XXXIII| Rastro
Com algemas lhe prendendo os pulsos, Alephe foi forçado a andar pelos corredores, seguindo rumo a sabe-se lá onde o metamorfo desejava leva-lo.
Após a ameaça de morte, o menino decidiu que não abrir a boca era a coisa mais sensata a se fazer, então, por conta disso, nenhum mísero som saiu de sua garganta – mesmo que o garotinho quisesse pedir para que o homem da Divisão ao seu lado parasse de assobiar daquele modo tranquilo e sombrio.
Parecia mais uma trilha sonora de um filme de terror.
Entretanto, quando ambos viraram em um corredor, o metamorfo parou de assobiar, e o Alephe só teve tempo de se sentir aliviado por um segundo, já que, no seguinte, os seus olhos já estavam arregalados ao ver o motivo da cantoria ter parado.
— AHÁ! — anunciou Yuri, apontando o dedo em sua direção, contudo, assim que o jovem notou quem estava ao lado de Alephe, os olhos do mesmo se arregalaram num misto de receio, respeito e surpresa. — Lynn?!
O metamorfo se limitou a soltar uma risada sarcástica.
— Você não consegue capturar uma mísera criança?
Yuri engoliu em seco e umedeceu os lábios, tentando ganhar tempo para pensar em uma resposta. Perante a reação do rapaz, Alephe instintivamente engoliu em seco também, afinal, se o Yuri estava tão nervoso assim, o tal “Lynn” deveria ser alguém importante e perigoso.
Pelo canto dos olhos, a criança observou a face do homem. Ele não aparentava ser tudo isso, mas o uniforme condecorado era um indício de que o metamorfo tinha um certo prestígio.
— Ele é um maldito covarde que fugiu! — explicou-se Yuri, finalmente, ao mesmo tempo em que lançava um olhar raivoso para Alephe, que mordeu os lábios para conter a vontade de mostrar a língua para o seu oponente.
O ambiente ficou em silêncio, como se aquela acusação não fosse digna de uma resposta por parte do metamorfo.
— É a minha primeira experiência sendo capturado e eu estou nervoso, mas o mínimo que alguém poderia fazer quando encontra alguém mais forte é fugir! — rebateu Alephe, não conseguindo se segurar. — Esse é o instinto básico de sobrevivência, seu mané.
Ao sentir a mão do homem da Divisão apertar um pouco mais o seu pulso, o garotinho mordeu a própria boca.
Por que ele não conseguia simplesmente ficar quieto?!
Nervoso, o menininho ergueu o olhar até o homem ao seu lado, surpreendendo-se ao ver um sorrisinho presente nos lábios dele.
Bem, era melhor que o cara estivesse rindo do que pensando em um jeito de mata-lo, não é mesmo?
— Eu poderia colocar esse pirralho no seu lugar depois de ele ter conseguido fugir de você com tanta facilidade e ainda ter conseguido me deixar de bom humor — anunciou Lynn, fazendo com que o Yuri arregalasse os olhos e encarasse o Alephe, que curvou os lábios para baixo, igualmente chocado.
A criança pensou em dizer que recusava o convite, mas o seu instinto de sobrevivência o convenceu de que não era uma boa ideia falar aquilo para o homem mais perigoso daquele lugar, então, Alephe apenas prosseguiu calado.
— Mas...
— Chega — ordenou Lynn, abanando a mão como se o que o Yuri planejava dizer não fizesse a menor diferença. — Siga-me, irei até o Rey e, durante o caminho, pensarei se falarei para ele que você quase deixou esse pirralho escapar.
Pálido de medo, Yuri assentiu e esperou que o Lynn caminhasse para que o mesmo pudesse segui-lo. Quando o metamorfo começou a assobiar outra vez, Alephe revirou os olhos, sabendo que a cantoria não iria parar tão cedo, e virou disfarçadamente a cabeça para poder encarar o Yuri, que observava as mãos com um semblante frustrado.
Alephe não sabia o que poderia estar passando na cabeça do jovem, porém, quando o Yuri ergueu os olhos e fez um gesto passando o dedo de um canto do pescoço ao outro, indicando que o Alephe pagaria por aquilo, a criança somente mostrou a língua e, em seguida, voltou a olhar para frente.
Bem, depois disso, agora o jovenzinho definitivamente sabia o que o Yuri estava pensando.
E não era numa coisa boa.
— Ryan?
Tony paralisou ao chegar no local onde o garoto deveria estar e não encontrar nada além de uma tocha queimando fracamente na parede e bastante água no chão com alguns cristais de gelo na superfície.
O treinador de elite deu alguns passos hesitantes para frente, como se não acreditasse no que estava vendo, enquanto os seus olhos perambulavam de um canto para o outro, à procura de alguma coisa – ou alguém.
Gelo.
Esse era o poder do menino. Então, a água espalhada pelo solo indicava que o rapaz havia usado as suas habilidades há um tempo, sendo assim, o mesmo não tinha saído daquele local por vontade própria.
— Droga! — sussurrou Tony, ao mesmo tempo em que os seus olhos adquiriam uma coloração escarlate.
Com a visão aprimorada, o homem voltou a analisar o ambiente sem ter que se preocupar com a falta de luminosidade, e, assim que o treinador se deparou com uma coisa incomum, ele franziu o cenho e se aproximou para pegar o material.
— Uma pena branca? — questionou para si, enquanto a girava entre os dedos.
A medida em que Antony encarava a pena, o vermelho de seus olhos foi se tornando mais intenso até chegar ao ponto de um filete escarlate, fino como uma fumaça, começar a surgir na ponta do material, fluindo em direção as escadas.
