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— Acabei por descobrir que ela dera a sua vida em troca das nossas... Em troca da segurança da máfia e de todos nós... — proferiu sentindo as palavras embrulharem-se junto às lágrimas que pretendiam sair. — Ela fez um sacrifício, ela foi torturada, mutilada, mandaram-me vídeos... Naquela época, eu fiquei tão irritado... Fiquei sem saber como expressar tudo o que sentia... Por isso acabei por tentar rastrear a localização de onde ela estava, porém, eles eram mais fortes naquela altura e tinham mais recursos! A localização que o meu capanga naquela altura tinha não era de onde eles estavam, era onde estava um computador, e era para lá que os vídeos eram enviados!
— Ela nunca chegou a falar nada...? — indagou o lúpus, que assim como progenitor, tinha a garganta seca e sentia um bolo na mesma.
— Nunca. Foi por isso que ela teve uma tortura mais pesada, o Minjun estava furioso com isso. Tanto que chegou a escrever que mesmo assim ainda a faria falar, usando objetos mais pesados, ou investidas. Mas na realidade ele nada conseguiu, nem conseguiria... A tua mãe tinha uma boa relação com a máfia e com todos daqui de dentro! Quando a aceitei como ómega fizeram uma festa, e quando descobriram que tu virias ao mundo, foi mais que uma festa, quando chegámos a casa só conseguíamos ouvir gritos felizes... Nunca esquecerei da reação da tua omma, ela chorou e deu tantos gritinhos animados!
— ...
— Um dos vídeos era a pedir informações em troca dela...
— E por que não deste a porra das informações?! — exclamou Hyunjin indignado, levantou-se olhando o progenitor raivosamente, porém, o Hwang mais velho continuou sem olhar o primogénito.
— Acreditas que ele traria a minha ómega para mim novamente? Hyunjin, ele não é idiota, o Minjun tem as suas técnicas, tem os seus planos assim como nós! Ele não a traria de volta, pelo menos não com vida, o máximo que ele faria era dar-me o corpo. E no final, foi isso que acabou por acontecer. Houve um último vídeo, como uma despedida. — Hyunjin abriu a boca para responder ou comentar algo, porém Changmin logo o interrompeu. — Ela estava fraca, pálida e com vários cortes ao longo do corpo... O meu coração chegou a doer ao ver ela novamente, porém quase sem vida...
— O que ela disse?
— Ela pediu-me uma última coisa. A tua omma sempre esteve contigo, no coração e sempre te vigia de lá de cima. Sei disso! Ela ama-te demais, Hyunjin. Ela pediu-me para te criar com todo o amor e carinho, mesmo não podendo ter o amor materno quando crescesses, mas sei que ela te deu tudo o que foi preciso para nunca te esqueceres dela!
— Eu nunca iria esquecer da minha própria mãe. Da pessoa que me criou e amou-me, da pessoa que agora percebi que trocou a vida pela minha segurança... Nunca esqueceria dela... — sussurrou engolindo em seco tristemente. Os olhos do ruivo mesclavam entre vermelho e o negro. Ele estava com raiva, triste e feliz por saber que sempre seria amado pela mulher que mais amou e ama na vida, pela pessoa que deu a sua vida, a sua liberdade, e a sua alma, pela sua segurança. Heejin foi corajosa, não seriam todos os ómegas que arriscariam a sua vida para salvar os seus, mesmo não sabendo o que aconteceria no futuro.
— Meu filho... Eu disse-te que ele prometeu não fazer nada, certo? — o lúpus assentiu. — Ele não obteve as informações que quis no passado...
— Tornámo-nos mais fortes, mais implacáveis que ele... E agora que tenho alguém de quem gosto... Ele quer-me retirar isso. Assim como fez com a mãe! — bradou frustrado. Minjun queria retirar Jisung de si, porém com que propósito? Com o de há anos? Queria fazer o mesmo que no passado? Mas com que motivo?
— Sim... Ele quer tirar-nos a felicidade.
— Então, o pai do Yang está excluído? — indagou levantando o cenho em confusão.
