VII| Pandemônio

Logo após o Simmon ter alertado a todos sobre o "código D", que era um codinome usado para expressar a presença da Divisão, as pessoas presentes na plateia começaram a gritar e a correrem de um lado para o outro, em busca de um lugar no qual ficariam seguras. No entanto, era difícil achar um local protegido por ali. Graças a esse alvoroço, o Thomas e o Saul interromperam a sua batalha para que pudessem tentar entender o que estava acontecendo. As pessoas estavam desesperadas, correndo em círculos e, em meio aos berros, era possível escutar, ainda que com uma certa dificuldade, a voz do organizador chefe mandando o público ir em direção aos ônibus que os tinham levado àquele lugar. Como o tumulto entre todos era enorme, não dava para saber ao certo quantos obedeceram àquela ordem e quantos correram para dentro da floresta visando se esconderem. Da arquibancada, o Ryan pareceu ignorar o desespero das pessoas para, então, correr até o parapeito, com a intenção de ver a área onde os treinadores de elite estavam, contudo, quando o mesmo notou que todos haviam ido embora, ele se virou para o Diego com um certo furor.

— Nossos esforços não deram em nada, eles não estão mais lá! — exclamou, num misto de decepção e raiva. O ruivo só teve tempo de xingar em voz baixa, antes do Michael ordenar que os meninos corressem para longe dali. No momento em que Nicholas, Daphne, Ária, Camille, Eduardo, Diego, Ryan e Alephe obedeceram a exigência do PF, todos os professores, organizadores e as pessoas com um grau mais elevado rapidamente entraram em posição de combate; mostrando-se preparados para o que quer que saísse de dentro daquelas naves no céu.

Os mais novos arregalaram os olhos ao verem que os seus professores estavam decididos a ficarem ali para lutar, mas, mesmo que quisessem, eles não se disponibilizaram a ajuda-los, pois, sinceramente, a presença deles ali poderia apenas atrapalhar.

— Vocês estão querendo ir para o céu mais cedo, é? Corre! — bradou Eduardo, ao passar pelo Thomas e pelo Saul, que estavam espantados com o que viam, porém, após ouvir seu parceiro – que, diga-se de passagem, tinha uma voz bastante potente –, o Thomas começou a correr; atitude essa que o Saul não tomou, pois ele parecia decidido a ficar ali para batalhar também. Assim que os mais novos atravessaram o campo ilusório, eles se encontraram com o Kal e com o Arthur, que estavam parados enquanto decidiam se iam pela única estrada livre – estrada esta que eles usaram para chegar até ali e que, hora ou outra, iria dar nos ônibus – ou se iriam pela floresta – que, mesmo não dando até os ônibus, deixariam eles bem mais escondidos dos olhos da Divisão. A maioria desacelerou o passo quando os viram, entretanto, quando uma explosão alta ecoou atrás deles, os demais alunos que estavam correndo por ali começaram a apressar ainda mais as suas passadas. Como todos pareciam confusos em relação a que caminho seguir, o Nicholas acabou correndo para dentro da floresta e, graças a isso, os demais começaram a segui-lo.

O Nicholas era rápido, por isso levou um tempo para que o Thomas conseguisse alcança-lo para, enfim, agarrar fortemente o braço do mesmo; obrigando o garoto a dar uma pausa na sua fuga.

— PAREM! — gritou ele, e, como os seus companheiros estavam apressados, todos acabaram batendo uns contra os outros antes de, finalmente, pararem. — Por que diabos vocês estão seguindo o caminho que o Nicholas escolheu?!

— Ué, eu pensei que vir por aqui seria um atalho! — rebateu o garoto, enquanto os demais arfavam e observavam aquela discussão com uma certa aflição, pois sabiam que cada segundo que eles passavam parados poderia custar caro mais tarde. — Sempre tem um atalho ou um labirinto dentro de florestas, todo mundo sabe disso! Além do mais, nós estamos escondidos aqui.

— Tão escondidos que nem sabemos onde estamos! — retrucou Daphne.

— Nós viemos em linha reta, ainda dá tempo de voltar! — anunciou o Thomas, enquanto passava os seus olhos de uma maneira bastante ágil por todo o local; como se a sua vista já conhecesse aquele ambiente. — Temos mais chances de escapar se irmos em direção aos ônibus, esse reino em que estamos não é o melhor a se ficar. Vamos volt...

— Não se preocupem, vocês estão no lugar certo! — proferiu uma voz masculina, fazendo com que todos imediatamente ficassem em estado de alerta enquanto olhavam com cautela os cantos da floresta onde estavam; à procura do dono daquele timbre.

— E então, sentiram a nossa falta? — outra voz masculina questionou, porém, dessa vez, os donos das vozes deram as caras quando saíram detrás de uma das árvores que haviam ali. Assim que os rapazes se revelaram, a maioria ou arregalou os olhos ou ficou boquiaberta – ou, no caso de Daphne e Ária, ambas as coisas.

— V-Vocês? — indagou a Ária, em estado de choque.

Ela estava estática. Os olhos da mesma não poderiam estar mais abertos e o queixo não podia estar mais caído quando, com uma voz bastante trêmula, ela sussurrou;

— J-James e Yuri...?

Ao dizer os nomes deles, a moça prendeu a respiração devido a enxurrada de emoções que a atingiu de uma só vez, no entanto, ela não era a única a ter aquela reação intensa. A Daphne, que estava um pouco mais atrás da menina, compartilhava dessas mesmas emoções, e os olhos dela imediatamente se fixaram nos de James, que a encarava de volta de uma maneira mais fria.

Assim que a Flora se encontrou com um desconhecido e perguntou quem ele era, a mesma acabou franzindo o cenho quando o garoto ergueu a cabeça e, ao encara-la, passeou os olhos por ela com um olhar um tanto quanto admirado. Todavia, isso não a incomodou, pois ela também estava focada demais nas características físicas dele; nos volumosos cabelos castanho-escuros, na pele cor de noz e nos olhos... Ela arregalou os dela.

Violetas.

Ao perceber essa característica marcante, ela deu um passo para trás, mostrando-se um tanto quanto hesitante, afinal de contas, aquele rapaz era bastante parecido com o...

— Thomas?! — sussurrou, mas o menino pareceu a ouvir, já que rapidamente ergueu uma das sobrancelhas.

Pensando bem, aqueles olhos também eram iguais aos de Thiago... Pelo Ômega, como um traço físico conseguia ser tão marcante assim?!

— Ora, vejo que conhece o meu irmão — comentou, ao mesmo tempo em que abria um sorrisinho no canto dos lábios.

— Irmão? — indagou, e o rapaz deu uma risadinha ao notar a desconfiança presente no tom de voz dela.

— Pois é, somos uma família grande. Além dos nossos pais, há cinco irmãos com dois anos de diferença entre cada um... Se não fosse pelo Thomas, eu seria o mais novo — explicou, dando de ombros, enquanto a Flora semicerrava um pouco os olhos e o encarava com uma certa cautela. Caso as palavras daquele menino fossem verdadeiras, então, pela lógica, ele deveria ter uns quinze anos e... Bom, sinceramente, isso não era tão aparente assim, afinal de contas, o mesmo não chegava a ser tão mais alto que o Thomas.

