We Close Tonight

P.O.V. Roger Daltrey

    Após três semanas fazendo testes com inúmeros músicos jovens da Inglaterra, começo a entrar em pânico, sem saber o que fazer... São tantos músicos bons... É quase impossível decidir! É loucura ter que decidir. Já fazem uns cinco dias que me pego pensando nisso direto e reto... Devo estar transpassando preocupação, já que minha namorada, Lizzy Skeat, que está sentada ao meu lado no sofá do porão da minha casa, abraça meu pescoço e fala próxima ao meu ouvido:

-- Rog, meu amor... O que te preocupa tanto? -- Suas mãos acariciam meus ombros, e ela deposita um beijo na minha bochecha, próximo à minha orelha.

-- Ah, Lizzy... Sabe o que é... Tenho medo de tomar decisões erradas... Como saber qual daqueles músicos deve ou não entrar na minha banda? -- Falo, preocupado, me virando para encarar os lindos olhos castanhos de Lizzy.

-- Fácil... Deixe seu coração decidir... Hora ou outra você terá um momento de luz! Se quiser eu... Posso te ajudar a chegar neste momento de luz... -- Ela sorri, travessa, me beijando nos lábios.

-- Hummmm... -- Eu sorrio, fingindo pensar. -- Acho que quero sim... -- Falo, antes de começar a me inclinar em cima de Lizzy. Nos deitamos no sofá e eu começo a beijá-la selvagemente. Mas nossa brincadeira é cortada por alguém que pigarreia de mal-humor... Minha irmã, parada de braços cruzados nas escadas do porão.

-- Pode parar já de pegação no MEU porão! Que pouca vergonha é essa? Lembrem-se que vocês só tem 16 anos! -- Ela fala, jogando os cabelos para trás. Eu saio de cima de Lizzy e me sento, de cara amarrada para minha irmã.

-- Cale a boca Gillian! Pra começo de conversa, este porão não é seu! Eu moro aqui também! Você quase nem vem aqui! E em segundo lugar... O que é que você está falando? Pensa que eu não sei sobre você e o Best? E olha que você não é muito mais velha do que eu! -- Falo, com raiva, enquanto Gill revira os olhos para mim. Lizzy, corada, parece estar se divertindo com a situação.

-- Tanto faz, tampinha... Só não quero vocês de safadezas! E só vim avisar que seu amigo chegou... Está esperando lá na porta... -- Ela fala, apontando para cima.

-- Chama ele lá pra mim... -- Eu falo, enquanto coloco um braço atrás da minha namorada.

-- Como disse? Meu querido, não sou sua empregada não! -- Minha irmã fala, quase gritando. Odeio quando ela faz isso. 

-- Ah, Gillian, para de berrar! Desculpa, tá? -- Falo, estressado. -- Será que você poderia fazer a gentileza de chamá-lo, ó toda poderosa Gillian? -- Apelo para a ironia.

-- Tá... Eu chamo... Mas só desta vez! E só porque você me ajudou a comprar um presente legal pro meu namorado... Mas só para ficarmos quites! -- Ela fala, se virando para subir as escadas. Me volto para Lizzy, que ri silenciosamente ao meu lado.

-- Não me canso de ver vocês dois brigando! -- Ela fala, divertida.

-- E eu não me canso de te ver... -- Falo, antes de beijar Lizzy mais uma vez. Logo escuto passos descendo às escadas, antes de uma figura alta e magra aparecer... John Entwistle.

-- E aí, cara? -- John fala, correndo pra se sentar no sofá conosco.

-- Oi John! -- Eu e Lizzy falamos em uníssono.

-- Rog, é impressão minha ou sua irmã fica cada dia mais gata? -- Ele pergunta, abaixando um pouco a voz e olhando para as escadas.

-- Meu, desencana! Você sabe que ela namora! Achei que você já tinha superado... -- Falo, me lembrando da enorme queda que meu amigo tem pela minha irmã. -- E além do mais, você é novo demais pra ela...

--É Johnny... Tem tantas garotas na nossa sala que eu tenho certeza que adorariam sair com você... Ouvi a Pamela Jekyll comentar com a Olive O'Malley que ela te acha uma gracinha! -- Lizzy fala, tentando fazer John esquecer Gillian.

-- Pamela Jekyll? Ah, por favor Lizzy... Você sabe que ela troca de paquera que nem troca de roupa! -- Ele responde, com uma cara convencida. -- Tá, mas vamos falar de coisas importantes... Roger, como estão indo os testes? Precisamos montar esta banda logo... 

