65

- Exijo ver o meu filho!! - gritou a ómega chorosa, vendo que os capangas nem sequer se sentiram emotivos por tal coisa. - YA!

Repentinamente o silêncio adornou a sala inteira, ou melhor dizendo, o pequeno quarto do galão principal. Bang Chan adentrou o espaço com uma pasta em mãos e Felix seguia atrás de si com os braços cruzados. Lee deixou claro as suas suspeitas para com a mulher, aliás a história contada por Minho não lhe deu certezas, parecia uma desculpa esfarrapada e totalmente sem noção ou pontos.

- Yang Sohui.

- O meu filho? Jeongin?? - questionou desesperada ao que Felix chegou na frente tossindo falsamente.

- No dia do rapto do Jeongin, supostamente no mesmo dia em que deveria ter levado um tiro, sem ofensas, estou apenas a relatar a história que me foi contada. - começou com a sobrancelha erguida. - Nesse dia, disse que não levou o tiro e desviou-se dele... Porém, segundo o Yang, a senhora estava fraca, deveria ter levado variados murros, e o seu marido, ou como o chama, atirou-a contra a parede e chão muitas vezes, como explica tal acontecimento?

- Preciso explicar algo?! Desculpe, mas tem filhos? Alguém que ama muito depois do seu namorado? - Bingo. Felix jamais expôs o seu relacionamento já mulher, nem nenhum dos presentes, pois tal coisa não deveria ser dita a estranhos na máfia; era regra, não compartilhar informações, mesmo se estas forem pequenas ou que não contenham valor. - Acredito que não, então como poderia dizer tal coisa? Uma mãe daria de tudo pelos próprios filhos, mesmo que esteja nas suas piores condições e...

- Como sabe que ele está connosco? - interrogou direto, a mulher travou durante alguns segundos respirando pesadamente e tremendo levemente. Lee, nem mesmo qualquer um, se importou com as reações da ómega, sabiam que aquilo era um claro nervosismo. - Vou declarar isso como uma prova de que entrou na lista de suspeitos. E quanto ao Jeongin, não sou eu quem decido se ele vem ou não, está nas mãos de um certo lúpus...

- Como ele está?

O facto de a mulher ignorar tudo o resto que Felix impôs e disse, fez os presentes suspeitarem ainda mais. Uma das perguntas mais arrebatadoras que o casal ali tinha era de como a mulher sobreviveu, como?

- COMO?! JEONGIN!

- Se eu fosse a si ficava calada!! - apontou Chris, perdendo a paciência com os gritos da ómega. Estava com dores de cabeça desde o início da manhã, e os gritos dolorosos e aclamativos da mulher causaram-lhe uma dor ainda mais intensa. - O Hwang resolverá tudo! Acredito que também saiba quem ele é! E não, Jeongin não estará aqui durante algum tempo, não sou eu quem decide esse tipo de coisas, então cale a merda da boca e mantenha-se obediente, pois eu não garanto a paciência do resto dos capangas! - virando as costas, Bang saiu do cómodo com as mãos nas têmporas, sentia todo o seu ser pegar fogo, e logo percebeu que o seu hut provavelmente estaria mais perto do que imaginava.

- Agora que finalmente estamos sozinhos, vamos conversar...

- Não sei, mas algo não está certo em toda essa história. É como se ela pulasse todos os detalhes importantes em menos de minutos e contou tudo o que quis, favorecendo o seu lado, e de certa forma escondeu algo, eu sinto isso! - exclamou Minho apertando levemente a cintura do noivo, o ómega ao seu lado mantinha-se calado pensando nas palavras do loiro. - Hyunjin, realmente.... Revê a ficha dela, procura ficheiros escondidos, tenho a certeza de que o Sangue consegue hackeá-los!

- Na verdade... Penso que não exista, mesmo se procurar. Quando iniciamos a busca, eu usei de tudo, e não existe ficheiro algum sem ser aquele. - Seungmin parecia inquieto, como se quisesse acrescentar algo a mais, coisa que não passou despercebida por Hyunjin, o Hwang rapidamente se aproximou do beta cerrando os olhos na sua direção.

- Mesmo que a ideia pareça doida e deveras estúpida, expõe! O que mais precisamos de agora é opções, e tu, eu penso que tenhas! - inclinou-se na direção do beta cruzando os braços atrás do corpo. - Seungmin, por favor...

- Se entrares na máfia do Norte, não digo entrar para a máfia, e sim no território, talvez eu consiga retirar algo dos ficheiros deles. Uma vez que foram eles que "esconderam" - fez aspas - a senhora Yang. Mesmo com Minjun de volta, acredito que consigas adentrar novamente, nem que seja sozinho!

Hyunjin pareceu pensar durante alguns minutos, logo lembrou-se da pessoa presente ali. Atado numa cadeira, com fita adesiva na boca, Hwang Changmin permanecia atento a tudo, com um semblante sério e desconfortável, remexeram-se algumas vezes, até que por fim Hwang chegou perto do seu pai.

