[❂] A BRISA REVIGORANTE



CAPÍTULO 1 


O sol rotineiro finalmente apareceu no horizonte, substituindo a noite gelada pelo seu calor aconchegante, e hoje é um dia muito especial, além de ser o primeiro dia letivo da escola média da área florestal.

A ilha era dividida por habitats, existem quatro deles. No extremo noroeste – conhecida como a área glacial –, híbridos que gostam de temperaturas baixas moram lá, no nordeste viviam os répteis, na área desértica. Já no sul, igualmente do norte, existe o lado sudoeste, onde se localiza a área urbanizada, onde vivem os cientistas locais, e o que você não encontra no seu habitat específico, é encontrado lá. Tudo pensado e planejado para o conforto dos híbridos.

Jeon Jungkook morava numa cabana de madeira, no bosque residencial, na área em que vive existem aqueles que moram em casas de humanos normais, outros apenas gostam do seu espaço natural, no caso do Jungkook o motivo era mais complexo do que isso, ele nasceu numa família que já tinha realizado o procedimento no laboratório, todos são panteras negras ou onças pintadas, seu pai e sua mãe deram à luz a um híbrido puro, ou seja, Jungkook nasceu com o gene animal mais dominante do que o gene humano, o que deixou os cientistas e o governo muito interessados no híbrido. Ele foi alvo de muitos testes quando pequeno e faria outros, depois que acabasse o ensino médio, provavelmente seria obrigado a entrar no exército de super híbridos das grandes potências, eles são responsáveis por manter todos seguros e em paz, o felino não achou má ideia, afinal, não tinha muito a perder... ainda!

O pantera gigante, não era lá muito sociável, morava no âmago do bosque e trabalhava como guarda florestal nas horas vagas, junto com seu único amigo, Kim Taehyung, uma nobre e astuta raposa. Eles não moravam exatamente juntos, porque o territorialismo dos híbridos alfas – mesmo que Taehyung seja um beta –, eram muito fortes, geralmente quem dormiam juntos no mesmo teto eram os ômegas, que não se importam com os cheiros uns dos outros.

Com sua beleza exótica e sua enorme força, o jovem Jeon era o centro das atenções, todos os híbridos admiravam ele sem nem mesmo conhecê-lo, sua cauda negra, suas orelhas atentas e seu olhar amarelo de caçador, literalmente, matavam todos os ômegas e betas de desejo, e os alfas de inveja. Não que, ele se importasse, diferente do que pensavam, o felino é alguém tímido, e quando nervoso, muito bruto, por ser recluso e ter pavio curto, mas Taehyung sabia que tinha um lado cuidador e amável, era possível ver quando ele comentava sobre sua mãe, Ha-yun, via como ele a amava. Mas a raposa, geralmente apenas suportava o amigo, aquela cara fechada dele às vezes dava um pouco de medo.

Os dois moravam com uma distância considerável, mas o beta conseguia sentir o cheiro de patchouli e tangerina a quilômetros, eles se encontravam na entrada do bosque para irem juntos até a escola média. Esse ano seria o último ano deles, tinham ideias distintas sobre o futuro, mas gostavam da companhia. Dois felinos solitários.

Jungkook vestia uma roupa brega – o brutamontes não tem senso de moda –, uma camisa xadrez que quase estourava os botões por conta do peitoral trabalhado e uma jeans um pouco folgada, geralmente gostava de ficar nu, dizia que as roupas humanas e principalmente a cueca, apertavam seu corpo e seu pau. Enfim... Ele é bem um homem das cavernas mesmo.

— Taehyung! – Chamou quando viu a cauda ruiva no ponto de encontro. O Kim virou a cabeça para acenar de volta. Se aproximou vendo o amigo totalmente vestido e mexendo no celular, revirou os olhos. — Bom dia, vamos nos atrasar se você ficar nesse celular.

— Bom dia, você só sabe reclamar hein? – Guardou seu hiperphone precioso, para começar a tagarelar no ouvido sensível do pantera, que rosnou baixinho.

E foi assim o caminho todo até chegar na escola. Uma amizade adorável, não é?

[🌳]

Em um lugar nem tão distante dali, uma casa adorável foi habitada faz um mês por um gatinho chamado Park Jimin. Ele acordou radiante sabendo que hoje seria seu primeiro dia de aula na escola média de Hybriland.

