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Yang Sohui era o tipo de ómega completamente fora dos padrões da sociedade. Quem diria que a ómega de aparência jovem, inocente e bondosa estaria envolvida com esquemas da máfia? Redes de tráfico, drogas, abusos, homicídios, corrupção, tráfico de informações, e a lista só ia aumentando há medida que a ómega ganhava reconhecimento entre as máfias.

Todavia, ao conceber o seu primeiro filho, as máfias começaram a ficar receosos em usar a ómega como isca a troco de informações, ou até mesmo de trabalhar com Sohui. O sentimento de raiva condenou o seu futuro bebé, o pequeno alfa que viveu entre uma combustão de emoções, por um lado tinha o seu pai, o homem tentava a todo o custo trazer-lhe cada pedaço de felicidade que uma criança deveria ter, por outro, a sua progenitora nada carinhosa, transmitia repulsa ao olhar nos olhos do pequeno ser fofo.

No dia bastante nublado, Yang Duri gargalhava contente pelos feitos do pequeno alfa, cujo nome era Yang Kun. O pequeno Kun sujava as suas roupas e rosto com a sopa recheada de nutrientes que o alfa lhe tentava alimentar, porém sempre acabava por brincar com o pequeno, levando há sua total sujeira.

— Kun, precisas de um bom banho, meu amor! — riu o alfa lúpus, mantendo um enorme sorriso em face.

Os dois tinham momentos inesquecíveis juntos, somente os dois naquela casa enquanto Sohui saia por semanas, por vezes dias, porém deixando tempo para os dois poderem conviver alegremente sem a presença da ómega.

Fazia exatamente três dias desde que a ómega não parou em casa sequer um minuto, Duri pensou que a mesma possivelmente estava fora do país, a planear novos contrabandos, novos esquemas para roubar ilicitamente o governo e o povo, todavia não cogitou que a mulher pensasse em como assassinar o próprio filho, mesmo tendo depressão pós-parto.

— A-appa... — gargalhou o bebé, incitando um sorriso brilhante no alfa.

— Isso, meu anjo, appa. Appa! — orgulhoso pela primeira tentativa de fala do menor, yang selou a testa do pequeno alfa, transmitindo toda a sua alegria naquele precioso momento. — Hei de te amar sempre, meu pequeno ser!

— A... Appa!!

— Sim, meu pequeno Kun, appa!! Eu amo-te!

Jamais pensando que estaria a ser observado, Duri pousou tranquilamente Kun na caminha, pretendendo-lhe retirar as roupas para banhar o menor, sequer dando importância aos cheiros ao seu redor.

Yang Sohui observava aquela cena, ao seu ver repugnante, ciumentamente. O ciúme corroía o seu coração, os punhos cerrados exclamavam para ela os lançar em direção ao pequeno alfinha, matá-lo seria uma das opções. Contudo, não permitiu que a sua loba se apoderasse do seu corpo, era cedo demais para acabar com toda aquela alegria, com todos os seus esquemas. Yang Sohui esperaria o certo momento para atirar as suas garras ao pescoço do pequeno bebé de face inocente, e quando o fizesse não retrocederia com as suas ações.

Colocaria o pequeno corpo em ácido, e visualizaria a face inocente queimar pelo líquido, assim como os gritos angustiados do alfa, escutaria o choro altivo do seu marido, e gloriosamente sorriria com as suas ações.

Yang Sohui sempre ganha. Em qualquer jogo da vida, ela tinha as cartas na mão, e não teria medo em lançá-las no tabuleiro.

No céu, o sol era casto, as nuvens assolavam a grande paisagem diurna criando assim um céu nublado e sem vida, as gotas de água vinham em pequena quantidade, as árvores moviam-se fortemente segundo o vento.

Jeongin observava calmamente o jardim da mansão pela janela, uma vez que o frio assolava e parecia abrir uma disputa com o sol. Atrás de si, Hyunjin sorria pequeno desfrutando do cheiro doce que entrava numa pequena abundância pelas suas narinas, os cabelos loiros levemente descabelados, e a expressão serena acalmava os sentidos de Hwang, mantinha-o em êxtase.

Relembrando as noites anteriores, o alfa abaixou a cabeça, não reprimindo o sorriso grandioso que se apoderou da sua face. Com o copo de café em mãos, Hyunjin aproximou-se do ómega e gentilmente selou os seus fios loiros, vendo o rosto corado olhar na sua direção.