Ao notar a análise que Flora estava fazendo de si, o rapaz de olhos violetas soltou outra risadinha rouca e levou as mãos até os bolsos para deixar claro que não se importava com o olhar dela sobre ele; coisa que acabou criando uma leve careta no rosto da moça, que se mostrou um tanto quanto aborrecida com a postura galanteadora que o jovem tentava transparecer. Quando o garoto sorriu de lado outra vez, divertindo-se com as expressões dela, a Flora abriu a boca para falar algo – provavelmente para soltar um comentário irônico a respeito do imberbe em sua frente –, todavia, o estrondoso barulho de algumas explosões a fez soltar um gritinho de susto e se virar para trás, com o intuito de ver o que estava acontecendo. Como não conseguia ver nada daquele lugar, a mesma logo levou os olhos até o jovem perto de si novamente, que parecia estranhamente calmo com aquilo tudo.

— Parece que estão se divertindo, não? — debochou.

Por conta daquele comentário, a menina lançou um olhar de advertência para o garoto que, diante dessa repreensão visual, apenas deu de ombros e começou a assoviar uma canção aleatória. Ele não parecia ter a intenção de ataca-la ou algo parecido, e a Flora estava inquieta demais em relação aos gritos e as explosões que advinham do local onde os seus amigos estavam, então, de uma maneira bastante ágil, ela deu as costas para o rapaz e começou a correr.

Clic.

Ao mesmo tempo em que o barulho do estalo chegou aos seus ouvidos, o pulso dela foi preso por algum objeto de... metal? Não deu para saber ao certo do que aquele material, que agarrou um de seus braços e rapidamente se expandiu para prender o outro, era feito. No fim, ela acabou caindo de barriga no chão, tendo aquela coisa prendendo os seus pulsos como se fosse uma algema grossa e desnecessariamente pesada. Como não desejava continuar com aquilo, a Flora, sem pensar duas vezes, tentou usar a sua eletricidade para se libertar, entretanto, nada aconteceu.

Os seus poderes tinham sumido.

— Mas como...? — perguntou a si mesma, espantada. "Então aquele barulho agudo que havia chamado a minha atenção era uma armadilha?", indagou, mentalmente, enquanto tentava separar os seus punhos um do outro. Sem sucesso. — Aurora! — chamou-a, em busca de ajuda.

Não dá! — respondeu o espírito dentro de si. — Essas não são algemas feitas apenas com Dinks. Pelo que estou sentindo, parece que há um pouco de sub-x e... bem, nós, espíritos, também somos afetados por esse material.

— Então sai de dentro de mim e faz alguma coisa! — pediu, tentando manter a sua voz o mais baixo possível, até porque, a mesma não desejava que o menino atrás de si descobrisse o que ela estava tentando fazer ou que pensasse que ela era completamente maluca.

Hã... — prosseguiu Aurora. — Eu meio que não consigo sair, é como se o seu corpo tivesse virado uma prisão para mim! — alegou, fazendo com que a Flora arregale os olhos, surpresa com aquela informação, para, em seguida, virar-se na direção do rapaz que já estava supreendentemente próximo de si. Sem demora, o jovem se abaixou ao lado dela e começou a mexer nos fios platinados da garota, que o observava num misto de raiva e receio.

— Gostei de você! — declarou, e tal comentário acabou fazendo a Flora franzir o cenho, mostrando-se um tanto quanto confusa. — Você tem uma beleza bem diferente, vai ser um ótimo souvenir!

— O quê?! — perguntou, sem esconder o repúdio presente em sua voz. — Você perdeu a noção?!

— Você deveria estar me agradecendo! — rebateu, largando os cabelos dela. — Como meu souvenir, você não vai ser morta ou virar uma escrava... Bem, ao menos não da Divisão — anunciou, e o mesmo não deixou de rir quando viu a menina engolir em seco e morder os lábios por conta da raiva que estava sentindo. — Vai ser divertido ficar contigo e... Ah! Acho que eu deveria agradecer às explosões por terem feito você se mexer tão rápido, não acha? Isso fez a armadilha se ativar — comentou, enquanto admirava as diferentes expressões de raiva, medo e nojo que ocupavam o rosto da moça.

— Não consigo acreditar que o Thomas e o Tiago têm um irmão como você. Tirando as características físicas, vocês não são nada parecidos! — resmungou Flora, fazendo com que o garoto abra um sorrisinho.

— Ora, obrigado pelo elogio! — proferiu, voltando a mexer nos cabelos dela, que o olhou com ainda mais furor. — Eu nunca iria querer ser como eles, afinal, quem gostaria de ser comparado com pessoas que traíram a própria família?

— Analisando a família... — iniciou, encarando o rapaz de cima a baixo com uma repulsa impactante o suficiente para fazê-lo arquear uma das sobrancelhas. — ... eu diria que eles tiveram razões aceitáveis para fazer o que fizeram.

— Ah, é? — questionou, ao mesmo tempo em que o sorriso dele se tornava um pouco mais intimidador. — Você é bem falante... — constatou, assim que soltou o cabelo de Flora para que pudesse agarrar o braço da mesma e prendê-lo contra o chão, acima da cabeça dela, que prendeu a respiração como uma forma de amenizar o temor que havia se instaurado dentro de si. — Acho que vou ter que te ensinar algumas coisas, souvenir...

Espera, ele realmente havia apelidado a Flora de souvenir?! A garota também pareceu notar isso, tanto que chegou tentar transformar a sua raiva em forças para se livrar da mão dele, porém, o seu esforço acabou sendo inútil.

— ... Bichinhos de estimação precisam ser obedientes aos donos e...

Nem morta! — vociferou, antes que ele pudesse continuar falando.

Se não conseguia se soltar, ao menos ela ainda podia fazê-lo parar de trata-la como um animal exótico.

— Ora, não se preocupe, eu não irei matá-la... — afirmou, enquanto passava a mão livre pelos cabelos dela, e esse gesto fez com que a garota balançasse bruscamente a cabeça, com a intenção de afasta-lo. Por ora aquele movimento pareceu funcionar, pois o jovem largou os fios prateados da mesma. — ... não posso desperdiça-la tão fácil assim — declarou, levando a ponta dos dedos até as claras sardas que ficavam no nariz e no canto superior bochechas de Flora. — Encontrar alguém com as suas características não é algo fácil — proferiu, mas não deixou de fechar a cara quando a moça virou rosto para o lado de maneira rude, conseguindo assim, afastar a mão dele de sua face.

— Não me toque.

Essas palavras pareceram enfurecer o garoto, que imediatamente agarrou o queixo dela entre os dedos e o moveu, de uma forma nada delicada, para cima, com o intuito de que a garota o encarasse. Ainda que a força.

— Acho melhor parar de reclamar e começar a agradecer. Depois que a Divisão encontrar os idiotas que vivem nas academias, todos eles serão mortos ou, no melhor dos casos, serão levados para uma prisão onde serão escravizados ou usados para experimentos! — bradou, enquanto apertava o queixo de Flora com cada vez mais força, chegando a fazer a mesma gemer de dor em certo momento. Contudo, a dor em seu queixo não foi nada comparado ao pavor que ela sentiu ao ouvir o nome da Divisão.

"Como assim eles estavam ali?", questionou ela, mentalmente. Quando haviam chegado? Por que eles n...

— Ah! — exprimiu, ao perder o fôlego.

