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A arborização disfarçava muitos dos animais indefesos que tentavam se esconder ao notar a aura lupina raivosa e poderosa, os coelhos-bravos enfiavam-se nas suas tocas cheirando aquele aroma de baunilha que se impregnava astutamente por cada copa dos pinheiros.

Sabes que é inevitável fugir de mim, certo? — o lobo começou, debochado. — Sinto o teu medo, a tua angústia. Consigo sentir tudo somente pela quantidade absurda desses feromônios velhos e repugnantes!

A mulher, escondida em meio aos arbustos, colocou as palmas sobre as mãos, fechando os olhos enjoada com o aroma significativo que trespassava os seus pulmões. De facto, Sohui sentiu uma pontada de medo, todavia não era um medo absurdo, afinal a não admitiria aquele ponto fraco em voz alta, permaneceria tudo nos seus fúteis pensamentos.

As garras batiam contra o terreno, o vento assoviava contra o pelo branco e o negrume da madrugada fazia com que as íris brilhantes roxas fossem notáveis a alguns quilómetros de distância.

Contudo, um ato involuntário alertou o pequeno ómega, o seu corpo, mais especificamente a jugular, começou a ferver e a dor alastrou-se pela região, impossibilitando a caminhada do lobo.

Argh!! — urrou de dor, encolhendo momentaneamente o seu corpo lupino. As íris mesclaram entre um roxo e vermelho, jeongin sentiu a dor horrível na sua pata que nem sequer estava ferida, sentiu o corpo fraquejar e uma tontura o atingir de abrupto, contudo era somente um efeito da marca que os ligava. Sentiu as pontadas de dor do ferimento do hwang, o seu ómega captou os uivos e rosnares fortes e bravos.

Desejou correr por entre o mato e recolher o seu alfa nos seus braços, jeongin desejou tal feito, mas ainda havia assuntos pendentes. Resolveu seguir os seus instintos, não queria respostas, queria atos, queria sangue e a morte de Sohui.

Respirou fundo e caminhou vagarosamente para trás, seguindo o cheiro enjoativo que se tornava mais presente devido ao facto de ser um lúpus.

Após uns três passos grandes, avistou uma clareira coberta pela escuridão. Alguns arbustos médios se situavam naquele espaço grande, com a sua visão lupina observou cada folha presente, observando atentamente a homogeneidade da vegetação, aos tons brilhantes e à textura das mesmas.

Até que por fim divisou um dos arbustos coberto por folhas sem linhas circundantes, ou as chamadas bordas. jeongin consequentemente estreitou os olhos e alcançou os cabelos castanhos-claros da mulher, visualizando então as orbes assustadas. E, infelizmente, tal imagem o atingiu.

jeongin recordou-se dos anos que passara encarcerado, sob vigilância vinte e quatro horas por dia, submetido a atos violentos e há desidratação, assim como passava fome por alguns dias devido a dietas rigorosas. A quantidade exorbitante de medicamentos que recebia, como, por exemplo, os supressores, acabou por influenciar na sua falta de cios por anos, na sua falta de expressividade e na falta de comunicação com o lobo interior.

Na sociedade o seu nome poderia ter desaparecido, uma vez que a sua própria mãe era a dona do leilão e tinha contactos para fazer desaparecer qualquer vestígio da sua existência. Diariamente a mesma rotina, alguns dias mudava, quando tinha insónias, por exemplo, ou quando os homens o buscavam para uma vistoria total.

Esses, sim, eram os piores dias ou noites.

Lembrava-se dos seus feromônios descontrolados devido ao medo, dos seus músculos tensos e do rosto banhado em lágrimas. Também se recordava da face malévola de cada um dos presentes que participaram nas vistorias, os rostos ficariam para sempre marcados na sua memória, mas não por um belo motivo...

Talvez tenha sido sorte, ou milagre, a vinda da máfia do Minho. Uma sorte que muitos não chegam a ter.

