XVIII| Baderneiros
Thiago, Yuri e Arthur estavam no mesmo local; a tensão que se instalara no ar era tão densa que poderia ser cortada com uma faca. Com a intenção de proteger o Diego da batalha que estava fadada a ocorrer, Thiago fechou a porta da cela dele antes de se virar para encarar os mais novos; Yuri mantinha um sorrisinho irônico nos lábios enquanto o Arthur permanecia com o rosto neutro.
— Não se preocupe, nós dois equivalemos a um exército — proferiu o de olhos puxados, apontando para si e, em seguida, para o de cabelos cacheados. — O próprio Rey nos escolheu para estar nesse lugar, não nos subestime.
— Nossa, que medo! — respondeu Thiago. — O que será de mim agora?
O nítido sarcasmo no tom de voz do mais velho fez o Yuri fechar a cara, irado.
— Vão gostar de levarmos ele conosco... — disse, virando-se para o Arthur, que não tirou os olhos de Thiago e da cela atrás dele; provavelmente a mente do rapaz estava cheia de pensamentos, uns mandando que ele lutasse e outros revelando algo que já estava óbvio para o mesmo, Diego estava preso ali. Ele e o ruivo haviam se dado bem desde o primeiro momento, e saber que o garoto havia passado por uma tortura mental não o deixava mais calmo. — ... não podemos deixa-lo escapar de jeito nenhum! — prosseguiu Yuri, elevando o tom de voz como que para trazer o Arthur de volta a realidade; funcionou.
O menino de cabelos cacheados balançou rapidamente a cabeça, para tentar se livrar de seus pensamentos, e focou em se transformar. Um brilho dourado atingiu a sua pele, cabelos e olhos, permanecendo com ele mesmo após as suas asas e espada de luz surgirem e sua mutação estar completa; tudo isso não durou mais que cinco segundos, e o Yuri sorriu com satisfação ao ver aquela forma de seu parceiro.
— Que belo espetáculo! — elogiou, com a dose habitual de sarcasmo, enquanto batia palmas. — Tenho certeza de que as winx te aceitariam no grupo delas.
Diante daquele comentário, Yuri rangeu os dentes. Como resposta a provocação do mais velho, o garoto de olhos puxados apenas moveu a sua mão da direita para a esquerda e, graças a esse ato, tanto o seu corpo quanto o de Arthur sumiram.
— Então esse é o garoto que tem ilusionismo — sussurrou Thiago, repousando uma das mãos na cintura; ele nitidamente não estava nem um pouco preocupado com aquela luta, para o mesmo, a presença daqueles rapazes não era, de forma alguma, uma ameaça. — Bom, crianças, eu não tenho muito tempo para brincar com vocês, então vamos nos entreter por uns... — ele ergueu o braço e clicou duas vezes no pulso, criando um pequeno holograma que mostrava um temporizador. — ... dois minutos.
Assim que disse isso, os segundos começaram a ser contados.
Quando o limite de tempo foi estabelecido, Thiago jogou o corpo para trás, desviando do Yuri no momento exato em que ele aparecera repentinamente com uma adaga nas mãos; num movimento ligeiro, Thiago agarrou o braço do mais novo e, quando fez menção de acertar um golpe próximo a nuca do rapaz, o mesmo sumiu. Uma ilusão. Os olhos do mais velho se estreitaram levemente, indicando que havia um sorrisinho por baixo da máscara que escondia o seu nariz e lábios.
Aquilo não passava de um entretenimento para o Brytleofber, que ergueu as sobrancelhas ao ver todo o ambiente ao seu redor se transformar numa completa escuridão. As ilusões de Yuri eram bem habilidosas e precisas para alguém de sua idade, porém o que ele tinha de talento lhe faltava de esperteza. Apenas o observando, Thiago logo sacou que o ponto forte do jovem era mexer com o seu principal sentido: a visão, tanto é que quando o homem ia acertar a ilusão, o menino logo a fez desaparecer; era como se o moço não quisesse que o Thiago visse quão frágeis elas podiam ser, contudo, o Yuri não sabia que estava lidando com alguém na qual a inteligência ia além da capacidade humana comum. Em outras palavras, a fraqueza do rapaz já havia sido detectada.