— É impressionante como, até assim, as suas feições conseguem ser interessantes! — revelou o menino, apertando o pescoço dela com mais força. Não foi preciso muito tempo para o rosto de Flora começar a adquirir uma coloração vermelha, e, por causa do desespero que ela tinha em querer voltar a respirar, a mesma começou a mexer os seus braços com força para que conseguisse se libertar da mão ou – por um milagre – da algema que a prendia. — Você vai ser minha até que eu enjoe — assegurou.

A essa altura, ela nem estava mais prestando atenção nas palavras dele, tudo o que desejava era oxigênio. No entanto, o rapaz não demonstrava a menor piedade, e, como ela não podia usar as suas mãos ou os seus poderes para afasta-lo, o seu pescoço ficava totalmente vulnerável.

Era impossível se livrar daquele enforcamento por conta própria.

— N-Nã... Por f... P-Par... — ela tentou implorar, com o resto de ar que lhe restava nos pulmões. Diante das súplicas, o rapaz apenas sorriu enquanto observava as forças dela irem diminuindo pouco a pouco. Quando não restava mais nada que a Flora pudesse fazer além de permitir que os seus olhos fossem se fechando, o menino proferiu, momentos antes dela perder a consciência;

— Irei me divertir bastante com você.

— V-Vocês estão vivos? — questionou Ária, sem saber ao certo se deveria se sentir feliz com a presença dos seus velhos amigos. Reencontrar o James e o Yuri havia lhe tomado o fôlego, deixando-a prestes a explodir de alegria, porém, após observa-los bem, a garota logo notou que havia algo errado. Ambos os garotos estavam muito sérios, mas o que mais a chocou foi perceber que eles a olhavam como se a mesma fosse uma completa estranha. De alguma forma, aquilo doeu mais que um tiro no peito, e a moça precisou respirar fundo para não derramar nenhuma lágrima. — Vocês não sabem o quanto eu senti a falta de vocês! — continuou falando, porque, mesmo que tentasse, não conseguia ficar calada perante aqueles dois. — O que aconteceu com vocês? — perguntou, mas aquilo soou mais como uma súplica.

Ele necessitava saber mais sobre eles. Queria saber o porquê daqueles olhares frios, da indiferença e da seriedade. Será que ela havia feito algo? Será que haviam se sentido abandonados?

— Foi tudo um plano — respondeu Yuri, depois de alguns segundos de silêncio que se estenderam após a pergunta de Ária, que, ao ouvir aquilo, não conseguiu mais segurar as lágrimas que lhe queimavam os olhos.

— Plano? — perguntou, com a voz embargada devido ao choro. Os outros ao redor dela não faziam ideia do quanto que ela torcia para que aquele "plano" comentado pelo Yuri não fosse algo ruim, afinal de contas, os seus dois amigos, os seus primeiros companheiros, aqueles em que ela mais confiava, os seus parceiros mais próximos, os irmãos que ela havia perdido, que havia chorado e passado noites em claro devido à saudade que sentia deles e... Ela engoliu em seco, sentindo-se completamente exausta dos seus próprios pensamentos e das memórias pesadas que eles lhe traziam. — Que plano? — de alguma forma, ela ainda arranjou forças para indagar isto, porém, a Ária não podia negar que tinha muito medo da resposta que iria receber.

O seu corpo inteiro tremia descontroladamente.

— Precisávamos ficar na K2 para coletar informações para a Divisão...

Não, este pensamento passou pela mente da garota, que respirou fundo para recuperar o fôlego que havia saído de seu corpo após o nome do governo ser revelado. Isso não pode ser verdade.

— ... demoramos muito, mas finalmente estamos livres da K2 e dos testes idiotas que precisávamos fazer! — finalizou Yuri, que lançou um olhar aliviado para o James, que rapidamente abriu um sorriso frio, mostrando que concordava com as palavras dele. Ver aquele sorriso seco se formar nos lábios do James não atingiu apenas a Ária, mas a Daphne também, que soltou o ar de seus pulmões; em choque.

Aquela troca de sorrisos dos rapazes foi capaz de abrir os olhos de todos. Aqueles não eram o James e o Yuri que eles conheciam. No entanto, mesmo que a Daphne tivesse se sentido traída pelo James, quem mais sentiu dor foi a Ária. As esperanças que ela tinha haviam sumido, e um turbilhão de emoções passou por dentro de si, atingindo-a como se fossem socos.

"Quem são esses?", a mente dela gritou, quando a dor que a mesma estava sentindo venceu os seus sentidos, fazendo-a cair de joelhos no chão, totalmente destruída. As lágrimas esborravam dos seus olhos com uma facilidade impressionante, e, mesmo depois de descobrir tudo, ela ainda não sabia se estava chorando de alegria – por estar vendo os dois vivos – ou por tristeza – por saber que havia sido traída –, porém, no final das contas, ela não se importava mais com isso.

Era difícil se importar com as coisas quando as pessoas que você mais amava se tornavam as responsáveis pelas suas feridas mais profundas e amargas.

— Ária! — exclamou Camille, abaixando-se para ver se a sua amiga estava bem.

— Eu considerava vocês uns irmãos para mim! — declarou a garota, forçando-se a erguer a sua cabeça para encarar os meninos em sua frente. Perante isso, Camille levou sua mão até o ombro da moça e o apertou, como forma de tentar demonstrar apoio à colega. — Vocês dois eram...

Éramos — James apressou-se em dizer. — A culpa é sua por ter se apegado tanto.

Ouvir aquilo fez os olhos de Ária se arregalarem. Naquele instante, pareceu que o último resquício de esperança dela havia sido rasgado e pisado, deixando-a sem nem um pingo de fé nos seus velhos amigos. "Quem são esses?", essa pergunta voltou a martelar a sua mente. A resposta grossa do James acabou fazendo com que a mesma retraísse o corpo como se tivesse levado um soco forte no estômago, e, aos poucos, os olhos dela foram perdendo o brilho. Sinceramente, ela parecia ter entrado numa espécie de transe. A vista da menina não focava em nenhum lugar em específico, e o corpo da garota estava encolhido de uma maneira tão intensa que gerou uma certa dose de assombro em Camille, que estava ao lado dela.

— Meu santo pudim! — reclamou Nicholas. — Se era para ser assim, eu preferia mil vezes que esses dois ainda estivessem mortos e... — tentou continuar, mas o Thomas rapidamente deu uma cotovelada no companheiro como uma maneira silenciosa de mandar o mesmo se calar.

— Não é hora para iss...

— COMO VOCÊS OUSAM FAZER UMA LADY CHORAR, SEUS PEDAÇOS DE MERDA? — gritou Diego, interrompendo as palavras de Thomas para, imediatamente, arder o seu corpo em chamas. Com a sua temperatura corporal bastante elevada, o ruivo usou o fogo para lhe impulsionar até os inimigos, entretanto, assim que o mesmo lançou uma rajada quente na direção deles, os corpos de ambos simplesmente sumiram.

— Uma ilusão! — exclamou Thomas, ao mesmo tempo em que lançava um olhar para o Ryan e, em seguida, para a parte da floresta que havia recebido as chamas de Diego. O rapaz de cabelos brancos não demorou para entender o recado e rapidamente jogou o seu poder gelado nas partes queimadas das árvores para que pudesse impedir um incêndio. — Controle-se! — bradou para o ruivo, que rolou os olhos para, em seguida, concentrar as suas chamas apenas nos seus cabelos e em seus punhos.

