02. anti-viciado em cigarro

Taeyong encontrava-se num beco sem saída. Pensou em todas as maneiras possíveis para conseguir sair dali com o carro inteiro e sem dor no bolso. Não queria gastar o mínimo de dinheiro que tinha na carteira. Porque se o fizesse, seria uma luta enorme para conseguir tê-lo de volta, já que, onde estava não havia rede. E o que isso quer dizer? Oras. Sem contato com os seus amigos, sabe-se lá por quanto tempo. Não tinha em mente permanecer ali por muitos dias, mas sim ir embora o quanto antes. O lugar era assustador, davam demasiados arrepios. Provavelmente, os arrepios não seriam do lugar ser assustador, mas sim dos olhos pretos que nem uma navalha afiada que observavam-no.

— Quando pensas em dar o baza daqui?

— Quanta empatia. Pensava que já tínhamos ultrapassado essa fase.

— Que fase?

— A fase do: cala a boca, otário — debruçou-se sobre a mesa. As suas costas e ombros doíam e não sabia, exatamente, o porquê.

— Há sempre timing para isso, cara — era muito óbvio que Ten não gosta da palavra cara. O Taeyong não sabia qual seria o problema disso, mas também não procurava saber.

Suspirou.

— Eu não tenho como ir embora daqui — optou por fugir de uma possível discussão (a terceira, no caso). Estava farto de elevar a voz. A sua garganta doía, também. Não sabia quando começou a sentir sintomas de gripe. Também não tinha medicamento consigo para combater.

— Como assim? — parou de arrumar os pertencentes do bar e começou a prestar mais atenção ao que Taeyong dizia — É claro que tens. É só ires da mesma maneira que vieste — sorriu simplista.

— Não é tão fácil quanto parece ir da mesma maneira que vim. Esse é o motivo que me fez vir aqui, Ten.

— O que há de errado, então?

(...)

Em vez de Tae gastar o seu paleio por causa das dores de garganta, decidiu demonstrar o problema que impedia-o de prosseguir o seu caminho, feliz da vida.

Caminhavam por uns bons minutos, mas Taeyong ainda não havia encontrado o seu carro. Pensamentos negativos invadiram a sua mente. Será que foi roubado? Ou ainda tinham que andar um bom bocado?

Quando deparou-se com esta estrada, não havia contado quanto tempo era de caminhada até o bar e vice-versa. Estavam a caminhar por um bom tempo. O único som presente eram os murmúrios de Ten.

— Quanto tempo demora, desgraça?

— Calma. Não faço a puta ideia.

— Como não fazes a puta ideia?! — berrou. A expressão do Taeyong de: "cala a boca, otário" foi bem visível e, por isso, Ten Chittaphon-sabe-se-lá-o-que-nome diminuiu o tom de voz e prosseguiu — Eu acho que vais raptar-me. Mas eu sei dar uma boa surra nas pessoas, então fica esperto.

Taeyong riu. Taeyong riu pela primeira vez desde que se conheceram. Taeyong riu pela primeira vez desde que o seu carro deu o berro quando mais necessitou dele. Taeyong sorriu e Ten não soube como reagir depois. Digamos que, o sorriso de Taeyong ao ver do Ten, era perfeito, calmo, cativante e devastador, como o seu olhar quando foi dirigido a si. Os olhos escuros estavam diferentes, mas quis acreditar que era por culpa do escuro.

Desviou o olhar.

— Eu não te vou raptar, ok? — parou de rir e se acalmou — Já deveríamos ter chegado. Eu não contei quanto tempo demorei a chegar ao bar, Ten. Eu nem sabia que ia encontrar um bar no meio do nada — disse indignado.

— Vou fingir que acredito e que é uma possível desculpa de engate — empinou o nariz e cruzou os braços. Taeyong riu.

