XIX| Entrando em cena
Thomas engoliu em seco involuntariamente quando as armas que estavam com os soldados estalaram ao mesmo tempo, indicando estarem preparadas para atirar. A sensação de ter vinte armas apontadas para si e um irmão lhe lançando um olhar sádico era, no mínimo, desconcertante, porém o garoto se forçou a manter a postura ereta e a cabeça erguida, com o intuito de demonstrar confiança, não medo.
Os seus olhos perpassam atenta e cautelosamente por cada guarda, como se estivesse estudando cada um, e, quando repousou o olhar em Thadeu, o sorrisinho do menino se alongou ainda mais juntamente a uma leve inclinação da cabeça para o lado, como se o mesmo estivesse à espera do Thomas falar ou fazer algo; ambos pareciam estar aguardando o outro dar o primeiro golpe para a batalha que estava predestinada a ocorrer, enfim, iniciasse.
Thomas respirou fundo – o ar veio denso e pesado devido a máscara – então, finalmente, ele abriu uma de suas mãos. Thadeu deu ordem para os seus homens atirarem no mesmo instante em que viu algumas pequenas bolinhas de Dinks caírem do punho de seu irmão em direção ao chão.
Quando as pequenas Dinks atingiram o solo, uma camada espessa e acinzentada de fumaça encobriu o ambiente por completo em menos de segundos. Em relação as balas, o integrante da equipe X criou uma barreira gravitacional em sua frente, fazendo com que todos os tiros pesassem tanto ao ponto de irem ao chão, livrando-o deles.
Assim que o tiroteio cessou, devido a ordem do Thadeu, Thomas usou essa chance para direcionar o seu poder até a porta do quarto atrás de si, arrombando-a graças ao impacto forte da gravidade contra o material; a fumaça começou a afinar, permitindo que, agora, fosse possível enxergar a sombra dos que estavam presentes no local.
— Sempre soube que não valia a pena lutar contra um merda que nem você, Thadeu — zombou, com puro escárnio; o nome de seu irmão parecia um xingamento em sua boca devido a forma áspera na qual o proferiu. — É por isso que quando éramos menores o papai... — ele sentiu nojo ao chamar aquele homem de pai, mas chama-lo assim parecia ser parte de seu plano. — ... gostava bem mais de mim, afinal, ele via algo que você não tinha, valor e poder.
Thadeu rosnou. Rosnou como um cachorro.
— Ainda não acabou! — gritou, ao mesmo tempo em que erguia as suas mãos brutalmente para cima; toda a fumaça subiu devido esse movimento, graças a diminuição da gravidade exercida pelo príncipe. — Eu ainda vou entregar a sua cabeça para o papai, aí ele verá que o filho perfeito não é tão perfeito assim.
Os guardas se prepararam para voltar a atirar, já que era possível enxergar a localização do alvo, mas o Thadeu os fez parar com um olhar maníaco. Era como se dissesse para eles, mentalmente: “ele é meu".
— Quero ver você tentar — respondeu o capitão da equipe X, antes de dar as costas e sair daquele cômodo. Thadeu saiu descontroladamente atrás de seu irmão mais novo, mas, mesmo cego pelo ódio e vontade de se provar superior, o rapaz ainda teve a destreza de mandar dois de seus soldados ficarem ali, de olho na Flora.
Falando nela, a garota havia acordado graças ao barulho dos tiros e ao estrondo da porta se quebrando, mas, infelizmente, ela não pôde – nem quis – ver nada. Ao notar que se tratava de uma luta, ela simplesmente tapou os ouvidos com as mãos, assustada, e fechou os olhos com força enquanto pedia ajuda para o Ômega, a Aurora, o Michael e sabe-se lá mais quem; tudo o que ela sabia era que aquelas súplicas eram inúteis, porém, de alguma forma, a mesma não conseguia parar. Ela estava perdida, não sabia o que falar ou fazer, estava presa tanto física quanto mentalmente, naquela altura, implorar por socorro era a única coisa que a Flora conseguia exercer, pois não era nada. Não podia fazer, falar, sentir ou ser nada. Estava sendo um estorvo – e essa palavra pesou na sua mente, trazendo de volta a lembrança das afirmações ditas durante a sua tortura mental. Estorvo. Estorvo. Estorvo. Um gemido fino ecoou de sua garganta, um típico som que se emitia antes de cair no choro, mas, antes que pudesse ceder a esse ímpeto, ela mordeu os lábios com força.