— Jinnie. — saudou calmo, reprimindo um riso ao avistar o quanto o alfa era viciado em cafeína. Observou o ruivo sentar-se ao seu lado e também apreciar a paisagem nublada, porém logo sentiu o cheiro amadeirado ficar mais forte, e pela marca a junção de ansiedade junto a alegria percorreu pelas suas veias. Jeongin olhou o pescoço alheio, visualizando a marca das suas presas ali feita, ficou admirado, todavia logo suspirou. — O que se passa? É ela?

- Meu amor, tu já sonhaste ou as tuas memórias retornaram quando eu te contei a verdade? Que Sohui é que é a sombra de todo o mal que ocorreu no teu passado.

— Não... Tenho a sensação de que apenas visualizarei tudo novamente, conforme as vossas informações, quando falar diretamente com ela, porquê?

— Gostarias de ver o teu pai novamente? — Jeongin reteve-se no seu lugar, os olhinhos esbugalhados na direção de Hyunjin fizeram com que o alfa, pela primeira vez, engolisse em seco e sentisse um bolo na sua garganta, impedindo-lhe de continuar com as suas palavras.

— Talvez... Durante toda a minha vida, acreditei que foi ele o culpado de tudo, e se estiverem mesmo certos, e ele for a pessoa que zelou pela minha vida, pela minha felicidade, e pela minha infância, eu gostaria de ter mais momentos com ele. E pedir desculpas... — sussurrou a última frase sentindo o aperto de Hyunjin em volta de si. Hwang sentiu a culpa ressoar nas suas palavras, e Jeongin permitiu-se sorrir tristemente relembrando dos momentos enganosos que teve com a sua progenitora, a sua mente enganou-o, todo aquele tempo era o seu pai o bom da história, todos os insultos que dirigiu a ele durante anos fez o menor se sentir culpado.

Talvez, se tivesse diferido, se toda aquela história não tivesse ocorrido daquela maneira, ele não conheceria Hyunjin ou qualquer um dos seus amigos. E não se deixaria ilusionar pelo pensamento de que o seu pai era o vilão. Ou foi o destino que quis assim?

— Innie, o... — interpelando a sua fala, o som ensurdecedor do telemóvel e o nome do seu subordinado a brilhar na tela fez Hyunjin rosnar baixo e respirar fundo atendendo a ligação. — Jung.

— Chefe, daqui a poucos minutos chego com o Choi, tenho novas informações! — afirmou sério. Hwang logo levantou-se a contragosto, confirmando com Wooyoung a sua vinda. Seguidamente, desligou a chamada olhando o pequeno ómega ainda no sofá com os olhos focados em si.

— Quem vem aí?

— Lembraste do Choi San? — Yang assentiu. — Ele vem aí junto a Wooyoung, um subordinado fiel!

— Oh...

Hyunjin sorriu levemente acolhendo o menor nos seus braços. A blusa branca deixava possível se avistar os chupões e a marca no pescoço do ómega, Hwang sequer fez questão de lhe dizer sobre, adorava aquela imagem não tão inocente. Desfrutaria, pois, de um verdadeiro prazer a observá-lo. Jeongin, sentindo-se vigiado, envergonhado, olhou o rosto perfeitamente desenhado do alfa, as suas orbes castanhas-escuras estavam em si, o nariz inspirava uma boa quantidade de ar, os lábios entreabertos e desejáveis chamavam por si, e então, sem esperar, juntou ambas as bocas num beijo carente e doce. Contudo, quando as mãos pequenas iriam caminhar por entre os fios ruivos, e as mãos lotadas de veias desciam por entre a cintura fina de tez leitosa, a campainha soou pelo cómodo.

— Porra!! — rosnou Hyunjin revirando os olhos impacientemente. — Merda, Jung!

— Jinnie! — resmungou gargalhando pela súbita raiva do alfa lúpus. — Não se diz palavrões! — repreendeu fazendo o lúpus arquear a sobrancelha.

— Ah, pois bem, senhor Jeongin, que boca mais suja que tiveste estes últimos dias, não é? Acho que deveríamos limpá-la. — lançou provocativamente, avistando o semblante do ómega enrubescer timidamente.

Interrompendo o momento mais uma vez, a campainha soou. Do lado de fora, Wooyoung mantinha-se sério, revirando os olhos pelas falas mansas do alfa ao seu lado. O beta arqueou a sobrancelha e disfarçou o sorriso malicioso ao sentir as mãos do alfa na sua cintura, olhou fervorosamente para o mesmo e sentiu a sua pele arrepiar pelo toque na sua tez morena.

— Retira as mãos daí, antes que fiques sem elas!! — resmungou entre dentes. — Choi!

