12. Vestígios do sucesso
MARCAÇÃO
Quando um jogador fica em cima do outro com a intenção de recuperar a bola, ou apenas impedir que ela chegue para o companheiro rival.
Decifrando: Thomas precisará fazer de tudo para que Rules não vá adiante.
21.
04.
2019.
— Não me julgue, por favor.
Enchendo o copo novamente, Thomas apenas negou. Scarlett observava o homem, tentando compreender seus pensamentos para que pudesse encontrar uma forma de lidar com isso. Porém, Marco não conseguiu, dando as costas para Thomas e seguindo para a festa, ignorando o fato de que seu segredo tinha sido revelado.
— Não estou te julgando, Scarlett.
— Também não julgue ele. — Thomas riu.
— Não estou julgando ele, Scarlett. Tô tentando entender como vocês deixaram isso chegar a esse ponto.
— Não é tão ruim assim, eu... ele é bom, Thomas. Ele é. — Injuriado, o alemão virou seu copo. — Temos uma bebê linda, que precisa de nós. Não dá para simplesmente jogar tudo fora.
— Você acha que é jogar fora? — Mais uma vez Thomas esvaziou o copo. — O que vocês estão fazendo é tudo menos guardar o relacionamento de vocês. Pelo contrário. Estão guardando um segredo. Um que vai te corroer bem logo.
— Thomas ...
— E quando esse momento chegar, eu queria estar bem longe dessa bomba relógio. Só que agora... agora é um pouco impossível. Sabe por quê? — Scarlett negou. — Tá vendo aquela mulher maravilhosa ali? — Rules rodopiou de mãos dadas com Lessye, enquanto os amigos riam da cena, e Thomas admirava a dupla. — Eu vou levar ela pra casa hoje.
— Você e Rules.... Ôh god, eu não tinha idéia.
— Pois é. — Quando Thomas se levantou, Scarlett acompanhou a ação meia desesperada. — Então guarda essa informação.
×●×●×●×
— E com convidados mais que especiais, na noite passada: Rules Maniza, aos 28 anos inaugura a segunda loja de sua marca, agora internacionalmente conhecida, Luminositá.
Rules andava de um lado para o outro, trajando apenas calcinha e sutiã, que foram as únicas peças que conseguiu catar quando levantou da cama, com o iPad em mãos, lendo o artigo que a Harper's Bazaar havia acabado de publicar a respeito do lançamento da loja. Thomas aplaudiu, encostado na cabeceira da cama, desnudo de corpo, apenas com o lençol cobrindo toda sua nudez.
— Meus parabéns.
— Isso é sensacional. — Ansiosa, Rules se sentou no pé da cama. — O artigo ainda expõe a localização exata da nova loja, e elogia o elenco de pessoas que trabalharam no dia do evento.
— Se orgulho matasse. — Thomas se arrastou até poder abraça-la por trás, torneando suas pernas ao redor da morena.
— Tem algumas declarações aqui também. — Rules mudou a página, Thomas roçou o dente em seu ombro desnudo. — E também... Thomas, por favor, para que eu estou falando.
— E eu tô ouvindo. — Não estava não.
— O mais interessante é que eu nunca quis que fosse em Munich. Mauro tinha apenas que enviar os confirmações do evento. O primeiro desfile oficial seria em Munich, enquanto a filial mesmo seria em Berlim. Ele fez uma confusão e mudou todo o processo.
— Pobre Mauro. — Com os dedos, Müller desabotoou as pregas do sutiã, escorrendo a alça pelo ombro da mulher.
— Eu não tenho do que reclamar, embora tenha certeza que terei de ir a Berlim em breve.
— Teoricamente eu vou sentir sua falta. — Rules riu, Thomas beijou sua orelha. — Quanto tempo tem Berlim?
— Uns 3 dias. Depois retorno a Dortmund e minha rotina de vida volta ao normal. — Thomas cessou o movimento, se mantendo fixo com os lábios colados na orelha de Rules. — Mas eu não quero ir embora.
— E com retorno você quer dizer oficialmente ou a trabalho? — Em resposta, ela apenas virou o rosto para encontrar os olhos do alemão. — Acho que eu não quero essa resposta, não é?
— Então não vou dar a você.
— Tenho outros planos, Ru.
— Me mostre quais são.