— Vamos tirá-la daqui? — questionou um dos homens que haviam sido deixados para vigiar a menina.
— O quê?! — declarou o outro, encarando o companheiro com uma expressão incrédula. — Quer morrer, mano? “Não toque nos souvenirs do príncipe”, isso está escrito até no regulamento, seu louco!
— Está bem — respondeu, erguendo as mãos antes de voltar a observar a Flora, que estava encolhida no canto da parede com os olhos fechados e ouvidos tapados. — Ela é tão bonitinha... Por que será que ele a quer?
O homem ao seu lado riu com escárnio.
— Se é “bonitinha” então você já tem uma noção do para quê seja — disse, sem rodeios, e o outro soldado ergueu as sobrancelhas, finalmente entendendo, e engoliu em seco; era quase como se ele estivesse preocupado com ela, mas não o bastante para desobedecer as ordens de seu soberano.
— Mas ela é só uma... criança — comentou, porém o seu parceiro apenas deu de ombros, deixando claro que não tinha nada a ver com isso.
Quando o silêncio se instalou entre eles, a Flora virou o rosto para encara-los, entretanto, não conseguiu identificar muito bem os rostos dos guardas, pois a sua visão estava um pouco embaçada. Ela estava mais acabada por dentro do que por fora, exteriormente, apenas aparentava ter os olhos inchados e uma marca vermelha em seu pescoço – devido aos estrangulamentos que sofrera – internamente, a sua cabeça não doía tanto quanto antes do cochilo, mas ainda estava com a mente enjoada e pesada graças a grande dose de cortisol que fora gerada pela tortura mental; ademais, seu corpo estava fraco e trêmulo, mas isso se devia mais ao medo do que a alguma ferida em si, além disso, aquele vestido curto a incomodava e...
Ela arregalou os olhos. Aquilo só podia ser uma miragem, um sonho. A menina piscou, atônita, como se tentasse fazer a sua vista se tornar mais limpa.
Um dos guardas, o que havia aparentado se preocupar com ela, ficou intrigado com a reação inesperada da moça e, quando pensou em se virar para ver quem estava atrás de si, tanto o seu corpo quanto o do seu parceiro foram lançados para frente, batendo na barreira elétrica da cela que logo começou a fritá-los; em contato com a barreira, ambos os homens até abriram a boca para gritarem, mas a potência da eletricidade foi tanta que eles apenas arregalaram os olhos e ficaram lá, à mercê da energia, até, por algum milagre, serem puxados para longe e colocados, quando já estavam desacordados, no chão.
— Tell! — exprimiu a moça, com a voz rouca, num misto de descrença e surpresa. Uma parte de si pensava que ela estava alucinando, e a outra a levava a ponderar se ela realmente havia acordado do cochilo que havia tirado antes do barulho causado pela briga.
— O próprio.
Flora não esboçou reação diante da resposta do ser.
— Não pode ser real — sussurrou.
Só podiam tê-la colocado naquela sala de tortura outra vez, mas agora, ao invés de reprisar os seus erros, estavam lhe dando esperança para logo em seguida arrancarem. Pensar nisso fez com que lágrimas se acumulassem nos olhos da menina, que começou a respirar com uma certa agilidade, era quase como se ela estivesse prestes a explodir – a gritar, chorar, xingar, rosnar... tudo de uma vez.