-- Então, treze pessoas fizeram teste para guitarrista e oito fizeram para baterista... Baterista eu já me decidi... Lembra-se que eu estava em dúvida entre o Sandom, o Starkey e o Lewis? -- Pergunto e John assente. -- Então, decidi que  Doug Sandom era o que mais me agradou...

-- Legal... Já falou com ele? -- Entwistle pergunta, estralando os dedos.

-- Ainda não... Quero decidir o guitarrista primeiro, pra depois já chamar todo mundo, sabe? -- Falo, pensativo.

-- Beleza... E como está a situação com os guitarristas? -- Ele pergunta.

-- Estou com muita dúvida entre dois... Aquele Peter Townshend que eu contei que tocou uma música junto com os Beatles e aquele Mick Abrahams, que já toca em uma outra banda, mas pretende deixá-la... -- Falo, olhando as anotações que fiz em meu caderno, que está na mesinha de centro na frente do sofá.

-- Ah, cara, pelo o que você me contou, os dois arrasaram legal... Mas como eu não pude ver os testes, siga a sua intuição! Eu confio em você! -- John fala, dando palmadas nas minhas costas, fortes porém amigáveis. 

-- Foi o que eu falei! -- Lizzy fala, mas então começa a rir, lembrando do que ocorreu depois que me disse isso.

-- Lizzy, não torne as coisas estranhas entre eu e meu melhor amigo... -- Digo, rindo. John parece confuso. Só olho pra ele e sibilo um "Não queira saber...".

-- Certo... Devido à experiência e tals, eu escolho Mick Abrahams... -- Falo, finalmente, depois de pensar mais um pouco. Foi uma boa escolha, mas algo em meu cérebro continua martelando, como se me dissesse para escolher o outro... Resolvo ignorar, afinal, Abrahams é um cara experiente! -- É isso aí, John... Montamos a banda!

P.O.V. Má

   Três meses se passaram desde o baile... Três meses em que eu e meu melhor amigo começamos a namorar... E três meses que ele fez o teste para aquela banda e até agora ninguém entrou em contato com ele... 

   E nesta fria tarde de outono, Pete resolveu me levar para passear no parque próximo à nossa rua. Nossas mãos estão enlaçadas enquanto caminhamos vagarosamente.

-- Sabe Má... Eu desisto de esperar... -- Pete fala, sinto um leve quê de tristeza em sua voz.

-- Como assim, Pete? -- Falo, já sabendo do que o assunto se trata.

-- Ah... Desisto de esperar aquele cara me ligar... Se ele não me ligou ainda, só pode significar que não passei no teste para entrar na banda! -- Ele fala, enquanto me puxa para sentarmos num banco de frente para o lago. Coloco minhas pernas em cima do joelho dele.

-- Não, Pete! Não desista! Talvez ele só... Sei lá... Vai ver ele ainda está fazendo testes! -- Falo, tentando animá-lo.

-- Durante três meses? Três longos meses? -- Peter responde meio chateado, colocando um de seus braços atrás de mim. -- Me desculpa, mas eu cansei de me iludir... Tipo, você mais do que ninguém está me apoiando, e é só por sua causa que eu não desisti a um ou dois meses atrás... Mas não dá... Quer dizer, começamos  nosso último ano na escola e... Não posso esperar pra sempre... Tenho que decidir alguma coisa para fazer... -- Ele fala e eu sinto algo estranho. Esse papo  me deixa um pouco tensa, pois me faz lembrar que só tenho mais um ano para estudar junto com Pete e Keith... -- E... -- Ele fica mais sério e olha pra mim. -- Eu estou pensando em entrar na Faculdade de Arte... -- Sinto lágrimas brotarem em meus olhos. Pete me olha e me abraça, limpando minhas lágrimas com seus polegares. -- Ei... O que foi?

-- É só que... Eu não quero ficar longe de você... -- Falo, me lembrando do fato da Faculdade de Arte ser do lado oposto de Londres do qual a gente mora.

-- Calma... Ainda falta um ano... Você vai pra faculdade de História e eu vou para a faculdade de Arte... Mas isso não quer dizer que a gente não vai mais se ver... -- Ele fala, depositando um beijo na minha testa.

