XXVIII| Asfixia
Silêncio.
A ausência de som durou um longo tempo, tanto é que, devido a calmaria estranha, Kral abriu os olhos para ver o que tinha acontecido. Rapidamente, a sua vista foi de encontro com a adaga de Thadeu, que estava parada a pouquíssimos centímetros do centro de seu peito.
Instintivamente, o garoto franziu o cenho, achando estranho o fato de ainda não estar morto, no entanto, quando a sua atenção seguiu até o rosto de seu rival, o integrante da A1 pôde ver que o príncipe de Bry estava tão confuso quanto ele – até mais.
— Mas que por...
Antes que pudesse concluir o seu xingamento, o Brytleofber teve o corpo erguido de maneira brusca, sendo levado velozmente até o teto, no qual as suas costas bateram com tanta força que o barulho do estalo de seus ossos ecoou pelo ambiente junto a um urro abafado de dor que saiu do fundo de sua garganta.
O jovem não teve tempo nem de proteger o rosto quando o seu físico, da mesma forma que foi levado até o teto, caiu com tudo no chão, fazendo-o, enfim, gritar diante da pancada.
Ária fez uma careta e fechou os olhos quando o barulhinho do nariz – e mais algum osso – sendo quebrado ecoou pela área. Mas, pelo visto, aquilo ainda não havia acabado. Outra vez, as costas de Thadeu bateram contra o teto, e, com esse golpe, o príncipe arfou, como se o ar tivesse sumido de seus pulmões; a gravidade se normalizou no corpo da garota da equipe IX logo depois.
Àquela altura, o Brytleofber não conseguia mais focar em controlar os seus poderes, apenas queria encontrar uma forma de se defender daquele ataque.
Entretanto, ele não teve tempo para pensar em como fazer isso.
Chão.
Teto.
Chão.
Teto.
Chão.
Teto.
Chão.
E ali o Thadeu permaneceu, inconsciente.
Kral e Ária acompanharam o corpo do príncipe subir e descer com os olhos arregalados, e, assim que o massacre teve fim, ambos, com as sobrancelhas mais erguidas que nunca, levaram os seus olhares ao Thomas. O capitão da equipe X piscou, como que saindo do estado surpreso em que estava, e, quando notou os olhares sobre si, apenas balançou a cabeça de maneira negativa, indicando que não havia sido ele o causador daquilo.
— Não sabia que ser capturado fazia parte dos seus planos.
Kal e a menina procuraram o dono daquela voz, mas, quando o rapaz da A1 percebeu que o imã que estava preso ao seu cinto flutuou e, em questão de segundos, libertou o Thomas – que foi levitado até ser colocado gentilmente de joelhos no chão – um assobio admirado saiu de seus lábios.
Assim que o capitão da equipe X tirou a faixa que cobria a sua boca e, vagarosamente, como que testando os limites do corpo, ergueu-se, Kal pôde ver que os olhos de Ária brilharam de alívio e que um suspiro longo saiu de sua boca quando os ombros dela caíram, como que relaxando. O menino tirou os seus olhos dela e os voltou até o garoto, que estava de pé com um sorriso no canto de seu rosto e com uma postura resoluta, como se tudo o que havia acontecido tivesse sido estritamente calculado.
Kral não teve como não admirar o jovem, que, naquele momento, parecia estar em outro nível.
Parecia um líder – ou o reflexo de um que ele poderia vir a se tornar no futuro.
O Brytleofber mais novo olhou para cima com aquele sorrisinho ladino nos lábios, e um brilho de orgulho, confiança e gratidão tomou conta de seus olhos.
— Fazia sim, mas você demorou mais do que eu previ, Tell.
O pequeno ser, que parecia uma fada e tinha os cabelos negros ondulando em sua cabeça como água do mar, desceu para se aproximar do jovem da K2. Perante isso, Kal e Ária se entreolharam, maravilhados, e a menina sorriu quando desfez a armadura de diamantes; o rapaz apenas assentiu com a cabeça para ela antes de se levantar do solo, mas não sem dar uma rápida olhada para o Thadeu, vendo o sangue que se acumulava próximo a cabeça do príncipe.
O pai e os irmãos dele não iam gostar nem um pouco daquilo.
— Confesso que foi uma surpresa vocês terem me encontrado aqui — comentou o Thomas, virando-se para os dois e fazendo com que o Kral desviasse o olhar do outro Brytleofber.