Usualmente, o tráfico de humanos, mais de ómegas, era recorrente do que qualquer outra classificação. Os betas, sendo considerados inúteis para a sociedade, eram vendidos como escravos. Já os ómegas eram vendidos como escravos sexuais, podendo morrer durante o transporte nos contentores, uma vez que eles ficavam fechados durante todo o transporte sem direito a comida ou água, ou até mesmo a fazer a sua higiene pessoal. Muitos morriam com doenças ou por desidratação, maioritariamente sendo crianças com mais de oito anos. Todavia, não eram desidratações leves ou moderadas e sim as mais graves, as de semanas sem ingerir algum líquido.

Sendo que a desidratação faz com que a concentração de sal no sangue diminua ou aumente anormalmente, e alterações na concentração de sal podem piorar os sintomas de desidratação e a letargia. Em casos graves, a criança pode ter convulsões ou entrar em coma, ou, até mesmo, sofrer danos cerebrais e morrer.

O que, desafortunadamente, acabava por acontecer.

— O-o que i-irás fazer, jeongin? Matar a própria mãe?

A voz da ómega sôfrega e lamentável ressoou pelo espaço escuro, acabando por atingir os tímpanos sensíveis do lobo. jeongin rosnou ao notar a falsidade que esvaia pela corrente sanguínea da mulher, apesar de ainda se encontrar numa situação delicada e há beira da morte, Sohui não deixava de arquitetar os seus planos e tentar fugir.

Achas que eu ia-te deixar fugir assim sem mais nem menos? A fingir uma voz trémula e medrosa? Que eu deixaria que fizesses a minha família sofrer? — jeongin indagou num tom calmo, observando o corpo de um metro e sessenta se erguer da vegetação. Sohui enxugou as lágrimas falsas e riu debochada, colocando uma expressão dolorosa ao sentir a pontada no ferimento malcuidado.

— É certo que me deixei guiar pela corrupção, deixei que ela me instruísse a um novo caminho. Permiti que a corrupção me consumisse por total. Já fiz demasiadas coisas terríveis na minha vida, e decerto que as tornarei a fazer.

Criaste a bloom para o quê exatamente? Comandar alfas?! — exasperou, confuso ao obter um sorriso de lado da mulher. Era assustador a bipolaridade de Sohui, a ómega libertava feromônios calmamente, agora, não deixando se mostrar medrosa perante o lobo.

— Ora! Pensei que estivesse evidente! Julgo que a novidade dos sentimentos deve ter-te proporcionado um frémito de prazer e liberdade, não? Mas, repara, posso dizer que esse delírio acabou, jeongin.

Não perguntei nada disso!! — o lúpus rosnou audível, não se deixando ser incomodado pelas pontadas de dor que o atingiam sem pudor.

— O meu objetivo era comandar o hwang hyunjin.

A frase da mulher era óbvia, esperada por qualquer indivíduo. Era claro as intenções que Sohui mantinha perante o seu alfa lúpus, queria o império que o hwang criou, tudo aquilo que ela sonhava hyunjin tinha, então, por que não o roubar?

E? O que aconteceria depois disso? Achas que alguém te obedeceria ali dentro mesmo após verem a decadência do líder deles?

— Nada que dinheiro não resolva, meu querido!

Vamos ver se esse dinheiro pode-te regenerar!

A visão periférica do ómega permitiu-lhe observar Sohui coberta pelo medo, encolhida nos arbustos ao ouvir as patas do ómega perfurarem cuidadosamente a terra e partir os galhos secos.

Embora o jogo psicológico fosse essencial para a vingança, era quase impossível de jeongin não sentir um desconforto e a raiva presentes no seu corpo. Queria retribuir tudo o que a ómega fez consigo, arrancar-lhe a glândula do cheiro lentamente até que Sohui perdesse os sentidos, e por fim, matá-la.

A ómega podia não ter um registo criminal visível, contudo era do conhecimento de todos os mafiosos certas ações que a Máfia do Norte tomava, assim como o transporte nada moderado de drogas.

yang tinha muitos sentimentos dentro de si. Cogitou que enlouqueceria. Porém, a mulher tossiu fortemente, arrancando a sua atenção.

