em seu colo. — A Bundesliga já está na porta. Não sei o que esperar.

— Anna esteve aqui. — Müller consentiu, enfiando a cabeça entre os peitos dela. — Lisa também.

— Não vamos falar delas, por favor. — Foi a vez dela assentir, abaixando a cabeça o suficiente para engatar-lhe os lábios. — Rita me ligou hoje.

— Ela ficará enchendo você agora? Devo demitir ela.

— Ela está preocupada. — Rules riu. — Você não deve ir para Berlim?

— Berlim, México, Inglaterra. Visitarei todos esses lugares com a Luminositá, mas preciso resolver coisas aqui antes.

— Rita quer se mudar?

— Não, ela jamais deixaria Dortmund. Mais fácil Iana vir me encontrar. — Thomas riu da confissão. — Ela só está preocupada que eu coloque Eliot no controle.

— E colocará?

— Nem se eu quisesse por. Eliot está ocupado em um relacionamento, não tem tempo para isso.

— Contará para Reus sobre isso?

Contaria? Não. Não poderia. Tinha recebido uma ligação as 4 horas da manhã diretamente de Dortmund. Scarlett aos prantos, lhe implorando ajuda para entender o que estava sentindo em relação a seus sentimentos confusos. Ela estava com medo de se entregar novamente a um relacionamento, tendo um histórico tão conturbado com Marco. Rules passou a madrugada no celular com ela, ambas confessaram coisas uma a outra. Ambas lembraram do passado de como as coisas eram antes, de como estavam agora e traçaram planos para o futuro.

Tão bem como a semente que a irmandade plantou nas duas ao longo dos anos. E após isso, Rules suspirou e disse a Thomas o que sentia:

— Não cabe a mim contar. Cabe a Scarlett.

— Tá certo. — Ele selou seus lábios, acariciando seu rosto. — Agora eu estou morrendo de fome.

— Certo. Levante e tome banho. Vou esperar você para o jantar. — Ela se levantou de cima dele.

— Ah não, Rules. A fome é muita.

— Então eu sugiro que o banho seja rápido também.

Ele resmungou, mas só pôde acatar as ordens da noiva, em breve mulher. Já dividiam a casa e a vida como amigos e amantes, e em breve dividiriam muito mais que o sobrenome.

Quando ouviu o barulho das chuteiras se afastando, ela olhou para a bolsa ao pé da mesa e riu sozinha. Tanto Nolan, quanto Thomas tinham deixado suas coisas ali. Rules baixou, pegou o uniforme reserva que haviam trago do CT e os direcionou para a lavanderia, com um sorriso no rosto e a certeza que todos os dias até ali, tinham sido magníficos assim. Rotineiros, mas belo.

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— Não temos mais esse modelo em amarelo. — Uma das funcionárias, Aline anunciou, entregando uma lista para Rules.

— Obrigada, querida.

— Temos encomendas para países de fora da Europa. O site está a todo vapor, Eliot acha que seria melhor contratar mais pessoas para lidar com essa parte da empresa.

— Peça a Rita para anunciar então.

— Sim, senhora.

Aline saiu, deixando Rules com a cara enfiada na check liste a sua frente. Já fazia dois dias que estava no México, e o lançamento do site, em complô com a marca estava indo de polpa ao vento. A Revolv tinha entrado em contato na última semana, e Rules tinha se visto rodopiando por um dos eventos de fashion e estilo mais cobiçados de toda a América e países primos da Europa.

Mas foi em Agosto que se divertiu de verdade. Pisou na Inglaterra e reviu alguns amigos, pôde assistir alguns jogos de início da temporada européia, enquanto trabalhava. Passou três dias em Manchester costurando e trocando idéias com algumas marcas que tinha interesse parcial, e depois foi a Londres onde sediou com a ajuda da semana fashion inglesa outro desfile deslumbrante da Luminositá. Camila Coelho foi pessoalmente prestigiar o desfile e ainda apareceu no seu camarim para presentear Rules e agradecer o convite.

Mas foi quando setembro chegou que Rules realmente se viu feliz. Era o primeiro aniversário de Thomas, estando com ela em sua vida. E ela estava acostumada a ser alvo do romantismo de Thomas Müller, ele sempre a surpreendia. E ela quis fazer diferente. Queria fazer algo por ele. Algo que fosse deixá-lo feliz. Infelizmente não pôde reunir todos os amigos, já que era início de temporada e os times europeus estavam a todo vapor. Inclusive o Bayern de Munique, que mal tinha começado e já era líder da tabela.