Kal observou o capitão em sua frente com atenção. O jeito que ele falava e se portava emanava poder, chegando a fazer com que o rapaz da A1 se mantivesse distante.
Mas a Ária não pensou desse modo.
Ela se aproximou às pressas do companheiro, observou-o com atenção para ver como ele estava e, ao perceber que não havia nada grave, a mesma sorriu e o abraçou.
— Agradeça a sua mãe — revelou, afastando-se. — É graças a ela que estamos aqui.
A informação fez com que o Thomas erguesse as sobrancelhas, em seguida, o menino baixou a cabeça e sorriu sem mostrar os dentes.
— Eu tenho muito a agradecer a ela.
— Bem, temos muitas coisas para fazer — anunciou Tell, cortando o clima brando.
A fala do espírito fez com que o Brytleofber esfregasse os olhos e tornasse a erguer a cabeça; aquele semblante sério, de um verdadeiro capitão, retornou à sua face. Kral não pôde deixar de assentir com satisfação, apreciando a postura do rapaz.
— Na verdade, vocês — o olhar do ser se voltou à Ária e ao Kral. — Os seus companheiros estão brigado na prisão. Está o maior alvoroço lá e creio eu que a presença de vocês dois seria muito bem vinda. Já o Thomas... — o corpinho daquele poderoso espectro se virou na direção de seu portador. — ... precisa passar no seu antigo quarto antes.
O rapaz lançou um olhar de advertência para o Tell, e, quando o ser afirmou com a cabeça, o capitão da equipe X suspirou, disfarçadamente, com puro alívio.
Flora estava a salvo.
— Hã... Por um acaso vocês viram o Arthur?
Assim que a menina fez essa pergunta, o semblante de Kal se fechou mais que o normal; havia uma ferocidade a mais em seu rosto.
— Ele é um traidor.
Thomas franziu o cenho diante da informação, mas, antes que o mesmo pudesse falar alguma coisa, a Ária deu um passo adiante com uma expressão determinada.
— Eu não creio totalmente nisso. Nós tivemos uma conversa e... — ela se interrompeu, como que relembrando do que ambos haviam falado; o garoto da A1 a olhou pelo canto dos olhos devido a ausência de palavras. — Eu... Eu ainda confio nele — finalizou, por fim.
Um silêncio se instalou no ambiente.
Thomas parecia processar e calcular a informação enquanto o Kral apenas observava disfarçadamente a menina com a expressão neutra de sempre.
— Não, eu não o vi — disparou Tell, quebrando o silêncio. — Mas como a prisão está atraindo muita atenção, talvez ele possa ter sido mandado pra lá ou ter se misturado no meio de todo aquele caos.
Ária ponderou um pouco sobre a resposta do espírito antes de confirmar com a cabeça. Bem, a prisão iria acabar sendo, de um jeito ou de outro, o lugar onde ela deveria ir. Se é assim, então que não perdessem mais tempo.
— Eu não lembro mais como se chega lá.
Thomas deu um passo a frente.
— Eu sei — revelou. — Podemos cortar caminho pelas passagens secretas que há nesse castelo.
— Então lá você nos explica — alegou Kal, levando o seu olhar até o Thadeu. — Não é bom demorarmos aqui, a rainha disse para pegarmos você e sairmos dessa sala imediatamente. Não é inteligente brincarmos com a sorte.
Thomas confirmou com a cabeça, então ele, com o Tell já dentro de si, a Ária e o Kral entraram na passagem que havia dentro da estátua do lobo, onde o capitão da equipe X explicou da forma mais simples que pôde o caminho mais rápido que os levaria até os setores da prisão. Ao finalizar, o jovem entregou o seu comunicador para a Ária, ficando apenas com o anel que lhe permitia falar somente com o Nicholas e com a Flora. Mas era o bastante por ora.
Ao terminar a explicação, Thomas seguiu em direção ao seu antigo quarto para se reencontrar com a sua parceira, e, depois disso, o mesmo poderia pôr o plano de fuga em prática.
Ele só precisava torcer para que conseguisse executa-lo antes de se encontrar com o Thor, seu “pai”.
O anúncio de Camille relacionado ao cristal de ópitys deixou a maioria dos seus colegas com os olhos arregalados; apenas aqueles que não sabiam o que aquilo era que ficaram com semblantes confusos.