— Engate? Não sabia que a situação dava para um engate. Funcionou? — decidiu dar continuidade à conversa, já que não queria caminhar por um tempo indeterminado em completo silêncio (ou nem tanto).

— Não, de todo. É o pior engate da vida — Taeyong riu e desta vez foi acompanhado por Ten. Engraçado, calmo... A maneira de como ambas as risadas entrelaçaram-se foi, aconchegante. Aprovado. Anotado.

Fazer Ten sorrir mais vezes ou tentar pelo menos.

(...)

— Mas que porra de lata velha! — exclamou assim que avistaram o carro.

Só mais um pra insultar os meus gostos.

Sacanagem, tu — cruzou os braços.

— Ei, brincadeira. Eu gosto dos carros clássicos — sorriu. Não acreditava que Taeyong tinha o mesmo gosto que o seu! Não eram todas as pessoas que ainda admiravam carros clássicos. Mais uma abertura para um bom diálogo — Eles são uma relíquia. Tu que compraste?

— Não. Era do meu avô. Ele deu-me de presente antes de falecer — a ferida. Era complicado para Taeyong tocar na história sobre o seu avô, ainda não havia superado a sua deixa. A hora tinha chegado, tocado à campainha e levado mais um anjo para o Céu. Respirou fundo e tentou combater uma guerra infernal em deixar as lágrimas caírem. Não queria chorar em frente de Ten, nem pensar!

— Ele é muito importante pra ti, né? — Ten ficou um pouco sem jeito ao ver como Taeyong havia ficado ao perguntar qual origem do carro. Sentiu-se mal. Queria logo logo trocar de assunto, só não sabia como.

— Sim, demais. Mas, enfim — suspirou. Queria mudar de assunto o mais rápido possível. Não queria desatar a chorar em frente de um desconhecido, vulgo: Ten Chittaphon-sabe-se-lá-que-nome — Ele tem muitos anos de criação e uso. Vive a vida avariar. Ele poderia-me ter dado um desconto desta vez, mas não lhe apeteceu.

Ten não queria perguntar e tocar numa possível ferida (pelo que havia sentido quando comentou sobre). Não queria perguntar o simples porquê dele não ter trocado de carro ainda, depois de tanta avaria. É claro que captou o porquê, não era lerdo. Taeyong não queria largar uma parte da sua vida, uma parte que ainda magoava deixá-la ir. Entendia, já havia passado por isso, antigamente.

Caminhou até ao carro e deixou os seus dedos tocarem no capô que estava gelado.

— Qual é o teu nome? — encostou-se ao carro.

— Eu ainda não disse? — perguntou afoito.

— Não — riu — Eu disse-te o meu, mas nem conseguiste acompanhá-lo.

— Ei, disseste demasiado rápido — tentou-se defender.

— Não tenho culpa — o sorriso permanecia sempre nos seus lábios.

— Lee Taeyong — caminhou até perto de Ten e encostou-se ao carro, ao seu lado.

— Lee Taeyong... Nome bonito.

— Felizmente, não posso dizer-te a mesma coisa — brincou e levou com um murro no braço sem muita força.

— Aí é?

— Não. Mas é que o nome é muito estranho, Ten.

— Eu sei. Por isso que quero que me chamem somente de Ten. É muito mais fácil.

— Entendi. Repete aí — Ten ia começar a dizer o seu nome outra vez, mas foi interrompido — Mas...! Devagar, por favor.

— Que sem graça! — riram — Chittaphon Leechaiyapornkul.

— Chitta... Chittaphon...

— Não tentes pronunciar. Apenas chuta o país — riu da cara de tacho do garoto mais uma vez. Não se cansava daquela expressão, para falar a verdade.

— Eu sei lá... Indonésia?

— Hm... Quase lá.

— China... Não! É demasiado comprido e estranho pra ser chinês — Ten deixou um riso sair e contagiou Taeyong a fazer o mesmo — Ah! Tailândia!

