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— Se sabemos que a mãe dele é a principal fonte, então, porque não a prendemos?! — exasperou Jisung repleto de descrença. Os capangas, toda a máfia, menos os que estavam fora em missões, haviam se reunido no galpão principal para compartilhar informações e debater sobre os assuntos colocados evidentemente por Hyunjin.

— Esse não é o jeito ideal de conduzir as coisas. Primeiramente, Yang ainda não sabe do que está a acontecer agora, e acredito que sem provas ninguém irá proferir nada ao meu ómega! Quero mostrar factos, não ideias que tenho que possivelmente estão certas. — Segundo, temos uma grande entrega para concretizar até domingo, uma vez que hoje é quinta, será necessário a ajuda de todos, assim como os vossos pensamentos e opiniões. Alguém que não queira participar? — estavam todos de pé, alguns com os braços cruzados ouvindo seriamente as palavras do mafioso, outros encostados nas paredes, enquanto Bang Chan, ao seu lado, anotava tudo no pequeno bloco de notas que após a missão seria prontamente reduzido a cinzas.

— Antes de qualquer fala, onde seria esse carregamento? — poucos segundos se silêncio, e um beta colocou a sua questão imaginando o possível cenário que poderia acontecer. — Japão, talvez?

— Desta vez não. Apesar dos recursos que eles nos ofereceram, o pagamento deles já está feito. Não devemos nada, como disse da última vez... Tu não estavas presente, certo? — repousando as mãos na beira da mesa, Hyunjin olhou profundamente nas orbes do beta que parecia calmo, sem referir nenhuma linguagem corporal, o lúpus deu um pequeno sorriso e viu o homem assentir calmamente. — Espero que o treino recebido foi o suficiente!

— Oh, sim! Sem queixas algumas, foi deveras interessante e essencial. — proferiu sinceramente mantendo o seu olhar no alfa lúpus.

— Participarás desta missão! — apontou para o beta, este fez uma pequena reverência e agradeceu ao lúpus com um olhar calmo, o que deixou Hyunjin contente. — Certo, quanto há pergunta anterior. É para a Tailândia, Lalisa Manoban!

— Mas eles...

— Recentemente, mais de metade da sua máfia, os homens e mulheres que ainda recebiam treino, foi capturada e degolada por um grupo de rafeiros. Agora sabendo da existência de cada um deles, a alfa pediu uma contribuição, como há um contrato direto com a Tailândia, como também eles são nossos parceiros de negócios, contribuirei para com essa pequena afronta. Não diretamente, mas indiretamente.

O semblante de alguns tornou-se admirável, enquanto outros olhavam constantemente para baixo, remexendo as mãos inquietamente, deixando evidente o seu nervosismo. Felix, a ordem de Hwang, mantinha o seu olhar penetrante em todos os participantes, a sua mente fervilhava em pensamentos fumegantes, sentia a sua marca arder, olhou brevemente para Chris que cerrou os olhos numa fração de segundos e lançou um sorriso arteiro na sua direção assim que o namorado olhou para si.

— Por qual motivo? — Seungmin indagou cruzando os braços, não estava receoso pela missão, aceitava tudo o que haveria para ele, porém queria detalhes, para mais que Changbin estava fora precisamente para resgatar informações, teria de seguir os passos do namorado e também focar-se na nova missão dada. — Temos o Changbin fora, ainda para mais que necessito de o ajudar se ocorrer algum imprevisto.

— Tudo bem, Seungmin! Estás encarregue disso mesmo!! — apontou Hyunjin retirando as suas mãos da mesa, recolhendo-as por fim atrás das costas. — Eu mesmo precisarei de comandar todas as ações pelos computadores, assim como as câmaras de segurança, mas ainda assim precisarei de um suporte, e é aqui que entra a Park Roseanne.

Obstruindo a fala de qualquer um dos presentes, um cheiro de pipocas doces invadiu a sala totalmente decorada, o edifício, assim como alguns outros, não era disfarçado, afinal não precisavam de se esconder da polícia, eram superiores aos mesmos, até faziam mais que as autoridades. Por que teriam o trabalho de se esconderem?