-- Mas só de fim de semana... Você vai ter que morar sozinho em algum alojamento do outro lado de Londres... -- Digo, encarando minha mão apoiada sobre o peitoral de Peter. Eu não irei ter que me mudar, já que a faculdade de história fica apenas duas quadras de distância da minha casa.

-- Você vai poder ir me visitar... E eu irei voltar todos os fins de semana para ficar com você... -- Ele fala, me beijando nos lábios, me fazendo sorrir. -- Eu te amo, Má... Sempre vou voltar pra você!

-- Também te amo, Pete... Eu só quero que você seja feliz... -- Eu falo, praticamente me jogando em cima de Pete para abraçá-lo. Um casal de idosos passa por nós e abrem um grande sorriso ao nos ver. Escuto a senhora murmurar algo para o marido:

-- Olhe Bob, exatamente igual a gente quando estávamos na flor da idade... -- Ela fala, o marido a abraça.

-- E mesmo depois de 50 anos, nada mudou, Margaret... -- E de mãos dadas, continuam seguindo seu caminho. Aquilo me faz sorrir, e eu me aperto mais perto de Pete.

-- Daqui a 50 anos, estaremos andando de mãos dadas no parque, vendo os casais jovens se abraçando... E lembraremos deste momento... -- Pete fala, acariciando meus cabelos.

   Depois de mais uns 15 minutos abraçados, nos levantamos e caminhamos de volta para casa. Levo um pequeno susto ao ver Jullia sentada nas escadas que dão para a porta de entrada da minha casa.

-- Ei Jullia! -- Peter a cumprimenta.

-- Oi Jullia! -- Eu o imito. 

-- Oi gente... Hum, Má, será que eu podia conversar com você? -- Ela pergunta, timidamente.

-- Claro! O que foi? -- Pergunto. Pete olha dela para mim.

-- Então... É particular... -- Ela fala, olhando constrangida para Pete.

-- Mas eu... Eu sou seu primo! -- Pete protesta. Eu o olho.

-- Amor da minha vida... Às vezes as garotas precisam conversar à sós... -- Falo, ternamente. Ele abaixa o rosto.

-- Tá... -- Ele fala, emburrado, ainda com o braço atrás do meu ombro.

-- Então... Chispa! -- Jullia diz. Arregalo o olho, surpresa. Nunca tinha visto Jullia falar deste jeito. Pete parece estar tão surpreso quanto eu.

-- Tá bom, tá bom! Já estou saindo! -- Ele fala, dando um beijinho leve nos meus lábios e indo em direção à sua casa. 

-- Pronto... O que houve Jullia? -- Pergunto, curiosa.

-- Vamos para um lugar mais distante... Sinto que Peter está nos observando... -- Ela fala, estreitando os olhos e eu solto uma risada.

-- Ah, tá legal... Vamos conversar em baixo daquela árvore ali... -- Aponto para uma grande árvore do outro lado da rua. Caminhamos até lá e nos sentamos. 

-- Então... Antes de tudo, prometa que não vai ficar brava, e nem me julgar! -- Jullia fala, num tom acusador.

-- Prometo, afinal, não tenho motivos para te julgar... Agora me zangar é outra história... Mas tá, eu prometo... -- Respondo, erguendo as mãos em ato de rendição.

-- Bem... É que... Eu... -- Ela começa a ficar vermelha.

-- Fala logo, mulher! -- Eu falo impaciente.

-- Eu não sou mais virgem! -- Ela fala e eu fico perplexa.

-- O quê? -- Exclamo, surpresa.

P.O.V. Jullia

   É tão bom poder finalmente contar isso à alguém! Achei que eu fosse explodir se continuasse a guardar segredo... Mas Má parece ter visto um fantasma.

-- Como assim? Me conta direito essa história! -- Ela fala, com os olhos tão arregalados que pensei que fossem pular para fora.

-- É que assim... -- Começo a contar a história e um flashback do dia anterior começa a passar em minha cabeça.