— Cristal de quê? — questionou Eduardo, ao mesmo tempo em que saia de dentro da prisão para observar o local onde a sua amiga estava olhando antes e que a levou a proferir aquela notícia chocante aos olhos de alguns. — Acho que já devo ter ouvido falar disso em algum lugar, mas não lembro muito bem o que é.
— Uma droga! — respondeu Cássia, saindo rapidamente da cela para analisar bem o ambiente ao seu redor.
Os olhos pretos da menina foram até o solo de imediato, e as suas sobrancelhas se ergueram perante a neblina branca – parecida com uma nuvem – que se espalhava pelo ambiente de modo imperceptível aos olhos da maioria. Eles haviam tido muita sorte por aquilo não ter se espalhado depressa, caso contrário, já estariam reproduzindo os efeitos colaterais daquela substância.
— Agrupem-se!
A sua aura arroxeada explodiu pelo seu corpo, fazendo com que os prisioneiros a encarassem com receio. Alguns deles não perderam tempo e acataram a ordem da menina sem questionar, mas outros não tiveram coragem de saírem da proteção das grossas paredes de Dinks que haviam na cela em estavam.
A capitã da A1 não teve tolerância para emitir um segundo comando.
Sem perder mais nem um segundo, um campo de força se formou ao redor daqueles que a haviam escutado, protegendo-os da melhor maneira que a garota conseguia.
A medida em que a fumaça foi se alastrando, os indivíduos que tinham ficado do lado de fora viram os seus colegas saindo de si e caindo um a um, o que levou a um terror total. Amedrontados, os que estavam desprotegidos bateram na barreira da moça, chorando, tremendo e implorando para que pudessem entrar, mas a jovem os ignorou.
Era tarde demais.
A capitã da equipe I não conseguiu ver as expressões de horror, desesperança, tristeza, pânico ou ódio dos que estavam desprotegidos graças a multidão que estava ao redor de si. Ela se sentiu levemente grata por aquilo, pois não gostaria de ver os seus antigos aliados se rendendo aos efeitos do cristalzinho, afinal, nenhum deles tinham condições de vencer uma luta contra o gás.
Cássia virou o rosto na direção de seus companheiros de time – Morgana, Saul e Ivan –, que estavam com expressões tão neutras como a dela, e ergueu o queixo; uma líder prestes a dar uma ordem.
— Pensem em alguma coisa... — disparou; os olhos da moça seguiram até o Edu quando ele deu um passo adiante, junto a Camille, antes de concluir; — ... não teremos oxigênio por muito tempo. Se não formos pegos pelo gás, morreremos asfixiados.
Mesmo tendo falado baixo, os outros que estavam junto a garota ouviram aquilo. Isso foi o bastante para um desespero se alastrar pelos prisioneiros que estavam dentro da barreira protetiva da integrante da A1, levando-os a gritarem, arfarem, tremerem e a fazerem quaisquer outras coisas que só atrapalhariam a situação.
Pelo visto, o oxigênio acabaria mais rápido que o previsto.
O general do setor Karosa encarava o Nicholas com um semblante obscuro.
Logo depois de ter apagado o garoto, o Rey se certificou de colocar um bracelete de Dinks em cada pulso do rapaz, além de retirar o objeto que antes estava preso ao tornozelo do mesmo. As pulseiras nos pulsos conseguiam dar conta de bloquearem qualquer investida que o White pensasse em exercer.
O integrante da equipe X ainda estava inconsciente quando o Arthur, em sua forma angelical, chegou ao local. Os olhos frios e severos do Rey seguiram até o seu subordinado com uma ameaça de morte não falada, fazendo o jovem de cabelos cacheados engolir em seco e abaixar um pouco a cabeça.
— Se esse rapaz escapar, tanto o James quanto você serão torturados e mortos da pior maneira possível. Fui suficientemente claro?
O peito de Arthur se apertou perante a ameaça e, como o medo pareceu engolir a sua voz, o garoto conseguiu somente assentir afirmativamente com a cabeça.
Um silêncio pesado se instalou no espaço.
O general observava o jovem com ponderação e uma pontada de ceticismo, dando a entender que estava analisando e calculando cada respiração irregular e batidas rápidas que o coração do menino dava. Quando o Arthur começou a suar frio, o Rey prosseguiu, sem alterar o timbre grave, monótono e ameaçador presente em sua voz;
— Também não quero que os governantes desse reino ponham as mãos nele. Nicholas White é meu. Entendido?
Arthur concordou com a cabeça outra vez.
