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A ambição.
O ambicioso é vaidoso, é orgulhoso, tem o ego soberbo ao máximo, é egoísta. Ama somente a ele próprio, mais do que qualquer outra pessoa, está sempre insatisfeito com as suas próprias conquistas e sempre a querer mais, nem que para isso precise pisar em alguém pelo caminho. O ambicioso pode até ser belo por fora, mas o seu conteúdo é medonho, horripilante.
A irmã gémea da ambição é a inveja, ou seja, o ambicioso odeia ver o crescimento da pessoa ao seu lado e isso pode acontecer até no casamento, uma disputa entre os cônjuges pelo maior salário, posição social, ou número de cirurgias plásticas feitas, e a porfia pode atingir em cheio o amor entre o casal, que disputa até o amor dos filhos.
Yang Duri e Hwang Changmin poderiam ser considerados iguais? Talvez.
Se a inveja e a ambição eram consideradas irmãs gémeas, os dois poderiam ser considerados de tal forma. Yang Duri decerto era a ambição, desejava ter tudo para si, dinheiro, uma boa esposa, filhos da mesma classe que a sua, porém era insatisfeito com tudo o que obtinha, nada parecia ser suficiente. A empresa não era considerada uma das maiores, nem uma das piores, não estava no auge, tanto como não estava na pobreza, levava uma vida pacata, ansiando por mais poder, por mais lucro, por mais imagem empresarial. O problema é quando a ambição domina o coração da vítima; por esta ser um pecado que traz em si a cegueira como primeira consequência prática, isso porque, a ambição é o desejo sem medida pelo dinheiro, poder, bens materiais e honrarias humanas, é o mesmo que cobiça.
Já Hwang Changmin era a inveja. Quando construiu a máfia, ela era pobre, sem recursos, armas, ou até mesmo um ponto de começo, não tinha nada, consequências de começar do zero, pois o seu pai havia acabado com toda a antiga máfia, colocou-se nas drogas, em apostas e mais apostas, não conseguiu o dinheiro para pagar aos agiotas e mafiosos e acabou por ser morto violentamente enquanto dormia. Quem acabou com a sua vida poderia ser um covarde, todavia foi glorificado durante anos por ter finalmente matado quem abusava dos recursos dos mafiosos. E, assim que descobriram que o seu pai tinha um primogénito, foi o auge para que Changmin fosse procurado avidamente durante poucos anos.
Teve uma infância dolorosa, fugindo durante vários tempos, com medo de que alguém o visse nas ruas e o reconhecesse, ou acabasse por denunciá-lo às forças mafiosas. Claro que nada disso aconteceu, os anos em que esteve escondido renderam-lhe uns bons estudos, tanto teóricos como práticos.
Foi a construir o império Hwang gradualmente, reconstruindo a rede de tráfico de drogas e armas lentamente, foi a construir as bases de confiança com líderes de outros países, todavia viu um pequeno erro na máfia do Norte, que supostamente não queria fazer aliança com a sua. Hwang Changmin era líder de uma máfia introdutória que passou a comandar a parte do Sul, lentamente é claro.
Minjun foi recuando com os seus planos, inveja dominava o seu coração ao perceber que Hwang Changmin, pouco a pouco, conseguia mais recursos que ele, mais alianças, e o que mais desejava, poder. Quando soube que o alfa havia se juntado a uma belíssima e formosa ómega, rapidamente deixou que os pecados o consumissem, a inveja de ver a felicidade que o casal esbanjava pelas ruas por onde passavam, pelas notícias que corriam por todas as máfias, os dois viraram assunto por meses, até que o casamento foi anunciado, e em seguida o futuro primogénito, coisa que naquele momento, Minjun não continha.
Uma família.
Sentiria inveja apenas disso? A cobiça?
Não. Não somente isso.
— Minjun, meu caro!! — saudou Changmin com um grande sorriso na face ao ver o alfa com cheiro levemente amargo, contendo também um leve toque de perfume doce, dando um pouco de comichão e o desprazer aos que farejavam o ar em busca de sentir os cheiros presentes. — Que bom te ver! Apresento-te a minha esposa...
— Hwang Heejin! — completou com um sorriso falso, efetuando uma pequena reverência ao líder do território que considerava inimigo. — Ouvi muito falar sobre vocês!
