Capítulo Quatro

Olivia não dormiu nada durante a noite. Volta e meia vinha Igor a sua mente e em como Inna tinha toda razão quando lhe disse aquilo. Realmente ficou completamente cega pelo amor, cega em sua louca obsessão que não percebeu que o erro estava ali, na sua cara.
O erro era ela própria. Com toda sua insistência, toda sua persistência para com ele que não valorizava.
Deitada em sua cama embolada nos cobertores admirou o dia raiar. Os reflexos do nascer do sol iluminando o quarto. A bonita vista para o imenso central parque levando até a ponte do Brooklin mais distante. Morar no último andar do prédio mais alto de Nova Iorque lhe proporcionava o privilegio dessa bela visão. Vestiu seu robe e ficou ali com a testa apoiada no vidro olhando o nada. Hoje começaria sua mudança, tinha que ter convicção que conseguiria isso. Precisava ser firme consigo mesma. Era o momento de se valorizar.


A faculdade foi o habitual, aulas cansativas, trabalhos e mais trabalhos. Quando chegou ao hospital Igor já estava na porta com alguns alunos que fariam parte do estagio. Dessa vez sem atrasos, Olivia foi cordial lhe desejando boa tarde e simplesmente passou por ele sem o beijo no rosto e nem o carinhoso toque em seus ombros. Percebeu que Igor estranhou aquele ato, sempre fez de tudo para tocá-lo, para ter as mãos sobre ele. E dessa vez não fez nada disso?
Isso já era um ótimo começo. Parabéns Olivia Wade. Um ponto para você garota.
Após vestir o jaleco, pegou seu estetoscópio, duas canetas dentro da bolsa e juntou-se aos demais. Eram três meninas, quatro com ela. E mais dois rapazes, todos com blocos e canetas prontas para anotar tudo que fosse de suma importância. Igor a olhou intenso depois que ela ficou atrás do outros. Olivia sempre fora à primeira, sempre lado a lado com ele. Com toda certeza devia estar estranhando seu novo modo de agir.
Dali por diante foi ele explicando com funcionavam as maquinas e procedimentos. Atenderam alguns pacientes, os alunos excitados fizeram diagnósticos certos e outros errados, mas aquilo era valido para um estudante de medicina. Uma doença sempre poderia ser confundida com outra. Olivia fez de tudo para não arrancar os cabelos de um das alunas que ficou sorrindo e tentando chamar a atenções de Igor com a língua afiada e respostas sempre prontas. Por sorte ele percebeu o que a moça desejava algo além da medicina e cortou o mal pela raiz. Dizer que não foi gratificante era mentira, mas isso tudo estava a matando. Era como estar engolindo veneno a cada segundo, a outra Olivia já teria lhe colocado em seu devido lugar e nunca mais está estaria ali. A noite chegou e todos foram dispensados. Olivia estava emotiva e aquilo tudo era culpa do que aconteceu durante o dia, e também sua terrível TPM que lhe pegava em cheio. Escondida no banheiro chorou melancólica. Aquilo poderia ser um drama para quem estava fora, mas para Olivia era difícil. Sempre foi acostumada a ter tudo que queria seus pais a deixaram mimada e fútil. Agora que percebeu a dura realidade que nem sempre basta desejar tudo para ter, você precisa fazer um esforço para conseguir. Não culpava totalmente os pais por tê-la criado assim, mas eles tinham sua parcela de culpa por não evitar que fosse tão imatura. Precisou de sua melhor amiga para abrir os olhos.

Quando Olivia saiu do banheiro de nariz vermelho e olhos inchados, Igor estranhou. Na verdade ele estranhou completamente todo seu modo de agir durante aquela tarde. Quando ela chegou estava pronto para chamá-la até sua sala e conversa sobre os dois. Saber se realmente Cassandra tinha razão quando disse que ela era apaixonada por ele. Mas a forma que agiu sem discussões, sem questionamentos e sempre distante lhe fez ver que Cassandra estava errada, Olivia era apenas uma jovem impulsiva que gostava de chamar a atenção por isso agia daquela maneira com ele e todos ao redor.

-Você estar bem? - Aproximou-se.

-Sim. Não se preocupe. -Falou de um modo frio. Nem sequer o olhou.

-Tem certeza?

-Sim. E apenas cólicas. Eu vou pra casa, tomo um remédio e fico melhor. -Entrou na sala onde sua bolsa estava. Tudo que queria e jogar-se em seus braços e beija-lo até sumir todo ar. Mas ser firme era uma droga. E pelo que pode ver seu desinteresse por ele estava surtindo efeito, já que Igor estava lhe esperando na porta do banheiro.

-Venha eu lhe dou uma carona até em casa.

Olivia ficou em silêncio. Ela deveria aceitar ou não? Seus neurônios nunca precisaram trabalhar tão rápido para formar uma resposta. O coração deu pulinhos para aceitar, mas as palavras de Inna na mente lhe fizeram dizer não.

-Não precisa. Eu vou como o Tomas. -Oh isso garota.

