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Amar.
Para amar é preciso ter coragem. É preciso não ter medo das consequências do amor. É importante saber controlar os sentimentos. É necessário se comportar e saber das suas limitações.
Para amar é necessário se conhecer. Descobrir novos segredos, desejos e ambições do parceiro escolhido. Desejar as suas perfeições e imperfeições. Conhecer cada aspeto que torna o parceiro escolhido diferente de todos os outros, amar as suas belas e imperfeitas características, é necessário o diálogo, as carícias e, o mais importante, construir a confiança.
Os que creem ser completos sozinhos, ou querem ser, não sabem amar. E, às vezes, o constatam dolorosamente. Amar verdadeiramente alguém é acreditar que ao amá-lo, se alcançará uma verdade sobre si mesmo.
Nenhuma relação amorosa permanece saudável sem a sua importante base. A confiança é construída e moldada pouco a pouco, conforme o ritmo e sentimentos dos indivíduos.
Jeongin e Hyunjin não eram diferentes.
Os dois lúpus estavam sentados lado a lado. Encaravam-se de segundo a segundo, ansiosos pelas respostas vindas do ex-médico legista. Jeongin, ainda confuso, tentava acompanhar as informações ao máximo que podia, não questionando nada ou sequer olhando o homem alfa nojento.
— Isso já sabemos. — respondeu Hyunjin azedo e aborrecido pelas fúteis informações que o alfa passava ardilosamente. Olhando para os seus lados, Kyung engoliu em seco ao ver Christopher ali parado com um riftle em mãos, pronto para ser usado caso as circunstâncias do espaço médio mudem.
— Conheceu o Yang Duri?
— O que o meu pai tem a ver com isto? — questionou Jeongin num sussurro na direção de Hyunjin, obtendo em troca um olhar nada explicativo e nervoso. Bang sacudiu a cabeça em negação ao observar as atitudes do casal, principalmente da falta de comunicação da parte do mafioso. — Bang? Hwang?!
O seu olhar recaiu sobre o rosto perfeitamente desenhado, e mais uma vez interrogou-se sobre o que o conteúdo da conversa tinha a ver com o seu progenitor. O pequeno grupo presente composto por San, Wooyoung, Felix, Bang Chan e Hyunjin, não contando com a presença do ex-médico, observaram Jeongin bufar altivo e sair pela porta raivoso. Todavia, Hyunjin reprimiu os lábios querendo apressar a conversa e chegar aos detalhes o mais rápido possível.
— Continuando, responda há pergunta anterior. Conhece Yang Duri?! — indagou desta vez mais alto apontando para uma foto estendida por Seungmin. Park Kyung analisou minuciosamente a foto, as suas mãos moveram-se para cima das suas coxas, onde, inquietamente, remexeu-as entrelaçando os dedos e piscando os olhos diversas vezes. Por fim, engoliu em seco e olhou Hyunjin com uma expressão nervosa, num empecilho.
— Porquê?
— Quem faz as perguntas aqui, não és tu, e sim nós! Porque ficas tão nervoso? — ergueu o cenho colocando os ombros em cima da mesa de vidro, apoiando a sua cabeça nos dedos e olhando seriamente o homem gargalhar negando. O homem, então, levantou-se ameaçando andar até Hyunjin, logo parou ao que Chris apontou o riftle na sua direção pronto para apertar o gatilho.
— Oh... — levantou as mãos em sinal de rendição, mas não recuou as suas ações. Hwang continuou sentado, sem requisitos de medo ou alterações emocionais dos movimentos do alfa, o mafioso somente permitiu que o velho continuasse o que iria dizer. — A droga Bloom, acredito que saibas da sua criadora?
— Kim Liz. — respondeu Felix, ao que o velho Park franzia o cenho pela calmaria do jovem alfa lúpus e há verdade que o ómega Lee transmitia. — Somente tu sabes? — Hyunjin observou a expressão calma e o tom sardónico era nítido.
— Depende do que irá afirmar, não posso concluir algo sem saber a pergunta, certo? — respondeu ávido e seco, não se importando com os semblantes questionadores dos amigos ao seu redor. — Felix, verifica se o Yang está bem! Por favor.
Felix olhou o mafioso, transmitindo a mensagem indireta de que teria assuntos a falar depois, mais profundamente o que o Park dizia. Hyunjin analisou a expressão sarcástica e convincente de Kyung, o homem exalava tudo menos superioridade.