Se fosse outra pessoa que estivesse ordenando aquilo, o menino até pensaria em perguntar o por que de toda aquela precaução, porém, ele não ousaria questionar nada ao homem em sua frente. Caso tivesse a “sorte” de saber o porquê do Nicholas ser tão importante, provavelmente o mesmo logo seria morto por saber demais. O general não confiava em subalternos como ele. Ficar em silêncio era a opção mais segura e inteligente a se fazer.
O Rey analisou o Arthur por mais um tempo, como se ainda estivesse pensando se realmente confiaria àquilo ao jovem, que se esforçava a cada segundo para continuar de pé, pois os joelhos tremiam tanto ao ponto de ceder.
Após segundos que pareceram horas, o general finalmente tirou os olhos de seu subordinado – que suspirou disfarçadamente de alívio por conta daquilo – e levou a sua atenção até o rapaz desacordado.
— Leve-o.
Após seguirem à risca as instruções que o Thomas lhes havia passado sobre como chegar à prisão, Kral e Ária foram direto para o setor três, pois a garota sabia que era lá onde a cela que prendia o Eduardo estava localizada.
Ao ficarem frente a frente com a parede que daria passagem ao local, Ária se aproximou da área para adentrar no setor, porém, antes que a moça pudesse empurrar as pedras, o rapaz da A1 a impediu de o fazer, segurando-a. Quando a menina se virou para o companheiro com um semblante confuso, o jovem a soltou.
— Escute.
A menina franziu o cenho.
— Eu não ouço nada.
— Exatamente — respondeu, desviando os olhos para a parede com uma certa desconfiança; o mesmo aproximou a tocha que estava em sua mão das pedras ônix. — Se havia uma rebelião aqui como o Tell falou, deveriam ter gritos ou qualquer outro barulho... Alguma coisa está errada.
A moça ergueu as sobrancelhas, surpresa.
— Você tem razão — admitiu, assentindo com a cabeça para ele, como se estivesse agradecendo pelo menino ter pensado naquilo. — É melhor eu tentar falar com os outros pelo comunicador antes de tomar alguma atitude.
O garoto concordou com a cabeça, encorajando-a a fazer isso. Ária abriu um rápido sorriso para ele, com um certo receio, antes tirar o comunicador do ouvido e aumentar o volume para que tanto ela quanto o Kal pudessem ouvir as palavras de seus colegas.
Camille atendeu.
Às pressas, a menina explicou tudo. Desde o gás até a falta de ar que estava atingindo as pessoas que tentavam se proteger dos efeitos da droga. Cada palavra de Camille foi grave e pesada, como se o oxigênio do local onde a mesma estava fosse escasso, difícil de se obter.
Ária respirou fundo ao terminar de ouvir tudo, como se quisesse lembrar aos seus pulmões que respirar ainda era seguro no espaço em que estava.
— Eu vou lá! — disparou, e, antes que o Kral pudesse protestar, a menina prosseguiu; — Esse gás ou qualquer outro não vai funcionar contra mim... — enquanto proferia aquilo, a armadura de diamantes foi tomando conta de seu corpo. — ... pois, nessa forma, eu não preciso respirar.
Kral ergueu rapidamente as sobrancelhas perante a informação, e um sorriso curto se repuxou no canto de seus lábios.
— Você vai deixar os outros com essa mesma pele de diamantes também?
— Eu não consigo fazer isso, a armadura se limita apenas ao meu próprio corpo — expôs, com um toque de frustração. — Mas posso sair para ver onde eles estão.
— E depois?
— Vou pensar em algo — deu de ombros. — Assim que eu for, feche imediatamente a passagem para que o gás não entre. Você não quer ficar como o Nicholas ficou, quer?
O sorrisinho de Kal aumentou um pouco mais devido ao comentário. Ao ver essa expressão na face do jovem, a menina não pôde deixar de sentir um certo orgulho em seu peito por ter sido a causadora daquilo.
— Definitivamente não.
— Te ver todo sorridente e com um semblante bobo seria algo interessante, não acha?
O rapaz ergueu uma das sobrancelhas perante a fala da moça, que sorriu, divertindo-se com a situação.
— É melhor eu ir. A cada segundo o oxigênio dos outros fica menor.
Kal assentiu, e o semblante neutro voltou a face dele. Ária sentiu falta do olhar suave e do sorriso que estavam ali momentos atrás, mas não disse nada quando se virou para a parede e a empurrou; assim que ela saiu, Kal fechou a passagem imediatamente.
