capítulo único
— Treinando para algum tipo de desfile, Potter?
O sotaque arrastado e esnobe soou por todo o corredor, o loiro e sua trupe de sonserinos riam espalhafatosamente do jeito de andar de Harry, isso como se não fosse culpa do maldito e seus desejos desenfreados.
— Por que você não vai morrer engasgado com algum pau por aí, Malfoy? Se alguém quiser um boquete vindo de uma cobra, é sua chance.
O sorriso de escárnio de Draco apenas aumentou, ele realmente era muito bom em mentir, em transmitir um ódio falso que, mesmo assim, fazia o sangue do moreno ferver.
— Existem muitas pessoas pedindo boquetes para cobras, existem boatos de que sonserinos são ótimos com a língua. Mas é claro que você não pode confirmar isso.
Novamente as risadas soaram, e só bastou para o moreno revirar os olhos. O deboche elegante de Draco Malfoy acendia até os desejos mais obscuros de Harry Potter. E era impressionante como o falso ódio que eles propagavam quando estavam em público fazia a irritação crescer em níveis surpreendentes. Claro que tudo isso era descontado em noites de puro sexo selvagem por aí. Tudo na calada da noite sem ninguém desconfiar.
— Parece que alguém ficou sem voz de repente, a cobra comeu sua língua, Potter?
A menção ao réptil fez novamente as gargalhadas explodirem, o loiro lançava um olhar questionador em sua direção. Ali estava o esperado convite, um encontro na torre de astronomia, na calada da noite, só os dois se amando com as estrelas de testemunhas. Sim, Harry é um idiota romântico, mas essa justificativa sempre fazia o loiro ceder à sua vontade.
— Não. Mas obrigado por sua preocupação adorável, Malfoy.
Com uma resposta ácida e uma piscada discreta, Potter deu as costas para o loiro, tentando, sem sucesso, esconder o sorriso de triunfo, que se espalhava rapidamente por suas feições. E com passos apressados, o moreno saiu pelo corredor, ansiando pela chegada da noite.
O aristocrático Malfoy deixou um sorriso aparecer, a alegria mascarada pelo deboche. E enquanto conduzia sua trupe pelo corredor, teve sua mente invadida por diversas imagens e possibilidades para aquela noite. Aquele 14 de fevereiro teria um significado a mais. Se tudo desse certo, é claro.
E pelo dia, olhares discretos e repletos de códigos foram trocados por nossos amantes secretos, sorrisos bobos brotavam em seus rostos quando se viam sozinhos. A ansiedade de estarem juntos pairando por todas as horas.
A noite chegou rapidamente. E Potter estava incrivelmente ansioso para ver seu amado. Andando pelos corredores, imprudentemente, coberto por sua Capa da Invisibilidade. Com milhares de possibilidades passando em sua cabeça. Todo encontro que tinham reservava novas surpresas. Afinal, Draco sempre se superava, fazia tudo com estilo e perfeição.
Malfoy, por sua vez, andava em círculos na torre de astronomia. Ajustando as almofadas dispostas no chão, a caixinha em seu bolso balançava conforme ele dava os passos. Os pensamentos rolavam soltos em sua mente, tão altos que o impediram de ouvir o ruído que a porta produziu ao ser aberta.
— Caraminholas na cabeça, Malfoy?
A voz baixa e sussurrada assustou Draco, quase o fazendo ir direto ao chão. Não havia qualquer sinal de outra pessoa no cômodo. E ele não tinha sequer escutado passos ou qualquer outro barulho. Porém, ele tinha a esperança de ser Harry, escondido por sua capa, tentando lhe provocar.
— Potter?
Nada. Malfoy bufou minimamente irritado. Deveria ser apenas impressão dele, a ansiedade deveria estar lhe provocando delírios. Porém, sua cintura foi envolvida de repente, pelo que ele achava serem braços invisíveis, que lhe provocaram um susto. Potter ainda iria pagar caro por assustar ele.
— Vou arrancar seu pênis se não tirar essa porcaria, amor.
Rapidamente, um assustado Harry Potter surgiu. Os olhos arregalados provocaram altas gargalhadas no loiro. Ele não arranca paus, ele os chupa. Afinal, ele é um libidinoso sonserino e adorava manter sua boca preenchida.
— Você adora acrescentar elogios depois de me ameaçar?
— O que você quer que eu responda?
— Algo que não me deixe com medo, de preferência.
— Resposta errada, Potter. Menos dez pontos para a Burronória. Imagino que essa seja sua casa, certo?
Potter revirou os olhos com o insulto e deu um breve e casto beijo no loiro. Eram brincadeiras inocentes que Malfoy fazia, apenas querendo arrancar risadas e descontrair um pouco. Não havia mais qualquer ódio, apenas a vontade de fazer Harry rir.
— Tranque a porta, Leãozinho, não podem nos ver do céu. Porém, nunca se sabe quando aquele velho e sua gata virão espiar e estragar as coisas.