— Isso mesmo, Taeyong! Meus parabéns, idiota. Acabaste de ganhar um carro novo! — festejou.

— Sem brincadeira — apontou o dedo para Ten e prolongou a frase — Já que agora sabemos o nome um do outro, ensina-me a pronunciar o nome do bar, Chefe.

Sorriu malicioso, provocador. Não sabia o porquê de ter soado daquele jeito, mas achou que foi o seu corpo reagindo aos sorrisos de Ten.

O momento amigável que tinham compartilhado à pouco aqueceu o seu coração. Sabiam que haviam começado com o pé esquerdo graças à burrice de Taeyong Lee, mas conseguiram amenizar isso. Pareciam pessoas civilizadas tendo uma conversa super normal do dia-a-dia, não deixando de lado os pequenos "insultos".

Isso tornou-se num hobbie agora.

— Mas para quê? Qual é a ideia? — riu.

— Sei lá. Um mínimo interesse — conduziu as suas mãos até os seus bolsos das calças pretas da frente.

— Queres a história toda resumida pra ser mais fácil de entender?

— Claro.

— Tudo começou quando a minha vida financeira estava uma merda e eu e um amigo decidimos juntar dinheiro para abrir um bar no meio do nada. Pode ser deserto, mas rende bem de madrugada. É um ótimo local pra render. As pessoas podem passar por aqui enquanto viajam ou algo do género e podem parar para beber alguma coisa. Temos todo o tipo de bebidas e aperitivos perfeitos para completar a combinação do pedido — ao decorrer da conversa, Ten apercebeu-se que estava contando tudo menos o assunto principal — Ah. Deixei-me levar — riu sem graça — Continuando: eu não sou o único chefe do bar. O meu tal amigo também é. O nome dele é Yuta. É japonês. E, como ambos somos péssimos com a palavra criatividade para um nome, decidimos colocar as nossas iniciais.

— 'Tá mas, como pronuncia mesmo? Como que se pronuncia o y? Como se fosse "why"?

— Exatamente.

— E o t?

— Como se fosse "ti". Só que meio que soprado...? — perdeu-se na sua própria explicação.

YT's Bar... É um nome engraçado.

— Obrigado — riu sem graça.

— E como escolheram a ordem das iniciais?

— Sinceramente, eu não lembro muito bem. Mas, basicamente, foi assim porque ele é mais velho.

Tanto assunto nada haver com o que iriam fazer, ocorreu. A conversa paralela foi boa. Acharam que foi o suficiente para relaxarem mais um com o outro em vez de estarem sempre atacar-se. Claro que um insulto aqui e ali não vai fazer mal, até porque isso foi a origem de uma "amizade pacífica" (o que de pacífica não tinha nada).

— Agora já sabes o porquê de eu não conseguir ir embora da mesma maneira que vim — sorriu falso.

— Verdade... Já posso ir dormir? Estou cansado — bocejou logo em seguida.

— Claro que sim — balançou o corpo para frente e para trás — Tens algum quarto disponível?

Ten parou para pensar sobre isso. Taeyong tinha o carro estragado e não tinha onde dormir. Não havia quartos disponíveis. Ao menos que...

— Eu tenho um lugar para ti.

— Sério? — esborralhou os olhos pela surpresa e oportunidade. Só restava-lhe Ten para ajudá-lo neste momento.

— Sim. Ao meu lado, na minha cama.

— Quê? — parou de raciocinar logo na hora. Dormir com Ten?! Bem, pensando melhor, era bem melhor do que não ter um sítio em condições para dormir.

— Só temos dois quartos. O Yuta ocupa um mais o seu amiguinho colorido. O outro uso eu.

"O Yuta ocupa um mais o seu amiguinho colorido". Se eles dormiam juntos, na mesma cama, isso significaria que seria amiguinho colorido de Ten se dormissem na mesma cama...? Tae estava tirando conclusões precipitadas só porque sentia um sentimento estranho no seu peito desde que falou com Ten pela primeira vez.