O setor da prisão embaçava a visão da garota devido a um nevoeiro fino que se espalhava pelo ar. A camada mais espessa daquele gás estava no solo, fazendo com que não desse para a Ária enxergar os próprios pés.
Uma leve cheirada naquilo e a pessoa perderia completamente a noção do que era real e do que não era. Ela não queria nem pensar no que aconteceria se alguém respirasse aquela substância constantemente, como os homens caídos estavam fazendo. Será que os pulmões queimavam? Bem, de qualquer forma, não dava para negar que aquela seria uma morte... alucinante.
A integrante da equipe IX balançou a cabeça, afastando isso da mente, e estreitou os olhos para observar o espaço no qual adentrava cada vez mais.
Haviam vários soldados desacordados no chão, mas, mesmo sem estarem conscientes, os homens tinham sorrisinhos nas faces e semblantes relaxados, como se estivessem sonhando. Se aquela droga matasse, provavelmente não era de uma maneira dolorosa.
Saber que o indivíduo morreria sem nem se dar conta arrepiou o corpo da moça.
Ária tirou a sua atenção dos soldados quando os seus olhos focaram em uma barreira arroxeada alguns metros a frente. Cássia. Sem perder tempo, a menina correu até aquilo, que era como um farol fraco no meio do nevoeiro.
— Camille? Ryan? Cássia? — chamou, procurando os companheiros entre a multidão que estava do lado de dentro.
Ao verem-na, uns prisioneiros ergueram as sobrancelhas e espalharam a notícia para os colegas ao lado com o intuito de que aquilo chegasse nos demais. Ela não conseguiu escutar nada do que falavam, então, provavelmente, eles também não a tinham entendido – e deveriam estar surpresos com uma pessoa trajada de diamantes perambulando pelo gás sem ser afetada.
Ária se esforçou para não prestar atenção nas pessoas que choravam ou tremiam de medo.
Em pouco tempo, Camille abriu caminho entre os ex encarcerados e apoiou as mãos na barreira arroxeada, abrindo um largo sorriso ao ver a amiga, e, em seguida, levou a mão ao comunicador.
— Ária! — exclamou, com alívio. Ela estava ofegante, indicando que não estava sendo fácil respirar ali dentro; alguns estavam até desacordados, seja por falta de ar seja por desespero. A integrante da equipe IX preferia não saber a resposta para aquilo ainda. — Precisamos sair daqui, caso contrário, vamos ficar que nem os soldados ou...
A garota se calou.
— Camille? — questionou, batendo contra o campo de força. — Está tudo b...
Quando a integrante da equipe II arregalou os olhos e levou a mão a garganta, assim como outros também fizeram, Ária tapou a boca com a mão, em choque. As pessoas caíam de joelhos no chão, com semblantes aterrorizados em suas faces, os olhos cheios de lágrimas e com uma súplica silenciosa que implorava por algum tipo de ajuda.
O coração da menina se apertou diante da cena.
O oxigênio tinha acabado.
O campo de força tremeu, revelando que a Cássia já não conseguia mais mante-lo erguido, e, quando Camille também se ajoelhou no chão, abrindo e fechando as mãos como se tentasse agarrar o ar e trazer para si, a barreira, enfim, se desfez.
A neblina inundou o espaço em questão de segundos.
Alguns respiraram aquele gás, sedentos por algum alívio, e as suas expressões logo se suavizaram perante os efeitos da droga. Um a um, os ex prisioneiros inspiravam uma boa lufada daquele ar contaminado, e, quanto mais semblantes felizes surgiam, mais os olhos de Ária se arregalavam.
Toda a resistência daquelas pessoas teria sido em vão se ela não tentasse algo.
Então, levando a sua atenção para aqueles que ainda lutavam para não respirarem aquilo, Ária gritou;
— SIGAM-ME!
E aí gente, tudo bem?
Estou passando no final do capítulo pra lembrar vocês de deixarem uma estrela ☆ e um comentário dizendo o que vocês acharam ♡
Pelo Ômega, será que toda a resistência do grupo na prisão foi em vão? Será que a Ária vai conseguir fazer alguma coisa? Alguém aí está aliviado pelo Tell ter ido salvar o Kral? O garoto estava com um pé no céu e outro na terra KKKKKK
Por hoje é isso, espero muito que tenham gostado ❤ Um abraço e até breve!
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