Kyung era um homem alfa asqueroso e cafajeste, o típico ser que pensava em que a hierarquia se resumia em alfas como seres superiores, betas os seus criados, e ómegas escravos sexuais, por assim dizer. Demonstrava o seu nervosismo sem esconder, ou pelo menos tentava, sem se aperceber que o alfa lúpus era cuidadoso e extremamente hábil em ler linguagem corporal.
Yang Sohui e Park Kyung tinham ligações, não parentescos ou sanguíneas, mas sim relações monetárias.
O ex-médico legista não era bastante conhecido, porém era habilidoso na sua área, tinha conhecimentos ardilosos e amplos. Trabalhava numa clínica legista longe do centro da cidade, por isso não haveria muitos casos para a clínica, até que alguém a meio da noite invadiu o espaço totalmente desesperado.
Minjun, alfa líder do Norte, junto a Yang Sohui invadiram o local sem pensar nas suas consequências, ou se aperceberem de que o médico ainda trabalhava nos poucos casos que obtinha. Retirando de uma arma de porte médio do seu coldre do abdómen, Jeong Minjun então colocou o homem desconhecido contra a parede, as presas de fora e o olhar ameaçador, fizeram com que Kyung confirmasse com tudo o que os dois mafiosos diziam. Até mesmo aceitou o dinheiro e o caso que teria que falsificar.
Assim, Yang Sohui saiu impune e inocente do caso, levando o seu marido, Yang Duri, a uma profunda tristeza. Todavia, quem acreditaria nas palavras do alfa lúpus? Quem acreditaria que ele era a vítima por trás de todos os esquemas da sua ómega?
Quem diria que o homem à frente de Hyunjin era apenas uma pequena parcela do que Yang Sohui já havia cometido?
Hwang travou o maxilar, levantou-se e caminhou até ao homem que o superestimava. Agarrou o colarinho da camisola social e escrutinou o semblante sarcástico pouco evidente na face do alfa.
— Se continuar com essas falas mansas, com essas histórias e memórias de merda, serei obrigado a contar os poucos minutos que lhe resta até que o meu lobo se apodere do meu corpo, e o desfaça em pedaços, alfa!
— Senhor Hwang, jovem, tu já tens tudo nas mãos, desperdiças tempo.
A arma destravada de Bang fez um barulho alto, anunciando que o alfa a havia travado novamente. A presença do alfa atrás de si, fez com que todos ao redor do mafioso se distrai cem momentaneamente. Um beta por volta dos seus 30 anos, pele clara, algumas cicatrizes pelo rosto, nariz pequeno e com terríveis olheiras fez com que Chris e os amigos o olhassem sérios.
— É bom dizeres alfa! — sussurrou Hyunjin no lóbulo de Kyung, assustando-o pelo seu timbre poderoso e sério. — Agora.
— Liberta a Kim Liz, e eu digo o que mais anseias!
Hyunjin brincou com a língua na bochecha, criando um relevo nesta assim que entendeu o plano discreto que o alfa tentava seguir na sua mente. As gotículas de suor escorriam pela face de Kyung, obrigando o homem vez ou outra limpá-las cinicamente. O cheiro de limão não era muito presente, todavia os vestígios que este deixava era de real nervosismos e medo.
— Feito. Falarei com o meu pai, não me atrapalhem!
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Certamente, Hyunjin estava estranho, o semblante calmo, não inalando nenhum problema ou contrarreação, deixava os amigos furiosos juntamente aos seus homens.
— Por que caralhos irias soltar a alfa que demorou para a capturarmos?! — questionou Felix sem humor, ao seu lado Jeongin estava atónito a todo o seu redor, remexia os seus dedos em cima da mesa. Porém, tomava atenção há reunião, há qual Hyunjin achou que o pequeno ómega deveria estar.
A visão periférica do ómega lúpus permitiu-lhe ver o mafioso lúpus, este que olhava para si. Jeongin sequer olhou o alfa desde que estavam no jardim dos fundos do galpão central. Todos os capangas estavam reunidos ali, ou seja, Hyunjin iriam preparar uma missão importante.
— Chefe, sem querer parecer desleal a si, aos meus companheiros e ao seu ómega, mas não seria injusto? Digo, uma vez que tomámos tanto cuidado relativamente às drogas e aos sequestros nada vagos do senhor Jeongin, acredito que isto seja mais uma emboscada para o capturarem!
San concordou com o alfa, recebendo um pequeno beliscão de Felix ao seu lado.