— Então aqueles não eram o James e o Yuri? — questionou Eduardo, confuso com aquela situação toda. Todavia, antes que alguém pudesse responde-lo, os corpos dos meninos reapareceram no mesmo lugar que antes, fazendo com que todos se virem em direção às ilusões deles com uma postura ofensiva.

— Somos nós sim, apenas não somos idiotas o bastante para aparecermos de peito aberto contra onze pessoas, ou melhor, dez pessoas e meia... — alegou, e os olhares de todos recaíram sobre o Alephe, já que ele provavelmente seria o "meio". Mesmo a situação sendo séria, o Nicholas ainda acabou soltando uma risada contida, e isso fez o rapazinho cruzar os braços, mostrando-se emburrado e, ao mesmo tempo, envergonhado com aquele comentário feito pelo Yuri. — Eu possuo poderes ilusórios, por isso consegui enganar vocês por tanto tempo, porém, sinceramente, até que isso foi uma tarefa fácil — proferiu, sem deixar de abrir um sorrisinho vitorioso no canto dos lábios. — Bom, vamos parar de conversas desnecessárias e partir para o que realmente interessa... — anunciou, e os seus olhos passearam rapidamente por todos os que estavam ali. — O nosso objetivo é capturar o Ryan, herdeiro do clã da lua, o Diego, herdeiro do clã do sol, e o Nicholas, o nosso espião de longa data.

— Espião? — indagou Camille, que, assim como os outros, estava espantada demais com as informações recém recebidas.

— Parece que o nosso segredinho foi espalhado — proclamou Ryan para o Diego, que deu de ombros.

— Até que enfim, eu não aguentava mais segurar isso. Contudo, é uma pena que ainda não tenhamos conseguido fazer o que pretendíamos aqui na semifinal — murmurou, mas logo balançou a cabeça de um lado para o outro, mostrando a todos que deixaria para pensar naquilo mais tarde. Após eles dois se manifestarem, a visão dos outros recaíram sobre o Nicholas, que observava o James e o Yuri de uma forma séria e um tanto quanto assombrosa.

Era assustador ver esse olhar no rosto do rapaz.

— Clã do sol e da lua? — indagou Thomas, quebrando o silêncio. — Esses não eram os clãs mais fortes do reino Hope? Ouvi falar que o da lua havia sido destruído durante o declínio da antiga classe S e, depois que isso aconteceu, o clã do sol simplesmente sumiu do mapa! — explicou, levemente pasmo. — Então vocês dois são... — o rapaz não conseguiu completar, apenas os encarou; estático.

Em contrapartida, James e Yuri pareciam se divertir com a confusão presente nos rostos de todos. Entretanto, com a intenção de tirar aqueles sorrisinhos dos lábios deles, o Nicholas se teleportou para frente dos meninos de maneira repentina, e, ao mesmo tempo em que fez isso, pequenos portais se formaram na ponta de seus dedos, criando assim, garras metálicas nas quais o garoto não hesitou em tentar enfia-las nos seus inimigos, que, como já haviam feito antes, sumiram.

— Como vocês planejam nos levar se nem têm coragem de aparecerem? — provocou, aumentando o tamanho das suas garras enquanto olhava para o ambiente ao seu redor, à espera de que pudesse encontrar algum local minimamente suspeito. — Venham me pegar! — desafiou-os, com os olhos fervilhando.

O pedido do mesmo pareceu ser ouvido, todavia, o alvo do ataque não foi ele.

— Menos um! — declarou James, fazendo com que todos se virassem para trás, já que a voz dele havia ecoado de lá. — Ah, como é bom usar os meus próprios poderes — comentou, e, para o espanto de todos, o menino estava com o globo ocular completamente branco, além de possuir pequenas veias esbranquiçadas rodeando o local próximo aos seus olhos. Antes que alguém pudesse pensar em fazer ou falar alguma coisa, o Arthur, que estava virado para o James, fez com que as suas asas e a sua espada de luz dourada aparecessem, contudo, ao invés do mesmo atacar o inimigo em sua frente, ele se virou para os seus companheiros e apontou a sua espada para eles.

Só então todos notaram que os olhos do garoto de cabelos encaracolados estavam iguais aos de James; e isso os chocou.

Uou! — declarou Nicholas, tentando conter a sua admiração. — Espera, isso aí é poder de possessão, não é?! Ai meu santo pudim, tem gente que diz que os fantasmas podem fazer isso, sabia?! Caraca, o seu poder é muito irad... — antes que ele pudesse concluir, o Thomas pigarreou, como se estivesse tentando dizer ao amigo que aquela não era uma boa hora para apreciar os poderes do inimigo. — ... muito manipulador! — o menino tratou de se corrigir. — É, é isso! Esse é um poder manipulador demais! — falou, mas, mesmo assim, era possível perceber que ainda havia uma certa admiração em seu tom, e isso acabou fazendo o Thomas soltar um suspiro para, depois, balançar a cabeça de forma negativa.

Era impressionante como o humor do Nicholas conseguia mudar de um segundo para o outro... Afinal de contas, ele não estava com raiva momentos atrás?

De qualquer modo, esse breve momento de fascínio do garoto pareceu acordar a Ária do seu transe, e a menina prontamente ergueu a cabeça e encarou o James com toda a seriedade que conseguia pôr no rosto – o que não era muita coisa, já que os olhos inchados e seu semblante abatido lhe davam uma expressão cabisbaixa.

— Por favor, pare! — tentou ordenar, mas o seu pedido saiu como uma súplica graças a sua voz falha. — Somos amigos, James... Por favor — prosseguiu, e os demais encararam a parceira com uma certa pena. Era muito ruim ver a garota daquela forma, até porque, eles sabiam quão abalada ela havia ficado com a perda dos seus antigos companheiros.

Aquele momento deveria estar sendo um dos piores da vida dela.

Como o James não a respondeu de imediato, a maioria chegou a pensar que o rapaz havia se sentido minimamente tocado pelas palavras da moça, porém, quando todos notaram que a área ao redor dos olhos de Ária estava começando a adquirir veias esbranquiçadas, eles se assustaram. O James não havia dado a mínima para o clamor da garota. Antes que o processo de possessão pudesse ser concluído, o Kal entrou na frente da colega, impedindo que ela virasse uma marionete para o inimigo, e a Camille, por sua vez, rapidamente tomou a iniciativa de tirar a sua amiga do chão de maneira brusca, para que ela pudesse "acordar".

— Eles não são mais os seus amigos! — afirmou a loira, fazendo com que a Ária assentisse levemente com a cabeça enquanto lutava para manter o equilíbrio. A experiência de quase ser possuída a havia deixado meio desnorteada. Enquanto a Camille tentava amparar a amiga, o Kal, que havia adentrado na frente da possessão, conseguiu lançar um olhar furioso para o James por alguns rápidos segundos antes de virar o rosto para um local qualquer; afinal de contas, a última coisa que ele queria era ser dominado pela habilidade do seu inimigo. Após esse ocorrido com a Ária ter fim, as pessoas que estavam ali se mantiveram hesitantes em atacar o James, pois o rapaz possuía o controle sobre o corpo de Arthur e, obviamente, nenhum deles desejava lutar a sério contra o companheiro – a não ser o Ryan, que precisou que o Eduardo o segurasse para que ele não fizesse algo inconsequente.