Ela estava traumatizada, enquanto estivesse naquele castelo, enquanto estivesse ali, qualquer coisa poderia ser uma artimanha para mostrar o quão inútil e fraca ela era... No entanto, esse pensamento ficou menor quando uma voz dentro de si gritou, como que para acorda-la:
— É real.
Aurora.
Ao ouvir aquela voz, a voz do espírito que esteve consigo a vida toda, Flora puxou o ar com uma certa brutalidade, como se tivesse se assustado e, enfim, acordado. Ela piscou algumas vezes, tentando se situar no mundo fora da sua mente, antes de levar os olhos, ainda meio embaçados devido ao leve inchaço, até o Tell.
O pequeno ser voador mostrou uma bolinha cinza para ela antes de joga-la na barreira elétrica que, em pouco tempo, entrou em curto circuito e sumiu. Ver os resquícios de eletricidade irem sumindo no ar fez com que as lágrimas que estavam acumuladas nos olhos de Flora escorressem.
Livre. Estava livre.
A menina arfou, sem acreditar naquilo, porém, mesmo que a sua mente gritasse para que ela se levantasse e corresse para o mais longe possível dali, as suas pernas não obedeciam. Elas tremiam, tremiam e tremiam, como se não aceitassem que a garota fosse embora; para piorar, a imagem de Thadeu veio à cabeça de Flora, que arregalou os olhos e engoliu em seco diante da lembrança. Se a mesma fugisse, ele a castigaria – isso fez um arrepio percorrer seu corpo.
Ela não suportaria passar por uma tortura mental de novo, preferia morrer ao ter que enfrentar aquilo outra vez.
Notando o medo e a hesitação da garota, Tell a levitou com os seus poderes telecinéticos – sem que ela sequer se desse conta disso, afinal, estava ocupada demais pensando nas consequências de sua fuga – e a guiou até o quarto de Thomas; não foi difícil chegar lá, já que o local era logo em frente ao cômodo em que estavam e o corredor no qual tinham de passar se encontrava vazio. O espírito colocou a Flora em cima da cama após trancar a porta, e, assim que notou que a moça ainda divagava em sua mente, ele pigarreou alto, fazendo-a dar um pequeno salto antes de franzir o cenho e perceber que estava em outro ambiente.
Flora observou vagarosamente o novo local em que estava, analisando cada detalhe com atenção. Aquele espaço era bem mais agradável que o anterior – pelo menos não tinha nenhuma cabeça de animal pendurada nas paredes – e, além de ser melhor, era, de certa forma, aconchegante e um tanto quanto familiar. Ela pousou a mão sobre a fronha da cama em que estava e a segurou delicadamente; o lençol parecia não ser trocado há anos – o que era verdade, pois logo depois que o Thomas fugiu, o seu quarto foi isolado e trancado do jeito que foi deixado. Sentindo o tecido em sua mão, Flora respirou fundo – sem se importar com a poeira ou o leve cheiro de mofo – e seus lábios se inclinaram levemente para cima.
Aquela área lhe trazia paz, era como se fosse o único ponto de calmaria no meio da tempestade.
Ao ver que a garota estava mais tranquila, Tell voou até o campo de visão dela, fazendo com que a mesma parasse de tentar observar o ambiente para vê-lo. Como ela não disse nada, o ser fez um movimento com a mão, fazendo com que um objeto flutuasse de cima de um armário até eles. A princípio, Flora estreitou os olhos para tentar ver melhor o que aquilo era, pois, além do quarto estar bastante escuro, a sua visão ainda estava meio turva, contudo, quando ela se deu conta do que estava diante de si, suas sobrancelhas se ergueram; o imã que a soltaria das algemas de Dinks e sub-x.
— Você está livre, a parte do plano que o Thomas mais almejava completar está concluída.
Ao ouvir o nome do garoto, Flora arregalou os olhos, surpresa. Sim, ela sabia que o Tell vivia no corpo do Thomas assim como a Aurora vivia no seu, porém, até aquele momento, ela não havia ousado pensar que o rapaz realmente estivesse lá por ela. De imediato, seu coração bateu mais forte, e uma onda de esperança a inundou por dentro, trazendo um sorriso à sua face.
