38

— Innie!! — resmungou Felix apertando o menor novamente nos seus braços. A ansiedade e a adrenalina por fim saíram do seu corpo, dando presença às dores, fazendo com que o ómega lúpus desfizesse o abraço com um olhar preocupado. — E-estou bem... — rosnou baixo olhando seriamente o namorado que efetuava pressão na ferida. — Bang Chan!! Seu idiota!

— Lixie! — resmungou Jeongin pelo modo que Seungmin havia falado com o próprio namorado. — Por favor, ajuda-o. — olhou para Chris, este que mantinha o seu olhar nos ferimentos do seu ómega.

— Jackson! — chamou o alfa vendo o médico chegar com uma pequena mala médica.

— Meu Deus, o que aconteceu aqui?! — indagou Mark adentrando junto ao médico. Porém, calou-se imediatamente ao sentir o olhar felino do único alfa lúpus sobre si. Reprimiu os lábios e caminhou até ao sofá na esperança de também poder ajudar Jackson.

— Changbin! — o alfa rapidamente apareceu, parecendo afoito. — Algum sinal de alguém lá fora?

— Está tudo calmo! — afirmou com um semblante pensativo.

— Eles saíram assim que comecei a atirar, nem sequer adentraram muito. Deixaram esse pedaço de estrume aqui sozinho, e fugiram. — começou Felix reclamando assim que Jackson espremeu a gaze em si. — Porra! Essa merda dói!!

— Desculpa... — disse Jeongin por fim baixando o olhar. Hyunjin aproximou-se do ómega colocando uma das suas mãos nos ombros do menor. — É sério... Se eu tivesse insistido, não estaria assim. E eles poderiam ter desistido ao não encontrar nada...

— Achas mesmo que eles desistiriam, Jeongin? — desta vez foi o lúpus quem perguntou, recebendo um assentir da parte do menor. Hyunjin suspirou negando. — Eles não desistiriam ao não te ver aqui, pelo contrário, eles revirariam tudo, e provavelmente os gatos também poderiam não estar vivos.

— Os gatinhos? — arregalou os olhos com os lábios abertos.

— Fofo... porém verdade! — pensou o lúpus assentindo.

— Felix. — o ómega olhou para si. — Consegues descrever os outros? — o ómega negou.

— Estavam com máscaras, menos ele... — resmungou novamente olhando incrédulo para Jackson que parecia fazer de propósito. — Idiota. Mas eles atiraram em cada câmara de segurança perto da entrada. Nessa hora não consegui atirar neles, até porque havia um embuste com uma metralhadora, atirava a tentar despistar-me. E o que mais me incomoda é eles terem levado metade dos seguranças e deixarem um parceiro para trás.

— Sim. É um plano! Provavelmente eles irão tentar retirar informações dos seguranças que foram levados, se oferecerem dinheiro poderá haver traidores que darão todas as informações precisas. E alguns poderão refutar, irão dar toda a lealdade a mim até ao fim. — suspirou jogando os seus cabelos para trás.

— Então irá depender de quem foi raptado... — proferiu Jeongin obtendo olhares para si. Era verdade, o que o ómega havia dito era a mais absoluta e fria verdade. Todavia, ela precisava de ser dita, mesmo que o lúpus já soubesse. — Todos assinamos um contrato de confidencialidade e um acordo verbal de lealdade, jurámos que independentemente de tudo iríamos dar a nossa vida pelo chefe! — comentou olhando para Hyunjin. — Ele salvou as nossas vidas de momentos difíceis, abrigou-vos e aceitou como todos eram, mesmo tendo cada falha e erro na pessoa em si. Foi ele quem vos deu abrigo quando precisaram, que ajudou a vingar a vossa família e nome. — terminou vendo o ruivo olhar para cada capanga presente. Todos com os olhares baixos e fazendo uma pequena reverência a Hyunjin, que se encontrava em pensamentos, não deixando de ouvir cada palavra.

— Quem quiser ir embora, peço que faça isso agora, não preciso de traidores na minha máfia, muito menos medrosos que não sabem sequer raciocinar e acabar uma mísera missão junto ao vosso líder. Quem achar que não mereço estar aqui, ou está infeliz com os meus comandos, saia agora, depois não irá haver volta! — afirmou virando as costas e subindo as escadas não percebendo o cheiro doce segui-lo, junto a Minho. — Lee. Identifica quem foi levado conforme os turnos, e quem morreu. Faz todas as burocracias e dá os meus pêsames às respetivas famílias, assim como um bónus deve ser dado às famílias de quem morreu. Mas antes de atribuir os corpos às famílias, leva-os para as autópsias, o médico legista de sempre!

— Certo! — o loiro saiu dando um pequeno sorriso a Jeongin antes de sair. O ómega com o seu cheiro de baunilha seguia lentamente o lúpus desejando dizer algo ao mesmo, porém com algum receio. E isso não deixou de passar despercebido pelo alfa lúpus, Jeongin ainda tinha medo dele, mesmo que fosse pouco, mesmo o alfa tendo prometido que nunca tocaria no loiro com segundas intenções ou se ele mesmo não quisesse.