A mão esguia repleta de sangue só afirmava uma coisa.

Sohui estava prestes a morrer.

O mais novo escondeu um rosnado alegre por tal coisa, todavia lembrou-se das palavras de felix, e, como óbvio, o ómega estava certo. Deveria retirar a vida de Sohui, e não deixar que a ómega morresse por causas naturais.

— Serás capaz de me matar?

jeongin, por um momento, sentiu a garganta travar juntamente ao aceleramento do seu coração. O corpo retesou, olhando o corpo amiúde se aproximar do lobo, ainda que com receio. O seu focinho foi tocado com intensidade, causando-lhe um arrepio súbito.

— Sei o que estás a pensar... Sei o que se passa nessa tua mente. E sei o que estás a tentar cometer. — Sohui o olhou mais séria, segredando tais palavras a centímetros do focinho alheio.

Estás tão crente na tua intuição? — O lobo rosnou ameaçador vendo a ómega assentir.

O aroma de baunilha que provinha do corpo lupino era abundante e com um toque de amargura, yang não recuou. Embora, assombrado com o seu passado, ele não podia simplesmente fugir e ignorar a situação atual, nem mesmo a do passado.

As vezes em que ficou acordado durante a noite por medo; os pesadelos recorrentes; as violências e abusos; e as drogas. Tudo aquilo ainda o assombrava, procurava-o durante as noites, deixando o pequeno lúpus em desespero, procurando abrigar-se nos braços da pessoa que o amava. A pessoa que procurou o recolher e ajudar com todo o seu ser.

hyunjin disponibilizou dos seus recursos sem medo, sem vergonha ou qualquer outro tipo negativo de emoção, pelo contrário, o amor fazia-se presente em cada mínimo ato.

Contudo, o alfa lúpus não poderia mascarar a sua dor, ou retirá-la de si, somente amenizar toda a situação, pois tudo precisava de ser sentido.

Quase me conseguiste enganar. — Soprou, sussurrando contra a cartilagem do pescoço da ómega. — Tens uma postura recatada e cheia de "poder", mas sei que escondes o medo atrás dessa máscara decadente. Nunca alguém te amou de verdade, foi por isso que escolheste seguir este caminho, para que, então, alguém lançasse um lampejo de orgulho na tua direção; para que alguém te escolhesse como primeira opção. Caíste na tentação e no escuro, tudo isso para quê? Para morreres no final?!

— Sabes que isso não irá acontecer, jeongin. Tu nem sequer conseguirás cravar uma das tuas garras em mim! O sangue que te corre nas veias é meu! Meu!! Achas mesmo que eu não sei da tua covardia?! — a mulher riu em escárnio, sentindo um arrepio ao que a respiração quente do lobo tocava a sua face. — Fui eu quem esteve encarregue dos teus tratamentos na casa de leilão, eu segui todos os teus passos até agora. Mantive-te sob o meu olhar, estavas nas minhas mãos, jeongin. Assim como o teu pai.

...

— E, eu mesma, farei questão de te vender para um dos maiores traficantes sexuais! Assim que tudo isto acabar! Eu irei prevalecer e acabar com esta máfia de merda!! Vocês todos irão ver! EU VOU PREVALECER!

"

— Ela estará ciente do jogo mental. Ela conhece-me, conhece os meus planos basicamente. — O alfa começou recolhendo a destra do ómega em direção aos seus fios ruivos.

— Então, o que faremos? — o pequeno ómega indagou, sorrindo grande ao acariciar os cabelos macios e recém-coloridos. — Quero dizer... Se ela sabe, como darei a volta?

— Fingindo. Acometendo certos atos que vão fazer ela pensar que realmente estás a usar o psicológico dela. Enquanto na realidade somente lhe estarás a retirar respostas e provocar o medo. Contudo, não pensará se a atacares durante esse jogo.

— Como?

— O que quero dizer é que se, durante a conversa, tu atacares... Com certeza ela será pega incauta. Não terá oportunidade de correr e fugir, tu serás mais rápido que isso.

