Capítulo 05

A vida dupla de estudante e trabalhadora não era fácil.

E Sooyoung sentia na pele isso todos os dias desde que administrava o trabalho no clube e a faculdade. Mesmo a aula já tendo acabado há alguns minutos e se encontrando no veículo do jogador do Barcelona, ela pensava em quantos almoços teria que abrir mão da sala de descanso para entregar os projetos, e ela já até podia ver aquela maratona de comédia romântica do fim de semana indo embora....

O carro de Pedri deslizou pela cidade iluminada enquanto ela olhava pela janela, perdida nos próprios pensamentos. A brisa fria da noite passava pela pequena brecha da janela aberta, e as luzes das ruas piscavam como pequenas estrelas distantes. O som do motor era o único som presente além de seus pensamentos.

Sooyoung não conseguia parar de pensar no futuro, como se ele estivesse batendo na porta, pronto para ser enfrentado. O trabalho no clube, a faculdade, as expectativas... era tudo tão grande.

Mais do que ela imaginava ser capaz de suportar. Ela só queria um pouco de paz, uma pausa para respirar.

Mas como fazer isso quando o tempo parecia escapar entre seus dedos?

Pedri, ao seu lado, sentia uma tensão que não era a sua. Ele não sabia o que se passava na mente de Sooyoung, mas seu silêncio o incomodava. O modo como ela estava distante, com os olhos fixos em um ponto inexistente na estrada, fez seu coração apertar sem que ele soubesse exatamente por quê.

Ele queria ajudar, mas não sabia como. E o fato de não saber o que fazer o deixava inquieto.

— Oi? Sooyoung? — ele disse, quebrando o silêncio, a voz baixa, quase hesitante. — Você tá bem? Tá muito quieta... É culpa minha? Tá entediada?

Ela piscou, se retirando dos próprios pensamentos, e virou-se para ele, um sorriso fraco nos lábios.

— Não, não é culpa sua. Só estou pensando nas aulas e no trabalho, essas coisas — ela respondeu, tentando soar despreocupada, mas sabia que não conseguia esconder completamente a inquietação que a consumia.

Pedri observou seu rosto por um instante, como se tentasse desvendar os segredos escondidos atrás daquela expressão. Ele queria dizer algo que a fizesse se sentir melhor, mas nada vinha à sua mente.

Porque, de algum modo, a presença de Sooyoung sempre parecia trazer um conforto que ele não encontrava em mais ninguém. Nem mesmo no seu antigo "relacionamento".

— Faculdade, hein? Deve ser complicado — ele comentou, tentando mudar o assunto, mas, na verdade, estava apenas tentando entender mais sobre ela. — Não deve ser fácil lidar com isso e ainda com o trabalho.

— Complicado, sim. Eu me sinto o tempo todo entre duas realidades. O trabalho, as responsabilidades... e então eu olho para o futuro e parece que não consigo ver uma saída às vezes — ela disse, sem olhar para ele, mas com a voz carregada de cansaço.

O jogador não conseguiu deixar de sentir uma dor apertada no peito ao ouvir isso. Ele sabia o que era ter as expectativas de todos sobre seus ombros. O futebol, a seleção, o Barcelona...

— Eu também me sinto assim às vezes — ele disse, mais suave do que o habitual, como se compartilhasse um segredo. — No futebol, é como se a pressão nunca fosse embora. Representar a Espanha, jogar pelo Barcelona... e a cada jogo, parece que você precisa provar algo a mais. É uma sensação estranha, de não saber até onde pode ir.

Sooyoung o olhou, surpresa. Ela nunca o imaginou como alguém que carregava tantas inseguranças. No entanto, ele estava ali, vulnerável, compartilhando uma parte de si que ela nunca teria imaginado ver.

— Você? Medo? Eu não consigo imaginar — ela respondeu, rindo levemente, embora seu sorriso fosse suave, quase triste. Era uma forma de tentar aliviar o peso que ela sentia.