Sim. Taeyong estava delirando e ele é a própria prova disso. 'Pra quê entrar em pânico? Não precisava! Só porque nunca havia dormido com um cara na mesma cama (até no mesmo cômodo), isso não significaria que tinham algum rótulo "extravagante". Nunca teve numa relação a sério ou qualquer química com alguém.

Ninguém. Era um pobre solitário a vida inteira.

— Há algum problema? — Ten atreveu-se a perguntar pela expressão assustada de Taeyong sobre o assunto.

— N-não. Não há. Tudo bem — sorriu nervoso.

Para dar uma "disfarçada", abriu o carro e pediu ajuda ao Ten para carregar algumas das suas coisas (as essenciais).

Pegou na câmara fotográfica que não podia deixar no carro por muito tempo de jeito nenhum; na mala de roupa e produtos de higiene. Realmente, não tinha muita coisa. Taeyong não gostava de andar com muita tralha atrás dele, detesta. "Demasiado peso para coisas desnecessárias".

Caminharam de volta para o bar (a famosa longa caminhada) sem trocar nenhuma palavra sequer. Haviam gastado todas as energias quando deitaram ainda mais conversa fora quando encontraram o carro do Taeyong. O diálogo fez bem a ambos. Foi como se fosse uma conversa de conhecimento (o que realmente fora).

— Aquele rapaz que te chamou de Ten quando estávamos no bar... Ele é o Yuta? — Taeyong não aguentava mais o silêncio. Quanto mais tempo passava com Ten, mais conhecimento e vontade de conversar ele tinha. Ten Chittaphon-sabe-se-lá-que-nome era bom em conversas (nem falaremos quando a conversa envolve insultos).

— Não. Ele é o amigo colorido dele. O Winwin — sorriu — Eles são muito fofos juntos. Não tem como não babar.

— O Winwin faz o quê, no bar?

— Ele é empregado de mesa. De vez em quando limpa umas coisas aqui e ali.

— Então, ele apareceu e perguntou se precisavam de ajuda? — brincou.

— Para um desconhecido já queres saber demais — Ten olhou-o e analisou-o. Taeyong era um desconhecido. Queria saber o porquê de tantas perguntas numa noite só.

— Não quero ser evasivo ou algo do género. Somente, não tenho o que falar e a minha vida não tem nada de interessante. Odeio o silêncio.

— Eu até gosto do silêncio. O silêncio é calmo, deixa as pessoas repensarem sobre quaisquer atos que fizeram no passado ou possam vir a fazer. É relaxante.

— Eu não gosto porque faz-me pensar demasiado e isso não me faz bem. Nem tem nada de relaxante, tem apenas tortura.

Com um clima mais puxado para um nostálgico, Ten pensou e repensou em várias maneiras de tentar melhorar a situação. Não sabia o que dizer ou fazer. Só sabia que tinha sono e que queria dormir.

Bom, ele hoje teria companhia.

— Onde que tu foste, desgraçado?!

Ten e Taeyong assustaram-se ao mesmo tempo. O bar ficava a alguns metros de distância. Ten forçou a vista para ver quem era, mas o berro já foi o suficiente para desmascarar quem seja.

— Eu tenho de te dizer para onde vou a toda a hora? — perguntou emburrado. O mullet. Os cabelos vermelhos. As mãos na cintura na famosa posição de: vou te arrancar os cabelos.com.mãe. A expressão tensa mas que logo foi modificada para uma de alívio.

Será o possível Yuta?

— Claro, né! Já viste as horas que são?! Sais sem avisar e queres que eu esteja calmo, seu palhaço! — Ten suspirou e coçou os olhos. Taeyong apenas riu da situação em que Chittaphon havia se metido.

— Está bem, está bem! Já entendi! 'Pra próxima eu aviso, não te preocupes.