— Não. Ainda não sabemos com que propósito o Minjun está a fazer isto. O pai dele pode estar envolvido assim como esse tal de Yang Jae-sang, tendo conexões com o Jeongin e a família dele, mantêm todos sob controlo, coloca capangas atrás dos possíveis suspeitos! Não podemos deixar que isto aconteça novamente, não comigo vivo!! — resmungou. — Uma última coisa... Ela não foi morta pelo Minjun...
— O quê?! — indagou altivo arregalando os olhos. — Como assim?!
— O Minjun estava fora quando recebi a notificação de mensagem a dizer, junto ao vídeo, que a tua mãe estava morta! Não foi ele.
— E-então... Preciso de ficar sozinho... — avisou o lúpus saindo da sala sem dizer mais nada, seguiu até ao seu quarto silenciosamente fechando a porta nervosamente.
Hyunjin sentia-se enjoado com o baque de informações. Primeiro, o seu pai diz que a sua mãe foi sequestrada e torturada por Minjun. E no final, para melhorar a confusão, diz que não foi ele quem a matou...
— Eu não entendo, e não gosto do rumo disto... — rosnou altivo socando a pequena mesa ao seu lado. Esta não continha nada importante para o lúpus, pelo menos nada que ele não pudesse comprar novamente. — Certo... Não foi ele quem a matou... Então o Minjun tinha alguém com ele... Alguém... E esse alguém tem de estar envolvido ao caso do Jeongin...
Hyunjin parou no centro do cómodo olhando fixamente para um canto do mesmo, estava absorto em pensamentos, estes rondavam o assunto abordado com o seu progenitor. Sentia-se burro ao não perceber e não entender certas partes do que lhe foi dito. Porém, era tudo muito confuso, tudo complexo, e as informações não pareciam se encaixar.
O pai de Yang estar vivo era uma das opções, mas como poderiam eles saber disso? Constatar que o Yang Duri estava de volta para atormentar a vida do próprio filho, do ómega que passou a amar em apenas poucos dias... Como poderiam eles afirmar isso?!
— Hyung...
A voz fofa ficou presente no lado de fora do seu quarto. A voz do ómega lúpus junto ao cheiro adocicado que o deixava completamente inebriado... Aquele ser precioso que gentilmente bateu na sua porta chamando por si... Hyunjin poderia estar mais que apaixonado?
— Hyung?
Saindo novamente dos pensamentos, Hyunjin caminhou até à porta a abrindo. Logo, pôde avistar Jeongin tímido enquanto desviava o seu olhar dos olhos felinos do alfa há sua frente.
— Não tomava atenção, foi por isso que não respondi... — afirmou baixo. Yang assentiu com um pequeno sorriso. O pequeno havia ganhado a 'missão', segundo Seungmin, de chamar o alfa lúpus para jantar, já que o mesmo pareceu não ter ouvido os gritos do Lee.
— Tudo bem, Hyun! O Minmin pediu p-para te chamar... Está na hora de jantar e não respondias!
Jeongin teve a sua mão agarrada pela do lúpus, este que sem qualquer requisito de timidez a agarrou entrelaçando os dedos de ambos, sendo assim possível se ver o rubor que as bochechas do ómega lúpus ganharam.
— H-hyung...
— Amo o calor das tuas mãos, anjo! — afirmou totalmente inebriado. — O teu cheiro... Jeongin... Tem como seres mais perfeito do que já és?!
— H-hyung! — totalmente envergonhado. Essa era as duas palavras que definiam Jeongin naquele momento. — V-vamos...
— Innie. — chamou atraindo a atenção do lúpus. — E-eu...
— Caralho, querem demorar mais?! Estou cagado de fome!! — Minho apareceu repentinamente com um semblante falso de irritação, as mãos na cintura e o bico nos lábios. — Hmmm. Estavam a beijar?! Porque o Jeongin tem a cara de pós-beijo?!
— MINHO!! — bradou o alfa esbofeteando o amigo com a mão disponível. — Desde quando existe cara pós-beijo?!
— Olha para o Jeongin e diz-me tu!
— Minho!!
— Ai. Desculpa! Parei! Seus caretas pós-beijo!!
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— Yang Duri.
— Isso!! — exclamou alegre. — Prepara-te para o que vem! Não será fácil acabar com eles, Yang Duri!!
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