- O Kwang irá mesmo seguir o que disseste? - indagou sério, não escondendo o seu desprezo e raiva, logo, o alfa mais velho assentiu ainda inquieto. - Se eu souber que isto é uma emboscada e tu estás dentro dela, eu juro que te mato com as minhas próprias mãos.

Ainda era estranho. O facto de que Hwang Changmin soltou, por livre e espontânea vontade, Kwang e Minjun, sem sequer discursar ou apontar factos a alguém. Nesse dia, os capangas que haviam ficado de guarda, saíram dos seus postos e embebedaram-se totalmente num canto do galpão, longe de todos os possíveis companheiros. E, uma vez que a área onde os dois inimigos foram colocados era afastada o suficiente de todos os que poderiam passar por ali, essa foi uma condição a mais para que ninguém visse tal ato, apenas não contavam pelas câmaras de segurança.

- Onde estão os dois? - indagou virando as costas para o alfa amarrado e olhando diretamente nas orbes de Changbin. - Quero os nomes, e os dois na sala de tortura! Agora. Enquanto eu tratarei do assunto de Yang Sohui, Seungmin, pesquisa no banco de dados possíveis relações entre a progenitora do Jeongin com Minjun. Acessa o que tiveres de acessar, mesmo que isso envolva depositar vírus em outras contas, tens a ajuda da máfia japonesa, caso precises, liga, o número está anotado nos computadores!

- Só uma pergunta... - Jisung interrompeu antes que Hyunjin, por fim, pudesse ir embora. - O que irás fazer quanto a ela?

- Sinceramente... Não sei. Nem te posso dar uma resposta clara. Se houver e eu sentir perigo nela, não deixarei que se aproxime do Jeongin com segundas intenções, nem que isso envolva a matar. Posso não receber o perdão dele após isso, mas um perigo a percorrer toda a minha área? Não. Não é uma boa ideia! Para isso irei "rastrear" tudo o que aconteceu naquele dia, no dia do primeiro rapto do Jeongin e a sua venda.

- Espera! Ela contou uma versão disso.... Ouve e depois compara ao que ela te disser! - exclamou Felix eufórico, o assunto para si era sério, não envolvia apenas a sua segurança ou a da máfia, e sim de um pequeno ómega loiro que se atreveu a salvar. Um ómega que necessitava mais de ajuda do que todos os outros, uma vida e história mais complexa do que todos os outros que já visitou, e quem diria que ajudaria Hyunjin a encontrar a sua outra metade.

- Tudo bem...

- Há alguns anos...

"A manhã estava ensolarada, os flocos de algodão-doce, chamados nuvens, cobriam uma boa parte do sol, não deixando um calor extremo apoderar-se daquela região. Yang Duri caminhava calmamente pelas ruas de Busan, com uma pasta preta em mãos juntamente a um terno da mesma cor e um sorriso grande no rosto. Quem passava pelo homem alfa era agraciado por um bom dia vindo do mesmo, ou um sorriso, todavia ninguém pensaria que por trás daquele sorriso havia um motivo obscuro.

Ao chegar ao edifício enorme aos seus olhos, Duri pensou haver se enganado na localização, como uma venda de tráfico humano seria efetuado num belo edifício sem quaisquer problemas? Logo, pensou que aquilo seria uma emboscada e deu meia volta. Foi impedido por um chamamento.

- Senhor Yang Duri! - clamou a mulher com um vestido vermelho curto com os fios de cabelo castanho claros amarrados num coque, o batom da mesma cor que a vestimenta, e com um pouco de maquilhagem pelo resto do rosto. - Acredito que pensou que se enganou, estou certa?

- Oh.... Sim, sim. Por alguns segundos cogitei a ideia de que isto fosse algum esquema. - deu algumas risadas sendo seguido pela beta.

- Siga-me, por gentileza! - exclamou forçando a voz para ficar ainda mais fina. Duri colocou a mãos esquerda nas costas da mulher e deixou-se ser guiado para dentro do estabelecimento. Não se importou em esconder o interesse sexual que desenvolveu momentaneamente na beta, tanto que a sua mão desceu mais para baixo, apertando o rabo, não muito farto, coberto pelo tecido. A beta sorriu maliciosamente lançando um olhar sugestivo ao alfa.

Todavia, acabando por retirar a atenção da beta, Duri reparou que ninguém estava ali dentro, o edifício, pelo menos a parte térrea, era iluminada por um enorme lustre luxuoso, podendo distrair qualquer um que entrasse ali dentro. Bom para escapar à polícia.

Subiram algumas escadas trocando breves palavras, assim que deram de cara com uma porta grande de aço, a mulher beta virou-se para o alfa.

