XXV| Ligação
O tiroteio estava intenso no setor três, onde os jovens resistiam ao ataque dos soldados do reino Bry. O barulho dos tiros e dos gritos tanto dos soldados quanto dos presos chamou a atenção dos detidos do andar superior que, quando desceram, juntaram-se a eles, porém, graças a isso, alguns guardas também haviam chegado ali, fazendo com que todos precisassem não só se preocuparem com os inimigos a frente, mas também com os que vinham pela lateral esquerda e por trás.
Para impedir que fossem cercados pelos guerreiros e ficassem encurralados como ratos, Ryan usava o seu poder de gelo para conseguir uma certa vantagem. Sempre que as balas das armas de seus aliados estava chegando ao fim, o rapaz criava uma barreira gélida que não só atrapalhava seus adversários, mas também era usada para separar uns soldados dos outros e, graças a isso, era mais fácil roubar armas e qualquer munição que os homens tivessem. Essa estratégia estava funcionando e trazendo a vantagem para eles, contudo, quando os prisioneiros desceram para aquele setor, guardas com poderes vieram junto.
Parece que os homens com habilidades especiais haviam sido escalados do setor dois para cima, mas, como os presos desceram, os mesmos também o fizeram – e, diga-se passagem, o número de soldados que desceu foi maior do que o de cativos.
Não dava para saber por quanto tempo mais eles iriam aguentar resistir aos guerreiros de Bry. Se ninguém tivesse um plano para tirá-los dali, hora ou outra seriam destroçados – os homens não tinham cara de quem iriam deixar aquela rebelião passar impune.
Todos seriam mortos... ou pior.
Ryan afastou aqueles pensamentos da mente quando ouviu o “clic” da arma de um dos ex-prisioneiros soar, indicando que a munição dela havia chegado ao fim. Imediatamente, ele criou uma montanha de gelo entre uns soldados e outros, separando-os, e, quando o jovem conseguiu usar seu gelo para pegar o armamento e congelar os homens, sua barreira gélida foi derrubada, ou melhor, corroída por um poder verde escuro e brilhante que parecia ter algo a ver com ácido. Assim que trouxe as armas para perto de si, o menino espalhou-as pelos seus aliados, dando a eles a chance de contra atacar outra vez.
O coração do garoto de cabelos platinados batia rapidamente enquanto ele observava, cautelosamente, os soldados se aproximarem do local onde estavam. Sua concentração nos inimigos era tão grande que, quando alguém encostou a mão em seu ombro, o rapaz rapidamente se virou e empurrou quem quer que o havia tocado, contudo, ao encarar o indivíduo, as sobrancelhas dele se ergueram.
— Antony!
— Siga-me! — foi tudo o que ordenou, antes de seus olhos saírem do tom preto para vermelho escarlate.
O irmão de Daphne sacou a espada que carregava e se expôs na área aberta, no meio do corredor largo entre uma prisão e outra, onde os tiros eram disparados tanto do lado inimigo quanto do aliado. Ao verem o homem adentrar naquele espaço, alguns prisioneiros pararam de atirar, mas outros continuaram, contudo, isso não fez diferença para o Tony – que usava a espada para literalmente cortar as balas que tentavam lhe atingir. Quando surgiu a oportunidade de atacar, a espada do treinador de elite brilhou num tom vermelho carmesim, na mesma coloração de seus olhos, e, quando ele moveu a lâmina da esquerda para a direita, o corte atravessou o ar como se fosse alguma habilidade que havia sido lançada horizontalmente rumo aos soldados.
Ao avistarem aquilo, os guardas com armas se jogaram no chão enquanto os que tinham escudos de Dinks se juntaram para criar um escudo interligado. Devido a nova formação defensiva, as balas cessaram por um momento, e, quando aquele golpe avermelhado atingiu os escudos, alguns soldados foram jogados para trás devido ao intenso impacto, enquanto outros o defenderam perfeitamente. Os homens que haviam caído no chão, por não terem força o bastante para segurarem o ataque, arregalaram os olhos quando algumas bolinhas de Dinks passaram pelos locais onde a defesa havia caído.
Então aquele era o plano do Tony desde o início.
Antes que os guerreiros de Bry pudessem gritar em aviso, as bolinhas de Dinks piscaram e, logo em seguida, explodiram. A força da explosão chacoalhou os cabelos do treinador de elite quando ele se virou para os presos, que encaravam a cortina de fumaça, cinzas e fogo que subia atrás de si. Aquele homem, sozinho, havia conseguido desestabilizar todo um exército.
— Continuem resistindo! — proclamou Tony, encarando firmemente os olhares arregalados que eram disparados para ele. — Trarei imãs para liberta-los de suas algemas! — informou-os, criando semblantes de esperança, agradecimento, determinação e surpresa. — Eu vou guia-los para a liberdade hoje.