Uma ómega, os cabelos rosados, bochechas um tanto quanto cheias. Roseanne carregava um olhar carinhoso e meigo, mantendo as mãos juntas ao vestido branco que usava, assim como algumas joias no seu pescoço e mãos. Ainda adornando os seus cabelos de cor rosada, uma tiara de orelhas de coelho, pequenas, da mesma cor, repousava sob os fios macios.

De primeira vista os homens ficaram encantados pela aparência jovem e bela, tanto que alguns esqueceram-se do que realmente estavam ali a fazer.

— Bom, apresento-vos uma nova "amiga" durante um tempo indeterminado.

— Espere. A senhora Park não é ómega da senhora Lalisa? — indagou Jisung espantado assim que Hyunjin assentiu. Os olhares antes admirados cerraram, Hwang deixou um riso de lado escapar e aproximou-se da convidada.

— Park estará connosco durante o tempo de "guerra" — fez aspas — entre a Tailândia e o tal grupo. Como também nos irá ajudar nesta missão, todos deverão proteger a Park, assim como protegem o vosso líder! Não importa o que esteja a acontecer, tiros, se estão feridos, deverão protegê-la com a vossa vida! Sem se importarem com o que está ao redor.

— Porquê? — Hyunjin não conseguiu identificar o indivíduo que proferiu tal coisa, porém o seu instinto lúpus logo o dirigiu até a um alfa loiro que mantinha o seu olhar sério e relutante.

— Não vejo porque não. Se estivessem na mesma situação que Lalisa, não fariam o mesmo? Não protegeriam o ou a vossa ómega? — ergueu o cenho analisando todos. — Alguém contra? Alguém que não queira participar? Estarei bem com isso, desde que admitam agora, e somente agora, que não ousam participar desta missão, não serão classificados como fracos, para constar, nem nada do tipo. Está tudo bem, avisem-me pessoalmente se não quiserem. Porém, antes de qualquer um sair, quero que deixem Roseanne dar alguns avisos e discutirmos mais um tema.

— Boa tarde, pessoal! — dirigiu tímida acenando aos capangas que acharam fofa a ação da ómega. — Bom, os hospitais tailandeses recentemente começaram a receber pacientes psicóticos. Vários, na verdade. Todos eles jovens, não passam da faixa etária dos 30 anos. A droga chamada "Boom" causa efeitos psicóticos, podendo finalmente levar há morte ou danos cerebrais altamente graves. É uma droga estimulante, geralmente inalada ou fumada, que induz um estado de euforia semelhante à cocaína ou 'ecstasy', os usuários quando a usam ficam em estado inconsciente, não desmaiados, mas não se lembram ou não têm consciência do que fazem no momento de duração do uso da Bloom.

— Rastrearam a localização do último indivíduo e conseguiram as câmaras de segurança. O nome do vendedor é Kim Liz, uma mulher na casa dos 30 a 35 anos, cabelos longos escuros, fez algumas cirurgias plásticas no rosto inteiro, tem um cadastro judicial imensamente longo, tentativa de homicídio é um deles, digamos que de todos os seus crimes a beta conseguiu sair impune, ou seja, alguém a ajuda. Atualmente a sua nova localização é Mokpo, Coreia do Sul. Ela está aqui, reunirei uma equipa atrás dela. Tragam-na viva, se for necessário usar violência, usem, porém, sem a matar!

— Uma droga sintética? Ela quem criou ou...? — Seungmin interrompeu aterrorizado. Fazia anos desde os últimos casos de mortes por contrabando e uso de drogas, algumas eram claramente utilizadas, porém, nada que fizesse tal coisa chegar aos jornais, às televisões das casas, ou que houvessem outras máfias inferidas. — Estás a pensar...

