XXXII| Próximo passo
Thomas e Flora seguiram parte do caminho pelos dutos de ar até entrarem em uma passagem que os levaria rumo ao local aonde deveriam chegar.
Como havia combinado com Ária e Kal de que deveriam se reencontrar numa das passagens do setor da prisão, onde estava ocorrendo a rebelião, o capitão da equipe X guiou a sua companheira até lá.
Ao chegar, as sobrancelhas do rapaz se ergueram ao ver a quantidade de pessoas que haviam ali, logo depois, a sua visão foi até a Flora, como se quisesse checar se estava tudo bem com a garota. A mesma, além do manto, também estava usando a máscara que o Thomas tinha trazido, fazendo com que fosse complicado que mais alguém conseguisse reconhece-la; tanto é que, quando a Ária, a Camille, o Eduardo e o Kal, que estavam juntos num canto, ergueram-se, expressões levemente confusas e curiosas surgiram em suas faces.
Tirando o Kal, que tinha uma máscara cobrindo metade do rosto, Thomas logo notou a pontada de esperança nos demais. Eles alternavam o olhar entre o garoto e a pessoa ao seu lado, nem se dando conta de que os dois estavam de mãos dadas.
Todavia, quando a Flora tirou a máscara, revelando a sua face, os queixos de seus companheiros caíram, num misto de surpresa e felicidade.
Camille e Eduardo arregalaram os olhos, encarando um ao outro com expressões de choque e, em seguida, sorrisos surgiram em seus lábios; Ária paralisou, como se ainda processasse aquilo e o Kal, diferente dos outros, apenas assentiu com a cabeça, como se já esperasse uma surpresa assim vinda do Thomas.
— FLORA!
O grito de Eduardo pareceu despertar a Ária do choque, fazendo com que tanto ela quanto Camille corressem até a amiga recém-salva. Flora abriu os braços, recebendo-as em um abraço, e o Eduardo não demorou para se juntar às três.
— Graças ao Ômega! — sussurrou Ária, com a voz embargada de emoção.
— Graças a nós — corrigiu Kal, num tom mais descontraído, mas ninguém deu muita atenção para o comentário, pois estavam ocupados demais esmagando a Flora com abraços.
A integrante da equipe X riu, um pouco atordoada com a Ária chorosa de um lado, a Camille vibrante do outro e o Ed gritando de mais algum canto. Era muita informação para processar, mas a menina estava adorando. A mesma chegou até a se achar um pouco estranha, já que estava com os olhos marejados como a Ária, sorrindo como a Camille e falando para que se acalmassem, como o Eduardo. A diferença era que o garoto estava falando alguma coisa entre “eu sabia que conseguiríamos” e “pensei que fosse morrer”, mas ela não entendeu bem.
— Ora, ora, se não é a princesa perdida — alegou Cássia, aproximando-se com os seus colegas de time ao encalço.
Com a fala dela, Eduardo, Camille e Ária finalmente resolveram soltar a Flora.
Ao se afastar, o Edu levou a sua atenção até a Cássia, como se fosse falar algo, porém, os seus olhos foram até o Saul, e subitamente o garoto se lembrou de que a Cássia “não gostava de pessoas como ele”. A memória fez o rapaz desviar o olhar, e o Kal segurou o seu ombro, em uma tentativa de passar um certo conforto.
A capitã da equipe I franziu o cenho, estranhando a reação do menino, mas não proferiu nada.
— Obrigada — disse Flora, para cada um deles. A voz da garota estava embargada e os olhos estavam marejados, mas, mesmo assim, ela observou cada um com uma imensa gratidão em sua face. — Obrigada.
Perante aquilo, Cássia deu de ombros, como se não tivesse feito nada de mais, enquanto que Ária, Camille e Eduardo sorriam, tão emocionados quanto a Flora. Kal assentiu com a cabeça, aceitando o agradecimento, e o Thomas, quando o olhar da moça parou nele, apenas a encarou de volta, como se ambos não precisassem se comunicar com palavras.
Eles seguraram a mão um do outro com mais força.
Imediatamente, o olhar de Ária seguiu até esse gesto, gerando um sorrisinho no canto dos seus lábios.
— Ah! — exclamou a integrante da equipe IX, assim que Thomas e Flora desviaram o olhar um do outro. — Aqui está. Foi útil.
Thomas concordou com a cabeça ao pegar o comunicador da mão de Ária, que o mesmo havia emprestado a ela momentos atrás.