Um rastro.
— Touché.
— AAAAARGH! — grunhiu o guarda, com a voz entrecortada devido a dor latente que se instalara em seu braço.
A respiração do soldado de Bry estava rápida, indicando que o mesmo não conseguia se concentrar em inspirar enquanto o seu braço estava colado as costas, a ponto de ser quebrado. A bochecha do homem estava encostada no chão de pedra gélido enquanto o indivíduo que o atacara estava sobre si, impedindo-o de se mexer.
— Responda a pergunta.
— P-Por que você está fazendo isso?! — questionou o soldado, com o desespero nítido na voz. — Você trabalha pelo reino ou não, seu... ARGH!
— Eu quem faço as perguntas — disparou.
O homem que imobilizava o soldado olhou para si, para o uniforme que usava. Graças a essa vestimenta, o mesmo havia conseguido se aproximar bastante daquele pobre guarda antes de ataca-lo daquela maneira.
— Onde está a Sara? — questionou Luís, torcendo ainda mais o braço do oponente abaixo de si, que conteve um grito.
— Eu não sei quem é essa aí, eu juro! — confessou, com os olhos cheios de lágrimas. — Se eu soubesse eu diria! Por Bry, eu juro que lhe diria!
Luís ficou em silêncio, ponderando as palavras do soldado.
— Então farei uma pergunta que você saiba responder — o soldado assentiu aceleradamente, como se quisesse que o Luís fizesse o questionamento de uma vez e o soltasse logo. — Onde é a sala de controle desse castelo?
A princípio, o guarda franziu o cenho, afinal, alguém que trabalhava ali já deveria saber de algo assim, porém, de uma hora para a outra, o homem arregalou os olhos, espantado.
— Você é um intruso!
Luís riu pelo nariz, incrédulo.
— E você só se deu conta disso agora?
O homem engoliu em seco, ao mesmo tempo em que tentava estabilizar a respiração e suportar a dor.
— Eu não posso contar!
Luís segurou o braço de seu inimigo com mais pressão.
— Tem certeza?
O soldado soluçou, cheio de terror, mas ficou em silêncio.
Por um tempo, não houve mais nenhum som no ambiente, e a cada segundo que passava, o guarda de Bry suava cada vez mais, nervoso com o que podia estar se passando na cabeça de seu oponente.
— Já que você prefere ficar com o braço quebrado do que falar, então...
— Não, não, não! — implorou o homem, tremendo. — Se souberem que eu te falei, eles me matam — confessou, com as lágrimas caindo. — Por favor, a minha mulher está grávida! Grávida. Se eu morrer...
— Se você me levar até a porta da sala de controle e eu enfim a vir com os meus próprios olhos, eu te libero, assim, você poderá fugir, se esconder ou fazer o que quiser. Ninguém saberá que foi você quem me levou até lá. Tem a minha palavra.
O soldado engoliu em seco, numa tentativa de se acalmar.
— O senhor jura?
— Juro.
Theo, o herdeiro do reino Bry, estava na sala de controle com um semblante sério após ter visto nas gravações que um único homem havia conseguido desestruturar todos os soldados facilmente há pouco tempo.
Antony Signya.
Contudo, por conta da máscara que o treinador de elite usava, a sua identidade não havia sido vista pelo príncipe.
— As passagem secretas são um problema — murmurou Theo, ainda encarando o painel que mostrava as costas do Tony momentos antes do mesmo brandir a espada e derrubar todo o exército.
O príncipe trincou os dentes, guiando os olhos até as outras telas que revelavam as faces dos jovens que estavam com o Tony. Para o deleite do príncipe, os adolescentes estavam sem máscaras. Ryan, Camille, Cássia e Eduardo eram os mais problemáticos, mesmo que um deles ainda estivesse com algemas.
— Essas passagens devem ser interligadas, então se entrássemos por essa que eles nos mostraram provavelmente iriamos descobrir saídas novas e, com o tempo, teríamos um mapa detalhado sobre isso — comentou um dos homens que estava na sala, aquele que era o responsável pelos demais. — Talvez, se mandássemos soldados com armas de gás pra lá, uma hora esses jovens vão ser obrigados a saírem dali. Além do mais, se o gás “vazasse” das passagens, nós poderíamos preparar o nosso pessoal para isso mandando máscaras para eles.
O herdeiro ergueu uma das sobrancelhas, intrigado.
— Até que você pensa às vezes.
O homem encolheu os ombros e abriu um sorrisinho sem graça perante o pronunciamento de seu futuro rei.
— É, acho que sim, majestade.
Os olhos violetas do Theo retornaram para as telas e um sorrisinho surgiu no canto dos lábios do homem.
— Preparem as armas de gás — ordenou. — Ademais, concentrem os nossos homens nas áreas das prisões e nos derredores para nos assegurarmos de que ninguém escape facilmente.
— Sim, senhor!
Após todos responderem em uníssono, Theo puxou uma cadeira e se sentou com um sorrisinho convencido.
— Mostrem todas as câmeras do castelo, não quero perder absolutamente nada do que irá acontecer.
— Sim, senhor — falaram outra vez.
Com isso, o príncipe se recostou no assento como alguém que se acomoda para assistir a um longo filme.
— Agora é só aguardar.
E aí gente, tudo bem?
Estou passando no final do capítulo pra lembrar vocês de deixarem uma estrela ☆ e um comentário dizendo o que vocês acharam ♡
Só posso dizer que as coisas vão ficar ainda mais intensas pra nossa equipe X :') Vamos torcer para que se saiam bem.
Por hoje é só, pessoal, um abraço e até breve! ♡
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