Havia se mudado no final de Dezembro, finalmente sua mãe e seu pai haviam lhe dado permissão para morar no seu lar natural, não no lugar hostil onde passou muito sufoco por ser muito diferente. Antes, ele morava na Coreia do Sul, ou cidade dos humanos, com seus pais e sua irmã mais velha, Park Nari e Park Gong pagaram para o governo pelo procedimento da injeção fetal, onde eles introduziram direto o gene animal na barriga da mãe no início da gravidez. O casal amava o filho, mas na maioria do tempo só se importavam com si mesmos, não viam o preconceito que o híbrido passava na sua antiga escola, Jimin sempre sonhou em morar na ilha, mas nunca foi ouvido.

Um dia, chorando no seu quartinho, decidiu fazer algo arriscado, mas que possivelmente daria certo, teve que fugir por dois dias e por incrível que pareça, seus pais atenderam seu pedido, afinal o filho já tem 17 anos, quase 18. Um pequeno felino adulto.

Sua primeira impressão da área florestal foi exatamente essa: "Por meus bigodes, que lugar lindo!". Passou Janeiro inteiro visitando os lugares, fez um amigo novo numa sorveteira, Jung Hoseok, um híbrido de esquilo, que ironicamente pediu um sorvete de nozes. Hobi começou a visitar seu apartamento pequeno, mas confortável, e os dois começaram uma linda amizade. O gatinho era muito doce, tinha o aroma de orquídea negra que deixava todos caidinhos, sua beleza delicada chamou muita atenção quando chegou na ilha, não era acostumado com isso, mas nunca reclamou da sua aparência, seus cabelos loiros quase beirando a branco, seu rabinho felpudo, suas orelhinhas branquinhas, seus olhos azuis e verdes, e suas presas pequenas, Park é um gatinho adorável e raro, porque híbridos domésticos não são comuns, existem poucos no mundo. Mas não se engane, Jimin é um híbrido que segue cegamente seu instinto, seu ômega, então, se ele não for com a tua cara feia, provavelmente vai ter que lidar com um gatuno arisco.

Jimin se preparava para ir ao colégio, colocou um suéter roxo quentinho pela ventania costumeira naquela área, porque os ômegas não gostam muito de frio, e vestiu uma calça jeans que marcava seu corpinho pequeno e a bunda redonda.

Tomou um chá com biscoito, e logo estava na rua, pedalando sua bicicleta em direção a escola. Os cabelos lisos voam com o vento gelado, deixando seu nariz vermelhinho, ele adorou a sensação de liberdade que aquele lugar lhe proporciona, o cheirinho de mata fresca era revigorante.


Algumas pedaladas depois, o gatuno chega na portaria da escola, cumprimenta o segurança e prende sua bicicleta no estacionamento. Ele se sentia nervoso, tinha muita gente ali, Hoseok deveria estar lá dentro, mas antes de entrar ele mandou uma mensagem para o amigo.

Gatinho branco

Hobi, onde está você? |

Estou no estacionamento perto das bicicletas. |

Esquilinho

| Estou na porta principal

| Estou esperando você

O ômega desligou o telefone e caminhou até a escola, onde viu o rabinho do esquilo encostado na porta, segurou a alça da bolsa e fez uma corridinha até ele, dando um abraço por trás.

— Oi, Hobi! – Disse, soltando o amigo, que sorriu em retribuição. Tinha muitos olhares em suas costas, mas tentou ignorar.

— Oi fofinho, pronto para o primeiro dia de aula? Nossa, estão olhando para você. – Ele mexeu as orelhas cor caramelo nervoso, Park segurou mais a bolsa, estava sentindo um cheiro maravilhoso um pouquinho distante. Pegou o braço do amigo, para ir até seu armário, com todos os alfas babando e farejando seu cheiro, se sentia muito desconfortável.

— Isso é muito estranho, na minha antiga escola, eu tinha olhares julgadores, agora tenho olhares de desejo, Hobi... – Comentou, vendo sua senha num papelzinho e abrindo o armário para colocar suas coisas. O esquilo sorriu, divertido.

— Bem vindo ao nosso mundo, Jiminnie. – Falou, encostado num outro armário, esse que era de alguém muito especial. Que vinha da direção do banheiro.

Taehyung falou que havia alguém novo na escola, mas não se importou quando sentiu um cheirinho de flores delicioso.