Thomas sequer considerou outra opção. Sua primeira e única foi tirar o aparelho indesejado das mãos de Rules, e girar seu corpo para que ficasse em cima dele. E sem recusas, sem surpresas, fora ela quem iniciou o beijo, que rendeu a ele uma manhã gloriosa de prazer, ao lado da mulher que ele não sabia ainda, mas que já tinha começado a programação do vírus que derrubaria as barreiras de Thomas Müller.
❇❇❇
Naquele mesmo dia, enquanto ainda comemorava o grande sucesso do lançamento, Rules soube que Iana tinha retornado a Dortmund. E após ligar várias vezes e ser ignorada pela irmã caçula, a mais velha realmente desistiu. Sabia que tinha un incidente com James na festa, mas apesar das fofocas que havia escutado no banheiro feminino, não tinha qualquer outra informação. Iana não atendia o telefone, James não era uma opção.
Apesar da curiosidade e da obrigação que sentia em proteger Iana do mundo, ainda sabia que não podia se meter por completo. Tina que dar espaço para ela, e quando se sentisse bem: viria até ela.
E foi por isso que não se meteu. Por isso e porque descobriu que o trio da Espanha: Lessye, Claire e Danna também eram boas demais em dar broncas. E acabou se deixando fluir na semana que se passou mais rápido do que pôde contar.
— A gente saiu uma vez, eu passei meu número só por educação, mas quando eu acordei tinha um bom dia dele e eu só acho, que já estou namoran...
— Rita, eu estou zero interessada na sua atualização amorosa. — Correndo a ponta do lápis pela folha branca, ela apenas riu da amiga.
— Oras, me diz que ficou feliz por mim. — A morena insistiu, vendo a amiga revirar os olhos, e ajeitar a armação do óculos nos olhos. — Rules, olha nos meus olhos enquanto eu te digo que estou apaixonada.
Agora literalmente foi impossível segurar a risada.
— Vocês se conheceram em uma noite e do nada você já está apaixonada? Amiga, eu juro que se não te amasse, te acharia cômica.
— Eu sou cômica mesmo sendo amada Rules. Aceita, bebê. — Rita riu, se colocando atrás da amiga e virando sua cadeira. — Eu ainda consigo lembrar do cheiro dele.
— Aí, Rita, credo! — Rules riu, empurrando as mãos da amiga e girando sua cadeira de volta para frente.
E sua surpresa foi Eliot plantado com suas botas pesadas em cima do carpete fofo que Rules amava ter naquela sala. E god... como Eliot era belo, aí de quem negasse!
— Oi, Eliot. — Rita estendeu a mão para o rapaz que apenas olhou o gesto, ignorando.
— Ritinha, vaza. Eu tenho que conversar com a Rules.
Ah que ótimo.
Rules tirou os óculos e fechou o caderno, guardando-o na primeira gaveta, logo endireitando a postura para encarar Eliot. Rita sabia que a situação era tensa, mas também engraçada demais para ser dispensada.
— Eu tenho uma explicação. — Rules disse assim que Rita fechou a porta.
— Você leu o meu e-mail? Rules, você tem noção da proporção da merda que isso poderia render se você fosse pega?
— Eu tenho. — "Isso só não me impediu de fazer", porém achou melhor manter essa parte guardada, pensou ela. — Desculpe Eliot, mas a minha vida pessoal não desrespeita a empresa.
— Era o evento de lançamento.
— Você queimou o vídeo, pelo menos? — Eliot apenas revirou os olhos, bufando. — Se está me enchendo a paciência por isso, deveria a essa altura já ter se livrado das filmagens.
— Você foi flagrada entrando e saindo de um banheiro acompanhada de um jogador de futebol. Fala sério! Onde estava o seu nível de profissionalismo?
— Na calcinha que ele tirou, e enfiou no bolso. — Eliot apenas a repreendeu. — Você me mandou viver, e agora não pode lidar com as minhas aventuras?
— Você não tem dezoito anos e se isso vazasse seria uma péssima forma de lançar sua imagem internacionalmente.
— Porém não tenho arrependimentos. — Ao se levantar, ela checou o relógio. Tinha que pegar Nolan no treino.
— As vezes acho que criamos um monstro que está se revelando. — A contragosto, Rules evitou debochar do amigo. — Está criando espectativas com esse cara?
