14. Campeões da Alemanha!

TORCIDA
A torcida empurra o time. Ela ganha tantos campeonatos quanto quem está jogando.
Apoie seu time.

13.
05.
2019.

Com o queixo apoiado na mão, Rules sorria frente ao seu computador enquanto passava de uma em uma as fotos do fim de semana maravilhoso que Thomas tinha organizado com Nolan, para arrastá-la do trabalho e passarem um momento juntos. Ela gostava de estar com eles. Era uma sensação um pouco diferente de tudo que já tinha vivido, e Thomas despertava nela a felicidade em poucos instantes.

Era brincalhão demais, amoroso, carinhoso. Respeitava tudo e todos, não tinha motivos para não estar com ele. Gostava dele. Em alguns momentos, quando se pegava observando Thomas a espreita durante um segundo ou outro, cogitava até mesmo a possibilidade de estar o aman...

— Você ainda está aqui? — Rita entrou no escritório, despertando a atenção de Rules. Os pensamentos estavam tão oriçados. Apenas balançou a cabeça e fechou o notebook.

— Estou esperando Thomas. Aproveitei para checar os gráficos do mês.

— É assustador.

Rita caminhou pela sala, se esticou nas pontas dos pés e pegou uma caixa que estava na prateleira do alto, Rules observou o sorriso contigo em seus lábios.

— O que é assustador?

— Você. — Rita encarou a amiga, notando como não tinha ficado claro e acrescentou: — Você checando gráficos.

— É o meu trabalho.

— Tecnicamente, é o meu trabalho. Mas você parece realmente interessada nisso.

— É errado eu me interessar?

— A questão não é o seu interesse em si, e sim o motivo pelo qual você está tão interessada em se manter ocupada aqui em Munich. — Rules negou. Sabia onde Rita queria chegar. — Só estou dizendo, que o seu trabalho aqui já chegou ao fim.

— Uma vez ou outra eu tenho que vir aqui de qualquer forma. Manter contato de perto. Você sabe que é meu jeito de trabalhar.

— Não, Rules. O que sei é que você já deveria estar em Dortmund, junto com Eliot. Mas por algum motivo está atrasando seu retorno.

— Eu só estou trabalhando.

— Não, você está se enganando. — A risada de Rules foi pior que o deboche. Foi desafiante. — Você ri como se eu estivesse mentindo, mas sabe do que estou falando.

— Não, eu não sei, Rita.

— Mas deveria. Já que Thomas Müller se tornou um peso de perna maior que a cidade.

— Você não sabe o que fala. Thomas não é realmente importante no meu ponto de vista. É diversão. Eu gosto de ficar com ele sim, mas é porque ele é um homem de personalidade. É difícil encontrar alguém que te faca rir num minuto e gozar no outro.

— Então é só sexo.

— Sim.

— Thomas sabe disso?

— Não rolou um papo sobre rótulos, mas eu acho que está explícito.

— De qualquer forma, eu só estou falando porque é o que eu venho notado desde que você e Thomas começaram a se envolver.

— Então você é quem deveria ficar mais interessada no seu trabalho, porque passa parte do tempo prestando atenção na minha vida sexual.

— Houve uma época em que você colocava sua família em um pedestal, mesmo estando distante. Mas agora, Iana simplesmente desapareceu da sua vida feito poeira cósmica e você não está nem aí. Está ocupada demais brincando de família feliz com Thomas e Nolan, e esqueceu de enxergar tudo ao seu redor.

Iana. Era um assunto delicado. Rita não tinha o direito de por as garras dessa forma na vida da família Maniza. Na vida de Iana. E era verdade, negar era desvalorizar a situação que ocorria debaixo do seu nariz. Mas Rita não tinha o direito.

— Eu não estou te julgando, Rules. Quem sou eu? Eu só estou falando, como amiga mesmo que você devia abrir os olhos. Fingir que não está vendo acontecer é vergonhoso. E se realmente não estiver vendo, então por favor, pare de enxergar apenas os olhos azuis de Thomas. Tem coisas havendo. Você só tem que prestar atenção.

Tinha de admitir o quanto sentia falta da irmã. Iana estava ausente, fria. E ela era o calor da família. Que algo estava havendo com ela, era fato. Tinha que aprender a lidar com a situação atual em que estava com Thomas, mas queria saber como poderia ajudar Iana. Mas uma coisa lhe ocorreu. Rita parecia saber demais.

— O que tá havendo?

— Por favor, não me pergunte. 

— Você falou com a Iana?