— Qual o nosso próximo passo agora? — indagou Camille.
Perante essa pergunta, os prisioneiros que estavam ali levaram as suas atenções até o grupo. Silêncio recaiu no local, e os homens que estavam recuperados do gás ajudaram os que não estavam a se erguerem, indicando que planejavam seguir a equipe para onde quer que fossem.
Thomas se virou para os encarcerados, com Flora ao seu lado, e as pessoas levaram os olhares até ele, como se deduzissem que o rapaz era quem estava na liderança. Um pouco atrás do Thomas, à sua esquerda, Cássia, Saul, Morgana e Ivan – o time I da A1 – viraram-se também, juntamente com Ed, Ária, Camille e Kal, que ficaram mais à direita.
Os olhos de alguns ex-encarcerados brilharam, como se aqueles jovens fossem a última esperança que tinham para se verem livres daquele castelo.
Flora observou a todos, notando esses olhares que, em sua maioria, estavam depositados no Thomas, e, como forma de passar confiança para o seu parceiro, ela segurou a mão dele com mais força, fazendo com que o rapaz retribuísse o gesto.
Então, com a cabeça erguida e os olhares de todos em si, ansiosos pelas suas palavras, o capitão da equipe X – e agora de todo aquele grupo – proclamou, de forma simples e direta;
— Vamos sair desse inferno, custe o que custar.
— Os seus poderes ainda não voltaram?
Daphne negou com a cabeça, fazendo com que o Arthur, que havia feito o questionamento, encarasse-a com um certo pavor. Pelo tempo, as habilidades especiais da menina já deveriam ter retornado.
— É normal que demore. Uma boa quantidade dos meus poderes foram drenados e o meu corpo não está nas melhores condições — explicou, na tentativa de acalmar o rapaz. — A droga que tomei pode acelerar o processo, eu acho.
Arthur assentiu, engolindo em seco para tentar disfarçar a preocupação.
— Há a chance deles não voltarem até você realmente descansar? — perguntou Nicholas, fazendo com que a Daphne piscasse, surpresa com a indagação válida do parceiro.
O menino a encarava com um semblante sério, sem demonstrar tanto pânico como o Arthur, contudo, pelo modo no qual os olhos dourados dele estavam fixos nela, não foi difícil notar que o mesmo estava tenso, ainda que tentasse não revelar isso.
A moça sorriu levemente, grata pelo esforço dele em não demonstrar assombro. A última coisa que a garota desejava era ter que tranquilizar os seus companheiros por conta da sua situação.
— Não sei. Essa pílula que tomei promete me dar energia para continuar lutando, mas nunca li nada que relacione isso aos meus poderes, apenas ao físico — comentou. — Eu posso me virar sem as minhas habilidades também — completou, lançando um olhar para o Arthur, que franziu as sobrancelhas, como se não acreditasse nisso.
— Eu sei que pode — retesou Nicholas, com um sorrisinho ladino.
Perante o comentário do mesmo, Arthur ergueu levemente as sobrancelhas, como se, agora, acreditasse que a menina realmente pudesse ser perigosa sem os poderes. Ele curvou os lábios para baixo, surpreso, e se acomodou com mais tranquilidade na cama onde os três estavam.
Daphne observou a mudança de atitude do Arthur, e, por conta disso, lançou um olhar para o Nicholas, que sorriu disfarçadamente para a mesma, fazendo-a abaixar a cabeça e conter um sorrisinho grato.
— O Rey só está aqui para pegar os melhores prisioneiros e leva-los para a Divisão — proclamou Arthur, indo para o assunto que realmente interessava. — Ele não está nem aí para o que acontece ou deixa de acontecer com esse reino ou com os governantes dele.
— Então, pela lógica, os reis não devem confiar tanto assim no general — supôs Daphne, seguindo aquela linha de raciocínio.
Arthur assentiu.
— Pelo que fiquei sabendo, os Bry não aprovam o Rey como general — prosseguiu o garoto. — Mas, ao que parece, os reis não podem fazer muita coisa para tira-lo do poder, a não ser que...
— ... ele morra — concluiu Daphne. — Ou peça para sair, o que é menos provável.
Arthur assentiu novamente, engolindo em seco.
— Então, se quisermos fugir, teremos que tirar a atenção deles de nós e colocarmos um contra o outro.