   Moon havia me levado para tomar um sorvete, assim como ele sempre faz. Mas desde o momento em que abri a porta na hora em que ele chegou para me buscar, senti que algo estava diferente nele... Algo nele estava me atraindo mais do que o normal. Ele estava... Hum... Selvagem! Tomamos o sorvete voltamos para a minha casa. Minha mãe é enfermeira, e estava de plantão no hospital. Nos sentamos no sofá e liguei a TV. Moon começou a balbuciar coisas como "Programa chato!". Do nada, ele me puxa para um beijo de tirar o fôlego. Quando percebo, estamos caídos no sofá, ele em cima de mim, nos beijando com selvageria e desejo. Ele beija meu pescoço e percorre suas mãos por toda a lateral do meu corpo, desde às minhas costelas até minha coxa. Com um movimento rápido, ele abre o fecho do meu sutiã por baixo da blusa e começa a passear suas mãos por mim, enquanto eu seguro alguns gemidos. Sem demora, ele arranca minha blusa juntamente com meu sutiã e os joga pra atrás. Eu também arranco sua camiseta e percorro meus dedos por todo o seu peitoral. Pouco depois, estamos os dois completamente nus, nos beijando e nos movimentando ferozmente. Eu grito de dor quando ele finalmente entra em mim, depois de colocar um preservativo, é claro, mas peço para ele continuar. Quando nós dois atingimos um limite, ele se joga para o lado, ofegante, assim como eu. Depois disso, trocamos algumas juras de amor, antes de eu apressá-lo à se vestir, com medo de minha mãe chegar mais cedo do plantão.

   Termino de contar à minha amiga, seus lábios formando um "o".

-- Eu não estou acreditando... Você podia ter me poupado dos detalhes... -- Ela fala, à medida que eu coro.

-- Só... Por favor... Não conta pra ninguém... Nem pro Peter, por favor... Você é a única pessoa que eu contei, a única que pode saber! -- Falo, em desespero.

-- Relaxa, Jullia... Seu segredo está a salvo comigo! -- Ela responde, suavemente, porém, ainda perplexa. 

-- E me prometa que quando for você, você vai me contar! -- Falo, em tom meio mandão.

-- Calma, Jullia, calma... Eu conto... Mas vai demorar ainda... -- Ela fala, distante e eu esboço um sorriso malicioso.

-- Você é que pensa... Acontece quando a gente menos espera... -- Comento e ela cora, me reprimindo com o olhar.

-- Jullia! -- Ela fala, muito vermelha.

-- Ué, mas é verdade! -- Falo, imaginando o desastrado do meu primo, todo tímido, quando perceber o que irá acontecer. Não consigo evitar e solto uma risada ao imaginar.

-- O que foi, sua doida? -- Má me pergunta, com um misto de susto e curiosidade.

-- Nada não... É que meu primo é um desastre ambulante! -- Falo, ainda rindo.

-- Tadinho! -- Má protesta. -- Ele é um amor!

-- Mas continua sendo desastrado! -- Respondo. Ela me lança um olhar indignado mas não consegue evitar e ri também.

--É... Pior que você está certa... Mas é o desastrado mais fofo e lindo deste mundo... -- Ela fala, toda apaixonada. 

   Depois de uns 30 minutos de conversa sobre o quão Pete é desastrado, me despeço de Má e volto para casa. Me pego pensando em Moonie e coro fortemente.

P.O.V. Má

   Quando Jullia vai embora, fico por mais alguns instantes sentada sob a árvore, pensando no que a garota me contou. Mas acima de tudo, pensando em uma frasesinha chata que fica martelando minha cabeça... "Acontece quando a gente menos espera"... Quero dizer, nestes três últimos meses, foram poucas as ocasiões em que as coisas deram uma esquentada, e esta "esquentada" a qual me refiro foram só beijos mais profundos. Acho que tanto Peter quanto eu somos tímidos de mais... Ou até mesmo medrosos... Mas a conversa com Jullia me fez pensar que, se Peter e eu realmente formos ficar juntos, o que eu espero que aconteça, hora ou outra vai acabar rolando...

   Penso em chamar Pete para conversar, mas acabo preferindo ficar sozinha, pensando. Como o sol começa a desaparecer, entro em minha casa para jantar com meus pais e tomar um banho. Coloco um disco do Elvis na vitrola perto de minha cama para me distrair e acabo pegando no sono. No dia seguinte, acabo ficando a manhã inteira ajudando minha mãe a arrumar a casa, o que me fez ansiar cada vez mais para ver Pete.

   Depois do almoço, minha mãe me libera para ir até a casa vizinha. Quando saio na rua, vejo que a garagem da casa de Peter está aberta, e presumo que este está lá. Caminho até lá e vejo um Pete sentado no sofá ao fundo da garagem, com um violão nas mãos, tocando uma melodia suave. 