— Desgraçado... — reclamou Choi mentalmente, revirando os olhos para a atitude infantil de Lee. Wooyoung apenas negou e suspirou.
— Isto tudo, seria para procurar o meu pai?
Em meio aos resmungos dos capangas, os discursos dirigidos a Hyunjin cessaram ao que Yang levantou a sua cabeça dirigindo o olhar ávido ao Lee. Era impossível o alfa não sentir o desconforto pela pergunta seca e o semblante pálido e sério, embora fosse essencial para o plano.
— Acho que não deveríamos arriscar tantas perdas para simplesmente ir procurar um homem que julgam estar vivo...
O alfa sequer teve oportunidade de acabar a sua frase, assim que San o empurrou possesso. Assustado, o alfa deu passos retrógrados, se afastando de Choi, que o olhava predadoramente junto a um Hwang totalmente raivoso.
— Para trás, Choi. — ordenou passando pelo alfa, olhando-o com orgulho por defender o seu ómega. Hwang deixou a sua arma sobre a mesa e caminhou até ao alfa desafiadoramente. — Desde o teu treino e a aprovação para entrares para a máfia, percebi que estás louco para tentar algo, e agora sem armas, podemos finalmente realizar o teu desejo. — proferiu levantando os braços há altura dos ombros, vendo que o alfa sorriu despejando os seus feromônios enjoativos ao redor daquela área.
— Confesso que é verdade, o senhor Hwang não errou nessa parte. — concordou e riu em diversão retirando o casaco de pele que cobria o seu corpo másculo. Os lumes escuros do líder miraram Yang, o ómega continha uma expressão preocupada apesar de estar raivoso pelas ações de Hwang, ainda se mantinha preocupado pela futura luta que estava prestes a acontecer.
Sem medos, o alfa que se rebelou avançou contra o líder, este desviou do ataque mal comandado e previu as próximas ações do homem. Executou um cruzado na lateral do rosto do alfa, vendo este cambalear para trás por poucos segundos, demonstrando a sua irritação pelo golpe perfeito.
Para a execução de um cruzado perfeito, é preciso ter uma boa base e flexionar as pernas, porque essa impulsão será fundamental no fim do movimento. Deve ser feita uma rotação de ombro e quadril, no qual a força não é efetuada para a frente, mas sim para o lado.
O alfa correu na sua direção, desviando do gancho que o lúpus iria desferir, acertou-lhe com a perna direita nas costas, o que fez Hyunjin gemer baixo pela força. Porém, isso não o abalou. Nem mesmo o soco no centro do seu nariz.
Hwang sorriu e os olhos do alfa tornaram-se num vermelho vivo ao sentir o líquido tanto conhecido por si escorrer pelo nariz. Limpou a área rapidamente e assobiou para o alfa, chamando-o com os dedos.
O inimigo não demorou a responder ao chamado. Um uppercut, um golpe executado de baixo para cima, atingiu o queixo de Hwang. O lúpus somente sorriu pela pequena dor que se apossou da parte inferior do maxilar.
— HYUNJIN!
O seu objetivo era deixar o alfa ter a irreal ideia de que ganhava, e então golpeá-lo fortemente, abatendo-o em seguida. Todavia, o homem, cujo nome nem se deu ao trabalho de proferir, chegou perto do seu lóbulo lambendo os lábios, risonho.
— Em seguida, irei fazer o pequeno ómegazinho, meu... — sussurrou, dando oportunidade aos lúpus de ouvirem a sua sentença. Jeongin estremeceu recebendo um olhar rápido de Hwang.
Hwang esquivou-se ao ataque rápido e pensado do alfa, entrelaçou os seus braços nas pernas do alfa e girou o corpo, deixando que o corpo pesado do inimigo embatesse no chão fortemente.
O lobo enfurecido tomou conta do corpo humano, em questões de segundos a presença lupina negra estava por cima do alfa abocanhando o braço direito que o alfa fez questão de apontar para Jeongin.
O grito fino pôde ser ouvido junto a rosnares orgulhosos dos capangas para Hyunjin, a festa que os homens fizeram assustou Jeongin, que ao olhar o ser lupino percebeu o sangue que se espalhava na relva bem aparada e pouco rodeada por flores.