— Deveríamos diminuir as forças deles — o garoto não pôde deixar de lançar um olhar para o armário aonde James estava preso. — O Rey planejava fazer isso com vocês. Pega-los um a um. Por que não fazemos ele engolir o próprio veneno?
Daphne sorriu de uma maneira um tanto quanto perversa, mostrando que apreciava a ideia.
— O Rey veio somente com você, o James e o Yuri, certo?
— A Sara veio também, mas não sei dizer se ela continua aqui ou se conseguiu sair antes que o castelo fosse fechado.
Daphne levou a mão ao queixo, estudando as possibilidades que tinham.
— Para evitar surpresas, é melhor não nos esquecermos dela — alegou a garota, por fim. — Nesse caso, do lado do Rey, há apenas o Yuri e a Sara com ele, enquanto que do lado dos Bry há o rei, a rainha e os três filhos. Precisamos minar as forças deles tirando o Yuri e o... — o rosto dela se fechou num semblante sério e levemente raivoso antes de prosseguir; — Thadeu. Ambos são os mais fracos de cada lado, porém, se tirarmos eles do jogo, as coisas vão fluir melhor para nós.
Arthur concordou com a cabeça.
— Se tudo tiver dado certo, o Thomas deve ter se encontrado com o Thadeu. Talvez ele já tenha até conseguido apagar aquele imbecil e... — o olhar da mesma brilhou com uma certa esperança. — ... salvado a Flora.
— Vocês conseguem falar com o Thomas? Ele tinha entregado um aparelho de comunicação para você, não tinha? — questionou, virando-se para encarar o Nicholas.
O integrante da equipe X, que estava se esbaldando nas CEMs que o Arthur havia trazido, parou com uma delas a caminho da boca quando notou os olhares dos outros sobre si.
— É minha hora de falar?
O jovem de cabelos cacheados ergueu as sobrancelhas, perplexo com o fato do seu companheiro não estar prestando atenção em uma conversa importantíssima, porém, quando o mesmo levou os olhos arregalados de incredulidade até a Daphne, Arthur constatou que a garota não estava tão espantada com aquela atitude.
Pelo Ômega, como alguém poderia ficar tão despreocupado numa situação tão tensa?
— A ignorância é uma benção — murmurou para si.
— Você ainda tem o anel que conseguimos na nossa primeira missão? Podemos falar com o Thomas por ele.
— Ah, claro que eu tenh... — tentou dizer, levantando a mão na qual o objeto deveria estar, contudo, quando o menino viu que o acessório não estava mais em nenhum de seus dedos, ele franziu o cenho para, logo depois, adquirir um semblante mais sisudo. — O Rey deve ter tirado.
— E o comunicador que o Thomas te deu?
— Eu dei para a Camille.
Perante a resposta, o Arthur soltou um suspiro derrotado, enquanto que Daphne apenas absorveu a informação com uma expressão reflexiva.
— Eu sei onde é o quarto do Thadeu.
Uma das sobrancelhas do Nicholas se ergueu perante o comentário da mesma, enquanto que o Arthur voltou a erguer a cabeça para poder observa-la.
— Eu posso ir até lá enquanto você vai atrás do Yuri — prosseguiu ela, levando a sua atenção até o jovem de cabelos cacheados. — Se o Thadeu não estiver mais no quarto, veremos o que fazemos depois. Enquanto isso, você pode ir atrás do Yuri e usar o fator surpresa ao seu favor para captura-lo e diminuir a vantagem do general sobre nós.
— Está bem — o olhar do jovem seguiu até o armário onde o James estava sendo mantido. — Podemos nos reencontrar aqui depois que capturarmos os nossos alvos, ok?
Daphne concordou, e o Arthur levou os olhos até o Nicholas para ver se o mesmo também aprovava aquilo, porém, ao ver que a atenção do mesmo na comida era maior do que em qualquer outra coisa, ele desistiu.
Depois dessa experiência, o Arthur com certeza começaria a pensar duas vezes antes de entregar algo comestível para o seu companheiro, principalmente se estivessem em uma situação onde todos deveriam prestar bastante atenção no que estava sendo anunciado.
— Ok. Vam...
— Tem mais uma coisa — proferiu o Nicholas, levando a última CEM à boca antes de erguer a cabeça; o olhar sério presente na face do rapaz fez o Arthur inclinar o corpo para frente, ansioso para saber que tipo de informação o seu parceiro planejava revelar. — Eu me separei do Alephe quando estava lutando contra o Rey, então irei procura-lo. Se você o vir... — disse, levando aqueles olhos dourados até o Arthur, que ficou levemente atordoado com o brilho destemido que emanava deles; — ... por favor, ajude-o.