— Talvez eu não precise falar com ela. Só ter olhos.  — Então ela simplesmente pareceu achar o que procurava e sorriu. — Tenho que ir. — Ela pegou a caixa novamente, a colocando na prateleira, dessa vez escolhendo um andar a baixo. — Dê um Olá a Thomas por mim.

— Dou sim. — Por força do hábito olhou o relógio. Thomas já devia ter deixado o treino e disse que pegaria Nolan no CT para jantarem juntos. — Cuidado no caminho até em casa.

— Te mando mensagem quando chegar. Divirta-se com a sua family happy.

— Até amanhã.

Quando Rita se foi, Rules se permitiu deitar a cabeça na mesa. Até quando ia ficar se obrigando a dizer pras pessoas que Thomas não era nada? Porque definitivamente, ele era alguma coisa. E despertava muitas coisas. E não importava o quanto se negava a admitir, ele tinha seu próprio mérito. E Rita estava enganada em dizer que eles brincavam de "família feliz". Podiam não ser uma família, mas eram felizes.

O celular vibrou sobre a tábua de madeira da mesa. Rules levantou a cabeça apenas o suficiente para concluir que era Thomas ligando.

— Alô.

Chego em 5 minutos.

Na velocidade que estamos, chegamos em 2! — Ouviu Nolan gritar.

Ele não sabe o que diz. Estamos devagar na pista e com segurança. — Thomas se explicou com um riso contido.

— Estou descendo.

Se levantou, pegou a bolsa, recolheu o casaco e apagou a luz, rumo a mais uma das noite incrívei que só Thomas e Nolan podiam proporcionar a ela.

❇❇❇


18.
05.
2019.

Nolan mal havia pisado no estádio e já estava em êxtase. As últimas seis temporadas da Bundesliga tinham tido um campeão só. O Indestrutível Bayern de Munique.

Coman abriu o placar para os bávaros aos 4 minutos, com uma lindíssima assistência de ninguém menos que Thomas Müller. Rules já estava nervosa de roer as unhas. Com o celular na mão, ela acompanhava o placar do jogo lá no Borussia-Park, o magnífico estádio do Borussia Mönchengladbach, onde o Borussia Dortmund estava lutando com todas suas armas para levar o campeonato também. E seriam os campeões se o Bayern de Munique tropeçasse uma vez sequer.

Na temporada passada ela estava lá, ao lado de Reus e Scarlett vivenciando esse momento com seus amigos. Iana aos berros louca para erguer a taça com Marco e companhia, mas como hoje o Bayern era o líder da tabela e levou o campeonato, partindo mais uma vez, o coração de Marco Reus que havia se esforçado para dar essa alegria para sua torcida.

Marco amava isso. E era por isso que Nolan era apaixonado pelo esporte. A convivência com Marco, o brilho estampado no olhar. Era impossível não ver como Marco amava o que estava fazendo. Que amava o Borussia a cima de qualquer título. Era impagável.

Reus marcou o segundo gol do Borussia aos 9 minutos do segundo tempo. 4 minutos depois Sanches marcou o terceiro gol do Bayern em cima do Eintracht Frankfurt. E logo os minutos pareceram horas no placar de Borussia × Leipzig que não saia do lugar.

Mas em Munich as coisas eram diferentes. Ribéry marcou minutos depois e em seguida Robben fechou o clima, mandando a bola lá para o final da rede por entre as pernas do goleiro Kevin Trapp. A torcida enlouqueceu, Rules não conseguia tirar o sorriso do rosto.

— Ele ganhou, mamãe! — Nolan gritou ao fim do apito. Oficialmente, o Bayern de Munique tinha levado o campeonato mais uma vez.

— Ele ganhou.

Quando os amigos correram uns para os outros e se abraçam, Thomas ficou parado procurando alguém na arquibancada. Nolan virou um sinal de fumaça vermelho e branco, saltitante e gritante. Thomas logo os achou. Ele parou o olhar em cima de Rules, e acenou para eles, rindo como só ele conseguia. Em seguida James saltou em cima dele.

E a comemoração tinha apenas começado.

Campeões da Alemanha.

— Adivinha quem é campeão da Alemanha? — Convencido, Rules apenas negou. Nolan pulou na frente de Thomas admirado com a medalha. — Sou campeão da Alemanha.

— Já entendemos.

— Ah mãe, deixa ele se gabar. — Nolan a repreendeu. — Uau. Ela é bonita demais. Você tem quantas dessa? Ainda tem espaço na sua casa pra tantas medalhas?

— Provavelmente, terei que mandar derrubar alguma parede para fazer outra estante, mas posso lidar com isso.

