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Yang Jae-sang andava calmamente pela rua enquanto mantinha um semblante calmo na face. Porém, Hyunjin não se deixava enganar, o homem era cínico demais, e fingir uma doença para manter informações escondidas era um dos segredos daquele homem. Sabia muito bem que o envolvimento de Jae com Jeongin era mais do que o outro dizia ser.

Desde há semanas, quando foi o seu último contacto direto com o homem, Jae-sang tinha modos estranhos de agir quando o via na rua, ou quando Hyunjin estava por perto do seu bairro. Ou a mulher que cuidava do Yang dizia que o alfa estava fora, ou inventava uma desculpa qualquer para não abrir as portas da sua residência ao lúpus.

Todavia, mesmo não tendo confirmações diretas, sabia que aquele alfa também tinha envolvimento naquele caso todo. Mesmo Jeongin nunca ter tocado naquele nome, e não sabia se o ómega lúpus o conhecia. Mas, segundo o que havia conversado com o senhor Choi, nada era certo na mente de Jeongin, poderia haver informações em que poderia confiar e outras que eram traiçoeiras e poderiam enganar qualquer um, até mesmo o ómega.

O lúpus, com vestimentas casuais e cores neutras, para não dar nas vistas, mantinha os seus olhos focados no alfa. Ao seu lado, Seungmin tinha a sua atenção voltada ao aparelho na sua mão.

— Como iremos colocar um localizador no velho? — indagou baixo, ainda não percebendo o objetivo daquele plano.

— Simples. Vou passar por ele e retirar-lhe a carteira do bolso, em seguida coloca o localizador nela, em algum compartimento e de que modo a que ele não se aperceba. Depois, vou esbarrar nele novamente e devolver a carteira! — afirmou sem retirar a sua atenção do alfa.

— Simples?! — bradou com os olhos levemente arregalados. — Nesse plano nada é simples! E se ele sentir que lhe tiraste a carteira?! Esse maldito plano tem tudo para dar errado! E como planeias em tirar-lhe o objeto?!

— Seungmin! Pelo amor! Fui treinado! Roubar a carteira de alguém não será nenhum problema! — revirou os olhos repousando as suas mãos na cintura ao ver o homem adentrar o supermercado, vendo ali a sua oportunidade, Hyunjin instruiu para que Seungmin ficasse da parte de fora há sua espera.

— Espera! — segurou o pulso do lúpus respirando fundo. — Se der errado, bate nele!!

— Sinceramente, Seungmin, escolhes sempre a violência! — riu vendo o olhar descrente que o beta lhe lançou. — Nada irá dar errado. Espera-me aqui com o dispositivo pronto!

Recebendo uma confirmação, Hyunjin, por fim, entrou no estabelecimento — não tão grande — e seguiu o cheiro descontraidamente. Pelas prateleiras de alguns corredores, era possível ver o que acontecia do outro lado, e foi assim que conseguiu a posição de Jae-san. O alfa parecia escolher fruta com um saco de plástico em mãos. Avaliou o corredor e percebeu haver uma quantidade de pessoas que faria com que Jae-sang não desconfiasse da sua aproximação. Colocou a máscara que tinha em mãos e respirou fundo. Iria colocar as estratégias que antigamente aprendera com o seu progenitor, tomara que funcionasse.

Diminuindo gradativamente os seus feromônios, Hyunjin passou por trás do alfa de maneira que ninguém, nem mesmo as câmaras de segurança, apanhassem os seus atos. Ainda assim, estava despreocupado com o último referido, era líder daquela parte da terra, desaparecer com as filmagens ou destruir com aquele lugar seria fácil para si.

"— Devagar, Hyunjin! Com calma e leveza! Se perceberem que a pegaste, será o fim! — afirmou Changmin seriamente ainda com os seus braços cruzados. — Isso! Não sinto a tua mão adentrar o bolso! Que bom! Continua!