Ouviu-se um grito e o som alto de ossos a serem partidos, e carne a ser rasgada. O grito foi tão terrível que Yang sincronizou com o alfa inimigo sendo recebido pelos braços de Felix e San, que o apertaram forte num abraço conjunto. O homem gemeu abafado e o som horripilante de alguém a sufocar no seu próprio sangue espalhou-se pelo imenso jardim rodeado por grades.
O lobo de pelos negros rosnou altivo transmitindo vanglória e exalando poder. Porém, ainda precisava de derramar mais sangue para obter a sua vingança, foi no exato momento em que os lumes escarlates acompanharam o corpo de Choi San abraçar o seu ómega. O seu ómega...
Rosnou alto chamando a atenção de todos pelo timbre diferente.
— Chefe... — murmurou Wooyoung localizando o alvo de Hwang. As patas enormes pisaram contra o relvado, dando espaço às suas garras e a marca destas. — Chefe!!
— Saí da minha frente, Jung! — rosnou abrindo a boca e mostrando as presas avantajadas e perigosamente avançou mais alguns passos, sendo impedido pelo corpo pequeno do ómega lúpus loiro, que puxou o seu pelo com certa força.
Todos, exceto Hyunjin, taparam as vias respiratórias por breves momentos. O cheiro adocicado transbordou em abundância ao longo do jardim, acalmando o alfa lúpus que o observou, agora, calmo.
— Está tudo bem, lobinho. Vamos, segue-me... Lobinho, vamos!
Saindo de perto dos homens, Jeongin levou o lobo a passos calmos para uma parte afastada do jardim. Uma brisa que se levantava fazia chocalhar algumas das árvores e o corpo descoberto por grandes camadas de roupa tremelicasse mediante o frio. As luzes de candeias iluminavam o espaço noturno, não deixando nenhum dos lúpus às completas escuras.
— Hyunjin, não sejas imprudente, por favor. Retoma ao corpo humano, precisamos de conversar. — começou sentando-se no relvado frio, sendo seguido pelo lobo, este colocou o seu focinho no colo do pequeno ómega, realizando um olhar fofinho e lambendo as mãozinhas do namorado.
— Estás com medo?
— Era suposto? — interrogou com humor, suspirando altivo. Os pelos macios eram acariciados pelas mãos quentes, fazendo Hwang fechar os olhos pelas carícias.
— Não. Desculpa, meu amor. Prometi contar-te tudo, não esconder nada, e acabei por fazer o mesmo que disse não fazer...
— Há motivos para isso, Jinnie?
— A tua segurança, a tua saúde mental e física? Talvez? Não iria dizer uma mentira dessas, sei que o que passaste foi deveras traumatizante, e agora descobrires que os teus pais estão vivos, e a tua mãe é a má da históri... — Jeongin esbugalhou os olhos e a sua respiração fresou subitamente, parou as carícias e levantou o focinho negro fazendo os olhos escarlates dirigirem-se até si espantado.
— Espera, espera! Os meus pais? Ambos?! Hyunjin!! — alterou-se sentindo o seu corpo tremelicar. O corpo lupino saiu do colo do mais novo, Hwang colocou-se em frente ao loiro, observando nervosamente as lágrimas escorrerem pelo rosto do loiro e o medo invadir a sua marca.
— Innie, meu amor! Por Deus, eu sabia que terias essa reação! Por isso escondi esse facto!
— O m-meu p-pai... — gaguejou encolhendo-se contra o corpo lupino. Hyunjin recebeu-o carinhosamente, lambendo as bochechas coradas do pequeno.
— Sim, meu amor, ele está vivo. Irei trazê-lo de volta, prometo! — proferiu, sentindo o corpo abaixo de si mais leve e as mãos caírem ao lado do seu corpo. — jeongin. Ei! Amor?
— Ele pediu para cuidar dela, mas e-ele... Está vivo... — repetiu sentindo algo travessar do seu nariz ao passo que a sua mente escurecia, dando lugar ao vago pensamento de que talvez iria ficar inconsciente. Hyunjin então encostou o seu focinho ao corpo e foi quando sentiu o seu lobo eufórico sem razão aparente, manteve o corpo lupino agarrado ao ómega e desceu o seu focinho pelo peito até à cintura fina, onde arregalou os olhos escarlates e uma fina lágrima escorreu pelo canto dos olhos do lobo.
Hyunjin conseguiu captar o som do pequeno coração bater devagar e pouco audível ao longe, e se não fosse lúpus talvez sequer o ouvisse. Todavia, aquilo não importava no momento.
— Innie, estás grávido!
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