Como ninguém parecia saber o que fazer, a Daphne fechou os punhos com força, ergueu a sua postura e começou a caminhar em direção ao James de peito aberto. Perante essa atitude impulsiva da mesma, o Thomas até tentou impedi-la, todavia, a garota rapidamente se esquivou das mãos do colega e continuou andando rumo ao James, que ergueu o queixo diante da aproximação dela. Assim que a menina alcançou uma distância curta e perigosa do seu antigo parceiro, o Arthur, que estava sob o comando do jovem, acabou erguendo a espada na altura do pescoço da moça, indicando que ela não poderia dar mais nenhum passo; porém, mesmo sem poder prosseguir caminhando, ela continuou a encarar os olhos esbranquiçados do James com bastante intensidade e sem o menor medo de ser possuída. Ela parecia estar o desafiando a tentar controla-la, e isso acabou fazendo o garoto arquear uma das sobrancelhas de uma maneira assombrosa e incrivelmente sexy.

— O que você está fazendo? — questionou, grosseiramente. Assim que o Thomas notou que o James não possuía a Daphne mesmo que ela o encarasse nos olhos e falasse com ele naquele tom, o mesmo ergueu as sobrancelhas, mostrando-se surpreso e, ao mesmo tempo, intrigado com aquilo. — Que história é essa de Divisão? Por um acaso você se esqueceu do que houve com a sua mãe? Não se lembra que o seu pai a pegou a força porque a ach...

A fala dela foi interrompida por uma risada.

— Então foi essa a história que você inventou para justificar a minha morte, Yuri? — indagou o rapaz, ainda rindo. — "Minha mãe pobre e o papai malvado do governo" — ironizou, e a sua gargalhada só se intensificou. — Sinceramente, vocês acreditam em qualquer historinha mesmo... — debochou, enquanto balançava a cabeça de maneira negativa, e isso fez com que a Daphne erguesse as sobrancelhas; desacreditada.

Onde estava aquele James que ela conheceu nas preliminares do exame de prata? Aquele que lhe salvou a vida e...

Ela engoliu em seco.

— Então você nos enganou esse tempo todo? — perguntou, mas antes que o jovem respondesse, ela prosseguiu; — Você me enganou esse tempo todo? — indagou, com uma voz grave devido à sua desilusão, e, diante desse último questionamento, o sorriso que estava nos lábios do menino sumiu, deixando-o com uma aparência séria enquanto ele a encarava em silêncio. A partir daquele instante, os dois começaram a se observar de um modo bastante intenso, e os demais que analisavam aquilo tudo chegaram a prender a respiração devido a tensão que se instalou no ar.

Como não obteve uma resposta, a Daphne fechou ainda mais seu punho direito e, graças a esse movimento, a sua aura verde explodiu ao redor do mesmo, cobrindo a mão dela como se fosse uma forte chama esverdeada. Os seus poderes pareceram ficar mais abundantes e destrutivos após a perda do seu bracelete, mas a menina não teve tempo para apreciar isso, pois toda a sua concentração estava sendo depositada no garoto que a encarava com uma expressão neutra e fria. Esse não é o verdadeiro James, sua mente gritou, a medida em que ela levava o seu punho para trás, com o intuito de pegar impulso para um forte soco. Com a alta quantidade de aura que havia em sua mão, ela não se surpreenderia se apenas o vento causado pelo seu ataque fosse capaz de atordoar o seu inimigo... e o Arthur.

Bom, ela pediria desculpas a ele mais tarde.

Os demais observavam aquela cena com uma certa surpresa, entretanto, o que mais espantava não era o fato de que a Daphne estava se preparando para golpear o seu adversário, e sim o fato de que o James não dava o menor indício de que iria se defender ou contra-atacar a moça. Ansiosos, eles analisavam tudo com cautela, na expectativa de que a Daphne conseguisse ao menos desestabilizar o James para que o Arthur pudesse ser libertado, no entanto, quando o Yuri saiu detrás de uma árvore e apontou a mão em direção a garota, o Nicholas foi o primeiro a arregalar os olhos e gritar;

— CUIDADO!

Instintivamente, a Daphne olhou para o seu outro inimigo, e, de repente, tudo ao redor dela começou a ir embaçando, como se ela estivesse sendo levada na velocidade da luz para outro local. Inquieta com isso, a garota se virou para trás, com a intenção de ver ou pedir ajuda aos seus companheiros, porém, para a sua infelicidade, eles foram sumindo de um por um enquanto os seus pés eram afundados dentro de uma água que ia subindo cada vez mais pelo seu corpo, concedendo a ela uma grande sensação de agonia que só se elevou quando, de uma hora para outra, a mesma se viu dentro de um extenso oceano. A sua respiração imediatamente foi cortada quando a vista daquele monte de água surgiu, e uma sensação desesperadora tomou conta da menina que, a medida em que tentava fazer força para nadar para cima, mais para o fundo ela ia. Não demorou para animais marinhos de diversos tamanhos começarem a nadar ao seu derredor, fazendo o pânico e o desespero tomarem conta da moça, que já não sabia o que fazer para sair daquele local. O seu fôlego estava no limite, o seu corpo parecia tremer, e as lembranças da sua quase morte no rio da preliminar do exame de prata retornou à sua mente, causando-lhe uma sensação de terror gigantesca a medida em que os seus olhos iam escurecendo. Ela lutou com todas as forças contra o desmaio, pois sabia que, se cedesse, a morte facilmente a alcançaria. Entretanto, logo a mesma percebeu que era impossível ficar mais tempo sem respirar, e quando a água salgada adentrou por suas vias respiratórias, queimando todo o local por onde passava, ela se viu prestes a...

— DAPHNE! — gritou Ed, balançando o corpo da colega de maneira brusca para que, dessa forma, conseguisse traze-la de volta à realidade. — Daphne! — disse, com um certo alívio, assim que a garota repentinamente abriu os olhos e, logo em seguida, começou a piscar várias vezes, como se estivesse tentando se situar. Uma vez acordada, ela respirou com muita força, dando a entender que estava extremamente necessitada de ar, e, quando se recuperou, ela levou os olhos em direção ao Thomas, ao Nicholas e ao Diego, que estavam de pé em sua frente. Eles provavelmente devem ter feito algo para me trazer de volta, constatou a mesma, e, ainda que meio tonta, ela guiou os olhos rumo aos demais, conseguindo assim, ver que a Camille estava dando apoio à Ária enquanto o Kal estava na frente delas, em alerta. — Você estava dentro de uma ilusão! — explicou o garoto, notando a confusão presente no rosto da menina, que olhava de um lado para o outro como se estivesse tentando saber o que havia acontecido na sua "ausência". Após ouvir a voz de Eduardo, ela voltou a encara-lo, e, graças a isso, acabou notando que o Alephe também estava perto de si – e, mesmo que ele tentasse esconder, era possível notar que o pequeno estava bastante assustado com aquela situação toda. — Está tudo bem? — questionou, e Daphne franziu o cenho ao sentir o Ed passar o dedo pela sua bochecha para limpar algumas lágrimas que estavam ali. Só nesse instante a garota havia se dado conta de que havia chorado. Surpresa com aquilo, ela resolveu olhar para si e, por causa dessa atitude, a mesma logo notou que o seu corpo inteiro tremia, além do fato de que a sua respiração estava muito acelerada.