Enquanto ainda analisava o local ao seu redor, o Thiago, repentinamente, ergueu os olhos e se jogou para a esquerda, conseguindo assim, desviar de algo quente que passou de raspão pela sua costela – ele não podia esquecer que havia outro menino ali, além do Yuri. Graças ao forte calor que a rajada luminosa emanada da espada de Arthur causava, o homem foi capaz de sentir o ataque antes mesmo que o atingisse. Pelo visto, o plano dos mais novos consistia no Yuri incapacitar o seu campo visual enquanto o Arthur o atacava com sua espada de luz; Thiago riu, antes de levar os olhos ao cronômetro.
Vinte e seis segundos.
— Vamos começar a brincadeira.
Ao proferir isso, o homem levou a sua mão até a fivela arredondada de seu cinto, que continha um “T” sobressalente grifado nela, e a apertou. Uma luz azulada escaneou rapidamente o seu dedo e, ao constatar que se tratava da digital do Thiago, o “T” ilustrado no acessório brilhou, fazendo com que, num piscar de olhos, o cinto do homem se expandisse. O uniforme dele se transformou; uma camada nova de vestimenta o cobriu de maneira tecnológica, uma armadura justa e preta percorreu toda a extensão de seu corpo e, ao chegar a cabeça, um capacete se moldou à sua face. O aço negro da nova vestimenta não demorou para obter finas linhas roxas que fizeram pequenos detalhes triangulares nos braços, nas pernas e no tórax do homem; um octógono grande surgiu na palma de suas mãos, e outros de menor tamanho surgiram na ponta de cada um de seus dedos. O seu capacete era totalmente preto, e apenas duas linhas roxas iluminavam o local onde deveria ser seus olhos.
Não era uma armadura tão extravagante, embora a beleza mortal que ela emanava era arrepiante; o abdômen marcado, os ombros largos e os músculos de Thiago eram valorizados naquela roupa, e a sua altura parecia ter dobrado; ademais, também não havia nenhuma pele à mostra diante daquele monte de aço negro fosco misturado ao púrpura.
— Parece que agora teremos uma briga entre winx e power ranger — zombou, após sua transformação estar concluída.
Na parte interna do capacete que usava, Thiago conseguia ver o ambiente à sua volta através de câmeras holográficas que estavam em sua frente mostrando o que havia adiante, do lado e atrás de si – nem um fio de cabelo caía sem que ele ficasse sabendo. A tecnologia era bastante precisa, e, para o azar de Yuri, não podia ser afetada pelas suas ilusões – nessa forma, o Thiago era imune a qualquer ataque contra os seus sentidos ou mente.
Ele não ocupava a sétima cadeira dos treinadores de elite à toa.
Quando o Brytleofber levou os seus olhos até o cronômetro, que marcava trinta segundos e deixava claro que toda a sua transformação só levara meros quatro segundos para ocorrer, o canto de seus lábios subiu ligeiramente.
— A brincadeira acabou, crianças.
Sua voz saiu com um nuance robótico e grave, deixando-a identificável; caso o mesmo precisasse lutar sem se revelar, aquela seria a maneira perfeita de fazer isso.
Num abrir e fechar de olhos, Thiago se impulsionou para frente, a velocidade que a armadura lhe conferiu o fez ultrapassar os limites humanos. Ele seguiu rumo ao Arthur, com a intenção de apagá-lo primeiro, contudo, quando estendeu a mão para golpeá-lo, os sentidos precisos de sua armadura mostrou que o garoto conseguira acompanhar os movimentos do homem e até ergueu a espada para se defender, porém, de repente, o mais novo simplesmente fechou os olhos e levou sua arma um pouco para o lado. Thiago franziu o cenho – provavelmente confuso com o fato do jovem ter deixado que ele o acertasse – e assim que atingiu o rapaz, arrastou-o até a porta de uma cela, que logo se abriu pois não estava trancada; o homem só parou o ataque quando as costas do menino bateram contra a parede espelhada da sala destinada a tortura psicológica. Sangue escorreu pelo nariz e pela lateral da boca de Arthur, que largou a espada.