— Exatamente. Numa máfia inserida. — completou virando-se de costas para um quadro branco, alcançou uma caneca de cor preta e escreveu uma palavra. — Decerto que não deve ter começado na Tailândia, quem seria tão discreto ao ponto de a vender primeiramente no seu país de origem?

— Então, de todos os países excluímos a Tailândia! Porquê? Podem muito bem tentar inserir um novo sistema, ou têm outro modo de pensar. — concluiu um alfa sentado numa cadeira de madeira encostada perto da porta.

— Diz-me. Porque sairias do país onde vendeste o primeiro lote logo após venderes e matares jovens, mesmo que soubessem a tua identidade, conseguias demasiado dinheiro após vender cada vez mais droga a menores ou a maiores? — Felix supôs. A sua afirmação era correta.

— Kim Liz, assim como muitos dos traficantes, pensa no dinheiro, quanto irá ganhar com a droga sintética, não se importando com mortes, sequelas, ou qualquer outro motivo. Com esse dinheiro ela conseguirá fugir, só não sabia que a Lalisa teria conhecimento dessa informação! — abrindo a tela do seu portátil preto, Hyunjin digitou o pin de maneira rápida e abriu a aplicação efetuada por Seungmin. Abriu o mapa e pontos começaram a aparecer. — O ponto vermelho é a localização atual da alfa...

— Como souberam a atual localização da traficante? — indagou o beta careca musculoso, era um dos antigos capangas do seu pai, classificado por Hwang como extremamente leal, confiante, e bom a criar estratégias, apesar de não ter recebido treino necessário, o homem foi a aprender aos poucos com a ajuda de Hwang Changmin, eram bastante chegados. Contudo, passando a liderança a Hyunjin, o beta jurou lealdade máxima e seguiria os passos de Hwang de perto, protegendo-o e assegurando que o alfa lúpus não perderia o controle.

— Posteriormente de vender as drogas aos jovens, Kim Liz enviou uma ameaça escrita há máfia de Lalisa, tecnicamente voltada mais à sua ómega, Roseanne, por isso ela ficará connosco durante todo o processo. Devem estar-se a perguntar o porquê de Park ficar aqui sendo que a Kim está precisamente nesta área. Conversei e discuti os pontos com a alfa, chegámos à conclusão de que Kim Liz está envolvida na máfia inserida que tentou atacá-los, todavia o chefe. Ainda não sabemos quem seria, nem temos ideia de como aceder a esses dados.

Remexendo no portátil, Hyunjin ativou outras linhas de variadas cores, era possível se avistar um mapa, com os nomes de cidades e países. Linhas começaram a surgir, indicando a rota que a alfa traficante havia atravessado, o seu destino era a Coreia.

— Logo os casos começaram a aparecer. Jovens mortos, jovens pelas ruas com surtos psicóticos, hospitais lotados, polícia pelas ruas, e o principal, os traficantes ficarão animados e também iniciaram o seu processo de vendas. O nosso trabalho, por hora, será descobrir onde a Kim está, seguir os seus passos ao longe, capturar o Kwang, e enviar o carregamento em segurança até à máfia da nossa aliada. — ninguém interrompeu o ruivo, como também ninguém quis sair da missão atribuída, o que tranquilizou o mafioso, ficaria com todo o pessoal e não teria de contratar outras pessoas, ou ficar com pessoal a menos.

— Qual o plano?

— É isso que iremos discutir agora!

Na mansão, Jeongin olhava pela grande janela da sala de estar o tempo lá fora, Hwang deixou claro que o ómega poderia sair para os jardins, e se quisesse ir a algum lado fora da mansão poderia, porém, com devidos seguranças. Jackson estava sentado no grande sofá anotando mentalmente as ações do ómega lúpus, até que uma buzina estridente foi ouvida e quis rir do pequeno lúpus a correr até si e fingir que nada acontecera.

— Ótimo disfarce, Jeongin. — riu encarando as bochechas ruborizadas. — Hm, cheiro a pipocas?