— As notícias correm rápido entre as máfias, parece que virámos assunto nestes meses! — respondeu a ómega docemente, alisando lentamente a sua barriga de seis meses. Estava grande, e um pouco pesada, levando a ómega a não conseguir ficar de pé durante horas, ou poucos minutos, o género já parecia ser visível a todos, pela grandeza e dimensão do feto qualquer um poderia afirmar que era um alfa.
— E vejo que a surpresa saiu maior do que o esperado! — admitiu revirando os olhos tatilmente. O seu olhar deu uma espiada rápida ao seu redor, avaliando o perímetro, o espaço estava lotado, a festa que o casal organizou foi inesperadamente preenchida por variados convidados. Vip's do casino, líderes de máfias aliadas, pessoas próximas e vários capangas de segurança como habitual. — Como tem sido os dias? Algum projeto inesperado?
— Está tudo em ordem como sempre!
Changmin aprendeu a nunca dar detalhes, não falava mais do que era preciso, e isso era o que muitos deveriam aprender naquele campo. Muitos detalhes poderiam levar há destruição da máfia, ou de alguma missão, já que muitos se aproveitava para fazer esquemas com as informações relatadas.
Era uma questão de inteligência, de quem era o mais esperto num ninho de ratoeiras.
— Senhor Hwang, o líder japonês está presente, ele quer dar-lhe uma palavra, pode acompanhar-me, por favor? — indagou um dos seus capangas, fazendo os alfas olharem para si. Minjun com inveja, Changmin admirado, queria o apoio do Japão, e, talvez, obteve sucesso nesse quesito.
Então, Hwang Changmin teria objetivos no futuro? Teria ele algo para se vingar? Retirando a morte da sua esposa. Ou seria parte dos planos, tal como Felix suspeitava?
O céu escuro da noite, totalmente estrelado e com a meia-lua ali presente, os postes de luz iluminavam a estrada onde a carrinha preta passava. Jisung no assento de trás colocava as suas mãos sobre o ferimento do alfa lúpus, praguejando pela quantidade de sangue que saia do ferimento. Quem conduzia era Bang, este olhava preocupado para o assento traseiro, sentindo as suas mãos soarem há medida que os suspiros do lobo ressoavam pelo automóvel.
— Por que o lobo não sara?! — rosnou Jisung baixo, reposicionando a toalha branca sob o ferimento ainda aberto. A questão não foi respondida pelo lúpus que lutava pela consciência, este estava totalmente exausto, o gasto de ATP do seu corpo levou o ser lupino, e a sua forma humana, à completa exaustão, e sim pelo noivo que estava do seu lado enquanto digitava ardilosamente no seu dispositivo, alertando o médico da máfia que se encontrava, agora, na mansão principal.
— Acredito que seja pela marca. Ele deve ter receio que o Jeongin sinta algo, então selou temporariamente o vínculo dela, por isso o seu lobo está concentrado nisso e não no ferimento. E, também, pela exaustão! Eu disse para ele não correr atrás do idiota!! — interpelou grunhindo frustrado. — O Jackson e o Mark estão nos portões.
— Ótimo, chegamos em poucos minutos. Não irei com vocês, levarei a mãe do Jeongin até ao galpão principal, e assim que o Hyunjin estiver consciente e precisamente bem levarei ela até há mansão! — alertou Chris, exalando precisão e algum receio. O cheiro de café alastrava-se pelo carro, fazendo Jisung e Minho reclamarem pelo intenso cheiro que provinha do alfa amigo, todavia não poderiam reclamar, era notável o quão Bang Chan estava nervoso, assim como eles próprios. Perguntas rondavam as suas mentes, todavia teriam de aguardar, só o tempo responderia a tudo.
Minutos depois, a carrinha parou após atravessar os grandes portões de cor escura, os seguranças, ao avistarem o lúpus ferido, alertaram-se e encaminharam o automóvel rapidamente para os portões traseiros, assim como Hyunjin havia solicitado. Não iria apavorar os ómegas que se encontravam na casa, pelo contrário, queria que tudo ocorresse nas calmas e sem ninguém notar.
Porém, seria impossível, Jeongin era um ómega lúpus, e assim como o Hwang, ele conseguia sentir os cheiros a um raio de quilómetros. No momento em que identificou o cheiro amadeirado sorriu abertamente sentindo o rubor das suas bochechas ao ter o olhar dos amigos culposamente em si, maliciosamente sendo preciso. Levantou-se rapidamente e caminhou até à porta, todavia o seu trajeto parou a meio do caminho ao dar-se conta de que os feromônios não provinham da frente da casa e sim da parte de trás.