Ao terminar, Antony Signya ergueu o punho, e, ao ver o gesto, os ex-prisioneiros o imitaram, bradando com firmeza. Um grito de guerra. O treinador de elite levou o olhar para a Camille, que o encarava com um certo choque, e entregou a menina um punhado dos explosivos que havia usado, em seguida, ele olhou em direção a Cássia, que o encarava sem demonstrar nenhuma surpresa ou agradecimento. A menina tinha a boca cheia de CEM, dando a entender que a falta de energia que a havia atingido antes estava resolvida e que, agora, ela iria poder entrar na briga outra vez. Por fim, o homem olhou para o Ryan, que alternava o olhar entre a fumaça, que já tinha começado a alcançar o local onde estavam, e o Tony.
— Venha.
O jovem de cabelos platinados não ousou questionar aquela ordem.
*
O dono da décima cadeira dos treinadores de elite conseguiu, por meio dos dutos, levar o Ryan até o setor dois, que também estava um caos, porém, a situação dos prisioneiros lá era pior; vários corpos de pessoas que usavam aqueles uniformes presidiários preto com listras roxas estavam espalhados pelo chão – não havia mais batalha ali, já que todos os sobreviventes fugiram para o andar inferior na qual o grupo de Cássia estava. Aquela visão dos corpos caídos fez o estômago do integrante da equipe IX se revirar, porém, o Tony o puxou para que descessem do duto em que estavam e, quando pisaram no setor dois, ambos foram rapidamente para uma parede, que se abriu para que eles entrassem e, com a mesma velocidade em que foi aberta, fechou-se.
O local na qual entraram era uma passagem secreta, dissera Tony, quando um dispositivo saiu de sua luva e começou a iluminar o local rochoso e antigo – provavelmente aquela era mais uma das tecnologias do Thiago. A passagem tinha tantos acessos com subidas, descidas, cruzamentos escadas e rampas que o Ryan cogitou na hipótese de que todas as passagens internas daquele castelo deveriam ser interligadas. Isso explicaria a quantidade infinita de caminhos.
O treinador de elite o guiou até um lance escadas e as subiu tão rápido que o jovem sentiu os pulmões queimarem. Entretanto, quando chegaram no que deveria ser o topo, eles saíram da escada e passaram para um local amplo como uma sala, onde podiam seguir para a direta ou para a esquerda, porém, Tony seguiu em frente, parando a poucos metros de uma parede igual a todas as outras. Antes de falar qualquer coisa, o guerreiro acendeu uma tocha que estava fixada ao lado da parede em sua frente.
— Não se mova daqui — alegou, levando sua atenção ao Ryan. — Se você se perder, já era. O Thiago virá ao seu encontro com o Diego — ao ouvir o nome do parceiro, o menino ergueu as sobrancelhas, incrédulo. Pelo modo como os olhos de Tony se repuxaram, o homem provavelmente havia aberto um sorrisinho por baixo da máscara que usava. — Após se encontrar com o Diego, fique aqui. Eu virei te buscar. Entendido?
— S-Sim! — respondeu, com a voz falha devido a felicidade que percorria dentro de si devido à notícia do ruivo. — Obrigado.
Tony assentiu com a cabeça antes de usar a parede em sua frente para sair dali. Ryan só conseguiu ver algumas prisões do outro lado antes da passagem se fechar e, quando ficou só, tendo como companhia apenas o fogo crepitante da tocha, o rapaz se permitiu, finalmente, encostar-se na parede a sua direita e suspirar de alívio por saber que o seu parceiro estava vivo.
Do outro lado, Tony observava o setor um das prisões com atenção. Não havia soldados ali, mas as escadas e qualquer passagem que os presos poderiam usar para sair, incluindo os dutos de ar, estavam fechadas, prendendo-os naquele andar. Quando viu que não ia conseguir nada ali, Tony se preparou para dar as costas e voltar para a passagem secreta com o intuito de usar outro caminho e, assim, conseguir os imãs o mais rápido possível, mas um olhar determinado e com uma sombra tenebrosa que ele nunca havia visto antes – não naquele indivíduo – encarou-o intensamente.
Ele demorou um pouco para reconhecer o homem que o observava.
— Luís?!
Alephe corria como se não houvesse amanhã.
O garotinho não sabia ao certo para onde ir, mas sempre que escutava o barulho de tiros ou gritos em alguns corredores – que provavelmente estavam próximos aos setores das prisões – a criança, obviamente, seguia para o lado contrário. Como estava sem rumo, o menino pedia a sua meia para que lhe desse a sorte de esbarrar em alguém que soubesse para onde aqueles corredores o levaria.