— Mas isso não será mau para o filhote? — o menor colocou um bico nos lábios, referindo-se há troca de corpo humano para o lupino. — Ele não será prejudicado?

— Jamais oferecia argumentos e ações que pudessem ferir vocês os dois, meu amor. Pensei cuidadosamente, e vi que o teu lobo, na forma lupina, protege a barriga cuidadosamente e isso é só mais um ponto na ajuda de não o magoar, o saco amniótico também protege o filhote!

— E-eu não s-serei capaz... E-ela... — o ómega hesitou sentindo o cheiro amadeirado rodear o seu corpo de forma relaxante, hyunjin tentava o confortar, tanto que o envolveu nos seus braços naquela espaçosa cama, beijando os fios loiros com carinho.

— Ninguém é incapaz de algo. innie, todos contemos algo em nós. Seja vingança, ambição, dor... Um fogo ardente que queima o nosso âmago... A vingança não te faz menos que ela, ou pior, pelo contrário, estás a resolver o teu passado. Estás a vingar tudo o que aconteceu contigo. E estás no teu direito! Portanto, não penses com cuidado ou carinho, pois ela não pensará de tal forma para contigo.

"

O focinho branco, em questões de segundos, ficou manchado num vermelho vivo. A dentição forte e avantajada perfurava o membro inferior da mulher, a perna esquerda agora estava localizada na boca do lúpus, este que puxou a ómega sem nenhum pudor.

A filha da puta ainda sorria.

Mesmo em choque, Sohui sorria vitoriosa.

Como ela conseguia suportar a dor?

Como?!

jeongin mantinha os seus olhos fechados, ainda que mordesse forte a perna da mulher a ponto de quase arrancá-la do corpo dela, o que não fez. A garganta bloqueada impedia-o de respirar pelo monte de sentimentos que o prendiam. Aquilo o sufocava.

Não poderia deixar-se vencer por ser bondoso demais, por ser coração mole.

Não podia!

Concentra-te jeongin. — Repercutiu na sua mente, sentindo o sufoco melhorar há medida que o cheiro amadeirado transparecia pelo seu cheiro. Ambas as fragrâncias, o de baunilha e o amadeirado, estavam misturadas, porém, a do alfa lúpus, naquele momento, se sobressaia como forma para aliviar o pequeno lúpus.

—j-jeongin...

Os olhos roxos avaliaram a face da ómega, que ainda brilhava em júbilo e ironia. Sohui nunca perdeu aquele brilho, nem mesmo quando o corpo lupino a derrubou no solo com força, enfiando uma das suas garras no seu abdómen, onde rasgou o seu fígado sem dó.

O lúpus apreciou aquele vermelho vivo aclamativo, assemelhava-se há cor dos olhos lupinos de hyunjin. E se nunca mais voltasse a visualizar as íris mais queridas por si?

E se hyunjin não sobrevivesse?

Desculpa, jinnie, mas eu quero estar ao teu lado. — Pensou cerrando as pálpebras por breves minutos.

Lambeu o focinho e separou-se minimamente. O sangue não lhe assustou, ou causou-lhe ânsia de vómito, mesmo que a linha de sangue descesse pelos seus pelos brancos e pela língua redondinha e mole.

Alguma vez chegaste a amar-me? Ou sentiste pena da minha situação? Alguma vez sentiste culpa?

— C-claro que não. — A mulher proferiu com certeza, gaguejando devido ao sufoco que o líquido ferroso provocava-lhe no esófago.

jeongin abominou o riso estranho e irónico. Sentiu verdade, e, pela primeira vez, a compaixão esvaiu do seu corpo.

hyunjin tinha razão.

O ómega, porventura, dominou a raiva do seu corpo e a libertou de forma drástica. Permitiu que o seu interior degustasse do sabor da vingança, o sangue de Sohui... A sua morte.