Quando o garoto de cabelos cacheados abriu um pouco os olhos, Thiago ergueu as sobrancelhas por dentro do capacete ao notar a determinação do menino ao decidir voltar a sua forma original e vulnerável. Diante daquilo, Thiago o soltou, afinal, sem a regeneração acelerada que a transmutação conferia a Arthur, qualquer golpe que ele recebesse de sua armadura o feriria gravemente – ou mataria.
— O que você está fazendo?
A voz grave e robótica fez o Arthur abrir levemente os seus olhos para encarar o capacete fosco de Thiago com um olhar firme e decidido. “Salve o Diego”, o garoto pareceu proferir através de suas pupilas. De fato, Diego e Arthur haviam se dado muito bem – tanto é que o Ryan até temia perder o seu rival para o menino – todavia, o Thiago não sabia disso. Aliás, não importaria se ele soubesse ou não, afinal de contas, o Arthur havia escolhido ficar com a Divisão... certo?
A atitude do rapaz deixou o mais velho intrigado, no entanto, ele não teve tempo de perguntar mais nada para o jovem, pois um som fino e agudo ecoou atrás de si.
Era o barulho de várias adagas batendo contra a parte de trás de sua armadura; o mais velho contemplou, numa das câmeras, o Yuri atrás de si. Provavelmente ele havia deixado as suas ilusões palpáveis para ataca-lo, entretanto, quando o mais novo viu que não havia conseguido sequer arranhar a armadura, ele fez um gesto com a mão – deveria estar usando os poderes para ficar invisível. Ele era muito bom, era uma pena que tanto potencial estivesse do lado do governo que, ironicamente, caçava pessoas com essas habilidades para fazer tanto mal. Até hoje, Thiago ainda não sabia o que poderia fazer alguém como o Yuri se juntar de boa vontade à Divisão, porém, pelo que tinha notado, essa mesma convicção não emanava de Arthur. Talvez o Yuri soubesse algo que o outro ainda não tivesse conhecimento. Bom, de qualquer forma, aquela não era hora para refletir sobre isso. Rapidamente, o homem levantou a sua mão na direção de Yuri e um raio roxo saiu do octógono desenhado à sua palma; o menino até tentou desviar da rajada brilhante que foi lançada, mas ela fez uma curva no ar e o atingiu. Ao receber o ataque, o garoto caiu no chão com os olhos arregalados. Pela expressão dele, dava para ver que o mesmo não estava sentindo dor, contudo, o desespero em seus olhos revelavam o que realmente estava ocorrendo: seu corpo estava imóvel.
Um raio que paralisava seus sentidos; o mais novo não conseguia fazer nada além de piscar os olhos. Graças aos traços de Dinks acoplados à sua armadura, o Thiago tinha esse e muitos outros poderes guardados para usar quando achasse necessário; a sua vestimenta era uma arma mortífera imprevisível.
— Um minuto e dezoito segundos — alegou, ao mesmo tempo em que a sua armadura se desfazia e se transformava num simples cinto; a sua máscara ainda cobria metade da sua face quando seu traje voltou ao normal, ele só precisou puxar o capuz para esconder o cabelo e dificultar a visualização da parte superior do seu rosto. — Nem precisei dos dois minutos, “escolhido do Rey” — zombou, fazendo com que o Yuri o observasse com todo o ódio que continha em seu corpo inerte; se o olhar matasse, o Thiago estaria morto.
Ignorando a raiva do menino, o Brytleofber seguiu tranquilamente até a porta daquela cela, porém, antes de se retirar do ambiente, sua atenção seguiu até o Arthur, que estava acabado; sem a transformação, o jovem não possuía uma boa regeneração, por isso a respiração fraca e entrecortada, a careta de dor, o tremor no corpo e o sangue que ainda não havia parado de escorrer eram marcas que se acumulavam no físico do rapaz.