— Calma. Leveza... — sussurrou o pequeno lúpus, fechando os olhos e deixando que a sua mão retirasse calmamente o objeto.

— Isso! Estás a conseguir! — afirmou formando um sorriso ao Hyunjin retirar a sua mão junto à carteira do mais velho. Pegou o primogênito e abraçou-o fortemente. — Muito bem!! Conseguiste!

— Se não foi há primeira, seria há terceira! — comentou rindo.

— HWANG CHANGMIN!! — a voz da ômega acabou por ecoar, então ambos subiram o olhar, vendo Heejin com um semblante furioso na direção do marido.

— Rápido, Hyunjin! A omma vai-me bater!!"

Decerto, o que Hwang Changmin o havia ensinado por tempos, fora útil, e iria pôr em prática pela primeira vez em anos. A sua mão, com leveza, retirou a carteira do alfa e enfim saiu do estabelecimento entregando a carteira ao beta.

— Ele não notou? — indagou concentrado no que fazia.

— Tive um bom professor! — riu levemente observando o amigo procurar um bom lugar para que Jae não achasse o dispositivo. — E na parte de trás? — apontou.

— Verdade! É um bom sítio! — agradeceu mentalmente ao lúpus posicionando o localizador e ativando-o. — Podes levá-la!

— Obrigado!

— O que esperas encontrar com isso? — indagou saindo do automóvel do mafioso. — Ver por onde ele anda?

— Uma localização, com quem ele esteve. Eu ainda não percebi ao certo o que é, mas ele tem uma conexão com o Jeongin, e não é apenas tio! Isso eu sei!

— Como podes dizer isso tão certamente?

— O meu lobo nunca se engana, Seungmin! Agora, diz-me como isto funciona!

— Esse 'tablet' serve para o localizador, consegues ver a tempo real onde ele está. As localizações de um dia completo ficam guardados nos ficheiros, caso as queiras analisar outras vezes!

— Então, mesmo que passe uma semana, poderei ver por onde ele esteve hoje? — indagou o lúpus vendo o amigo assentir. — És um génio, Seungmin!

— Óbvio! — sorriu lançando algumas mechas de cabelo para trás com um semblante orgulhoso. — Fui eu quem criou muitos dos programas que usamos, estavas há espera do quê!

— Onde estavam?!

Assustando apenas o beta, Felix apareceu no campo de visão da dupla que havia ficado fora o dia inteiro. Hyunjin deu de ombros, afinal, não devia satisfações sem ser ao pequeno ser que gostava ou ao seu progenitor.

— Hyunjin! Estou a falar contigo! — apontou Felix vendo o outro virar-se para si lentamente com uma expressão de tédio.

— E eu resolvi não ouvir! — respondeu secamente saindo da sala. Lee olhou espantado para Seungmin, o beta suspirou e chegou perto do ômega abraçando-o de lado. — Ele está...

— Diferente! Eu sei. Percebi isso quando saímos, só não sei se é para melhor ou pior! — interrompeu espremendo os lábios. — Só temos de ver, se isso afetar a relação dele com o Jeongin, eu mesmo trato de afogar aquele idiota!

— O Choi vai mesmo vir? — indagou o ômega olhando a porta do quarto de Jeongin. O menor não havia descido para jantar, e nem mesmo dizendo que havia cheesecake, um doce que tanto amava, o pequeno lúpus desceu, ou abriu a porta. Seungmin assentiu. — Isso irá desgastar o Jeongin!

— Ou não...

— Só espero que o Hyunjin entenda o que está a fazer!

No piso inferior, Hyunjin estava no cômodo dos seus gatinhos, mantendo Soonie nos seus braços embalando-a lentamente. Era engraçado o modo em que o gato estava despojado nos braços do dono, mantendo os olhos fechados e uma expressão de conforto.

— Onde está o Doongie? Hm? E a Dori? — indagou manso procurando os outros gatos pelo cômodo, porém logo apercebeu-se que ambos não estavam no quarto. — O Felix soltou-vos? Logo o medroso?