A floresta estava extremamente silenciosa, retirando o barulho da carne do corpo. As lágrimas furtivas vermelhas que corriam pelas vestes da mulher eram a única coisa que indicava o seu sofrimento, a dor de perder gradualmente os sentidos e o poder de se sentir superior; Sohui perdia tudo lentamente, há medida que o seu corpo era esquartejado pelo lobo raivoso.

A rapidez com que tudo acontecera.

Por fim, mordeu a mulher inúmeras vezes, assegurando-se que o corpo pálido não continha mais nenhum requisito de vida em si. Os olhos abertos causaram-lhe alegria, Sohui perdeu, ela perdeu no próprio jogo.

Essas palavras já nada significam para mim. O meu único erro foi não ter acabado contigo mais cedo. — Proferiu contra o vento, sentindo-se estranhamente calmo. O vento dissipara as gotículas de lágrimas presentes nos seus globos oculares, secava o sangue nos pelos brancos como neve. Todavia, jeongin sentiu-se livre.

Finalmente, livre.

— Vamos, jeongin. — exclamou Bang Chan, acalentando os pelos brancos e deixando que um sorriso confortasse o pequeno ómega naquele momento. — O teu alfa precisa de ti.

— HYUNJIN, PARA!

felix gritou mais uma vez ao que o lobo resistia aos toques do médico e dos capangas. Tentavam, a todo o custo, levantar o corpo do lobo para a cama coberta por lençóis finos do quarto do hwang, contudo o lobo dava luta, rosnava altivo e ameaçava morder Jackson.

— Ele está a perder forças, e se continuar assim é pior! — o médico alertou, retirando da maleta um fraco de álcool, material médico — como pinças e tesouras —, gazes e poucas mais coisas. Colocou um par de luvas brancas olhando a situação atual do ferimento por facada perto da pélvis do lobo.

— Não o podemos fazer voltar há forma humana?! — minho indagou segurando o focinho do lobo com cuidado e destreza. As íris em vermelho sangue, apesar de se encontrarem cansadas, não paravam de rodear o cómodo, o lobo gania e rosnava, hyunjin implorava pelo seu ómega lúpus.

— Não! Ele morreria caso o induzíssemos há forma humana! Os ferimentos das facadas encontram-se na pélvis do lobo, porém no corpo humano ele pode ter perfurado o intestino ou até pior. Há algumas vítimas de perfuração por arma branca que quando recebem o ferimento no abdómen, acaba por causar uma rutura no seu tecido abdominal, que pode perfurar os intestinos, e isso levaria a mais complicações como infeções e hemorragias. Portanto, precisamos de o tratar na sua forma de lobo, caso contrário o ele não terá hipóteses de vida!

— Só por isso...? Porra! — um dos capangas foi quem tomou a fala, este segurava a parte inferior do corpo do lobo, com um olhar triste e magoado na direção do médico.

O respeito e tristeza estava presente em todos os seres presentes no quarto. Idolatravam o mafioso, honravam a sua vida e apreciavam dos pequenos momentos que tinham com o seu chefe. hwang era respeitoso, um bom líder, era astuto e justo...

Agora, vendo as forças do alfa lúpus se esvaírem gradualmente, os rosnares baixos cessarem, e a respiração afoita, era o cúmulo para os capangas. felix mantinha um semblante desgostoso, tentando reprimir as lágrimas teimosas que queriam sair dos seus globos oculares.

Jackson poderia fazer tudo o que estava ao seu alcance, contudo o processo de recuperação estava nas mãos do lobo.

— Não posso introduzir anestesia. Ele poderá ter reações violentas, segurem-no com todas as forças, por favor! — indicou posicionando o corpo para que, caso acontecesse, não levasse uma patada do lobo negro e acabasse por o ferir ainda mais. — Vou começar!

O médico limpou o suor repentino no canto da sua testa, após tal ação desinfetou o local do pelo, limpando os requisitos com uma gaze apropriada. Buscou a pinça e, antes do delito, olhou para cima em busca dos olhos de jisung.

— jisung, conheces a Escala de coma de Glasgow, certo?

— S-sim.