Pedri sorriu de volta, mas havia algo diferente naquele sorriso. Era uma espécie de suavidade, como se ele estivesse tentando encontrar uma maneira de conectar-se com ela, de compreender a dor que ela não sabia expressar. Ele queria dizer mais, mas as palavras pareciam distantes, como se não fossem suficientes.

— Todos temos nossos medos, Soo — ele murmurou, com um tom mais sério, como se dissesse algo mais profundo sem realmente querer admitir. — Não sou diferente de você.

O silêncio voltou, mas agora, de alguma forma, não parecia tão desconfortável. Ambos estavam lidando com seus próprios medos, e talvez, só talvez, isso os aproximava de alguma forma.

Então, para tentar quebrar a tensão, Pedri estendeu o celular para ela, um sorriso travesso nos lábios.

— Escolhe uma música, vai. Preciso de algo pra animar, não quero música triste.

Sooyoung olhou para o celular, seu dedo deslizando pela tela até que encontrou a música perfeita. Quando ela apertou o play, o som de "Sin Señal" do Quevedo preencheu o carro, a batida envolvente começando a embalar os dois.

A princípio, o olhar de Pedri estava fixo na estrada, mas algo na maneira como Sooyoung começava a cantarolar a letra, com a voz suave e a expressão tão concentrada, fez com que ele desviasse a atenção para ela.

Ele nunca tinha percebido como ela se entregava à música com tanto entusiasmo. O modo como seus lábios se moviam no ritmo da letra, como ela fechava os olhos por um segundo, absorvendo cada palavra, fez seu peito acelerar de maneira inesperada como se fosse bater um pênalti.

A realidade, era que nem quando ele iria bater um pênalti se sentia assim... E a única coisa que ele pensou foi:

"Estou fodido".

•─⊱⚽⊰─•

Dentro do mercado, a atmosfera era completamente diferente. Pedri e Sooyoung estavam se divertindo, a tensão da conversa anterior se dissipando. Eles andavam pelos corredores, sorrindo e brincando um com o outro enquanto procuravam os itens para a refeição que tinham planejado fazer em casa.

— Pedri, você sabe que esse molho é o melhor, né? Certeza que sua mãe e o Fê vão preferir esse do que aquele mais barato e... aquilo é o óleo boiando? — Sooyoung perguntou, pegando uma garrafa de molho de tomate da prateleira e olhando para a outra com uma feição estranha.

— Só você para me convencer a comprar esse aqui mais caro que os outros três que parecem iguais — ele respondeu com um sorriso, passando por ela para pegar o que precisava.

— Silêncio, você pediu minha ajuda e consultoria mercadológica alimentícia, apenas aceite.

— Isso existe ou você inventou? — a pergunta dele foi respondida com um sorriso brincalhão dela — Ok, senhora sabe tudo, escolha então tudo.

Eles estavam descontraídos, como se o mundo lá fora não existisse. Mas, logo, o clima seria interrompido por algo inesperado. Uma criança pequena, com os olhos brilhando, se aproximou de Pedri. Ele parou, olhando o garoto, que estava segurando um celular na mão.

— Você é o Pedri, né? Posso tirar uma foto com você?

Pedri sorriu, se abaixando para ficar na altura do garoto.

— Claro, vem cá. — Ele aceitou com um sorriso gentil, mas logo a atenção de outros começou a se voltar para ele.

Sooyoung, percebendo o pequeno fã, deu um passo atrás, sorrindo suavemente, enquanto observava o menino parar de encarar o ídolo e observá-la com os olhos arregalados e boca aberta.

— Sua namorada é muito bonita! — o garoto disse com um sorriso inocente, fazendo Pedri congelar por um momento.

Pedri corou instantaneamente, tentando esconder o constrangimento, enquanto Sooyoung, com um sorriso divertido, respondeu: — Ah, obrigada!

Quando o garotinho se afastou, o jogador do Barcelona olhou com o cenho franzido e as bochechas ainda coradas para ela.