Caso ela tivesse ficado um segundo a mais dentro daquela ilusão, provavelmente estaria inconsciente na vida real.

— Nós já temos um! — bradou Yuri, o verdadeiro. Graças a fala dele, o Nicholas, o Thomas e o Diego, que estavam lutando contra o James e o Arthur, rapidamente se viraram para encarar o outro rival, e, ao verem que o Ryan estava com um olhar perdido enquanto o Yuri mantinha a mão na cabeça dele, todos arregalaram os olhos. O garoto de cabelos platinados havia ficado com a mesma expressão que a Daphne emitiu ao entrar numa ilusão, então, provavelmente, o menino estava sofrendo com alguma coisa nesse exato momento. Ao ver isso, a Daphne se desesperou, no entanto, esta não pareceu ser a única razão para a aflição da mesma, que, de uma hora para a outra, levantou-se do chão com um pulo enquanto os seus olhos passeavam por aquele local com uma velocidade impressionante, demonstrando que ela estava procurando por algo, ou melhor, por alguém.

Pelo Ômega, como ela poderia ter esquecido?

— Flora! — exclamou, alto o bastante para que todos a ouvissem, no entanto, ninguém pareceu escuta-la. Ryan estava preso numa ilusão; Ária ainda não tinha se recuperado e a Camille estava ocupada demais tentando consolar a amiga; o Kal estava em alerta para que não viesse a ser pego de surpresa pelos inimigos; Arthur estava sendo possuído pelo James; Nicholas, Diego e Thomas estavam lutando contra o James, o Arthur e o Yuri ao mesmo tempo. — Droga... — resmungou, ao perceber que era uma das poucas pessoas "desocupadas", e, após exprimir isso, ela deu as costas para todos; mas o Ed a segurou pelo braço antes que ela pudesse começar a se distanciar.

— Pra onde você vai? — indagou.

Era possível ver o medo presente nos olhos do menino.

— Chamar ajuda e encontrar a Flora!

— Mas...

— Você é um dos integrantes mais fortes desse grupo, então, por favor, não deixe que o Yuri e o... — ela engoliu em seco. Ainda não tinha se acostumado com a ideia de que o James poderia ser seu inimigo. — Não deixe que eles levem os nossos amigos embora.

— Você vai só?

— Confie em mim! — pediu, ao mesmo tempo em que lançava um olhar firme para ele e para Alephe, que segurava o braço de Edu com uma certa força; o rapazinho parecia aterrorizado com tudo aquilo. — Eu volto logo! — declarou, dando as costas para eles. Após dizer aquilo, a garota não demorou para começar a correr na direção do local onde havia ocorrido a semifinal, e, antes de sair daquele ambiente, ela e o James ainda chegaram a trocar olhares, porém, antes que pudessem ficar assim por mais tempo, uma muralha de fogo se elevou entre os dois, cortando o contato visual de ambos – o que fez com que a Daphne dobrasse a velocidade dos seus passos.

A labareda de fogo havia consumido uma grande parte da floresta de uma só vez, e os companheiros da menina ficaram todos do lado de dentro daquela área rodeada pelas chamas. Caso ela não tivesse pegado uma boa distância, provavelmente teria ficado presa do lado de dentro daquelas flamas também. Por um momento, a Daphne até chegou a admirar aquele poderio quente, porém, ela não demorou a voltar a manter cem por cento do seu foco naquilo que precisava fazer.

Salvar a Flora.

— Escutem-me, seus lixos! — gritou Diego, que, a essa altura, já estava com todo o corpo envolto em chamas. — Ninguém vai levar as damas, os pedaços de merda ou o meu maldito rival daqui! — gritou, e a barreira ardente que estava entre todos dobrou de tamanho; reforçando as palavras do jovem. Diante do comentário do ruivo, o Nicholas começou a tecer palavras de apoio pro amigo, enquanto o Thomas apenas encarou o companheiro com os olhos semicerrados, afinal de contas, ele provavelmente se encaixaria no termo "pedaço de merda", já que não era uma dama ou o rival do garoto... Porém, no final das contas, o Thomas resolveu deixar isso de lado por enquanto, pois haviam coisas mais sérias para serem resolvidas no momento – e o calor daquela muralha de chamas já estava começando a incomodar.

Para o alívio de Daphne, sair de dentro da floresta havia sido uma tarefa bastante simples, contudo, assim que ela atravessou o portal ilusório e pôde enxergar a arena e as arquibancadas outra vez, uma sensação de pavor subitamente lhe atingiu. Os telões, os assentos, a ala média e tudo o que uma hora fora admirável se tornou um emaranhado de pó e detritos; no entanto, isso ainda não era o pior. Haviam várias pessoas lutando, e, em consequência disso, também haviam muitos caídos, fazendo com que gritos, choros, súplicas e todo tipo de sensação angustiante pudesse ser ouvida e vista, deixando a menina em estado de choque. O seu corpo tremia, os seus olhos iam passando rapidamente de pessoa para pessoa e uma ânsia de vômito chegou a atingi-la, devido à grande quantidade de sangue e feridas abertas que podiam ser observadas. Pensar que a sua amiga, o seu irmão ou o seu professor poderiam estar passando por alguma situação como essa acabou fazendo a respiração de Daphne acelerar.

Como estava muito assustada com o que via, a moça precisou de um tempo antes de tomar coragem para entrar ainda mais naquele lugar, entretanto, após poucos passos, ela soltou um pequeno grito quando o seu tornozelo foi agarrado. Sem pensar duas vezes, a mesma puxou a sua perna para longe, mas, quando abaixou a vista para ver quem havia lhe segurado, o seu estômago revirou e o seu tremor se elevou.

— Socor... — balbuciou uma mulher, que estava com a metade do rosto derretendo. Parecia que aquela senhora havia entrado em contato com uma coisa tóxica o bastante para fazer a sua pele se desprender do seu rosto de um modo assombroso; e, pela quantidade de gritos que ela dava, era possível perceber que aquilo não era nada indolor também. — Por f... — tentou implorar, mas um grito arrepiante logo retornou à sua boca quando o seu olho direito começou a derreter junto com a sua pele. Chocada com aquilo, a Daphne abriu a boca, preparada para dizer para a desconhecida que iria ajuda-la, todavia, antes que as suas palavras pudessem ser proferidas, os outros que estavam caídos pelo local também começaram a implorar por socorro ou por um pouco de alívio das dores que sentiam.

Essa fora a pior cena que a Daphne já vira.

A mesma deveria ajudar essas pessoas ou seguir em frente? Se ficasse, ela seria capaz de ajudar tantos feridos assim? Haviam machucados que ela jamais vira em toda a sua vida, como seria capaz de fazer algo? Além disso, será que a Flora, o Michael e o seu irmão estavam numa situação como essa também? Sem sim, ela ajudaria os seus conhecidos ou as pessoas que agora, bem na sua frente, imploravam por qualquer dose mínima de auxílio?

Ter que decidir qual vida ela deveria tentar salvar foi a sensação mais intimidadora que ela já sentira.

— Tire-me daqui... — suplicou um homem. — Se não for ajudar, mate-me de uma vez!

— Eu tenho filhos... — declarou outra mulher.

— Por favor, socorro...