— Atchim... Convencido! — Rules pigarreou. Thomas riu e encarou a mulher que no momento estava linda demais com seu número estampado na camisa. — Meus parabéns.

— Obrigado por vir. — Ele pegou em sua mão. Nolan olhou o gesto e tentou disfarçar o sorriso sutil. — Foi importante pra mim.

— A família Dortmund me acha uma provável traidora agora. — Seus dedos pareciam minúsculos nas mãos de Thomas. — Eu devia estar apoiando Marco.

— É onde você gostaria de estar agora?

Nem se me pagassem para isso. A negação arrancou um consentimento do alemão que apenas sorriu e segurou seu rosto deixando um selinho nos lábios dela. Ali, no meio da comemoração. A Bayern de Munique em peso pelo gramado com suas famílias. Mas Rules sequer pensou nisso quando permitiu que ele a beijasse. Na sua cabeça, só se passava a decisão que havia tomado naquela manhã. A decisão que ela sabia, magoaria ambas as partes.

Nolan armou uma careta e balançou a cabeça em negativa. Mas tinha que admitir que gostava disso. Gostava de Thomas. Gostava de vê-lo com a mãe. Se sentia em uma família completa. E quando Nolan que olhará de relance para trás percebeu o que aconteceria logo. O menino se afastou, e viu o momento exato em que Goretzka e James despejaram um gigantesco copo de chopp no casal feliz.

— Mas o quê....

Rules se alarmou com a bebida gelada, se virando para os meninos. O resto da equipe estava logo atrás, rindo da situação. Thomas poderia ter explodido de raiva, e gritado com seus amigos. Mas viu uma Rules irada explodir com eles, o que arrancou gargalhadas de Müller.

— Você tá rindo do quê?! Idiota. — Berrou com ele. As pessoas que passavam ali também riram da cena. — Isso não tem graça, Thomas.

— Estou tão molhado quanto você, amorzinho. Reclama com eles. — Rindo, ele apontou para os garotos, enquanto balançava o cabelo, espirrando chopp para todo o lado. — Isso não se faz, caras. Vacilo.

— Idéia do Lewandowski. — James acusou.

— Eu disse que íamos roubar um banco, porém não entrei armado em La Casa De Papel. — O polonês se defendeu.

— Vocês são estúpidos! — Rules se sacudiu toda molhada. O olhar mórbido que gelou os companheiros de Thomas logo se desarmou num sorriso. — Tá legal. Eu preciso de um abraço. — James era o único seco entre eles e foi exatamente para ele que Rules olhou. — Me dá uma abraço, Rodríguez.

— Eu não. Sai pra lá.

Rules tirou o celular do bolso e entregou para Thomas, logo disparando correndo atrás do pobre James Rodríguez que saiu fora. Os companheiros foram juntos, prometendo pegar James.

Thomas riu e se sentou no chão, Nolan o acompanhou. Estava cansado, dolorido, mas sabia que tinha se doado demais a temporada e ajudado de verdade sua equipe a conquistar a taça. Já não era mais um sonho, era uma vida. E estava orgulhoso da vida que tinha. Mais ainda agora que tinha Rules e Nolan nela.

— Acho que isso é seu. — Nolan encarou o alemão, vendo a medalha erguida em sua direção.

— Você ganhou, é sua medalha.

— Eu sei, mas eu tenho muitas medalhas e um só Nolan.

O menino então pegou a rodela de ouro em mãos e sorriu, se jogando nos braços de Thomas. Müller abraçou o garoto e sabia que nunca tinha sido tão feliz na sua vida quanto estava sendo agora. Sentiu o vibrar de um celular em mãos, e o ergueu apenas para visualizar a mensagem que apareceu no visor:

"Nos vemos amanhã em Dortmund. Suas passagens já estão compradas. Avise Nolan que estão voltando"
— Pai —

Voltando?

Nolan se afastou de Thomas e sentou novamente no gramado. Müller não conseguiu tirar os olhos do garoto. Rules voltaria para Dortmund amanhã? Não. Ele com certeza entendeu errado.

— Eu já disse que odeio seus amigos hoje? — Rules retornou mais molhada do que quando havia saído. — Robben me enfiou debaixo de um chuveiro de chopp. Eu odeio cada um deles.

Thomas observou a mulher sorrindo, apesar das palavras rudes. Rules o viu, notando logo que algo estava errado.

— Thomas?

— Você vai voltar para Dortmund amanhã? — Nolan encarou a mãe rapidamente.

— Que!?

— Eu ia te contar, Thomas. Só não queria que fosse assim.


1 semana sem atualização. Sério, eu morro mais do que vocês.

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