Com um olhar destemido, Thiago ergueu o pulso esquerdo, que continha um relógio, e, quando apertou no objeto, um material pequeno e acinzentado voou até o Arthur e se fixou em alguma parte de seu corpo. Após isso, o homem fechou a cela, trancando os dois integrantes da Divisão ali enquanto seguia até a cela do Diego.
Tinha uma coisa no menino de cabelos cacheados que fazia com que o Thiago se identificasse – o olhar de alguém que desejava ser livre. O homem não se perdoaria se deixasse uma criança como essa para trás, então, antes mesmo de abrir a porta da prisão do ruivo, a intensidade de seu olhar violeta pareceu exprimir o que havia em sua mente: ele não iria embora dali antes de saber que tipo de liberdade o Arthur almejava, se era da Divisão – o homem gostaria que fosse essa – da Hope, ou, quem sabe, da própria realidade em que estavam fadados a viver.
Era um país cruel demais para uma criança – para todos.
Nicholas e Alephe seguiram todas as instruções que o Thomas havia dado através do anel e, graças a isso, puderam ir se teleportando aos poucos até o lugar esperado. Como o companheiro tinha dado as coordenadas todas de uma vez, foi combinado entre os jovens que o Alephe decoraria a primeira parte do trajeto e o Nicholas o resto; não fora tão difícil memorizar o caminho, porém, como o destino final era distante da prisão onde estavam e apareciam cada vez mais pessoas a medida em que se aproximavam, os meninos acabaram levando um pouco mais de tempo do que gostariam para alcançarem a sala.
Quando chegaram em frente a porta do ambiente, que era de aço e possuía um “B” grifado na mesma e na maçaneta, os rapazes a abriram de qualquer jeito e entraram sem nem se preocuparem com a câmera atrás deles que filmava tudo; bom, ao menos o Alephe havia lembrado o Nicholas de colocarem as máscaras e esconderem as cabeças com o capuz do manto escuro que usavam.
— Doidaphne?! — exclamou, adentrando naquele ambiente com firmeza e, por puro instinto, abaixou a máscara, revelando seu semblante esperançoso que foi diminuindo a medida em que observava o lugar à sua volta; vazio. — Daphne?
O espaço estava intacto, não havia sinais de brigas ou confusão, na verdade, era quase como se ninguém tivesse entrado ali além das pessoas que faziam a limpeza das enormes e espessas estantes, das armas brilhantes, espadas bem polidas e do restante de toda a área; se a integrante da equipe X e o James estavam ali, ao menos os garotos sabiam que eles não haviam se desentendido.
Um certo desconforto atingiu o Nicholas, que cruzou os braços.
— Tem certeza de que é aqui?
— Tem que ser! — respondeu o mais novo. — Essa é a tal sala pequena com grandes estantes de aço com várias armas tanto encapsuladas em Dinks como comuns! “Saiam da prisão, subam oito andares até chegar perto de um dos pontos mais altos do castelo, pois o dormitório dos reis é o ponto mais alto; no andar inferior aos dos governantes há três corredores diferentes, o da esquerda os levará até uma porta de aço com uma insígnia ‘B’ na frente e na maçaneta; essa é a sala onde a Daphne e o James estarão" — proferiu, com uma certa velocidade. — É, não tem como não ser aqui.
As sobrancelhas de Nicholas se ergueram e um assobio de admiração foi emitido pelos seus lábios.
— Uou.
— Eu sou bom em decorar as coisas — alegou, e os seus olhinhos quase fechados indicavam que um grande sorriso tomava conta de seus lábios escondidos pela máscara. — Eu passei muito tempo ouvindo a conversa dos outros.
Um sorrisinho se elevou na lateral da boca do Nicholas.
— Então você é um fofoqueiro?
— Um curioso — corrigiu-o.
Nicholas riu pelo nariz antes de levar a sua atenção de volta a sala, isso o fez voltar a ficar sério. Sem perder mais tempo, ele descruzou os braços e começou a observar atentamente cada espaço daquela área com o intuito de achar alguma coisa que o levasse à Daphne. Os seus olhos estavam concentrados às coisas ao seu redor, no entanto, quando os levou até o chão, um objeto caído chamou a sua atenção.