Rules virou a taça que Anna tinha posto em sua mão, balançando a cabeça para ver se o álcool fazia efeito. O Bayern de Munique estava desfilando em bando pela sua casa toda, e Thomas já estava alvo do grupo dos amigos lá fora. James tinha ligado durante o dia, passou quase duas horas no telefone com Thomas. Ele não poderia vir, ninguém estava surpreso. O Real precisava de toda e qualquer ajuda para superar o momento trágico na temporada.

— Nossa, Rules, sua casa é realmente muito linda. — Júlia, esposa de Thiago Alcântara elogiou.

Os últimos meses em Munich tinham sido mais produtivos em questão de enturmação do que os meses que passou ali, apenas trabalhando. Talvez o motivo seja que desta vez, Rules estivesse mais disposta a conhecer pessoas, fazer amizade. Mais disposta a ser amigável com quem fosse com ela. Júlia tinha sido uma dessas pessoas.

— Thomas escolheu a casa. Eu só me mudei. — E tinha sido exatamente assim.

— Me lembro disso. — Nina Neuer confessou. — Ele ligou para cada um dos amigos do time. Fez os meninos entrarem em contato com seus imobiliários, pois ele queria essa casa de qualquer jeito.

— Você ainda nem tinha aceito o pedido de casamento. — Anna imendou: — Mas Thomas estava confiante. Ele disse que estava apostando todas as fichas nesse momento.

— Ele se empenhou demais. Eu devo admitir que enquanto ele tentava fazer dar certo, eu estava fugindo do que sentia.

Rules olhou para o grupo de homens brincando de toquinho com a bola no seu jardim. E como ela amava aquele jardim.

— Ninguém está te julgando por isso. — Scarlett consolou a amiga, sabendo exatamente o que se passava em sua cabeça. — Quem nunca cometeu erros com os sentimentos não sabe amar.

— Tem que aprender, Rules. — Júlia voltou a dizer. — O que você aprendeu com isso?

Ela sorriu.

— O suficiente para que estejamos juntas aqui agora.

A casa estava toda decorada com balões vermelhos e brancos, Thomas tinha chego no momento certo. Nolan o tirou de casa aquela manhã, e Rules teve tempo de preparar cada detalhe. Convidou a família de Toni Kroos, mas lógico, não poderiam comparecer. Rules encomendou o bolo, teve a ajuda dos amigos de Thomas para decorar detalhe por detalhe. Nina e Manuel a ajudaram com as bolas, enquanto Hummels e Robert Lewandowski ficaram responsáveis por pegar o bolo e os doces que tinham encomendado. Mesmo a contragosto, Hummels tinha conseguido fugir do Borussia para estar com Thomas e os amigos essa noite.

Anna e Julia vieram um pouco mais cedo para ajudar Rules com as cadeiras, e Scarlett ajudou com as crianças. Scarlett por algum motivo tinha um dom com as crianças, e sua pequena Emilie tinha se comportado muito bem. Klara, filha de Anna e Lewa estava se dando bem demais com Gabriel, filho de Thiago e Julia. E isso facilitou para Scarlett que tinha que tomar conta dos três.

Thomas ficou realmente feliz. Ele esperava que Rules fosse fazer algo, mas conhecia o esquema de comemoração da mulher: ela gostava de ficar quietinha em casa, compartilhar a noite com a família. Essa era a idéia de noite de aniversário que a mulher tinha.

E foi por isso que quando chegou em casa, ficou realmente surpreso com aquela reunião com os amigos. Continuava sendo uma reunião entre amigos, do jeito que Rules gostava: em casa, compartilhando momento. Mas ele não esperava que seus amigos do clube fossem estar lá, nem suas esposas, menos ainda seus filhos. E Scarlett tinha pego um avião para vê-los naquele dia. E se tinha uma coisa que Thomas já tinha aprendido a amar, era a presença de Scarlett e Emilie em sua vida. As duas também eram família. Ele gostava de ver a família crescendo.

— Será que eu posso roubar a donzela de vocês por uns segundos? — Rules estava com as meninas, quando Thomas chegou.

Ela pediu licença e aceitou a mão de Thomas, caminhando para dentro de casa. Ele a levou para a cozinha, onde ainda era possível ouvir a música, ainda podiam ver o jardim. Podiam ver o grupo com as mulheres e o grupo dos homens, companheiros de equipe.

— O que foi? — Rules questionou ao ver que ele não disse nada.