O moreno deu uma risada. A inocência daquele som quase fazia Draco desistir da parte menos fofa de seu plano. Mas o sonserino queria mostrar o quão boa é a língua de uma cobra. A porta foi fechada com um aceno de varinha e, logo em seguida, um Abaffiato foi lançado.
— Uma proteção contra ruídos é sempre bem vinda.
— Vamos fazer barulho?
O loiro arqueou a sobrancelha em descrença. Que pergunta mais imbecil era aquela?
— Acha que eu te chamei aqui para o quê? Um piquenique?
— Nunca se sabe, você nunca faz a mesma coisa duas vezes.
O riso debochado preencheu o cômodo, às vezes, Potter era insuportavelmente inocente. Mas quando era atiçado virava um incêndio, queimando tudo à sua frente. Sem qualquer controle.
— Às vezes sua inocência me espanta, Leãozinho. Óbvio que vamos fazer barulho, ou acha que te chamei aqui apenas para dormir à luz das estrelas?
Harry ponderou por alguns minutos, não era uma ideia ruim, mas conhecendo o loiro, sabia que teria muita ação antes disso.
— Podemos dormir sob as estrelas?
— Nós sempre amamos um ao outro à luz das estrelas, Leãozinho, esta noite não será diferente.
Um brilhante e apaixonado sorriso brotou nos lábios de Potter, e Malfoy achou que era a oportunidade de colocar seu plano em prática. Com um leve empurrão, o moreno caiu sentado entre as almofadas no chão.
— Dray? O que vai fazer?
O loiro se ajoelha nervoso, encarando as orbes verdes com intensidade. Harry olha confuso, normalmente Draco se ajoelhava apenas para lhe pagar um boquete, e o olhar determinado e apaixonado do garoto não abria espaço para isso agora.
— Harry James Potter... Nos amar à luz das estrelas sempre foi nossa especialidade, e quando olho nos seus olhos vejo uma linda galáxia. Fui surpreendido por uma estrela cadente, que atingiu meu coração na primeira vez que te amei. Eu me apaixonei, confesso, lhe tornei a coisa mais brilhante da minha vida, a Cruzeiro do Sul da minha galáxia, o Sol do meu Sistema Solar.
Algumas luminárias de papel em formato de coração se acenderam, uma iluminação romântica foi criada em volta dos dois adolescentes. Os olhos verdes de Potter estavam marejados, e um sorriso repleto do mais puro amor adornava seus lábios.
— Oh, céus! Dray, está me deixando emocionado.
O loiro retirou a pequena caixinha de seu bolso. O lindo par de alianças de prata se destacava entre o veludo preto. E foi nesse momento que Harry começou a chorar.
— Leãozinho, aceita ser a estrela mais brilhante da constelação de minha vida?
— Claro que sim! Eu seria um louco se falasse não.
A mão trêmula de Malfoy colocou a aliança no dedo de Potter. E, mesmo chorando, o moreno sorriu e, assim que acomodou o fino anel no dedo esguio de seu recém adquirido namorado, o puxou para um beijo. A paixão e o desejo conduziam os lábios de ambos, as mãos cálidas de Harry acariciavam cada centímetro da pele do outro, sentindo a maciez da tez alheia. Suas línguas se enroscavam conforme o beijo se seguia, as respirações mescladas.
Draco interrompeu o beijo, ofegante, acariciando com seus longos dígitos a bochecha do moreno.
— Eu te amo, daqui até a Lua.
— Eu te amo além disso.
— Essa frase tem um significado a mais, Leãozinho. Sabe qual é?
Potter balança a cabeça negativamente, o olhar carinhoso nunca abandonando suas esmeraldas brilhantes.
— O coração bombeia 7570 litros de sangue por dia, o que é equivalente à quantidade de combustível necessário para percorrer a distância desde a Terra à Lua. Por isso quando te digo que te amo daqui até à Lua, estou a dizer que te amo a cada batida do meu coração.
— Você é muito brega às vezes, Malfoy.
As gargalhadas dos dois soaram, e em instantes, suas bocas se colaram novamente. Os lábios em uma dança sincronizada, repleta do mais puro amor e desejo. Mãos bobas passando pelos corpos e, em poucos instantes, Potter está seminu.
— Agora, vamos fazer um pouco de barulho, Leãozinho.
Os dedos esguios engancham na barra da fina cueca, a retirando e jogando para qualquer canto, a imagem provoca desejos incontroláveis em Malfoy. Ver o moreno sem roupas é um perigo.
— Pra quem queria apenas dormir está bem animado, Potter.
— Cale a boca, Malfoy. Apenas me ame sob a luz das estrelas.
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Boiolagem do especial aqui pra vocês!
Obrigado missugarpurple por betar essa one aqui.
Obrigado potterfoy pela capa.
E nos vemos em uma próxima Fic!
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