Os passadiços daquele castelo eram todos iguais. Velhos, tenebrosos e assustadores. As pessoas que moravam ali tinham um péssimo gosto para decoração. Haviam pedras pretas com linhas roxas para tudo o que era lado, pelo Ômega, como não enjoavam daquilo? O pequeno estalou a língua, cansado de ver aquelas mesmas cores e formas por todo o local que passava, mas o mesmo não ousou abrir a boca para reclamar, pois, para a sua felicidade e sorte, não haviam soldados por nenhum lugar. Talvez todos estivessem ocupados nas prisões.
— AI! — berrou, ao esbarrar em alguém e, por conta disso, cair de bunda no chão. — Olha por onde anda! — reclamou, porém, quando ergueu os olhos para ver em quem havia batido, o menino imediatamente ergueu as sobrancelhas ao ver um rapaz de cabelos lisos e pretos e com olhos levemente repuxados para cima. Alephe lembrava daquele jovem, de quando o viu quando estavam fugindo do pandemônio que o exame de prata havia se tornado. — Porcaria! Eu deveria ter sido mais específico — resmungou, olhando para o seu pé com uma certa frustração; provavelmente ele estava se dirigindo à sua meia da sorte. — Eu queria esbarrar em alguém que soubesse o caminho, mas era pra ser um aliado, não um inimigo!
Yuri, o menino que observava a criança, ergueu uma das sobrancelhas perante os murmúrios que Alephe dirigia ao seu pé. O jovem o analisou por alguns segundos, antes de casualmente colocar as mãos no bolso para, finalmente, proferir algo;
— Você está com os outros.
Ao ouvir a voz de seu adversário, Alephe prontamente parou de reclamar com a sua meia e se levantou num pulo, dando alguns passos para trás.
— Eu estava indo ver o Rey, mas que bom que o encontrei no meio do caminho. Quem sabe assim ele esquece um pouco do que houve na câmara de tortura mental... — comentou, fazendo uma leve careta ao se lembrar de que o seu superior o havia visto paralisado de uma forma humilhante numa das salas do local. — Você vem comigo.
Alephe começou a tremer, e Yuri encarou a criança de cima a baixo com uma expressão despreocupada, não dando muita credibilidade para o mais novo, que só faltava se mijar de medo. Chegava até a dar dó do assombro que percorria os olhos do menor.
— Mostra os pulsos aí, moleque — disparou, ao mesmo tempo em que procurava alguma coisa num dos bolsos da jaqueta verde escura que usava. Provavelmente em busca de algo que pudesse conter os poderes de Alephe. — Se você colaborar, não se machuca.
Alephe encarou o mais velho com bastante temor; a respiração dele estava acelerada e as palmas de suas mãos suavam, porém, um pensamento em particular surgiu em sua mente: Nicholas havia ficado com o Rey para que ele fugisse, mas se o rapaz voltasse, todo o esforço do irmão teria sido em vão. O pequeno fechou o punho com força, como que buscando coragem para fazer algo.
— E-Eu não vou com você! — exclamou, dando mais alguns passos para trás.
O Yuri tirou os olhos dos bolsos da jaqueta para encarar a criança com um certo desdém.
— Ah, é? — riu, de maneira sarcástica. — Não importa o que você quer, mas se você viesse sem reclamar, eu não te machucaria. Agora as coisas vão ser diferentes, pirralho burro.
Alephe mordeu os lábios, encarando o mais velho com birra, porém, quando os olhos dele viram algo atrás do Yuri, eles se arregalaram e o seu queixo caiu de espanto.
— Meu santo Ômega! — declarou, apontando para o local atrás de seu inimigo. — Que bicho feioso é aquele?!
Yuri franziu o cenho e se virou para ver o animal, no entanto, não havia nada atrás de si. Assim que ele voltou a olhar para o local onde Alephe estava, o menino já havia disparado pelos corredores. O integrante do setor Karosa trincou os dentes, e um rubor surgiu em suas bochechas ao notar que havia sido enganado pela criança.
— Não acredito que eu caí nisso! — reclamou, com raiva e vergonha, e começou a correr na direção do mais novo usando o seu orgulho ferido como combustível.
Quando uma luzinha flutuante surgiu pelo lado direito da passagem secreta, Ryan, que estava próximo a parede que o Tony havia usado para entrar no setor um e, logo em seguida, voltar para aquele local com o professor da equipe III, entrou em posição de ataque. Uma camada de gelo cobriu os seus punhos, à espera do adversário, porém, quando um homem com familiares olhos violetas surgiu com o Diego nas costas, seu poder gélido se dissipou. O rapaz ficou imóvel enquanto observava o mais velho se aproximar com o seu rival e, quando o colocou sentado no chão, aqueles penetrantes olhos violetas seguiram até si, fazendo com que o Ryan reagisse, sentando-se no solo para apoiar a cabeça do ruivo em sua pernas, permitindo que o garoto deitasse.