— Uma seringa! — declarou, quando se aproximou e pegou o material; o seu corpo se arrepiou um pouco perante o tamanho da agulha.
— O que será que tem dent...
— Dinks, sub-x ou ambos.
— Como você sabe?
— Eu não conheço nenhum remédio que tenha esse líquido cinza escuro... Na verdade, eu não conheço nenhum remédio, mas acho que não deve ter um com essa cor — Alephe deu de ombros, concordando com a explicação vaga do garoto. — Mas eu sei de uma coisa: eles devem ter colocado uma quantidade pequena de sub-x, porque o Dinks tem um tom cinza e o sub-x, negro; se esse líquido estivesse preto, dependendo da quantidade, a pessoa poderia morrer.
Alephe arregalou os olhos.
— Será que usaram isso na Daphne?
— Por isso não tem sinal de luta aqui! Aquele morto vivo deve ter pegado ela de surpresa — constatou, ao mesmo tempo em que guardava a seringa num dos seus bolsos; aquela quantidade que havia sobrado na seringa não era mais capaz de apagar uma pessoa, mas poderia tirar os poderes de alguém por alguns segundos. — Temos que ir atrás dela agora! — proclamou, com determinação.
De alguma maneira, saber que a Daphne não havia ido atrás do James por conta própria o tranquilizava; mesmo que ele não tivesse percebido isso.
— Tá, mas vamos procurar ela aonde?
— Em cada parte desse castelo se for necessário! Vou nos teleportar para cada pedaço desse lugar.
A princípio, Alephe ergueu as mãos, animado com a proposta e com a confiança que o mais velho tinha de que iria encontrar a garota, porém, depois de pensar bem, ele abaixou os braços e inclinou a cabeça para o lado, confuso.
— Mas você só pode se teleportar para os lugares que você conhece, não é?
— Ah, é.
Um silêncio se instalou ali.
— O que a gente faz? — Alephe quebrou a ausência de som.
A princípio, o Nicholas não respondeu o pequeno e se limitou em apenas analisar a sala em que estava, porém, depois de um pequeno espaço de tempo, um sorrisinho malicioso se instalou em seus lábios. Ao ver a face de seu amigo que, através daquela aparência astuciosa, era nítido que ele havia pensado em alguma coisa, o Alephe ergueu uma das sobrancelhas, intrigado.
— Hora da Divisão e dos reis desse lugar saberem o que é uma verdadeira baderna.
— Baderna?
— O meu grupo já foi apelidado assim uma vez e eu até que gostei dessa denominação. Baderneiros — sorriu. — Hora de fazer jus a esse título.
Os olhos de Nicholas emanavam um brilho quase predatório quando um sorriso ousado tomou conta de sua face, era quase como se seu monstrinho interior estivesse sendo colocado para fora diante daquela circunstância. Alephe até ia falar algo quando viu o seu companheiro seguir até uma das prateleiras e pegar um papel que estava jogado por ali, contudo, antes que o mesmo pudesse proferir o que tinha em mente, a determinação que emanou da postura e do olhar do Idicholas o fez erguer levemente as sobrancelhas. Naquele momento, a criança não teve dúvidas de que o seu amigo, ou melhor, o seu irmão fosse capaz de destruir o castelo inteiro para achar as suas companheiras.
Haviam alfinetado muito o integrante da equipe X. Flora, Diego, Eduardo e muitos outros haviam sido capturados pelos governantes, e descobrir que a Daphne também fora pega pareceu fazer o Nicholas chegar ao limite. Na perspectiva de Alephe, seu irmão mais velho agora havia parado de tentar seguir planos pré-estabelecidos para começar a fazer o que ele fazia de melhor:
Seguir os seus instintos.
Assim que o general levou a mão até o minúsculo comunicador que estava em seu ouvido, o homem esperou que a pessoa que havia ligado se pronunciasse primeiro.
— KA01.
Ao notar que se tratava de um dos seus, ele pigarreou antes de responder o sujeito de uma maneira áspera.
— Estou ouvindo.