O clamor dos que estavam próximo a ela chegaram aos seus ouvidos, fazendo com que os olhos da menina começassem a arder em lágrimas. Ela não podia simplesmente continuar andando e ignora-los! Então, mesmo trêmula, Daphne engoliu o seu temor e se aproximou mais da mulher que havia agarrado o seu tornozelo, para que pudesse tentar livra-la da sua dor; no entanto, assim que a garota pensou em se abaixar para começar o tratamento, o berro de uma voz meio familiar alcançou os seus ouvidos.

— CORRA! — quando a moça ergueu a cabeça para ver quem era o dono do timbre, ela ergueu as sobrancelhas ao encontrar o mesmo médico que havia reclamado com ela e com o Alephe quando ambos estavam falando alto na enfermaria. Uma pontada de esperança invadiu seu corpo graças a presença daquele doutor, afinal, com ele, seria mais fácil e rápido ajudar os caídos, além disso, o profissional poderia conhecer as doenças que ela não conhec...

Um barulho de tirou ecoou.

— NÃO! — gritou Daphne, em pânico, ao ver o crânio do médico espirar sangue e se abrir após receber uma bala bem no meio da cabeça. O homem caiu ao som de seus gritos, e, assim que ela ergueu a vista para ver quem havia feito aquilo, uma integrante da Divisão se destacou entre os demais. A arma dourada na mão da soldada cintilou quando ela guiou o objeto até a Daphne, que gelou. Os projéteis daquela pistola poderiam muito bem serem feitos de Dinks ou, pior, de sub-x; e a menina sabia que se uma bala desse porte atingisse uma parte sensível do seu corpo seria o seu fim. Porém, quando pensou em correr, a mesma prendeu a respiração ao perceber algo bastante aterrorizador.

O seu corpo não a obedecia.

Mesmo com o seu cérebro mandando vários comandos como "corra", "desvie" e "mexa-se", o seu físico não atendia – talvez ele devesse estar ocupado demais tremendo. No momento em que a Daphne viu o dedo da mulher alcançar o gatilho, a mesma empalideceu, e sua mente parou de dar comandos para lhe entregar uma mensagem bem mais amarga: "Vamos morrer".

Era o fim.

Ou seria, se uma espécie de vento cortante não tivesse acertado a integrante da Divisão em cheio. O vento cortante possuía uma cor preta com alguns feixes vermelhos, e não parecia ter sido criado por um dominador de vento, e sim por algum potente corte de espada; tanto é que o braço da mulher, que estava apontando a arma para a Daphne, foi cortado fora.

— O que você está fazendo aqui?! — questionou uma voz masculina familiar o bastante para fazer a Daphne sorrir ao ouvi-la. Ela poderia reconhecer esse timbre a quilômetros de distância. — Você já deveria ter fugido daqui! — reclamou o portador da voz, ao mesmo tempo em que corria em direção a menina. Antes de se aproximar dela, o homem guardou a sua espada de volta na bainha e, assim que a alcançou, rapidamente a pegou nos braços, com a intenção de leva-la para longe dali. Ao ser retirada do chão, a Daphne segurou firme no jovem e se encolheu, revelando estar aliviada por tê-lo por perto e, melhor ainda, por saber que ele estava vivo e bem. — Agora vou ter que te colocar num dos esconderijos! — comentou, quando faltava pouco para chegarem no campo ilusório.

— Espere, Tony! — conseguiu dizer, assim que juntou as suas forças novamente. — Eu vim atrás da Flora e...

— O Michael disse que ia atrás dela! — apressou-se em responder, e um grande alívio tomou conta do corpo da garota. Se o Michael havia ido atrás da Flora, então quer dizer que ele ainda estava bem; pelo menos por enquanto. — Por que você não foi para os ônibus?

— E as pessoas que estavam caídas? — a moça indagou, ignorando a pergunta de seu irmão. — Elas precisavam de ajuda, porque nós não voltamos para tentar fazer alguma coisa?

— Isso é uma batalha, Daph — revelou, num tom de voz mais baixo. — Se nós voltarmos, poderemos acabar como eles ou até mesmo morrer... Teremos que deixá-los para trás — afirmou, e a única coisa que a garota pôde fazer foi apoiar a cabeça no peito do seu irmão; desolada. Mesmo que insistisse em voltar, ela sabia que não conseguiria curar a todos, e, nas condições em que estava, a Daphne também não sabia se teria estômago para ver aqueles homens e mulheres morrerem bem na sua frente.

— Vamos por ali! — mandou, assim que atravessaram a camuflagem. — Os meus amigos estão lá dentro e precisam d... — ela se interrompeu, e os olhos da mesma se arregalaram ao ver a grande quantidade de fumaça que emanava daquele ambiente.

A luta deveria ter ficado bem mais intensa na sua ausência.

— Você está bem mandona pra alguém que está se tremendo toda! — brincou, mas, mesmo assim, obedeceu-a e entrou na mata. Daphne pediu para que o irmão fosse em linha reta, no entanto, não era necessário que ela desse tantos comandos, pois a fumaça que ecoava de uma parte da floresta era uma referência mais do que perfeita para ajudar o Tony a se situar.

Eles não demoraram muito para alcançarem o local que gerava toda a fumaça, e quando a Daphne observou a grande muralha de fogo e todos os seus amigos do lado de fora dela – incluindo o Ryan e o Arthur – ela permitiu que o seu queixo caísse. A barreira de chamas era quente o bastante para impedir que qualquer um se aproximasse muito, e a fumaça que ela emanava só fazia com que a distância que as pessoas tinham dela aumentasse. Quando a menina saiu dos braços do irmão, ela alternou os olhos entre as flamas e os companheiros por alguns segundos antes de fazer a pergunta que estava entalada em sua garganta;

— E o Diego? — questionou, e Alephe rapidamente apontou em direção as chamas. Na verdade, ela desejava saber se o ruivo estava bem, porém não quis perguntar isso quando passou os olhos pelos seus amigos, que estavam mais acabados do que da última vez em que ela os vira. A Ária estava com um olhar distante, parecendo estar fora de si, e, por conta disso, o Kal a carregava nas costas; Camille estava sendo apoiada pelo Nicholas, que estava arfante, para conseguir se manter de pé; Thomas carregava o Arthur, inconsciente, em suas costas; e o Ryan estava meio tonto e com um olhar cansado – provavelmente por conta dos horrores que passou dentro da ilusão de Yuri. Assim que terminou de analisa-los, a moça percebeu que, além do Diego, mais um de seus companheiros estava ausente. — Cadê o Eduardo? — perguntou, temerosa. — Pelo Ômega, o que aconteceu aqui? — indagou, e não deixou de levar o seu olhar rumo as labaredas ardentes.

Ela parecia estar cogitando na hipótese de adentrar ali.

— Eles fizeram isso para tentar nos ajudar — explicou Thomas, um tanto quanto ofegante. — Estávamos lutando, mas uma parte de nós acabou entrando nas ilusões do Yuri enquanto os outros foram possuídos pelo James e... — ele parou um pouco, em busca de ar. — Bom, para nos libertar, o Diego pegou fogo de uma forma assustadora e o Ed começou a emitir sons ensurdecedores! Nós quase fomos atingidos várias vezes pelas chamas do Diego, e os sons altos do Ed acabaram obrigando a gente a se afastar, só que, quando menos esperamos, o Diego nos deixou de fora da barreira de fogo! Graças aos poderes dele, o Yuri e o James ficaram presos lá dentro e, como estavam tentando se esquivar das chamas e protegerem os ouvidos, acabaram libertando o Arthur e o Ryan... — explicou, da forma mais simples e rápida que conseguiu.