— Avisas o caralho, otário. Fazes sempre a mesma coisa! 'Pra próxima vais levar com um soco no meio da testa que até vais ver estrelas — ok. Taeyong mentiria se não estivesse sentindo-se intimidado com tamanha violência.

A sua amizade com Ten nem tinha comparação.

— E quem serás tu, jovem?

— E-eu...? — Taeyong tremeu. O Yuta-mãe dirigiu-se a ele, mas havia mudado a postura para uma mais relaxada por saber que Ten estava vivo e não morto ou perdido algures.

— Sim — segurou-se para não fazer piada.

— Sou o Taeyong. Lee Taeyong.

— Sim, mas...

— Ele vai dormir cá hoje — começou a andar na frente — Foca-te em dar carinho ao Winwin e deixa-nos em paz. Vem, Tae — Tae? Já somos tão próximos assim?, pensou. Não iria objectar, não queria levar resposta de dois lados agora.

Taeyong não pensou duas vezes antes de fazer o que Ten mandou. Não que fosse um cão, mas ficou com tanto medo do Yuta-mãe que nem objectou.

Entraram no bar e subiram umas escadas escondidas que Taeyong não fazia o mínimo da existência. Percorreram um corredor super pequeno com duas portas. Tae pensou que, uma porta era o quarto do casal gay e o outro do Ten.

A pergunta do tipo: será que Ten gosta de homens?,veio à sua cabeça quando pensou no Yuta e no Winwin. Abanou a cabeça de forma a fazer com que esses pensamentos não invadissem a sua mente. Não queria acreditar que pensou numa coisa dessas.

Ser virgem é o motivo?

— Este é o meu quarto. Podes deixar as tuas coisas ali e sente-te à vontade — sorriu simpático. Ten mentiria se dissesse que não estava feliz por ter companhia, mas também estava em alerta caso Taeyong quisesse fazer algo suspeito (roubar e tals). Só por terem conversado um pouco não significava que já confiava nele cem porcento (nem dez).

— Obrigado — sorriu fraco e deixou as suas coisas num canto.

Parou para observar o quarto de Ten. Pensou várias vezes se estaria invadindo o seu espaço pessoal (é provável que sim), mas, se Ten deu a ideia de ele dormir consigo, não haveria problema, certo? Ou só estava tentando fazer uma boa ação para quem não tinha onde dormir?

Agora Taeyong iria ficar com isso em mente até decidir perguntar.

O quarto cheirava a cigarro e Taeyong tentou respirar sem pensar no assunto. O cheiro iria ficar sobre a sua roupa, sobre os seus cabelos... em tudo!

— Ten, pode abrir um pouco a janela, por favor? — pediu um pouco aflito.

— Ah, é mesmo. Desculpa pelo cheiro — abriu um pouco a janela e Taeyong não pensou duas vezes antes de ir até lá.

— Não é que eu não goste do cheiro, eu gosto. Só que eu ando a tentar largar o vício — contou para tentar não fazer com que Ten se sentisse mal por ter alguém no mesmo quarto que o seu e não se sentir confortável.

— Eu já tentei largar, sabes, mas não consegui. É algo de à muito tempo já. Acho que não consigo — ambos estavam debruçados sobre a janela a partilhar um pouco mais um do outro. O cheiro de cigarro foi desaparecendo aos poucos e Taeyong conseguiu-se aliviar.

— Obrigado por abrires a janela, Ten.

— De nada. Agora vou ter que ir lá fora pra fumar — fingir queixar-se mas acabou por rir.

— Desculpa por invadir, sério mesmo — Taeyong sentia um peso nas costas por invadir o espaço de um desconhecido. Era estranho ao mesmo tempo que não. Haviam conversado um pouco que parecia que se conheciam à mais de um dia. Isso chama-se ilusão. Uma palavra que Taeyong acabou de aprender.