— Hyun...

— Sim? — indagou adentrando o seu quarto, não sem antes de olhar o loiro baixinho com um pequeno sorriso no rosto, abandonando aquela expressão séria de há segundos atrás. — Se vais pedir desculpa, esquece. Não tiveste nada a ver, nem te deves culpar pelo que aconteceu. Jamais.

Mesmo que o alfa repetisse aquelas palavras, Jeongin não sentia que deveria esquecer que Felix estava ferido por sua culpa, ou que a casa de Hyunjin estivesse virada do avesso por sua culpa. Hyunjin parecia cansado, deveras cansado, e pelo esforço que fazia em tentar alcançar Iseul e quem tivesse por trás de tudo aquilo. Jeongin trouxe todas as maldições que tinha consigo e fez com que Hyunjin e os demais levassem com todos os seus problemas, assim ele pensava.

— D-desculpa... — disse com a voz trémula, olhou as suas mãos sentindo-se envergonhado e triste. O olhar felino de Hwang não se desviou do seu pequeno corpo, causando sensações desconhecidas por Jeongin. As mãos agora suadas e sentia o seu estômago embrulhar ao encarar o lúpus. Aquele olhar. Os lábios. As mãos.

Por que Jeongin ponderava pedir que Hyunjin o tocasse com toda a sua força?

Desesperado, o menor desviou o olhar mais uma vez, ouvindo um suspiro alto. Todavia, ao sentir uma mão sem se aperceber nos seus fios de cabelo, desviou-se do toque assustado. Os olhos arregalados, a respiração afoita, o semblante assustado.

— Iseul... — era tudo o que Jeongin pensava. Quantas vezes o alfa nojento havia tocado no seu corpo sem a sua permissão. Os toques e o puxar de cabelos que o alfa dava cada vez que Jeongin tentava recusar cada ação de Iseul.

Os abusos sofridos enquanto o alfa repugnante mantinha os seus cabelos presos pelas suas mãos, as faltas de ar presentes todas as vezes, os rosnados altos do alfa, as cordas presas ao seu corpo. Era nojento, sentia-se horrível ao ter as retrospetivas daquilo.

— Jeongin?? Innie? — indagou manso, apercebendo-se dos possíveis gatilhos que desencadeou no menor.

Hyunjin não havia tocado no assunto sobre o que aconteceu com o Iseul, não o queria deixar desconfortável, mas era possível, e podia afirmar, que o alfa havia abusado do menor sem qualquer pudor. Porém, percebia que não era a primeira vez, o lúpus sentia isso e nunca ia contra os seus sentidos. Jeongin guardava tudo aquilo para si, deixando trancafiado dentro da sua mente tudo o que sentia.

Vergonha, raiva, tristeza, e o mais de tudo nojo. Nojo de si próprio, das suas ações, de não ter conseguido terminar aquela situação ou até mesmo lutar contra Iseul. Lutar contra o que o outro fez, não se deixando acabar onde estava.

O poço sem fundo de sentimentos não estaria fechado agora, se tivesse contra-atacado, se não tivesse nascido, ou ter nascido ómega. Se Jeongin l não estivesse ali, jamais, haveria algo daquilo, ou fazer com que as pessoas que considerava mais próximas de si se magoassem.

— Innie... Não penses no que acho que poderás pensar! Por favor, nada disto é tua culpa. Não sabemos ao certo o que acontece, o porquê de eles te desejarem tanto, o porquê de nos estarem a atacar! Mas posso afirmar que quando acharmos quem é o filho da puta, eu prometo que o matarei com as minhas próprias mãos! Sem deixar nenhum rastro dele para trás! Deixando-te livre de todas estas memórias horríveis e tristes! — começou dando dois passos para trás. Não iria fazer com que o ómega sentisse medo de si, não mais do que ele aparenta ter. — Lembras-te do que prometi e do que disse?

— Sim...

— Irei proteger-te. O que aconteceu com o Iseul... — viu o mesmo engolir em seco. — Não irei deixar voltar a acontecer. Se depender de mim, não o voltarás a ver. E posso dizer que o farei se arrepender de tudo o que te fez, se é que és o único a quem ele submeteu estes atos.

— ...

— Tens a minha palavra. Irei vingar-te. Irei fazer de tudo para teres uma vida normal! — prometeu arregalando os olhos, surpreso com o ato inesperado de Jeongin. O menor abraçou-o choroso, escondendo a sua cabeça no peito do lúpus, inspirando o cheiro do alfa.

— Dói...

— Eu sei, anjo, sei que dói, bastante. Mas não podes desistir. Isso é a última coisa que poderás fazer... — sussurrou abraçando fortemente o pequeno lúpus. — Eu não sou nada sem ti, então, por favor, não caias na escuridão.

"Não caias na escuridão dos teus sentimentos Jeongin..."

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