1. Um traumatismo começo
Eu: Pronominal pessoal. Individualidade da pessoa humana
π
March, 2 0 1 9
Rules não curtia os imprevistos, odiava todas eles. Odiou cada um que a encontrou nos últimos 10 anos. Odiou cada superstição que se concretizou, cada intuição que gerou resultados. Ela gostava das coisas como eram e como deviam ser. Qualquer coisa que não fosse o que deveria, ela odiava.
Odiava cada passo em falso que deu um dia em sua vida toda. E odiava quem a julgasse por isso. Tinha seu modo de viver, sua forma de agir. Sua e só sua. Não se importava — Pelo menos não deveria — com o que fosse dito pelas outras pessoas.
Afinal, sua vida.
E de complexa, já bastava ela. Já bastava as coisas com as quais tinha que lidar dia após dia. Já bastava seus demônios, não precisava dos de mais ninguém.
Sentada em sua confortável cadeira de couro italiano, de frente para sua mesa, no solitário escritório no fundo do corredor, Rules lia um e-mail de Dannah Thuller, explicando como a nova proposta para a coleção de outono do Luminositá estava sendo recebida pela crítica e pelas digitais influenciadoras da internet. Dannah era espanhola e a parceria com a marca Universal de Rules, estava a gerar bons resultados.
A coleção havia sido lançada a 18 dias e há exatos 18 dias sua caixa de entrada não parava vazia. As parcerias haviam dobrado e seu esquema empresarial aumentado em números junto com elas. Era até difícil de respirar sem receber uma nova mensagem nos últimos dias.
Ouviu o barulho dos toques na porta, respirou fundo, arrancando a armação bluezac dos olhos e esperando que a presença de Iana se fizesse visível. A menina entrou, trazendo junto consigo toda a calmaria e luminosidade do interior com ela. A irmã caçula era um retrato da mãe que a pôs no mundo: cabelos claros, dos olhos claros e com uma energia vibrante de conto de fadas.
— Você não devia estar aqui. — O olhar de Iana caiu sobre o porta retratos na mesa.
— Você perdeu o jogo. — Rules ignorou esse fato, se mantendo impassível. — O jogo do seu filho.
— Me esqueci que era hoje. — Mentiu, se preocupando em checar as horas no relógio de pulso.
— Eu liguei, Rules. — Iana insistiu: — Liguei diversas vezes e você ignorou todas as minhas ligações.
— Me desculpe. O telefone não estava por perto, eu não vi suas ligações. Lamento. Irei no próximo.
— É o que você sempre diz. — Conformada, Iana riu e tomou o porta retratos em mãos. Uma foto de Nolan aos cinco, talvez seis meses.
Nolan crescera como um bebê muito amado. Esperto e atencioso desde sempre. Como o pai, Nolan era muito animador e encorajador. Tinha os olhos de Evan e o coração de um anjo. Era impossível não se apaixonar, era impossível não gostar do pequeno Nolan Maniza Laurent, agora no auge dos seus 10 anos de idade.
O garoto era uma cópia fiel do pai, se herdará algo de Rules, estava bem no interior. Loiro, com os olhos claros e eclético como um raio. Gostava de explorar, gostava de novidades. Gostava de aprender com tudo, e Rules sentia que não conseguia o acompanhar.
— O jogo foi ótimo. Ele marcou 2 gols, deu assistência para outro e comemorou todos comigo na arquibancada. — Rules não era boba e conhecia a irmã. — Devia arrumar tempo na sua agenda lotada de trabalho ridículo e ver um jogo do seu filho.
— Obrigada pela visita, Iana. É sempre um prazer. — Sorriu. Como em um sinal, o telefone de Rules começou a tocar em cima da mesa, e a Maniza mais velha resolveu amaldiçoar quem estivesse ligando.
— O telefone parece bem distante de você agora.
Contrariada, porém sem intenções de prolongar a mentira, Rules olhou no visor e Scarlett brilhava na tela.
— Vou levar Nolan para casa. — Iana se adiantou: — Você com certeza tem trabalho para fazer.
Iana não esperou que a irmã falasse algo em resposta, apenas se afastou e abriu a porta para sair. Nessa brecha, Rules viu o garoto no corredor, com a bola no ar enquanto trocava de pés, de toque em toque sem deixá-la cair. Pausou o queixo na mão e sorriu em um simples momento, antes que Iana fechasse a porta e a mãe perdesse a visão do filho.
Scarlett continuou a ligar.
— Espero que tenha um bom motivo para insistir tanto. — Rules disparou na amiga, assim que atendeu.
— Se atendesse na primeira eu não ligaria tanto, Ru. Simples assim.
— O que quer?
— Confirmar sua presença no churrasco da Anna. — Rules riu, e nem tentou disfarçar. — Nem vem, você vai.
— Você e Reus não se convenceram? Eu nem os conheço. Não posso simplesmente chegar no rolê entre amigos da família Lewandowski.
— Pode sim. Não sei porque acha que não.
— Acho que seu cérebro não tem contato direto com sua língua, fofa. — Quando Scarlett não respondeu, Rules imendou: — Isso é ser penetra.
— Você é minha convidada.
— O churrasco é seu por um acaso?
— "Scar?" — Antecipadamente, Rules já revirou os olhos ao ouvir a voz de Marco Reus se aproximar. — "Você está aí." — Como um sino, ouviu o estalar dos lábios de Marco no rosto de Scarlett. — "É a Rules? Oi, Rules!".
— Oi, Reus.
— Ela se recusou a ir no churrasco do Robert e da Anna. — Scarlett logo a entregou. Marco riu. — Tá rindo do quê?
Rules se perguntou a mesma coisa.
— Ela não tem escolha. A gente passa para buscar ela 12:00 e é melhor estar pronta, Bagchi. — Reus intimou usando seu segundo sobrenome, herdado dos pais biológicos e mantidos após a adoção.
— Não lembro de ter assinado um termo.
— Fico feliz de saber que você vai estar lá.
— Eu não vou nã...
— Até mais. — Ele a cortou, e a única coisa audível por alguns instantes foi o arrastar dos pés enquanto se afastava.
— Ele foi embora?
— Foi sim. — Scarlett confirmou.
— Que ódio.
— Meio dia.
— Scar....
— Nos vemos no fim de semana.
E o próximo som foi o bipar da finalização. Rules odiava os amigos que tinha. Odiava cada um deles. Por fim, apenas ignorou o fato e voltou sua atenção novamente para o e-mail.
.
.
Procurem Rules e Iana nas redes sociais:
@rulesmaniza
@ianamaniza
Todas as músicas dos capítulos serão pagodes bem bregas antigos e da atualidade. Se acostumem.
😉
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top