Os felinos caminhavam no meio de muita gente, que estavam olhando para um pontinho específico, Park Jimin, Jeon no segundo em que colocou os olhos na pequena criatura perto do seu armário, congelou.

— Jungkook porque você está empacado aí? – Taehyung perguntou, coçando suas orelhas ruivas.

— Silêncio! Meu... – Rosnou baixinho, Jungkook nunca conseguia controlar sua parte animal, ficava beirando a selvageria muitas vezes. De 100%, a parte humana era só 20%, de acordo com os cientistas. Ele caminhou exatamente como um predador até o gatinho, que quando começou a sentir aquele cheiro de tangerina com alguma coisa mais perto, se virou, arregalando os olhinhos heterocromáticos para a figura gigante e atraente a sua frente. — Meu ômega...

Ah humanos! A minha parte preferida é quando os díspares se encontram, totalmente sobrenatural! Eu gargalhava vendo a cara de todos aqueles híbridos, pareciam um cão chupando mariola.

— O-oque? – Jimin murmurou, dando um passo para trás, Jungkook tinha seus cabelos grandes bagunçados, seus olhos amarelos brilhavam e as presas afiadas estavam para fora. Ele farejou o medo do gatinho encolhido no armário, e ficou preocupado.

— Não, gatinho. Não tema, sou seu alfa. – As bochechas do ômega estavam queimando de vergonha, "esse encontro não poderia ter sido em particular?", perguntou a si mesmo. Respirou fundo, e conseguiu ouvir seus instintos, eles diziam para deixar acontecer, porque sua alma reconhecia a do outro. Jimin relaxou no momento em que Jungkook pegou em sua cintura gordinha, suas caudas balançavam com agitação. Jeon se abaixou para cheirar a glândula aromática, e ronronou. Nunca tinha ronronado para ninguém. — Meu. Meu ômega está aqui... comigo.

— Sim, meu alfa... hum. – Ronronou baixinho, sua figura foi completamente tampada pela enorme do pantera. Eles juntaram as mãos, para confirmar o que estava na cara. Os encaixes dos dedos, foi igual ao encaixe do destino – vulgo eu –, se encaram e suas pupilas dilataram tanto que os olhos se tornaram negros, se não fosse adorável, seria muito macabro. Quando uma alma dispar se encontra, a única confirmação é se as mãos se encaixarem como quebra-cabeça, peças diferentes e um amor igual.

Demora alguns segundos mas o torpor chega ao fim quando o sinal bateu e todos saem correndo para suas salas, indo fofocarem sobre o novo casal.

Jimin colocou as mãos miúdas no peito do alfa, o tirando de cima dele, Jungkook rosnou, mas respeitou a decisão do garoto.

— Qual é seu nome, alfa? – Perguntou, Hoseok ainda estava ali, mas conversava timidamente com Taehyung.

— Jeon Jungkook, gatinho. E o seu? – Indagou, encantado com a beleza dele, tão adorável.

— Park Jimin... Temos que ir. Podemos conversar sobre isso no intervalo? – Mexia as orelhas brancas no meio da cabeleira loira, Jungkook achou um amor, mas era durão demais para falar. Pigarreou concordando, Jimin num ato de coragem abraçou o corpo grande e saiu correndo puxando Hoseok para a sala, deixando um alfa totalmente bobo para trás.

— Vamos gatão babão? – A raposa chamou, sorrindo provocativa, Jeon arrumou a postura e saiu andando para sua sala, sem olhar para trás.

Pensou que seria um ótimo momento para mudar de sala, pois ser o rei ali tinha seus benefícios.


CONTINUA


*HIPERPHONE - É um super celular, imagine que eles são de telas cibernéticas e que tem uma alexia para ajudar eles também.

* Alfa, ômega e beta é um instinto, uma classificação respectiva de dominante, fértil e neutro. Não tem relação a lobo, apenas os híbridos de humano e lobo, eles continua tendo cio, não tem genro para ser alfa, omega e beta não existe esse preconceito aqui. Segue a linha omegaverse, mas sem a parte dos lobos.

E aí nenéns como vão?

Vocês estão curtindo esse universo novo? 

Devo admitir que estou amando demais escrever HB, é relaxante e não é um tema pesado.

hehe até semana que vem <3

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top