— Onde aquela porta vai dar? — indagou apontando para o material resistente em forma de porta que estava no momento trancada à chave. Seungmin seguiu a direção do olhar do ómega lúpus e baixou o volume da televisão, onde se passava um filme de romance que todos os presentes escolheram.
— A porta dos fundos. Direcionará há parte detrás da casa, o armazém, mais precisamente. Porquê? — levantou o cenho vendo o ómega farejar lentamente o ar. — Sentes um cheiro estranho?!
— Não... Mas o cheiro do Lixie e dos outros vem dali! — apontou colocando um pequeno bico nos lábios finos vermelhos. Seungmin riu nasalmente, dando de ombros.
— Talvez foram ver algo, após as missões isso pode ocorrer! — explicou pouco ligando, afinal tudo aquilo era normal para si, até mesmo para Seungmin. Da marca nada sentia de anormal, nem mesmo um requisito de estranheza, portanto pouco se importou com aquela afirmação. Contudo, não esperava pela expressão estranha de Jeongin, o ómega parecia desconfiado e ainda estava estagnado enquanto olhava a porta trancada. — Certo, vamos lá confirmar!
— N-não... eu...
— Se os teus instintos apontam para algo, não poderemos ignorar isso! — interpelou Changbin com um pequeno sorriso, em seguida retirou a sua arma da bainha das calças de ganga pretas que vestia, com a chave certa abriu a porta apontando a arma. As luzes estavam ligadas, iluminando o caminho até há parte de trás do jardim todo. — Vamos, o pequeno armazém é ali!
Sem nem conseguir atravessar metade do caminho, o grupo foi parado por uma voz atrás deles, Changbin virou-se assustado apontando a arma em direção ao alfa.
— Senhor Hwang!! — suspirou baixando a glock calmamente. — Assustou-me! Quase atirei!
— Calma, jovens! O que fazem aqui fora neste tempo horrível de frio? — indagou levantando o cenho desconfiado. Seo há poucos segundos estava em posição de ataque, cenho franzido e um semblante sério, os seus feromônios reduzidos e deu um leve pulo com a voz de Changmin, tal ato fez o velho Hwang estranhar as presenças na parte traseira da casa. — Hm? Onde está o meu filho?
— Senhor Hwang...
— Oras, Jeongin, já disse que apenas Changmin está ótimo! — reclamou rindo nasalmente ao observar o ómega lúpus assentir envergonhado. — Onde está o Hyunjin? Aquele lúpus.... Sinto o cheiro do malcheiroso, onde ele está? — brincou vendo os presentes darem gargalhadas pelo apelido que Changmin sempre retratava Hyunjin.
— Chegaram de uma missão, estão no armazém, íamos para lá agora! — Felix quem respondeu sem entrar em detalhes. Tal como Changmin, o Lee sabia que mesmo sendo progenitor de Hyunjin, Felix mesmo assim não entraria em detalhes, não daria a mínima resposta ao velho, tanto por não ser mais líder, como ter altas suspeitas do velho.
— Oh, certo! Vamos, então!
Changmin fingiu pouco interesse pela resposta mal formulada, nem sequer interrogou o rapaz, percebia a descrença e suspeitas de Felix contra si, e, pouco se importando, passou pelo grupo virando a cabeça para trás sugestivamente, esperando o grupo avançar também consigo. Não demorou para acontecer, e sentindo o cheiro de Felix se alastrar junto a um pequeno rastro de raiva, Jeongin olhou de lado para as ações do amigo, percebendo os seus braços cruzados e o olhar sério que este lançava ao velho Hwang.
— Lixie?
— Falamos depois, Jeongin. — respondeu não querendo soar rudemente, porém, de certa forma, mesmo não querendo, acabou por soar um pouco rude. E o seu olhar ávido efetuava jus há forma de fala.
Poucos segundos depois, o homem mais velho parou em frente ao armazém, a porta aberta juntamente da iluminação e vozes eufóricas foi de tudo para que Yang passasse pelo grupo e os seus olhos se esbugalhassem pela cena no cómodo.
— JINNIE!
— Jeongin... — Jackson arregalou os olhos. — Felix... Seungmin e Changbin. Que lindo! Eu disse que eles sentiriam!