— O-Obrigado — agradeceu, com a voz falha devido ao turbilhão de sensações que lhe atingiam enquanto os seus olhos percorriam o corpo de Diego, em busca de alguma ferida.
Notando que o jovem procurava lesões no corpo do ruivo, Thiago suspirou pesadamente por cima da máscara preta que cobria metade do seu rosto.
— Foi uma tortura mental, não física — expôs, fazendo com que os olhos de Ryan parassem de se movimentar e ficassem tão paralisados quanto o resto de seu corpo que, em seguida, tremeu. Lentamente, o menino de cabelos brancos ergueu o seu rosto para encarar o Thiago, que pôde ver através dos olhos do garoto a raiva que inflamava no interior do mesmo. — Ele está sem algemas porque tinha Dinks nas fechaduras da cadeira de tortura, então, quando ele acordar, terá os poderes — o homem destacou o “quando” numa tentativa de deixar claro que o ruivo iria acordar; ele só não sabia em que momento.
Mesmo tentando amenizar a fúria de Ryan com aquelas palavras de esperança, o gelo mortal e sombrio não se retirou daqueles olhos azuis escuros, que mais pareciam ter sido congelados pelo próprio ódio.
— Eu vou resolver a questão desse estado de emergência. Cuide dele para mim, ok? — pediu, indicando o Diego com o queixo. — O Tony virá até você quando encontrar os imãs para libertar os prisioneiros.
Ainda que devagar e duramente, Ryan assentiu com a cabeça. Thiago observou o rapaz por alguns segundos, estudando atentamente aquele olhar impetuoso que permanecia na vista do mais novo antes de, enfim, levantar-se. No entanto, ao fazer isso, o Brytleofber imediatamente sentiu o clima esfriar e um arrepio percorreu a sua espinha, fazendo-o voltar a observar o Ryan, que agora o encarava fixamente nos olhos.
— Quem fez isso com ele? — questionou, em um tom assustadoramente calmo e monótono. A raiva do Ryan parecia ter se transformado em puro gelo, como que para intensificar as suas habilidades.
Thiago alternou os olhos entre o jovem e o Diego algumas vezes, como se pudesse ver algo que ambos ainda não estivessem vendo. Seus olhos violetas brilharam rapidamente antes que ele, por fim, voltasse a falar;
— A responsável pelo setor de tortura mental é uma mulher. Chamam-na de Alfa — informou, e, imediatamente, seu olhar se desvitalizou, como se o homem estivesse se lembrando do que a mulher era capaz. A Alfa torturava a mente dos outros desde que o mesmo tinha sete anos.
— Como ela é?
Thiago piscou, como que voltando a realidade.
— Não sei. Ela usa uma máscara de lobo, o animal que representa o reino Bry, sempre. Alguns dizem que ela faz isso porque tem o rosto destruído, outros dizem que é porque ela é muito bela, mas, no geral, ninguém, além da minha mãe e do rei, sabem a sua verdadeira face. Quando o assunto é sério, chamam ela... — revelou, levando os olhos para o Diego, como se estivesse confirmando que, tanto para os governantes desse reino quanto para a Divisão, o futuro herdeiro do clã do sol era um assunto sério. — Ela é muito boa no que faz.
A forma na qual uma fumaça branca, densa e fria saiu pela boca do Ryan deixou clara as suas intenções. Ele iria mata-la. O Thiago tirou os seus olhos do jovem e o levaram ao ruivo, olhando-o com uma certa pena por saber que tipo de coisas o mesmo poderia ter passado.
— Você é o irmão do Thomas e um dos treinadores de elite, não é? — questionou Ryan, e, quando o homem assentiu, o menino ajeitou a postura; a sua voz ficou mais grave, quase como se estivesse proferindo uma ameaça a seu pior inimigo; — E você consegue falar com pessoas que estão fora desse castelo com o seu comunicador?
Thiago franziu o cenho, curioso com a pergunta. Será que o rapaz sabia que todas as academias estavam em apuros e que nenhuma seria burra o bastante de enviar forças, já cansadas, direto para o coração inimigo? Mesmo assim, ele confirmou novamente com a cabeça, intrigado com a forma na qual o mais novo se comunicava.
— Deixe-me fazer uma ligação.
E aí gente, tudo bem?
Estou passando no final do capítulo pra lembrar vocês de deixarem uma estrela ☆ e um comentário dizendo o que vocês acharam ♡
Ihh, será que o Alephe conseguirá fugir do Yuri? E essa ligação aí, hein? Será q vai dar em algo? Essa rebelião até que está rendendo... Como será que ela vai acabar? Façam suas apostas, hehehe ☠
Por hoje é isso, um abraço e até breve! 🤍
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