-- Hey! -- Falo, dando um susto no garoto, que dá um pulo no lugar. Ele deixa o violão de lado e vem ao meu encontro. Ele coloca uma das mãos na minha cintura e outra atrás do meu pescoço, para me receber com um beijo digno de cinema.

-- Oi Má! -- Ele fala, com o rosto bem próximo ao meu. Ele me solta, pega em minha mão e juntos sentamos no sofá. -- Sobre o que você e a Jullia conversaram ontem? -- Ele pergunta e eu fico vermelha.

-- Ah... N-nada... Prometi que não ia contar pra ninguém... -- Falo e ele faz um biquinho. Eu solto uma risada.

-- Você está vermelha... -- Ele fala, colocando a ponta da língua para fora, fazendo uma expressão travessa. Sinto que fico ainda mais vermelha.

-- São seus olhos! Eu estou perfeitamente normal! -- Digo, cruzando os braços.

-- Sei... -- Ele fala, fazendo cócegas na minha arriga. Começo a rir e a me contorcer.

-- Para... Para! -- Digo, rindo muito, antes de ser calada por um beijo profundo de Pete, que para de fazer cócegas. Nos soltamos e nos encaramos por um momento, ambos com os rostos vermelhos. Sinto um brilho diferente nos olhos de Pete, então, como se fossem imãs, nossos lábios se unem novamente em um beijo ainda mais profundo que o anterior. Com as mãos enlaçadas atrás do pescoço de Peter, começo a pender para atrás, ele quase em cima de mim. Uma de suas mãos acha a barra de baixo da minha blusa, que faz divisa com a barra de elástico da minha saia, e assim, sinto a pele quente de sua mão passando de leve em minha barriga e em minhas costas, me fazendo sentir arrepios. Ele beija todo o meu rosto, descendo para o meu pescoço. Quando me toco de que as coisas estão esquentando muito mais do que o normal, peço para ele parar.

-- O que foi? -- Ele pergunta, ainda com a mão por baixo da minha blusa, acariciando minha cintura.

-- Peter... A porta da garagem está aberta! Qualquer um que passar na rua pode nos ver! E, além do mais, seus pais podem nos pegar a qualquer momento!  -- Digo, preocupada.

-- Sabe, eles estão ocupados de mais com outras coisas para prestarem atenção no que eu estou fazendo... Mas se isso te preocupa, se você realmente quiser continuar com isso, podemos ir para o meu quarto... -- Ele fala, sedutor. Mordo o lábio e ele toma este gesto como um sim. Ele se levanta e me puxa, me dando mais um beijo, antes de me conduzir até as escadas que sobem até a cozinha, para de lá irmos até seu quarto, mas somos surpreendidos no caminho, por um Cliff desesperado.

-- Ah, Deus... Peter, finalmente te achei! -- Ele fala, colocando as mãos nos ombros do filho. Coro um pouco, devido ao fato de eu estar toda descabelada por causa dos amassos no sofá.

-- Eu estava na garagem pai... O que houve? -- Pete pergunta, preocupado.

-- Sua mãe! Está prestes a dar a luz! -- Ele fala, quase berrando. Pete arregala os olhos assim como eu. -- Preciso correr com ela até o hospital! Ela vai deitada no banco de trás do carro... Vá a pé com seu irmão até lá! Te encontro lá! -- Ele fala, subindo as escadas correndo. Escuto Betty gritar.

-- É... Pelo visto vamos ter que esperar... Acho que seria errado fazermos isso no hospital... -- Pete fala, dando um sorriso de lado.

-- Ah, seu bobo... -- Falo, rindo. -- Cadê Paul? Vou junto com você até o hospital! Chame Paul.

-- Ele está lá em cima... -- Peter fala, subindo as escadas comigo logo atrás. Escutamos o carro de Cliff cantar pneu na rua. 

   Pete sobe até o andar de cima e pega Paul pelo bracinho. O menininho chora, sem entender nada. Dou uma bronca em Pete por ter pego o menino todo sem jeito. Pego Paul no colo e Peter revira os olhos.

-- Só vamos logo! -- Ele fala, saindo correndo de casa. O sigo, com Paul em meus braços.

   Chegamos ao hospital. Pete fala para a secretária que é filho de uma mulher que chegou a pouco tempo para dar à luz. A mulher confirma que Betty está lá, mas pede para o garoto ficar na sala de espera. Pete se senta num dos bancos almofadados. Me sento ao seu lado, com Paul no meu colo.