— Foi mal por isso.

— Não esquenta.

— Você... você não negou.

— E acabar com a alegria dele de conhecer o ídolo? Nah, tá tudo bem — respondeu a Park sorrindo levemente — Não é como se eu fosse ser xingada na internet ou algo assim por responder a uma criança. Agora, se fosse em um jogo ou na frente do CT...
Ele tentou rir, mas a ideia se agarrou a ele como um segredo que ele não podia compartilhar.

No fundo, ele não sabia como se sentia. O que significava essa vontade de protegê-la, de vê-la sorrir, de ouvir sua voz um pouco mais? O que significava esse aperto no peito que ele sentia quando a via triste?

E pior, por que ele se sentiu tão alegre dela não negar a pergunta de um menino?

Só que a bolha de tranquilidade se quebrou quando, enquanto terminaram de passar pelo caixa e empacotar as coisas, Pedri começou a chamar mais a atenção, e com isso, alguns celulares passaram a serem apontados na direção dele.

— Corre — Sooyoung sussurrou e ele compreendeu, atendendo o comando da Park.

Os dois foram rindo entre o caos de sacolas balançando e olhares curiosos. Quando finalmente se sentaram no veículo, ambos respiraram fundo, tentando acalmar o coração acelerado.

— Isso foi por pouco — Pedri comentou, rindo, mas logo seu tom mudou ao olhar para ela de lado.

— É, mas amanhã estará no Twitter ou pior... no TikTok — ela brincou, prendendo o cinto de segurança enquanto ele começou a dirigir — Pelo menos espero que sejam gentis nas montagens.

— E os comentários?

— Suporto os comentários se os edits e as montagens forem bons — respondeu a Park dando de ombros.

Pedri se surpreendeu como Sooyoung estava sorrindo, mas havia um cansaço ali, algo que ela tentava esconder. Ele sabia que o sorriso não era suficiente para apagar o que quer que estivesse pesando em seus ombros.

E, naquele momento, ele tomou uma decisão impulsiva.

— Tá tarde — ele começou, a voz baixa, mas firme. — E você parece cansada. Por que você não vem pra minha casa?

Sooyoung o olhou, surpresa.

— Na sua casa? Agora?

Ele assentiu, a expressão mais séria do que ela estava acostumada a ver.

— Só pra relaxar. Nada demais. Eu sei que você tem muita coisa na cabeça, e talvez só precise de um tempo pra não pensar em nada.

Sooyoung hesitou. Era uma proposta simples, mas havia algo no tom dele que a fazia se perguntar se era só isso. Ela sabia que deveria dizer não. Era tarde, e ir até a casa de Pedri parecia... errado, de alguma forma.

Mas, ao mesmo tempo, a ideia de não estar sozinha naquela noite, de ter alguém que a compreendesse, parecia irresistível.

Porra, ele era irresistível.

Ela olhou para ele, tentando encontrar alguma razão para recusar. Mas o olhar dele era tão sincero, tão cheio de algo que ela não sabia explicar, que ela simplesmente não conseguiu.

— Tudo bem — ela respondeu, com um sorriso hesitante.

Pedri relaxou visivelmente, como se estivesse segurando a respiração. Enquanto dirigia, o silêncio voltou, mas desta vez parecia diferente. Havia algo não dito entre eles, algo que ambos sentiam mas não conseguiam colocar em palavras. Pedri mantinha os olhos na estrada, mas seu coração estava em Sooyoung.

E Sooyoung, enquanto olhava para as luzes da cidade, se perguntava por que aquela decisão tão simples parecia tão importante.

•─⊱⚽⊰─•

Notas da autora: Hey pessoal, como estão?

Mais um capítulo após longos meses, e temos um avanço na relação deste casal, até o menininho ta shippando, quem sou eu pra não shippar? 

Me digam o que estão achando, quero saber de tudo!

Até o próximo!

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