— Há um esconderijo por aqui! — declarou o Tony, assim que o Thomas se calou. — Sigam-me, irei leva-los para lá e...

Não! — gritou o Ryan, sem se preocupar em esconder o seu desespero. Era a primeira vez que o rapaz ficava assim. — Não podemos deixar o Diego e o Eduardo serem levados pela Divisão! — proclamou, aproximando-se do Tony, e os olhos do rapaz de cabelos platinados se arregalaram bastante, como se ele estivesse vendo o inferno bem na sua frente. — Se levarem eles, vão tortura-los até a morte! — gritou. — Não podemos abandona-los!

— Eles deram tudo de si para que vocês pudessem escapar! — exclamou Tony. — Sigam-me para o esconderijo que depois eu voltarei para sal... — o homem se interrompeu ao ver o Ryan arrancar a parte superior do seu uniforme de uma maneira bastante brusca, revelando a todos as inúmeras cicatrizes que o mesmo tinha pelo seu corpo.

— É isso o que a Divisão faz! — vociferou, ao mesmo tempo em que jogava o seu fardamento no chão com ódio e dor. — Se não salvarmos eles, aquele cabeça de tomate idiota e o Eduardo irão...

Escute! — bradou Tony, agarrando os ombros do menino que já tinha uma certa quantidade de lágrimas acumuladas nos olhos. — Vocês não vão ajudar em nada ficando aqui. Escondam-se e façam o sacrifício dos seus companheiros valerem a pena! — o Ryan ergueu a postura, preparado para falar algo, mas o mais velho logo prosseguiu; — Depois que vocês estiverem a salvo, eu virei para auxiliá-los, então faça o que eu estou mandando para que as coisas possam ser feitas da maneira mais correta e segura, você me entendeu?!

Ryan demorou para responder, mas, quando falou, a resposta foi proferida de uma forma bem alta e clara.

Não.

Uma fumaça fria começou a sair do corpo do rapaz, demonstrando o quão gelado o seu físico estava, e, sem perder tempo, ele se virou na direção da grande muralha feita de fogo. Os olhos claros do garoto se fixaram nas chamas, e pedaços cristalinos de gelo começaram a tomar conta dos seus dedos para, aos poucos, irem tomando conta de seus braços. Ele respirou profundamente e, assim que soltou o ar, uma fumaça densa saiu de si; revelando que o mesmo estava preparado para a batalha.

No entanto, antes que o Ryan pudesse dar mais que dois passos, o Tony acertou a sua bainha na nuca do rapaz com uma certa força, fazendo com que o mesmo – que já estava meio tonto antes – ficasse desacordado.

Os demais arregalaram os olhos ao verem essa cena.

— Sigam-me, por favor! — ordenou Tony, ao mesmo tempo em que pegava o garoto desmaiado nos braços. — Estou tentando salvar a vida de vocês!

Ninguém pareceu querer rebater a fala do homem, porém, quando ele começou a andar, o Nicholas adentrou em sua frente com uma expressão determinada.

— E os meus amigos?

— Assim que vocês se esconderem, eu virei salva-los! — garantiu. Nicholas encarou o Tony por mais um tempo até, enfim, assentir com a cabeça e dar espaço para o mais velho passar. O homem agradeceu e começou a correr rumo ao tal esconderijo juntamente às crianças, que o seguiam. O local seguro não era tão distante dali, e estava localizado sob uma pedra que, assim que o Tony a empurrou para o lado, revelou uma pequena caverna onde todos rapidamente adentraram. Era um ambiente sujo, escuro e desconfortável, mas com certeza era bem mais agradável que o campo de batalha. — Não saiam daí até que alguém da academia ache vocês, entendido?

A maioria concordou com a cabeça.

— Ei! — Nicholas o chamou, antes que o jovem pudesse arrastar a rocha para refugia-los dentro daquela toca. — Você disse que ia salvar os meus amigos, mas, se por um acaso não fizeres isso, eu juro que irei até as profundezas do inferno para traze-los de volta, entendeu? — Tony observou o garoto com a mesma dose de firmeza que estava presente nos olhos do menino quando concordou obstinadamente com a sua cabeça.

— Entendi.

Posteriormente, o homem arrastou a rocha de volta para o seu local de origem, conseguindo, por meio disto, esconder as crianças para, então, começar a correr de volta ao local onde o Diego e o Eduardo haviam ficado. Quando ele retornou à labareda de fogo, ela já não era mais uma simples muralha, pois as chamas já haviam se espalhado por uma boa parte daquela floresta. — Droga! — resmungou, ao mesmo tempo em que as suas pupilas dilatavam num tom avermelhado para, em pouco tempo, fazer com que essa coloração tomasse conta de toda a sua íris. A sua visão tomou proporções mais elevadas ao ganhar essa cor, e, assim que ele passou a sua vista pelo ambiente, em busca dos garotos, ele franziu o cenho quando não encontrou nenhum vestígio deles. — É, isso vai doer um pouco... — comentou, soltando um longo suspiro para, por conseguinte, adentrar em meio as chamas que haviam pelo lugar onde o mesmo desejava alcançar. O fogo logo encontrou o seu corpo, porém, sempre que começava a queimar alguma parte do Tony, o homem batia nas flamas para apaga-las; enquanto seu poder de regeneração cuidava de curar as queimaduras. Ele adentrou pela floresta, indo até a área onde havia achado os amigos de sua irmã, e, assim que chegou lá, acabou, mais uma vez, não encontrando ninguém. — Isso só pode ser brincadeira! — exclamou, ao mesmo tempo em que sacava sua espada que, na mesma hora em que o Tony pôs os olhos nela, adquiriu uma aura preta com vários feixes avermelhados; mostrando-se preparada para cortar qualquer coisa. Os olhos do homem brilharam outra vez e, graças a isso, ele pôde ver ao longe o possível método que a Divisão deveria ter usado para tirar o Diego e o Edu dali: a nave que estava sobrevoando o céu. De imediato, o jovem fez um corte no ar, com o intuito de acertar o veículo voador, entretanto, seu ataque não foi capaz de derrubar o aeroplano e, por conta disso, ele xingou algo em voz baixa antes de começar a correr na mesma direção daquele objeto que, muito provavelmente, levava o Diego e o Eduardo para longe dali.

— Kaleb! — proclamou, assim que, por meio de seu comunicador, conseguiu contato com o diretor da sua academia. — Código D, precisamos urgentemente de reforços!

— Não será possível.

Tony franziu o cenho, espantado com a resposta.

— Como é?!

— No momento, todas as Hopes estão sendo atacadas! — essa notícia fez o Tony gelar. Então era por isso que o governo estava tão quieto nos últimos meses, constatou, sentindo algo ruim lhe subir à garganta. — Não há como pedirmos reforços para ninguém, porque há membros da Divisão por toda parte! — explicou. — Estamos vivendo um verdadeiro pandemônio.

E aí gente, tudo bem?
Estou passando no final do capítulo pra lembrar vocês de deixarem uma estrela ☆ e um comentário dizendo o que vocês acharam ♡
O que vocês acham que vai acontecer daí em diante? 🤭 Só vou dizer uma coisa: Se preparem! 🤫
Um grande abraço e até breve! 🖤

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