— Irei ter que identificar se houve lesões de tecido nervoso, pode o-ocorrer c-complicações... — o Wang engoliu em seco ao notar que o aroma amadeirado se esvaia, deixando de ficar menos presente no quarto. — Ele é um lúpus, contudo o seu lobo continua concentrado em selar a marca para que o ómega não sinta dor, poderá ser difícil, mas comecemos de uma vez!

ARGH!!

O rosnado baixo foi ouvido.

A pinça gelada adentrou a pele quente, fazendo com que o sangue jorrasse gradualmente nos pelos negros. Jackson pediu para aproximarem mais luz, e, Mark, que instalava uns dispositivos dos batimentos cardíacos e um ventilador e respirador pulmonar, rapidamente se aproximou com o foco portátil cirúrgico, passando-o a Changbin, que se disponibilizou a tal.

— Preciso de um afastador de farabeuf.

— Aqui. — Mark passou o instrumento, vendo a sua mão trémula ir de encontro há do namorado.

— Houve uma pequena rutura, posso dar pontos, porém...

ARGH!! PAREM!!

felix não se deixou desestabilizar pela voz de lúpus, somente fechou as pálpebras por meros segundos e visualizou o semblante sério e concentrado do médico da máfia. Estavam todos assustados, com medo e receio presentes nas veias, porém a esperança era a que falava mais alto.

Afinal, hyunjin não poderia morrer.

— jisung?! — o som dos apitos da máquina dos batimentos cardíacos começou a ressoar pelo cómodo, assustando não só o médico assim como o pequeno ómega lúpus que adentrava o espaço totalmente eufórico.

— Ei, hwang! hyunjin! — tentou chamar o lobo, percebendo que as íris estavam foscas e os batimentos caíam lentamente. — Abertura ocular ao estímulo sonoro. Nenhuma resposta verbal.

— Merda!! Ele não responde aos estímulos! — aprontou-se em dizer ao que a derme do alfa não se mexia, nem mesmo se espetasse a pinça na pele deste.

— U-um trauma grave...

— O que se passa? Jinnie?! — a abundância de feromônios de baunilha deixava que o corpo de Hyunjin relaxasse, como consequência o lobo concentrava-se no ómega. Mark, prevendo a situação, agarrou os braços do ómega prendendo-o em si. — Y-YA!

Bang Chan, apercebendo-se da situação, aproximou-se do seu ómega, beijando-lhe o topo da testa e pedindo silenciosamente que este fosse ajudar o pequeno ómega lúpus.

Todavia, não houve nem tempo de reação para a máquina começar a apitar como doida, avisando que os batimentos descaíam agora com rapidez, e lentamente a respiração do alfa engatou e as pálpebras fecharam-se.

— JACKSON!!

— Y-YA!

— MERDA! CPR!

O médico deslocou o corpo do lúpus. Estendeu o focinho para trás, criando assim uma via aérea. Os gritos acabaram por criar uma chuva de lágrimas nas suas oculares, a visão desfocou, porém, o médico continuou.

Abriu a mandíbula e verificou que este não continha nenhuma obstrução. Acomodou as suas mãos ao redor do cano da boca do lúpus para as narinas ficarem livres, e soprou cinco respirações longas, com uma a cada três segundos, por exatamente três minutos, até que chamou Mark e este o substituiu.

— SEM PULSO!! — jisung gritou, deixando que a sua voz se se sobressai aos gritos dos demais. — TIREM O JEONGIN DAQUI! RÁPIDO!!

Jackson sentiu um puxão rápido da parte do yang.

— P-por favor, hyung!! Salva o jinnie!! — afirmou com angústia, deixando-se ser levado por felix

Jackson colocou ambas as mãos, sobrepostas, para baixo sobre a cavidade torácica, realizando trinta compressões seguidas por duas respirações de ar pela parte de Mark. Em exatamente dez minutos os médicos não cessaram, mesmo que as esperanças diminuíssem pouco a pouco.

— VAMOS, SEU IDIOTA! ACORDA! — gritou grave. — MERDA!

— J-jack... ELE ESTÁ A RESPIRAR!

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