O médico afastou-se para o lado após verificar os batimentos cardíacos do lobo. Estavam anormais, porém com a medicação atribuída em poucos segundos, estes voltariam ao normal. Chamou o pequeno lúpus com o olhar, pedindo calmamente que o lobo abrisse os olhos calmamente, sabia que os sentidos do lúpus estavam anormais, também, por isso poderia não ter sentido o cheiro do ómega, nem a presença dos outros.
— Vou dar pontos na ferida, sugiro que te afastes um pouco, e alfas agarrem o lobo! Changbin, preciso que cuides de agarrar o focinho e prendê-lo extremamente bem! — avisou vendo o alfa assentir e chegar perto de si. Sem Bang ali seria mais difícil, um alfa a menos, e com um lúpus temperamental ferido seria um tanto quanto difícil tratar o lobo. Porém, nada que um pequeno sedativo não fizesse efeito. — Acredito que em alguns minutos o sedativo faça efeito, mas lembrem-se que ele continuará acordado e temperamental!
— O que posso fazer? — indagou Jeongin preocupado.
— Expele feromônios! Uma quantidade suficiente para que o Hwang fique tranquilo e relaxado!
— Mas v-vocês...
— Está tudo bem, Innie Podes começar! Ficaremos bem! — confirmou
Felix com um pequeno sorriso. — Wooyoung, preciso que me auxilies aqui, a pata traseira, geralmente, traz problemas!
Com um aviso, Jackson passou a agulha pela pele do lobo, fazendo com que este abrisse os olhos rosnando altivo. O estímulo fez com que uma pontada de dor atingisse o ferimento de Hyunjin, Jeongin deixou que uma lufada saísse extremamente preocupado.
— Está tudo bem, Jeongin. Não poderemos anestesiá-lo, já que o lobo precisa de sarar a ferida devidamente bem! Não te preocupes. — falou por entre dentes, sentindo os estímulos do corpo do lobo por baixo da sua mão. — Ya! Mark, agarra essas patas! Os estímulos enviados pelos nervos ao cérebro e esse, por sua vez, envia os estímulos ao córtex motor para que esse liberte alguma reação. As patas traseiras sempre são um problema, e por conta do ferimento localizado na parte traseira, requer algum cuidado para não o magoar ainda mais!
— HYUNJIN, SEU IDIOTA ESSA DOEU! — Felix gritou após ser atingido fortemente pela pata do lobo. — Lobo malcheiroso!!
— Jinnie!
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A pequena cirurgia demorou uns bons minutos, por conta da cafeína ingerida há horas, Jackson não se sentia cansado, diferente dos outros que lutavam contra o sono e mantinham a força no corpo para que o lúpus não ferisse ninguém. O cheiro de baunilha provindo de Jeongin, acabou por ajudar na intervenção cirúrgica, Hyunjin manteve o seu olhar no ómega, tentando não demonstrar reações exageradas, para não assustar o ómega.
Retirando as luvas, Wang sorriu aberto declarando que o procedimento havia acabado com sucesso, realizou uns curativos em volta e despediu-se do grupo sendo parado por Yang.
— Ele está bem?
— Vai ficar! — garantiu Jackson limpando algumas gotas de suor da sua testa. — Não te preocupes, ele é forte Jeongin! O nosso chefe sempre foi e sempre será!
— Obrigado... — o lobo disse vendo a pequena reverência que o médico lançou a si. — Innie.
— Jinnie... — suspirou ao ouvir a voz fraca do lobo, sentia as lágrimas serem impedidas e um bolo formar na sua garganta. Jamais imaginou observar o lúpus daquela forma, ferido e com o cansaço prestes a dominá-lo. O pelo com sangue ainda dava um aspeto assustador a quem não conhecesse o lobo, porém Jeongin teve vontade de limpar os requisitos do pelo felpudo. Todavia, ao contrário, caminhou até estar ao lado do enorme lobo e acariciou o seu pelo carinhosamente. — Meu Jinnie. — beijou o focinho do lobo.
— Pai... O que estás aqui a fazer? — falou fracamente, deixando que Jeongin acariciasse o seu pelo felpudo. O carinho estava bom demais, assim como o seu progenitor parecia travar uma batalha interna, até que o lobo farejou o medo e abriu os olhos vermelhos. — O que aconteceu?!
— Kwang e Minjun escaparam! Deixei que eles fossem embora!
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