Miau! — foi o que recebeu em resposta.

— Vamos, seu preguiçoso, onde estão os outros?

Como se percebesse Hyunjin, Soonie levantou-se e esticou todo o seu corpo desajeitadamente. Miou para que o lúpus o seguisse, e minutos depois estavam em frente ao quarto de Jeongin.

Desde as suas ações de manhã, não havia falado com o menor, manteve a distância por conta da raiva, não queria demonstrar tal sentimento mais em frente ao ômega. E como ouvira de Felix, Yang não havia saído do quarto para comer.

Teria assustado o menor? Ou Jeongin estaria com raiva de si e nem queria olhar para a sua cara?

Não. Jeongin era demasiado inocente para ficar com raiva de alguém... Ou não?

— Jeongin. — chamou alto para que o outro pudesse ouvir. — Precisamos de falar. — nenhuma resposta. — Por favor?

A porta abriu-se lentamente, e assim, teve a visão de um pequeno ser com os cabelos úmidos e um dos gatos em mãos. O olhar atento que Jeongin lhe deu foi uma confirmação para que pudesse entrar, porém, não o fez.

— Foi idiota da minha parte o que aconteceu mais cedo. Peço desculpa por isso, entendo que os meus atos não foram os melhores, e descontrolei-me... Entendo se tiveres com raiva! — falou embolando-se nas palavras, olhou para o menor, e parecendo confuso, Jeongin negou levemente.

— Não estou com raiva, Hyun. Apenas acho que a violência não levou a nada! — explicou suspirando. — Mesmo compreendendo o que é perder alguém, devias resolver de outra forma... — sussurrou, deixando o gatinho por fim no chão. — Mas tudo bem, hyung, eu perdoo tudo!

— Obr...

O calor do corpo de Hyunjin era o paraíso para Jeongin naquela noite. Podia o sentir a centímetros de distância, mas naquele abraço deixava-o ainda mais quente. Assustou Hyunjin no início, porém, o lúpus logo o aconchegou nos seus braços. Beijou o topo da cabeça do ômega e agradeceu com um sorriso desenhado nos lábios.

— H-hyung...

— Sim, meu amor?

— P-posso...?

Interrompendo a pergunta, Hyunjin encostou os lábios de ambos, sentindo o sorriso envergonhado que Jeongin dera contra os seus lábios. O ósculo carinhoso formado foi desfeito segundos depois, dando a oportunidade de Hwang ver as bochechas do outro tomarem uma coloração avermelhada. Jogou cuidadosamente umas mechas loiras do ómega para trás e pegou nas suas mãos, pronto mais uma vez para se declarar ao outro.

— Que lindo! O escravo aqui a querer saber se o Jeongin estava bem, e o bonitinho aos beijos!

— FELIX, EU VOU-TE ESMAGAR!! — gritou afoito, por ser mais uma vez interrompido. Recebeu um pequeno olhar severo de Jeongin e logo tossiu falsamente. — Quero dizer... Vou colocar fazer-te em picadinho e em seguida colocar-te num cofre e mandar para o oceano atlântico!!

— Que bonitinho! — ironizou Felix revirando os olhos. — Ao menos tens a consideração de colocar num cofre, já eu te mandava direto aos tubarões!

— Lixie!!!

— Estou a brincar, Jeongin!! Não mandarei o teu namorado aos tubarões... Não hoje... — completou a última parte mentalmente. — Vamos descer!

— E-ele não é o meu namoradinho! — apontou envergonhadamente seguindo a dupla.

— Ainda! — respondeu Hyunjin alto, rindo em seguida ao ver que Jeongin quase escorregava das escadas pelo que foi ouvido. — Ainda não, Innie!

Estava tudo a ir bem, conforme os seus planos, mas aquilo ocorria tão detalhadamente que poderia dizer que a qualquer momento algo poderia acontecer... Ou já estava. 

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