— Pode deixar.
Um sorrisinho surgiu nos lábios do Nicholas perante a resposta, e, logo em seguida, o mesmo se levantou;
— Agora a brincadeira vai começar.
O soberano de Bry ficou encarando o corpo caído do Thadeu por longos segundos.
Dara, em silêncio, fez a mesma coisa. A mulher controlava até mesmo a sua respiração, como se quisesse emitir o mínimo possível de barulho, enquanto analisava o seu próprio filho ferido, no entanto, para a surpresa da rainha, ela não sentia nenhum pingo de remorso por ele.
Algo dentro de si havia se comovido com o Thales, mas, por mais que quisesse, o mesmo não acontecia com o Thadeu – e a monarca não sabia bem o por quê.
Quando a gravidade do ambiente pesou, a mulher engoliu em seco e deixou os pensamentos de lado, sabendo que uma tempestade se formava no interior de seu marido, no qual se virara lentamente na direção dela.
— Que merda é essa? — questionou, visivelmente tendo dificuldade em manter o tom sereno.
A rainha encarou aqueles olhos violetas brilhando de fúria e respirou fundo, reorganizando os pensamentos e a postura.
— O QUE ACONTECEU AQUI?! — explodiu.
O grito dele reverberou pelo local, talvez até mesmo pelo corredor, enquanto que o peso da gravidade dobrava, como se estivesse ordenando para que a mulher se pronunciasse.
Com um semblante sério, e levemente surpreso, para fingir que ainda estava abalada com a situação de Thadeu, Dara Brytleofber respondeu, sem desviar o olhar ou gaguejar;
— Não faço a menor ideia.
O semblante de Thor se desconfigurou. Naquele instante, a única coisa que havia na face do homem era ódio, seja pelo Thadeu estar daquele jeito, seja pelo seu “filho perfeito”, Thomas, ter fugido, porém, independente de qual opção fosse, a única pessoa na qual o rei poderia descontar o que estava sentindo era apenas uma.
Transtornado, o homem levou as mãos até os braços de sua esposa, agarrando-a com uma força considerável. Ele nem mesmo piscou quando a mulher grunhiu de dor, e, com aqueles olhos violetas tremendo de raiva, o rei bradou;
— ONDE ELE ESTÁ?
Dara gemeu, não suportando a dor que os seus braços sentiram quando o monarca os apertou com mais força.
— Eu não sei! — dessa vez, a sua voz saiu entrecortada graças a dor que a mesma tentava suportar.
O rei trincou os dentes, como se não aceitasse aquilo como resposta, e a trouxe mais para perto com um puxão brusco.
— A culpa é sua.
Os joelhos da rainha estalaram quando o peso da gravidade a empurrou para baixo. A mulher prendeu a respiração e soltou um grito doloroso enquanto sentia os olhos queimarem.
— Thor — suplicou.
— Você...
Trec.
O barulho da porta se quebrando atraiu a atenção do rei, interrompendo-o. A porta espessa, feita para que barulho nenhum passasse, foi jogada brutalmente no chão após ter sido partida ao meio.
Os olhos do monarca se fixaram no material por um tempo antes dele erguer a vista para ver quem havia feito aquilo.
— Solte-a — o tom ameaçador do indivíduo fez o Thor erguer uma das sobrancelhas, estarrecido pela coragem que o outro tinha para falar dessa forma com ele.
Seja quem fosse, não sabia com quem estava se metendo.
O governante soltou a esposa, que se afastou dele quando o mesmo se virou para o seu novo oponente com um semblante predatório em sua face. Todavia, quando o homem que o havia desafiado abriu uma parte da máscara mecânica que se acoplava a sua armadura, o rei de Bry ergueu as sobrancelhas e um sorrisinho se alongou na lateral de seus lábios ao finalmente saber quem teria de enfrentar.
Thiago Brytleofber.
E aí gente, tudo bem?
Estou passando no final do capítulo pra lembrar vocês de deixarem uma estrela ☆ e um comentário dizendo o que vocês acharam ♡
Preparados para o confronto entre pai e filho? Thiago vs Thor vai ser tensooooo! Enquanto isso, iremos torcer pra que os nossos protegidos consigam se sair bem no que planejam fazer c:
Por hoje é só, um grande abraço e até breve! ♡
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top