- Pode entrar, o chefe está há sua espera. Estou lá em baixo qualquer coisa! - piscou o olho, ficando pasma com a quantidade absurda de feromônios que o alfa lançava tentando a atrair, e após virar de costas colocou uma expressão de nojo, ficando enojada pela quantidade de cheiro que adentrava os seus pulmões. Correu para fora dali, deixando Yang Duri para trás com um sorriso grande no rosto.

Tocou duas vezes na porta, como combinado, e entrou no cómodo, sendo recebido por um grito altivo de júbilo. Kwang levantou com o seu copo de whisky na mão, levando outro cheio para Yang.

- Meu parceiro de negócios!! - assobiou guiando o outro alfa em direção há mesa-redonda no espaço mal iluminado. - Ainda bem que apareceste!

- Ora, Kwang, como poderia não aparecer?! Hoje é um dia especial!

- Aniversário do teu menino? - riu alto observando Yang retirar a papelada da pasta, em seguida colocou-a sob a mesa debruçando-se na mesma. - Oh! Uma proposta?

- Isso mesmo. É mais uma venda, se estiveres disposto, é claro.

- Hmm... - sibilou relendo as palavras a grande, escritas no cimo da folha impressa. - Uh? Yang Jeongin. Oh! Ómega lúpus!! - exclamou esbugalhando os olhos ao ler as palavras a negrito. - Um ómega lúpus?!

- Sim. Não é mentira, se precisares de uma confirmação eu mesmo apresento-vos!

- Não. Claro que não! Não assustaremos o ómega agora, esperemos pelo dia da entrega. Agora, a oferta, quanto queres?

- 400.300.000 wons. - o rosto de Kwang enrugou em descrença, bebericou o whisky e sentiu a amargura descer pela sua garganta. - O quê? Não estás satisfeito? É um ómega, e ainda por cima lúpus!

- Na realidade, pensei que pedirias uma quantia maior. - sibilou sabendo que o alfa lúpus ouviria. - Mas, bom, se assim queres, tudo bem!

- Ótimo... Quero livrar-me daquele ómega o mais cedo possível..."

- E ele voltou para casa. E o mais impressionante... Não tocou no assunto uma vez sequer, então como ela poderia saber disso tudo? - finalizou Felix descrente.

- E com variados detalhes... Principalmente da assistente, chamemos assim, ser uma beta, como ela saberia de algo? - impôs Hyunjin sorrindo de lado. - Não é como se o alfa se lembrasse de um caso de somente uma noite durante meses ou semanas. Bom, vou dar a ela o que quer que seja. Tenho um plano ainda melhor...

- NÃO!!

- Felix! - usando a voz lupina, Hwang viu Felix retrair um pouco o seu corpo, dando a sua pequena mão ao seu namorado. Ninguém ousou interromper, ou afirmar algo, nem mesmo relutar o alfa. - Estarei ao lado dele. Protegerei o Jeongin, ele é meu ómega, não deixaria que nada lhe acontecesse, nem mesmo sob o meu cadáver!

- Ele...

- Ele iria saber que a sua mãe está viva de qualquer forma. Achas que alguém o impediria de revê-la?! Farei os dois se aproximarem, e assim descobriremos a verdadeira intenção da ómega! Aliás, até acho que sei o que raios está a acontecer.

Um silêncio desconfortável apoderou-se da sala, Changmin observava os atos de todos, até mesmo dos seguranças que pareciam conversar pelos olhos. Em seguida, olhou o filho serenamente transmitindo uma mensagem com o olhar, vendo o lúpus sibilar e logo assentiu.

Hyunjin recolheu ambas as mãos em frente ao corpo, Bang apercebeu-se e afastou os ómegas daquele canto, junto há cadeira do velho Hwang.

- Vocês os dois! - apontou para os capangas com os seus olhos felinos mesclando entre o castanho-escuro e escarlate. - Nomes.

- Jun-seo.

- Dong-hae.

- Hm... - colocando um falso semblante pensativo, Hyunjin respirou fundo tentando controlar o seu próprio lobo, a arma presa pelo coldre na cintura parecia tentadora, porém queria resolver numa luta corpo a corpo. E assim, sem esperar algum tempo, esmurrou os dois rostos, vendo os seus corpos, por conta do impacto inesperado, solavancarem para trás alguns centímetros.

- O que...

- Qual foi o primeiro juramento que fizeram ao entrar na minha máfia?! - bradou irritado, Hyunjin puxou as mangas da camisa de seda que vestia para cima, deixando o seu braço repleto de veias visível. - Não oiço nada, perderam a merda da voz?!

- Chefe...

- Vocês os dois... Teremos uma conversa... O meu ómega está aqui, e em respeito não farei nada de brutal que o assuste! Podem agradecer a ele, acabaram de ganhar mais alguns minutos de vida!! - a resposta foi como um aviso para que um Jeongin choroso adentrasse o cómodo.

- Ela... e-está viva?

- Sim.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top