— Oras, amorzinho, ficas 'sexy' irritado! — fez um bico recolhendo as suas mãos, com um semblante divertido, San inclinou-se na direção do rosto de Jung fazendo um contacto visual gritante. — Não mintas, Jung, também sentes atração quando eu te toco, ou quando digo palavras perversas, quando digo que te quero na minha cama mais que t...

— Cala a merda da tua boca! — advertiu com o maxilar trincado.

— É apenas o que tu sabes dizer perante todas as minhas ações. Wooyoung, sentes-te desconfortável em admitir isso? Que tens a mesma...

Um soco na boca do estômago fez com que San ficasse sem ar momentaneamente, abaixou o rosto e mordeu o lábio sem soltar nenhum gemido doloroso. Desiludido e chateado, San virou o seu corpo para a porta, sem olhar uma única vez para a face do beta, tocou novamente na campainha, agora, insatisfeito pela demora.

Wooyoung sentiu o remorso apoderar o seu corpo assim que viu a postura que Choi tomou após o breve e doloroso soco. Todavia, não gostou das palavras de Choi, não queria admitir a atração que sentia pelo alfa, não se sentia preparado e estava completamente confuso.

— Jung! — salvando a atmosfera tensa, Hyunjin abriu a porta da mansão, focando o seu olhar no Choi, que ao seu ver, parecia sério demasiado, mais do que as outras vezes que o vira. — Choi. Entrem!

Abrindo espaço para os dois, Hyunjin observou a espera de San para o seu subordinado passar primeiro. Levantou o cenho e logo riu mentalmente.

— O Jeongin está na sala, vamos! — direcionando os dois há sala, Hyunjin manteve o seu olhar no Choi, este que repentinamente pareceu mais quieto.

— San!! — chamou o pequeno ómega com um sorriso grande, sem medir as suas ações ou visualizar mais algum ser ali, Jeongin abraçou apertado o alfa com cheirinho de cacau, os braços musculosos também o apertaram em respeito.

Wooyoung desfocou a sua visão daquele ato, o sorriso que San atirou para Yang, e o abraço que pareceu caloroso, coçou os fios de cabelo e virou-se em direção ao seu chefe completamente enciumado pela cena que acontecia.

— Chefe. — chamou baixo, porém audível. — Encontrei o médico legista, esta pasta contém todas as suas informações até à atualidade! — entregou a pasta azul, que Hwang sequer observou ao direcionar os dois seres. — Ele, agora, é reformado, tem uma boa quantidade de dinheiro, dois filhos, e a sua esposa morreu de causas naturais. Não existe nenhuma informação de que ele tenha feito algum pacto, se é assim que se possa dizer, com a mulher, para acobertar o assassinato, mas acredito que isso possa ter sido eliminado de qualquer ficheiro. Como disse anteriormente, foi ele quem realizou a autópsia! Nesses ficheiros há uns parágrafos do que ele escreveu sobre a morte do rapaz!

— Certo, Wooyoung, foste eficiente! — elogiou com um pequeno sorriso abrindo a pasta. As primeiras folhas eram fotos do próprio médico e da sua família. — Conversaste com ele?

— Não. Não tinha autorização para avançar, então resolvi não o fazer. — respondeu tentando não se importar com San que continuava agarrado ao ómega.

— Jinnie, vou levar o Sannie ao jardim! — avisou, obtendo um olhar sério.

— Innie...

— Já voltamos! — interpelou sorrindo na direção de Hyunjin, logo aproximou-se do ruivo e selou os seus lábios carinhosamente, não tendo tempo de ver o sorriso bobo que Hwang lançou na sua direção.

Deixando o beta e o lúpus tratarem dos seus assuntos, Yang puxou Choi para a entrada, onde calçou os seus sapatos junto ao alfa e saíram para o exterior.

A chuva havia dado uma trégua, deixando que os dois corpos não fossem ensopados, o vento ainda continuava ali, direcionando as folhas que caíam por um caminho sem rumo. A, não tão ligeira, brisa estival corria por entre as árvores e flores plantadas no enorme jardim cercado por grades bem cuidadas, o cheiro forte de rosas e túlipas estava presente. O monótono murmúrio das abelhas, zunido entre a relva bem aparada, ou circulando com uma fastidiosa insistência em redor dos espinhos das plantas formosas, parecia tornar a paisagem nublosa numa bela para os olhos de alguns.

— San, o que sabes sobre os meus pais? — foi direto sentando-se nos bancos protegidos por uma plataforma, por sorte não estavam molhados, eram protegidos por uma plataforma de madeira.