— Cadê ele?
Flora se arrependeu da pergunta no mesmo instante em que o semblante de Tell ficou mais sério; por causa daquilo, o seu sorriso sumiu na mesma velocidade em que havia surgido, e a esperança que havia queimado dentro de si voltou a ser suprimida.
Pelo visto, aquela era a hora em que a sua fé e liberdade se transformavam em dúvida e prisão outra vez. O sonho havia virado pesadelo, mas, agora, o tormento era ainda pior, pois saber que o Thomas estava passando pelas mesmas coisas – ou por piores – fazia com que alguma coisa dentro de si se quebrasse.
— Não... — sussurrou; os olhos já com lágrimas. — O Thomas não, por favor, ele não...
Com um movimento preciso e firme, a espada de Tony cortou uma parte do duto onde ele estava e, graças ao aprimoramento que os seus olhos causavam nos objetos de sua escolha, o corte da lâmina se tornou ainda mais letal que o normal, criando um corte avermelhado no ar que atingiu alguns soldados desprevenidos à queima-roupa. Devido ao corte recebido, que fora doloroso e profundo, os homens caíram no chão se contorcendo de agonia, fazendo com que os outros ficassem boquiabertos devido ao ataque inesperado.
Sem terem tempo de sequer piscar, os outros guardas começaram a cair um a um, sendo atingidos por rápidos e minuciosos cortes diferentes causados pela espada; Tony era um vulto, um borrão de olhos escarlates em meio ao mar de homens caídos. A velocidade dele era impressionante, e os seus olhos vermelhos permitiam que ele visse todo o local com extrema clareza e precisão, além de detectar os pontos fracos dos inimigos – assim como o Kral; na verdade, caso fosse necessário compara-los, o mais novo era mais mortal, forte e pertinaz, entretanto, mesmo tendo um nível menor daquela habilidade, o Tony controlava essa fração de poder com impressionante maestria.
Desesperados, os seguranças de Bry começaram a atirar a esmo com o intuito de atingirem o seu inimigo, contudo, as balas não acertavam nada além da parede ou telas de computadores, transformando aquilo em uma desordem e bagunça maior do que já estava. Percebendo o desastre que estava acontecendo naquela importante sala, o soldado que estava próximo aos computadores não pensou duas vezes antes de descer a mão sobre um botão vermelho que, ao ser acionado, fez com que uma luz escarlate começasse a piscar em todo o castelo junto a uma sirene de emergência; além disso, uma voz robótica logo começou a gritar repetidas vezes:
“Estado de segurança ativado”.
Em consequência disso, o castelo se fechou. Cada janela, porta, abertura e passagem – secreta ou não – que dava acesso ao exterior foram fechadas graças a uma camada espessa de Dinks que cobriu por inteiro desde a ponta superior até a inferior do prédio. Seria impossível usar os poderes para quebrar essa parede, pois o Dinks absorveria tudo e, caso tentassem quebrar essa defesa sem a ajuda das habilidades especiais, precisariam ter algo capaz de sobrecarregar todo aquele material, caso contrário, seria impossível escapar – os únicos capazes de cortarem e moldarem o Dinks ou o Sub-x eram as pessoas do reino Valir, famoso por sua ciência e tecnologia, ou os habitantes de Nullo, que era o reino de onde provinha a maior parte desses dois materiais. Em suma, eles estavam presos bem no coração do território inimigo até que aquela parede se desfizesse.
A luz vermelha ainda piscava quando o Tony pegou o guarda responsável por apertar no botão e jogou a cabeça dele contra a parede brutalmente, fazendo o homem chiar de dor devido a colisão de sua bochecha contra o metal; a essa altura, os outros seguranças já estavam todos no solo, incapacitados de fornecer qualquer tipo de ajuda.