— Não conseguimos conter o cara que veio atrás do herdeiro do clã do sol — proferiu; era a voz do Yuri, então, provavelmente, uma parte do corpo do menino já podia ser movida outra vez. — Fomos trancados em uma das celas e n...
— Eu deveria deixa-los aí para que mexessem nos seus malditos cérebros! — esbravejou, fazendo com que os soldados que estavam perto dele, instintivamente, tomassem uma certa distância; nenhum queria experimentar a fúria de um general da Divisão sobre si. — Talvez assim vocês se tornassem mais úteis.
— Sinto muito, senhor Rey, ele era fort...
O homem desligou; estava sem paciência para ouvir desculpinhas. Quando o mesmo parou de falar e ergueu o olhar para os que estavam consigo na sala, todos desviaram o olhar para que não levassem algum tipo de repreensão e, ao notar isso, o Rey revirou os olhos.
— Vou me retirar por um momento — declarou; devido à sua fala, os soldados ergueram as posturas, demonstrando respeito e atenção. — Não façam nenhuma merda.
— Sim senhor! — responderam numa só voz.
O superior os encarou por mais alguns instantes antes de dar as costas, todavia, ao fazer isso, um estrondo ecoou, e os alarmes de incêndio soaram num volume tão grande que o general teve de fazer uma careta devido a dor que abraçou seus ouvidos.
— EXPLODIRAM A SALA DE ARMAS PERTO DO DORMITÓRIO DOS REIS! — gritou um dos soldados, para que os demais conseguissem ouvi-lo mesmo em meio ao caos que havia se instalado.
Sem demora, o Rey se virou em direção as câmeras e observou o fogo que se iniciara devido a explosão. No entanto, nem ele nem os outros conseguiram continuar a observar o ambiente, pois um papel logo foi posto em frente a filmadora.
“SE VOCÊS SE METEM COM UM DE NÓS, SE METEM COM TODOS NÓS. MEXERAM COM AS PESSOAS ERRADAS, NÃO VAI SOBRAR UM SÓ PEDAÇO DESSE CASTELO PRA CONTAR HISTÓRIA.”
Ao ler aquilo, o Rey abriu um curto sorriso no canto dos lábios; os guardas, por outro lado, chamavam reforços para conter o fogo e mandavam homens para garantir a segurança dos herdeiros de Bry. Em meio a confusão, o general apenas olhou seu anel que, como estava conectado as câmeras, registrou a imagem de tudo o que havia sido filmado – incluindo o momento em que o Nicholas e o Alephe saíram às pressas da sala de armas antes que ela explodisse. O Idicholas não havia lembrado de esconder o seu rosto com a máscara.
— Belo show de fogos — sussurrou, ao mesmo tempo em que virava as costas e saía da sala junto a uns homens que iam às pressas em direção a sabe-se lá onde; era muito improvável que todos fossem até o local do incêndio.
Quando o Rey saiu da sala de controle, o Tony, que estava nos dutos de ar esperando uma oportunidade como aquela, riu baixo. O caos naquela sala, o incêndio, a preocupação com os governantes, a saída do general e a guarda baixa dos soldados só tornavam aquela uma hora perfeita para o homem dar as caras; era a ocasião perfeita para atacar.
Sem perder tempo, Tony ajeitou a máscara em seu rosto e segurou na bainha de sua espada; seus olhos escarlates brilharam, como se estivessem se preparando para a batalha que viria, e uma aura intensa e avermelhada se formou ao redor do seu corpo. Naquele momento, o homem parecia um caçador que estava pronto para atacar a sua presa.
Ele apertou a bainha da espada com ainda mais força.
— Hora de virar esse castelo de ponta cabeça.
E aí gente, tudo bem?
Estou passando no final do capítulo pra lembrar vocês de deixarem uma estrela ☆ e um comentário dizendo o que vocês acharam ♡
Qual a opinião de vocês em relação ao Arthur? E o Nicholas e o Alephe? O que vcs acham que eles vão fazer pra trazer a "baderna" pro reino Bry? Como será q a Daphne está? E a Flora? Enfim, vamos esperar para que as respostas apareçam nos próximos capítulos.
Por hoje foi isso, um grande abraço e até breve! ♡
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top