-Tomas? Da radiologia? -Com uma cara estranha lhe encarou.

-Sim. Ele mesmo. -Segurou sua bolsa e saiu. -Até amanhã, Doutor. - Um Igor com cara inexpressiva ficou ali parado no meio da sala a vendo quase saltitar como uma gazela para os braços do menino magricelo. Ele não sabia bem o que sentiu, mas não foi um bom sentimento. Aquela garota estava lhe deixando com sentimentos controversos e estranhos.

Desde que Cassandra na noite anterior lhe disse que Olivia era apaixonada por ele ficou pensando sobre isso boa parte de sua noite. A outra parte foi o sonho que teve com ela. Olivia ia até sua casa vestindo apenas uma lingerie azul. Aquela pele cremosa na sua varanda apenas de peça intimas, os carnudos lábios com um batom vermelho, olhos delineados pela maquiagem. Parada em sua porta sorrindo radiante lhe dizia que o amava e beijava-lhe com fervor enquanto retirava sua roupa com pressa. As mãos quentes tocavam seu eixo duro, os lábios deslizando por seu peito nu deixavam uma trilha de marca de batom até ajoelhar-se para tomá-lo na boca. Sugava seu eixo com desejo enquanto os inocentes olhos azuis lhe olhavam angelicais. Igor acordou suado, nervoso e excitado. Era errado admiti, porém se masturbou com aquela imagem dela de joelho aos seus pés o sugando, o lambendo e o levando ao delírio do prazer.

Foi o inferno de bom. Tinha que admitir.

Tomas era de sua idade e tinha uma paixonite por Olivia, sempre fazia questão de por seus pedidos de raios-X na frente de todos os outros. Estava sendo uma piranha em usá-lo? Sim, estava mesmo. Mas teve que fazer isso. Quando chegou a porta de saída, Tomas estava saindo. Tratou de agarra seu braço e saiu junto de um rapaz sorridente e feliz.

-Olivia. Está bem? -Preocupado olhou para seus olhos inchados.

-Oh! Estou sim. Apenas coisas de mulheres. Vou ficar melhor se me levar para um sorvete, o que acha?

-Sim. -Seu rosto se iluminou. Ela sentiu-se mal por isso. - Eu sei de um lugar que o sorvete e delicioso.

-Então me leve até lá, nobre cavalheiro. -Agarrada a seu braço saiu sem olhar pra traz.

A sorveteria era próxima do hospital, bastou uma quadra para estarem junto do melhor sorvete de casquinha de New York. Olivia escolheu a mesa enquanto Tomas fez os pedidos. Era um lugar realmente agradável, como gostaria de estar ali com Igor, escolhendo a mesa enquanto ele pegava um imenso sorvete de morangos com muita calda de chocolate para ela, e um de ameixa para ele. O conhecia mais que ele mesmo.

-Eles logo vão trazer os pedidos. -Sentou-se em sua frente. -Você está bem mesmo, Liv? -Segurou sua mão.

-Oh, Tomas. Por que as coisas não podem ser do modo que queremos? Tem que ser tudo difícil?

-Não teria graça se fosse tudo do nosso jeito. -Beijou-lhe a mão. -Não teríamos que batalhar e ter o gosto da vitória.

-Você tem razão. -Sorriu sem animo.

-Tem certeza que está bem? Foi o doutor que magoou você?

-Por que diz isso? -Puxou a mão das dele. Não entendia o que ele quis lhe dizer com isso.

-Liv, eu e todo mundo do hospital sabemos de sua queda pelo doutor Grodkov. Sei que e apaixonada por ele. -Todos ali sabiam apenas Igor que não percebeu nada.

-Não tem nada disso. Ele e apenas um amigo da família.

Tomas sorriu.

- Tudo bem. Se não quer falar sobre isso não vou insistir. Mas quando quiser estou aqui.

Olivia não teve tempo para falar, a garçonete logo, pois uma imensa taça de sorvete cheia de calda de chocolate em sua frente.

-Pedi como gosta. Com muita calda. - Tomas sorriu cumplice.

-Você é maravilhoso.

A partir dali a conversa tomou outro rumo. Olivia até pode esquecer sua melancolia do dia, falaram sobre o futuro. Tomas disse o que desejava, a conversa ficou no tema sobre como você quer estar daqui dez anos. Ele era um cara agradável e que tinha uma conversa fluida.

Igor decidiu ir pra casa, havia combinado de sair com Cassandra para visitar uma galeria de arte que naquele dia exibiria alguns quadros contemporâneos no museu de New York. Parado no sinal viu Olivia na sorveteria com aquele rapaz segurando sua mão e sorrindo. Ficou olhando tanto que esqueceu o sinal aberto e os carros atrás buzinando. Logo o desejo de sair de casa foi apagando-se. Tudo que conseguia pensar era em Olivia ali na sua frente com aquela lingerie azul. Tinha certeza que ficaria louco antes de completar seus quarenta e seis anos se sonhasse mais uma vez com ela assim.

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