Mas ele não disse. Ele só a puxou para o peito, e abraçou ela. Ôh Rules.... Você é tão importante, tão magnífica. Se pudesse sentir o que se passa na cabeça, a intensidade do seu coração batendo dentro do peito quando se tratava dela. Se pudesse sentir isso, ela com certeza seria outra pessoa. Pois nem ele sabia lidar com o amor que ela o fazia sentir. Que ela o fazia querer expressar. Thomas Müller estava perdidamente apaixonado por Rules Maniza Bagchi.

E Rules Maniza Bagchi não tinha noção desse amor.

— Estou assustando você? — Ele questionou.

Ela sorriu. Estava com o ouvido sobre o peito dele, ouvindo o som do seu coração bater.

— Não está.

— Obrigada por hoje, Rules.

— Feliz aniversário, Thomas. Obrigada por esperar por mim. — Ela se afastou, olhando fundo em seus olhos. — Fiz você esperar por tempo demais. Mas você esperou. E eu agradeço. Eu amo muito você. Obrigada por me esperar. Feliz aniversário, meu amor.

Eu te amo tanto, Rules. Ôh como eu amo.

— Eu te amei desde que a vi na cozinha da casa da Anna e do Lewa. Eu não poderia querer outra pessoa na minha vida. Aliás, pessoas. Você e Nolan são as pessoas que eu não posso mais viver sem.

— Nós 4 amamos muito você, Thomas.

— Eu com certeza amo mais e... — Espera. — Nós 4?

Ah sim. Era o momento de dizer para ele. Ela queria contar mais tarde, quando estivessem apenas os dois em seu quarto. Mas o momento era oportuno demais. Ela o amava. Devia a ele esse momento. Após ver o olhar confuso de Thomas, Rules se afastou o suficiente para conseguir pegar sua mão e pousou na barriga dela, que havia descoberto estar carregando o filho dele a algumas semanas. Thomas estava com o olhar surpreso encarando a mulher.

— Rules... Rules, isso... Você... Sério? — Ele se embolou inteiro.

— Sim, eu estou grávida. Você vai ser papai, Thomas. Meus parabéns, amor.

Ela esperou a explosão. Esperou as piadas, os surtos. Esperou que ele fosse surtar, pois era Thomas ali. E ela o conhecia. Mas não. Ele pegou a mão dela e beijou seus dedos. Depois beijou seu rosto, depois beijou seus lábios, e a abraçou, ainda beijando ela.

— Aí, vocês dois! — Thomas xingou o indivíduo. Olhou para trás e viu Hummels olhando para eles.

— O que você quer, abestado?

— Que parem de se pegar na frente da janela. Estamos todos vendo. — Rules riu, olhando pela janela e as meninas acenaram.

— Eu vou ser pai, então eu pego a minha mulher onde eu quiser! — Thomas o respondeu, pegando na mão de Rules. Ela nem sabia porque, mas seus olhos estavam cheios de lágrimas.

— Pode pegar quando a gente não estiver aqui.... — Hummels se calou, olhando para os dois. — Você disse que vai ser pai? — Thomas assentiu, com a razão estampada na testa. — MEU DEUS! Rules, você vai gerar um filho desse cara aí? Que doida!

— Eu vou te matar, imbecil!

Thomas disparou atrás dele, e o povo riu vendo a cena conforme eles corriam pela casa até o jardim. Thomas ia xingando Matt, enquanto Matt ia expondo o até então segredo:

— Thomas vai ser pai, Thomas vai ser pai! A Rules tá grávida aaaaaaaaaaa!





Não há condições de se empenhar para viver o hoje, se sua cabeça e seu coração estiverem presos lá trás.

E é por isso que Thomas tem Rules como um bom amor, pois ela lhe mostrou como seguir adiante.

E Rules deve a ele por ser tal leal. Deve a ele por ser tão querido. Thomas bateu o pé, ele pensou em tais planos e traçou segundo a segundo. Ele não desistiu.

Ele lutou por ela.

E o esforço dele, mostrou que vale a pena continuar. As vezes pensamos que devemos desistir das pessoas porque elas não demonstram nenhum interesse em nos manter na vida delas. Mas não. Vale a pena lutar pelas pessoas. Vale a pena.

Podemos dizer que é falta de amor próprio, que é falta de amor por si só. Acredite: você pode sentir que foi abandonado, mas pode sentir que impediu de perder. Ame as pessoas.

E quando amar, lute.

Salva a vida do amor da sua vida.

@tessascopelli
@rulesmaniza
@ianamaniza
@storeluminosita

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