— Pipocas? — cheirando profundamente o ar, Yang cerrou os olhos ao sentir o cheiro amadeirado tanto conhecido por si e junto a ele um cheiro de pipocas doces. — Uma ómega?

— Oh, Rosé!!! — saltitando até há entrada, Jackson abriu a porta sorridente dando de caras com a ómega de cabelos rosados e rapidamente a abraçou alegre. — Porra, criatura, senti falta das nossas conversas!! Desapareceste do mapa, literalmente.

O ómega Yang recuou alguns passos visualizando a figura de Hyunjin adentrar a sala animadamente, assistindo à interação dos dois amigos, levando por fim os seus olhos a Jeongin que se mantinhas quieto no seu lugar.

— Innie... — sussurrou com um sorriso, mas no momento em que se aproximou, o ómega consequentemente recuou sem nem perceber, ainda focado na ómega "intrusa". — Amor...

— Q-quem é ela? — indagou no mesmo tom de voz, a dupla ainda não se apercebera, a conversa que ambos animadamente mantinham parecia melhor do que qualquer outra coisa.

— Park Roseanne, uma amiga.

— A-amiga? — indagou engolindo em seco. Notando o desconforto do ómega, Hyunjin cuidadosamente caminhou a passos calmos até ao mesmo, soltando um pouco o seu cheiro na esperança de que isso acalmasse os nervos do ómega. Abraçou Yang por trás sentindo o seu corpo amolecer nos seus braços, mas ainda mantinha a sua visão na dupla faladora.

— Ela precisa de ficar aqui durante um tempo, para a sua segurança. Tudo bem?

Hyunjin indagou, entendeu que Jeongin sentia ameaça da parte de Rosé, afinal era uma ómega a entrar no seu, considerado, espaço. Compreendia perfeitamente, tanto que a pergunta final servia para ver até que ponto Yang se sentia ameaçado.

— Porq ue me perguntas isso...? A casa é tua. — sussurrou de volta sentindo o aperto de Hyunjin reforçado.

— Nossa, Jeongin! Nossa casa. Desde o momento em que eu me declarei, tudo aqui, tudo o que antes era somente meu, passa a ser nosso, dos dois! Sem qualquer exclusividade! — respondeu de imediato com os seus olhos felinos. — Olha para mim, meu anjo. — nada. — Innie, meu amor, meu anjinho, coisa mais preciosa. Hm? Olha para o teu alfa, hm?

— Jinnie...

— Não quero que aches ela uma ameaça perante o nosso relacionamento. Apesar de ainda não te ter proposto nada, peço que fiques recordado de que eu e o meu lobo pertencemos somente a ti, Innie. Não mais a ninguém. — falou sincero virando o ómega para si. — Sei que ainda te sentes inseguro, mas espero que saibas que os lúpus amam apenas uma vez, sem exceções. Quando os nossos olhares se encontraram, eu estava sempre no teu coração, e é sempre aí que ficarei. Certo?

— Desculpa... Desculpa por duvidar, e-eu... — gaguejou, sentindo um bolo formar-se na sua garganta, e lágrimas acumularem-se no canto dos olhos. Estas não tiveram a oportunidade de escorrer, uma vez que Hyunjin as limpou com um sorriso carinhoso, acariciando as bochechas do ómega.

— Não há nada de que te devas desculpar. Eu é que devo desculpas, trouxe alguém para cá sem nem mesmo perguntar, desculpa-me por isso. Houve uma falta de comunicação e eu nem sequer me apercebi disso. Ela é uma amiga de uma aliada que nós temos, ou seja, já tem uma alfa. Por questão de uns imprevistos que mais tarde falaremos, ela terá que ficar aqui por tempo indeterminado. — argumentou. — Por isso, pela falta de comunicação, tenho um presente!

— Ela é fofa. — proferiu distraído, sentindo as bochechas arderem ao ouvir o sussurro de Hyunjin.

— Não mais que tu...

— Hyunjin!

— Oras, estou a dizer a verdade!! — pigarreou com um pequeno bico nos lábios. — Agora, o presente! 

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