— Eu não entro com espectativas nem em jogo de tabuleiro, Eliot. — Respondeu e enfiou o celular na bolsa, com as chaves do carro. — Não se preocupe. Em breve retornaremos a Dortmund e tudo vai ser como antes.
— Como antes? — Ele segurou o pulso antes que ela passasse por ele.
Eliot tinha por Rules um sentimento que só vinha de um lado, tornando difícil para ele. Porém como ele era bom na tarefa de amigo e sabia ser feliz pela felicidade dela, era impossível para Rules tirá-lo da vida dela. E sinceramente, não queria tirar. Ele era bom no que devia ser. Os sentimentos que tinha, guardava para si. As vezes Rules tinha a impressão que eles nem existiam mais.
— Algumas cosias nem deviam ter começado para retornar a ser o que são. — Sorrindo, deu tapinhas em seu rosto. — Porém posso garantir que as sextas-feiras de Marvel continuarão a ser às sextas-feiras de Marvel.
— É bom saber que posso contar com minha alemã favorita. — Ele beijou o rosto dela, e Rules o abraçou. — São quase cinco horas, então vou te pagar um café da hora.
— Tenho que pegar o Nolan no treinamento.
— Vou com você.
NOTA PESSOAL
Rules está quase escapando
— Pra cima deles, Nolan!
Thomas gritou, batendo palmas e incentivando os meninos que corriam no campo. Robert direcionava os que passavam próximos a ele, enquanto Neuer e James só gritavam coisas motivacionais para quem quisesse ouvir.
Momentos como esse já tinham se tornado rotina com aquele quarteto, que agora dava nó em nó para aparecer juntos nos treinamentos dos meninos. Nolan era cativante, e com o passar das semanas Thomas já tinha percebido como o menino era bom em liderar.
Observaram o momento em que Nolan driblou um companheiro com a perna direita, trocando para a esquerda na hora de cruzar e fez o passe que resultou no gol da equipe, seguindo a linha de explosão dos garotos no campo, e na carreira de mães na arquibancada.
— Nunca critiquei. — James aplaudiu.
— Boa garoto!
— Eles são bons, não é? — Thomas se assustou, ao notar a mulher que parou ao lado dele.
Sequer tinha notado sua presença. Ele coçou a garganta e deu um sorriso amarelo para ela, ainda aplaudindo o gol de Nolan.
— São bons mesmo. — Enfim concordou.
— Eu não entendo muito de futebol, mas... O garoto que fez o passe parece ser muito bom. — Thomas concordou antes mesmo da pergunta vim: — Ele é?
— Bom é pouco, ele é ótimo. Um prodígio no futebol, tem talento e melhor que isso, é esforçado.
— Deve ser um orgulho pros pais.
— Sem dúvidas.
— Lá vai ele de novo, Thomas. Se liga! — Neuer bateu no braço chamando atenção, e Thomas observou quando Nolan passou a bola entre os dois zagueiros, conseguindo inverter a jogada. — Gênio.
— Ele já reparou que o pessoal da direita é péssimo de marcação. — James concluiu.
— Daí ele invertendo pode receber de volta lá na frente e fazer o passe da vitória. — Robert acrescentou.
— Meu garoto é um gênio, e quem discordar é clubísta. — Thomas comemorou: — Pra cima, Nolan!
A mulher continuava atenta a toda a correria, e agora passara a olhar até mesmo Thomas com mais atenção. Ele falava de Nolan como se...
— Desculpa perguntar, mas você conhece cada um dos garotos?
— Eu tento saber o nome de cada um, mas por aqui vive passando gente. Os meninos vem e vão com muita frequência, então eu não sei o nome de todos.
— Ah claro, mas Nolan Maniza?
— Sim, conheço bem. Somos vizinhos. — Ela assentiu. — Sou amigo da mãe dele também.
— Você parece um cara gentil demais para se envolver com aquela megera.
— A gente pensa igual. — Thomas deu meia volta, e sorriu ao ver Rules. Um sorriso que logo murchou ao notar a companhia.
— Rules, linda. — O desdém nas palavras. — Péssimo ver você.
— Não mais do que para mim, Ava. O que você quer?
— Meu neto. Quero Nolan.
O capítulo foi repostado duas vezes porque o wattpad me odeia. Beijos e até o próximo.
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