— Não há problema, Taeyong. Eu dei-te esta opção porque tu não tinhas nada. A não ser o teu carro estragado. Mas, eu, como sou um bom ser humano — ambos aproveitaram para rir — Não te ia deixar a dormir num carro com este frio. Posso ser antipático mas tenho coração. Melhor dormir na mesma cama com um desconhecido do que dormir num carro estragado ao frio.

— Lá isso é verdade — começou a sentir a garganta inflamada, por isso, estava a ter dificuldades em engolir a saliva — Muito obrigado por isso, Ten. Sério.

Ten apercebeu-se da dificuldade de Taeyong em falar. Estaria doente e não falou nada? Poderiam-se ter conhecido algumas horas atrás, mas isso não significava que não se preocupavam um com o outro. Ambos são humanos. Sentem quando alguém não está bem por mais que não pareça.

— Estás doente?

— Tenho só umas dores de garganta, ombros, costas... Não lembro mais — Ten cerrou os olhos.

— Como que não te lembras das dores que tens?

— Sei lá. Só não sinto mais. A dor parou, Ten.

— Não me interessa — suspirou — Vais tomar um banho bem quentinho e vestir o pijama. Depois disso trago-te uns medicamentos e aproveito pra fumar já que és um anti-viciado em cigarro. Ah, e como não podes tomar os comprimidos sem nada na barriga, vou aproveitar e fazer umas torradas e chá... Perfeito!

Taeyong queria protestar. Não tinha vontade de comer e muito menos sentir-se sonolento a cada vez que tomava comprimidos. Na maior parte das vezes em que ficava doente não tomava nada para ajudar a curar mais rápido. Mas não. Taeyong vai ser sempre o mesmo loiro burro e ficar doente por mais tempo do que o habitual.

— Que cara feia é essa?

— Nada não.

— Tens aqui toalhas — entregou-as depois de ter ido ao armário buscar — A casa de banho é aquela porta ali. Podes usar o que quiseres, só não fiques muito tempo a namorar a água quente, por favor. Há contas a pagar todos os meses — "despediu-se" de Taeyong e saiu do quarto, deixando-o a sós.

Seria engraçado se eu dissesse que Taeyong estava paralisado no meio do quarto. Ten deixou-o sozinho. Ten deixou-o sozinho dentro do seu quarto. Ele confiava no Taeyong logo assim de cara? Provavelmente não, mas, se Ten era super descuidado? Era, demais. Mas como Taeyong tem bom senso, não irá mexer em nada que não é seu.

Deixando a parte das lições de lado e mais devaneios vindos do Taeyong, ele acordou pra vida. Pegou nas toalhas e no seu pijama e entrou dentro da casa de banho.

(...)

— Eu sei que vocês tão acordados! — Ten batia na porta do quarto do casal yuwin. Ele sabia que ambos estavam acordados. Até sabia o que estavam prestes ou fazendo lá dentro.

Ten não gosta de barulho. Principalmente, se for certas coisas.

— Já vai! — disse Yuta. Logo, a porta foi aberta demonstrando-o sem camisola, calças pretas que acabaram de ser vestidas já que estão todas tortas, e, o cabelo todo despenteado — O que foi?

— O que eu já disse sobre certos comportamentos? — Ten fez cara de mau e cruzou os braços. Yuta suspirou. Já sabia como Ten era nessas situações. Já haviam sido avisados várias e várias vezes, mas, é como se diz (ou só eu mesmo): o desejo vem primeiro do que as consequências. Então, não à nada a fazer, a não ser tapar os ouvidos — Estou a brincar. Não vim aqui por causa disso.

— Então?

— Querem chá e torradas?

— A esta hora?

— Não. A outra — revirou os olhos — Querem ou não? — Ten deu tempo para o Yuta perguntar ao Winwin se ele queria.

— Sim, queremos — Ten desceu as escadas e Yuta fechou a porta.

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