-- Cadê a mamãe? -- Ele pergunta pra mim, com lágrimas nos olhinhos.

-- Sua mamãe está bem, é que você está prestes a virar irmão mais velho! -- Digo, tocando a ponta de seu nariz. Pete permanece preocupado ao meu lado. Ele colocou um dos braços atrás de mim.

-- O bebê tá vindo, Pettie? -- Paul pergunta, olhando para Pete. Sorrio diante da fofura.

-- Está, Paul... As coisas vão mudar um pouquinho... Mamãe e papai terão que dar mais atenção pro bebê, mas isso não significa que eles amam menos você ou eu... É só que um bebê precisa de mais atenção... -- Pete explica para o seu irmãozinho, passando uma das mãos na cabeça do mais novo. 

-- Tá bom... -- O pequeno fala, deitando a cabecinha perto do meu pescoço. Passo as mãos nas costas dele. -- Tô com sono...

-- Isso vai demorar... Pode dormir, Paul. -- Falo para a criança. Pouco depois, ele fecha os olhinhos. Fico conversando com Pete, para tentar acalmá-lo. Muito tempo passa.

-- Já estamos aqui há quanto tempo? -- Pete pergunta, impaciente.

-- Pelo menos umas três horas... -- Falo, deitando minha cabeça no ombro largo de Peter, que dá um beijo no topo da minha cabeça, antes de encostar o rosto nesta. Seu braço continua atrás de mim.

-- Obrigado por estar aqui comigo... -- Ele fala, soltando um suspiro profundo.

-- Estou sempre com você... Porque eu te amo! -- Falo, me aconchegando mais perto dele, sem fazer movimentos bruscos para não acordar Paul, que continua dormindo em meu colo.

-- Também te amo... -- Ele responte. Somos interrompidos por uma enfermeira acompanhada de Cliff.

-- Peter... Seu irmão chegou! É um menino! -- O homem fala, com um sorriso de orelha à orelha. Peter se levanta, acordando Paul, que reclama. -- Venham, meninos! -- Coloco Paul no chão. Ele dá a mão para o pai. Eles vão em direção à sala de parto. Fico parada. Pete se vira para mim.

   -- Venha, Má! -- Ele fala, fazendo um gesto para me chamar.

-- Não, Pete! Este é um momento de família... -- Falo, mas sou cortada pelo meu namorado.

-- Você é da família! Vem, por favor... -- Ele pede. Eu sorrio e vou. Seu pai já havia entrado na sala com Paul. Junto com Pete, entramos na sala e vejo Betty deitada com um belo bebêzinho nos braços. Ela nos olha sorrindo.

-- Venham! Venham ver! -- Ela nos chama, com os olhos brilhando. -- Este é Simon... 

-- Ele... Ele é lindo! -- Peter fala, chegando mais perto, sorrindo, emocionado. Sinto lágrimas escorrendo no meu próprio rosto.

-- Parabéns, Betty! Parabéns, Cliff... Vocês tem o dom de fazerem filhos lindos! -- Falo, sorrindo, e todos na sala soltam risadas. Pete fica vermelho, mas sorri.

   Pouco depois, uma enfermeira entra na sala e pede para nos retirarmos. Cliff fala que Betty precisará passar a noite no hospital. Ele fala que vai nos levar para casa. Chegando lá, me despeço do homem e de Paul. Pete fala que me leva até a frente de casa.

-- Não pense que eu esqueci de mais cedo... -- Ele fala, sorrindo, e dá uma piscadela. Coro, mas um sorriso brota em meu rosto.

-- Relaxa... O universo vai nos compensar! -- Falo, depositando um longo beijo nos lábios de Pete. -- Preciso ir... Meus pais devem estar preocupados...

-- Certo... Até amanhã! -- Ele fala, me abraçando forte. -- Te amo!

-- Também amo você! -- Respondo, dando um último beijo nele, antes de me virar para entrar em casa.

   Conto aos meus pais a novidade, pois eles haviam começado um sermão por eu ter voltado tarde e por não ter avisado nada, mas eles param quando escutam a notícia e pedem desculpas pela bronca.

    Quando deito para dormir, penso em como foi o dia. Coro ao lembrar do que estava prestes a ocorrer e fico pensando nisso. Sou tomada por medos e insegurança. Chego a uma conclusão: não estou pronta para o próximo passo... Acho que Peter irá entender... Espero que ele entenda!

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