— Desfaça isso... — ordenou, batendo a cabeça do adversário contra o metal outra vez quando notou que o homem planejava revidar o ataque; sangue escorreu pela boca do soldado quando ele cuspiu dois dentes e xingou baixo. — ... agora.
O guarda sorriu; os dentes melados de sangue.
— Impossível. Esse castelo vai ficar assim por 48 horas, só os reis sabem como desativar isso antes desse tempo — ele tentou rir, mas acabou tossindo sangue ao invés disso. — Vocês são nossos prisioneiros agora, idiotas.
Tony segurou a parte de trás do pescoço do guarda com mais força, obrigando o homem a tirar o sorrisinho do rosto; os seus olhos escarlates brilharam, intensificando mais o seu semblante de ameaça.
— Não se eu obrigar os reis a abrirem isso.
O homem encarou o Tony com o mesmo nível de determinação e periculosidade.
— Tenta a sorte então, vamos ver se essa sua conjuntivite vai te ajudar — o soldado riu, ignorando a dor latente em sua boca, porém, quando o Tony também riu, o homem voltou a ficar sério.
— Obrigado pelo apoio, espero que eles sejam tão fortes quanto você... ou seus dentes — respondeu, lançando um olhar irônico até o local onde o canino e o primeiro molar do seu inimigo haviam caído. Antes que o soldado pudesse concluir um xingamento, Tony bateu a cabeça do seu adversário contra a parede mais algumas vezes até que ele, finalmente, apagasse – ao fazer isso, o jovem largou o corpo do guarda e guardou a espada para, em seguida, ir até os computadores.
A sirene, as luzes e a voz robótica ainda não haviam cessado, o que acabavam deixando o Tony estressado. Quando ele tentou mexer no teclado, nenhum comando lhe foi concedido; tudo estava travado graças ao estado de emergência que aquele maldito soldado havia ativado. Como não conseguia fazer nada, Tony colocou uma luva transparente por cima da que já usava e levou a sua mão para perto do teclado outra vez.
Um “T” acendeu na palma da luva quando a mesma foi exposta à tecnologia, deixando claro quem havia sido o criador da mesma – Thiago – então, rapidamente, alguns fios saíram dela e seguiram até as entradas dos computadores. Em pouco tempo, a tela começou a chiar como se tivesse quebrado, todavia, logo depois, o barulho e as luzes sumiram – mas a defesa de Dinks não. O segurança de Bry havia falado a verdade, era realmente impossível desativar a parede daquela maneira, porém...
“Tranca das celas desativadas”, foi o que a voz robótica anunciou dessa vez. A parede de Dinks era intocável, mas as trancas das prisões não; os prisioneiros estavam – parcialmente – livres. Esse grande número de pessoas chamando a atenção dos guardas seria bastante útil para que, discretamente, pudessem dar um fim ao “estado de emergência” a partir do modo no qual aquele soldado havia revelado: enfrentando a família real.
Ao concluir um de seus objetivos, Tony deu permissão para que a luva cibernética terminasse o seu trabalho e salvasse as informações do sistema antes de destruí-lo por completo. Agora, caso os governantes quisessem trancar outras pessoas nas suas malditas celas, eles teriam de usar outra sala de controle para fazer isso, pois através daquela seria impossível.
O cheiro de queimado subiu quando a luva desconectou os seus fios de dentro da entrada dos computadores, indicando que o que tinha de ser feito já estava perfeitamente concluído.
— Thiago? — chamou-o, colocando a mão no comunicador antes de subir com uma certa dificuldade para o duto de ar; a essa altura, os guardas já estavam inconscientes e não puderam ver ele entrar ali, no entanto, mesmo assim, o mesmo se certificou de garantir que a passagem para o duto fosse completamente obstruída para que ninguém mais entrasse, ao menos não por ali. — Bem, digamos que temos alguns probleminhas a mais para resolver.