— Imaginei que me perguntarias isso... — respondeu. — Bom, eu sei que alguém te vendeu, agora sei que não foi o teu pai, e sim a tua mãe!

— Como? Como sabes que não foi ele? — arqueou a sobrancelha inclinando a cabeça confuso.

— Quando fui escolhido para te raptar, a minha dupla e eu recebemos informações do meu ex-chefe. Sei que foi alguém da tua família, e era o Yang Duri, foi esse o nome que recebemos, porém, eu desconfiei após estes anos todos, depois do incidente há semanas atrás. Foi assim que descobri que não era ele, afinal ele foi morto.

— Por ela?

— Sim. Era tudo ao contrário do que sonhavas. Sohui era abusiva, violentava o teu pai, há registos de que ele foi parar ao hospital algumas vezes, encontrei arquivos escondidos com essas ocorrências. Eu não sei se posso contar muito, até porque o Hwang é que tem mais informações do que eu. Mas atrevo-me a dizer que foste muito enganado, não sei como...

— Fiquei durante anos com raiva dele... — lamentou abaixando o semblante tristonho.

— Está tudo bem, Jeongin, desde que saibas a verdade agora, tenho a certeza que ele cuida de ti! — confortou colocando a sua mão no ombro do pequeno lúpus. — Agora, falando de coisas atuais. Senhor Yang Jeongin marcado!

Yang riu contente.

— Eu amo ele. — sussurrou para o alfa como se fosse um segredo, San entrando no espírito do menor, arregalou os olhos em falsa surpresa e colocou a mão em frente há boca.

— Oh!

— Não contes! — resmungou colocando um bico risonho em face. — Não digo isso usualmente, deveria dizer?

— Jeongin, tenho a certeza de que ele sabe melhor que ninguém o amor que sentes por ele. E agora pela marca, sendo uma ligação extremamente forte, ele sente tudo o que sentes, e vice-versa.

— Não somos muito chegados, mas sinto que posso confiar em ti! — murmurou.

— Desculpa pelo que aconteceu! — pediu reprimindo os lábios. — Sei que não deveria ter feito aquilo, e o sentimento de remorso sempre me invadiu, mas as circunstâncias em que eu vivia eram más... E meio que fui obrigado a tais ações, desculpa-me!

— Apenas aceito as tuas desculpas se vieres visitar Sohui comigo! Quero ver se ela tem alguma reação contigo!

— JEONGIN! — arregalou os olhos. — PUTA QUE PARIU!

— O QUÊ?! — gritou assustado.

— Meu deus, se ela é a vendedora, e quem está por trás disto, ela irá me reconhecer se eu disser o meu nome!!

- Oh.

— E achas que vou confiar em ti perto de Yang Sohui?

Assustando os presentes que estavam inertes ao seu redor, Hyunjin com uma pose séria e adornando um semblante calmo, junto a um Wooyoung, questionou estreitando os olhos. Observou atentamente as atitudes do alfa, tomando mais atenção com as suas expressões corporais.

— Já disse que não tenho uma ligação direta com ela! — respondeu afoito, porém demonstrando toda a sua sinceridade. Hyunjin assentiu mais calmo pela resposta. — E, além disso, devo uns favores ao Jeongin, faço o que for necessário!

— Mesmo?

— Aceito ir ter com Sohui! — confirmou sério. Wooyoung engoliu em seco ao notar que o alfa não o olhou uma única vez, cruzou as mãos em frente ao corpo e negou mentalmente, deixando-se levar pelo seu ego.

— Ótimo, iremos depois do almoço, como conversei com o Wooyoung, vocês ficam por aqui hoje!

Jeongin pareceu entusiasmado com a ideia, uma vez que gargalhou animado e sorriu grande na direção do seu alfa, chamando-o com a mão. O lúpus sentou-se do outro lado do ómega e abraçou-o instintivamente, colocando o pescoço perto da glândula de cheiro do pequeno lúpus.

— Jinnis, isso faz cócegas!!

— Amor! — manhou ao sentir o ómega afastá-lo envergonhado pela dupla que os encarava. — Aish!! Innie...

— Não conheço essa pessoa!

— Amor!!

— Sannie, vou-te mostrar a casinha! — puxando o alfa, e ignorando a carência do seu lúpus, Jeongin observou o exato momento em que Wooyoung e San trocaram breves olhares, e o rosto do alfa tornou-se triste. — Gostas do Wooyoung?

— JEONGIN?!

— O quê?! O Lixie disse que olhasse desse jeito para alguém que gostamos, os teus olhos brilharam! 

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