Aquela mulher
2.1
Acordei no dia seguinte um pouco assustado, tive um sonho esquisito onde pessoas mascaradas dançavam em volta de uma fogueira, o resto não me lembrava muito bem.
Levantei para tomar café, mas antes, olhei para o jardim. Aquela mulher que me enfeitiçou ontem andava junto a muitos homens, ela os enfeitiçava assim como me enfeitiçava. Ela dançava como uma espanhola fingindo ter leques nas mãos enquanto os homens davam o ritmo com suas palmas.
Notei que uma das hóspedes estava olhando, um pouco invejosa para a dança. Ela me olhou com ódio e, por um momento me assustei, seus olhos pareciam brancos leitosos. Mas foi apenas impressão, seus olhos eram azuis muito claros, e ela era muito branca, chegava a dar medo a cor daquela mulher. Tinha cabelos loiros claros que contornavam sua face, fazendo-a parecer mais branca.
_Que ódio daquela puta, rouba todos os homens bonitos deste lugar só para ela, para manter seu vício em joias e luxo. Você não caiu na dela, não é? Você talvez seja o último homem bonito que ainda pode me querer, não é?
Dizia isso apalpando minha calça.
_Acho que consigo conciliar as duas.
Sexo de graça, com uma mulher bonita daquelas antes do café da manhã, era bom demais para ser verdade.
Foi uma das melhores trepadas que eu tive, não sei se era o tempo que fiquei em "abstinência", contando apenas comigo para resolver meus problemas, se era a atmosfera luxuriante do hotel ou se aquela mulher era a mais perfeita de todas.
_Qual é o nome daquela "puta que rouba todos os homens bonitos'?
_Por que, vai me trocar por ela?
_Claro que não, como eu disse, eu consigo conciliar as duas.
_O nome dela é Esmeralda e aqueles homens que estavam com ela são o que ela chama de "amigos". E como bons "amigos" eles trocam favores... eles bancam seu luxo com jantares, joias e coisas do tipo e ela os agrada da "melhor forma possível". Todos os dias, pela manhã eles fazem aquela palhaçada, até mesmo os "amigos" que não podem pagar a ela nem um jantar. Esses, coitados, dançam com ela apenas para se torturarem, já que ela não se interessa por eles.
_E qual é o seu nome?
_Paloma.
_Alguma dica de como atrair a Esmeralda para uma noite?
_Chame-a para jantar no restaurante e não peça nada com alho, um bom vinho cai bem.
2.2
_Passei o dia te procurando.
Esmeralda se virou para mim, estava ainda mais linda do que antes, e meu desejo ainda não estava saciado.
_Que bom que me encontrou então, o que deseja? Algum travesseiro a mais, um cobertor? Talvez se mudar para o quarto da Paloma?
Ela estava com ciúmes, isso não era bom.
_Na verdade vim te convidar para um jantar, o que acha?
Ela sorriu.
_Ótimo, logo hoje que o jantar será temático, todos os garçons vestidos como capitães, servindo frutos do mar.
Mais uma vez o dinheiro do mês indo embora por conta de uma foda.
Cheguei minutos antes dela no restaurante, havia uma orquestra tocando uma música bem animada. O restaurante parecia um grande salão de festas daquelas chiques dos anos 20.
No bar um homem de aparência cadavérica servia os drinks a um bando de bêbados que riam juntos, caiam juntos e que, quando finalmente se levantavam, pediam mais para comemorar a façanha de ficar em pé.
Em um outro canto, um pouco mais escuro, muitos homens e mulheres se agarravam e se beijavam com vontade. Algumas das mulheres nem usavam calcinha por baixo dos vestidos para facilitar a vida de seus companheiros.
Ela usava um vestido longo e preto muito belo, seu cabelo estava solto, mas havia um tipo de arco negro, em forma de flor com algumas pedras também negras o adornando, prendendo sua franja. Em seu pescoço haviam muitos colares de pérolas. Usava também luvas rendadas nas mãos. Antes de chegar na mesa, já havia pego um Martine e atraído a atenção de todos no salão/restaurante.
_Adoro essa música.
_Não conheço, qual o nome?
_In the mood.
_Já quer pedir?
_Vou querer ostras com um vinho Chardonnay Californiano, para acompanhar. E antes que eu me esqueça, tome isso.
Era um chapéu.
_Sabia que não teria um Fedora então decidi te dar um, acompanha bem meus trajes.
_" Capitão", poderia me trazer o vinho, por favor?
_Claro que sim. Esmeralda, acho que desde 1969 não vemos um hospede como esse, tão espirituoso.
O vinho chegou e logo após pedimos o prato principal. Ela pediu um Haddock defumado, que combinava com o vinho pedido por ela.
_Este hotel é para os que gostam de excessos.
_Vê-se pelo jantar maravilhoso.
Seguimos para o quarto dela, uma das suítes do terceiro andar.
_Este é o meu quarto.
O quarto de número 303 era ocupado pela graciosa Esmeralda. Era uma suíte presidencial que contava com uma bela cama gigante, com muitos travesseiros e roupa de cama impecáveis e de muito luxo. Acima da cama havia um espelho muito adornado com ouro e pedras preciosas. Na cabeceira, um balde também feito de ouro cheio de gelo com algumas garrafas de champanhe nos esperavam ao lado de duas taças de cristais.
Mas mesmo antes d'eu reparar em tudo isso, eu já estava dentro da Esmeralda. Trepando ao som da orquestra.
_Ficou incomodada por eu ter trepado com a Paloma hoje mais cedo?
_Não, a inveja e cobiça são o departamento dela, não a invejo por tê-lo experimentado antes de mim, assim como não invejo nenhuma outra das que vieram antes, nem das que virão depois.
_E qual seria o seu departamento?
_Ganancia.
_E a luxuria?
_Este é o seu departamento, querido. Somos todos prisioneiros neste hotel.
_Prisioneiros?
_Prisioneiros dos nossos vícios, dos nossos pecados. Da busca excessiva pelo prazer.
_Eu não entendi.
_Você entenderá.
Adormeci.
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