Quando as luzes vermelhas, o barulho da sirene e a voz que repetia diversas vezes “estado de segurança ativado” ainda podiam ser ouvidas e vistas por todo o castelo, a reação de cada grupo foi diferente.
A equipe de Cássia, que era constituída por ela, Ryan e Camille, entreolharam-se com olhares receosos e, como não sabiam o que poderia ocorrer perante aquele alarde, imediatamente se prepararam mentalmente para uma possível luta; Camille agarrou uma de suas armas afiadas que estavam espalhadas pelo uniforme, o corpo de Ryan esfriou graças ao acúmulo de gelo dentro de si e o punho de Cássia brilhou levemente num tom roxo, mostrando-se pronto para erguer um campo de força a qualquer momento.
No meio do alvoroço entre o estado de emergência e o incêndio, Nicholas e Alephe corriam e se teleportavam de uma distância para a outra freneticamente, tanto é que já estavam longe da antiga sala de armas que, agora, estava cheia de gente tentando conter o fogo; pelos olhares satisfeitos dos meninos da K2, ambos pensavam ser os causadores de toda aquela baderna, afinal, não sabiam que, na verdade, uma grande contribuição para essa desordem havia sido advinda de um dos soldados de Bry, no entanto, ao contrário do que pensavam, essa não era uma confusão que os favoreciam; era o decreto de que estavam presos naquele castelo.
Ao contrário dos dois rapazes, o Thomas sabia o que aquilo significava. Enquanto corria do irmão e dos soldados, o garoto só pôde engolir o medo e prosseguir com a fuga, no entanto, o mesmo sabia que, por mais que tentasse escapar, seria impossível deixar o prédio em que estava, além do mais, pela expressão furiosa e determinada de Thadeu, que seguia fielmente atrás de si, ele notou que fugir do seu irmão também parecia ser perda de tempo. Espantando esses pensamentos, Thomas engoliu em seco e continuou.
No quarto, o barulho chamou a atenção de Aurora, Flora e Tell, que apenas ouviram aquilo em silêncio; olhares de dúvida, medo e inquietação foi tudo o que compartilharam um para o outro.
Além deles, o Rey, que já se aproximava do local onde o Yuri e o Arthur estavam presos, também acabou sendo exposto aos sons e luzes; isso o fez parar de andar por um momento. Uma veia saltou de sua testa, revelando a sua impaciência.
— Eu só saí um minuto e já acionaram o sistema de segurança por causa de meras crianças — ele fechou os punhos com força, num misto de ódio e vergonha. — E ainda há quem diga que eu sou ruim por chamar esses incompetentes de miseráveis inúteis.
Indignado, o general prosseguiu o seu caminho.
Diferente dele, o rei e a rainha de Bry – que por trás da figura de governantes carregavam a experiência de serem os melhores ladrões do reino e, agora, os assassinos mais letais e perigosos não só de Bry, mas de todos os cinco reinos de Envyr – tinham uma perspectiva diferente daquela situação. Todos, principalmente o Rey, estavam presos com eles; era a hora do plano ser colocado em prática.
O rei Thor se levantou da enorme cama de seu quarto, que era tão grande que poderia ser uma casa, e a sua esposa o imitou, ficando lado a lado com ele. Ambos ainda vestiam trajes reais elegantes e finos, afinal, tudo o que estava acontecendo não era preocupante o bastante para que colocassem uma vestimenta de batalha.
O que para muitos parecia ser um estado de emergência, para eles, não passava de um pequeno problema que já estava prestes a ser solucionado pelos próprios.
— Hora de entrarmos em cena.
E aí gente, tudo bem?
Estou passando no final do capítulo pra lembrar vocês de deixarem uma estrela ☆ e um comentário dizendo o que vocês acharam ♡
Será que Thomas vai conseguir fugir do Thadeu? Quem aí ficou triste por nossa Florinha? :( Vamos esperar e torcer pra que dê tudo certo! ✊
Por hoje é isso, pessoal, um abraço e até breve! 🤍
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